José Saramago escreveu, em 2001, o seu único conto infantil...
Ler, citar, contar, escrever... Partilhar experiências de mediação de leitura e de vida...
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Poesia em animação...
José Saramago escreveu, em 2001, o seu único conto infantil...
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Parabéns, Mafalda!
«No passado dia 30 de Agosto, um discreto senhor de 77 anos sentou-se num banco da Rua do Chile, 73, em Buenos Aires, ao lado da estátua de uma menina em tamanho natural (...)quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Um novo ano...
Quase esquecemos que nem sempre assim foi!
Hoje em dia, acreditamos que cada professor lecciona um único ano de escolaridade... Ilusão! Cada turma tem alunos mais e menos adiantados, mais e menos motivados, alunos estrangeiros, alguns com necessidades educativas especiais... Subgrupos muito diversos, condições adversas. Exigindo uma resposta construída de dedicação, criatividade, empenhamento... Muito esforço. Nem sempre valorizado. Nem sempre bem sucedido.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Verdade e mentira da fotografia... (Citação)

domingo, 13 de setembro de 2009
Leituras de Verão...
Impõe-se um comentário aos livros lidos. E não basta dizer "Gostei" ou, menos ainda, "É bonito" ou coisa do género. Já no Liceu, há muitos, muitos anos, aprendi que não, isso nunca!...

- Córrego, Manuel, Vento de Pedra, Sopa de Letras, 2008
- Ebadi, Shirin, A gaiola de ouro, A Esfera dos Livros, 2009
- Llosa, Mario Vargas, Travessuras da menina má, Dom Quixote, 2006
- Tavares, Miguel Sousa, No teu deserto, Oficina do Livro, 2009
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
«Quem inventou o mês de Agosto?!...»
Ferragudo. Agosto. Tarde de sol tórrido. Raros se atrevem a mergulhar no rio Arade. Maré cheia, águas relativamente límpidas, mas as sujas margens desaconselham o banho apetecido. Que calor!
Um beco sem saída desemboca num pontão junto à foz do rio. Em frente, o mar. Na outra margem, Portimão.
A placa é clara: trânsito proíbido, excepto a residentes. Escassos veículos ousam a transgressão. Apenas peões se permitem aí sentir a brisa do Oceano, talvez pescar... ou simplesmente sentarem-se numa das esplanadas, beber uma água fresca ou tomar uma refeição, ainda que a desoras... De facto, as convidativas mesas estão sempre postas. Em enormes grelhadores, as brasas ardem em permanência, prontas para saborosos petiscos. Quanto calor!
Nesta latitude, Agosto é sinónimo de Verão. Agosto é praia. Mar, sal e sol. Costa de braços abertos para todo um país em férias. Para os nossos emigrantes que voltam, ano a ano. E não só: também para um bom punhado de espanhóis, ingleses e demais turistas "multinacionais"...
Quem inventou Agosto povoou cada pequena baía, fazendo crescer infinitamente uma antiga aldeia de pescadores... Encheu as arribas de casas que em Agosto abrem janelas e estendem toalhas salgadas ao sol...
Quem inventou Agosto engarrafou com filas de carros cada caminho que desemboca numa praia, para alegria de quem tem de trabalhar na grande cidade, mais a norte... Não a sul.
Gente, gente, gente... Calor!...
Quem inventou Agosto treinou a paciência de quem conduz e procura estacionar um automóvel... ou a de quem aguarda pacientemente ser atendido numa qualquer fila, em pastelaria, restaurante, minimercado, farmácia ou correio... suportando o calor. A custo.
Tudo sem importância quando finalmente se estende a toalha no areal e se mergulha na praia. Frescura!...
Agosto inventado, tem vencimento extra. Saldos. Passeios. Convívio. Tempo livre. Repouso. Preguiça subsidiada. Que o calor amplia.
«Quem inventou o mês de Agosto?!» foi uma pergunta que não espelhava alegria. Pelo contrário, soava a interjeição de grande desânimo. Quem assim falava era a empregada de mesa de um daqueles restaurantes, enquanto repunha uma mesa pela enésima, digo, pela milionésima vez, naquele tórrido dia de Agosto, sentindo o cansaço de um dia, aliás, de todo um mês que nunca mais chegava ao fim.
Com a fadiga de quem trabalha para proporcionar férias a quem as pode gozar.
Talvez ela suspire hoje de alívio, agora que as auto-estradas já registaram a avalanche do regresso a casa.
Talvez a Economia tenha sido relançada, assim esperamos! Mas provavelmente tal não trará grande reflexo para as suas magras finanças...
Para a «história» ficarão o sabor a mar, as recordações e as fotografias dos veraneantes. O calendário aguardando o próximo Estio. O desejo de regressar.
domingo, 19 de julho de 2009
Fantasias da Lua...

terça-feira, 30 de junho de 2009
Um livro de peso...

É um record mundial, protagonizado recentemente pela HarperCollins, da Grã-Bretanha.
A primeira (e talvez única) edição foi de 500 exemplares, sendo o custo de cada livro de £ 1000,00 (mil libras), isto é, aproximadamente € 1200,00 (mil e duzentos euros).
É certamente uma leitura indicada para gente endinheirada, forte e musculada, com vontade férrea de ler...
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Para uma antologia poética
humaniza a Lua. Lua humanizada: tão igual à Terra. O homem chateia-se na Lua. Vamos para Marte — ordena a suas máquinas. Elas obedecem, o homem desce em Marte pisa em Marte experimenta coloniza civiliza humaniza Marte com engenho e arte. Marte humanizado, que lugar quadrado. Vamos a outra parte? Claro — diz o engenho sofisticado e dócil. Vamos a Vênus. O homem põe o pé em Vênus, vê o visto — é isto? idem idem idem. O homem funde a cuca se não for a Júpiter proclamar justiça junto com injustiça repetir a fossa repetir o inquieto repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias. O espaço todo vira Terra-a-terra. O homem chega ao Sol ou dá uma volta só para tever? Não-vê que ele inventa roupa insiderável de viver no Sol. Põe o pé e: mas que chato é o Sol, falso touro espanhol domado. Restam outros sistemas fora do solar a col- onizar. Ao acabarem todos só resta ao homem (estará equipado?) a dificílima dangerosíssima viagem de si a si mesmo: pôr o pé no chão do seu coração experimentar colonizar civilizar humanizar o homem descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas a perene, insuspeitada alegria de con-viver.
Carlos Drummond de Andrade, In As Impurezas do Branco, José Olympio, Graña Drummond, 1973
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Estes pobres...
Acontece todos os dias. Fazem fila. Movem-se norteados pelo objectivo da sobrevivência. Querem passar despercebidos. Aguardam. Resignam-se a aceitar apoio, uma cama, uma refeição gratuita. São os novos pobres. Têm habilitações literárias, muitas vezes de nível superior. Um currículo experientado. Trabalharam anos a fio. Viram as suas empresas falir, os seus postos de trabalho extinguir-se, fugir o seu ganha-pão. Subitamente. Viviam condignamente, desafogadamente. Hoje, numa idade que soma anos, sentem-se capazes de tudo, incapazes para tudo. Agora, sobra tempo para deitar contas à vida. Todo o futuro é para reequacionar. Talvez a sós. Que a família não suspeite da má sorte. Com sorte, restam-lhes um magro subsídio de desemprego, poupanças a rarear... Uma baixa médica, uma esperança de reforma antecipada. Vender algo que não compraram barato, mesmo ao desbarato. É preciso viver a curto prazo. Qualquer coisa serve. Qualquer coisa. A depressão ronda. É preciso resistir. Sem sucumbir. A causa é citada a cada passo: Crise. É a Crise. Sim, a crise da Economia. Uma crise que tudo justifica, sem justificação. Uma crise a nível global, mas não geral. Basta ver as gritantes desigualdades sociais: os que têm e os que não têm direito a subsídio de desemprego; as pensões irrisórias e as outras, chorudas; os salários mínimos e aqueles outros, milionários... A mais paupérrima miséria de quem ignora o que fazer para pedir socorro, a par da frenética ganância de quem tudo tem e quer cada vez mais. Não olhando a meios para atingir fins. Sem sobressaltos de consciência pela necessidade de justiça social. Indiferente a solidariedade social. São muitos os braços inertes que tanto ainda poderiam construir! Demasiada a inteligência desaproveitada! Excessiva, a energia desperdiçada! Esmagadora, esta selvática Economia. “Sempre assim foi, sempre assim será.”- dirão muitos. “Vemos, ouvimos e lemos/Não podemos ignorar” – cantava uma respeitável voz resistente. Certo é que não é possível aceitarmos este caos como algo pacífico e sem remédio. Faltam oportunidades para quem ainda muito pode contribuir com as suas competências e apetências para um mundo melhor. Inventemos saídas para a Crise. Aposte-se na Educação. Na Saúde (“...um bem-estar social e mental...”, segundo a Organização Mundial de Saúde. Como estar mais de acordo?)
Aposte-se na Justiça. Recrie-se esta sociedade injusta que prescinde de alguém humana e socialmente útil, como de uma peça enferrujada e sem préstimo... colocada à margem, apenas, vá lá (o que não chega para nos tranquilizar!) com direito à sopa dos pobres...
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Escutando Glenn Miller...
Glenn Miller nasceu nos Estados Unidos, há 105 anos (1/3/1904). Tocava trombone, na era do swing, e dirigiu famosas "big band", entre 1939 e 1942.
Ingressou no exército americano durante a II Guerra Mundial e dirigiu a Orquestra da Força Aérea.
Morreu jovem, em 1944, num dramático acidente aéreo.
Há quem afirme que ele foi o paradigma da música popular do seu tempo.
Esta postagem pretende ser uma homenagem...
sábado, 2 de maio de 2009
Foi baptizado, o Tomás...

Salto prontamente para a personagem principal: o mais novo membro da família, o Tomás. Com apenas quatro meses, reuniu em torno de si, numa bonita igrejinha de Setúbal, meia dúzia de crianças e três dezenas de familiares e amigos, todos animados para assistir ao seu baptizado.
Que ganhou ele com o seu baptismo? «Ficou livre do "pecado original", passou a ser membro da comunidade cristã e tornou-se filho de Deus, a quem, doravante, pode chamar Pai.» - esclareceu o jovem padre.
Este, realmente jovem, seguiu criteriosamente, um a um, os rituais da cerimónia do baptismo e preparou cuidadosamente o seu sermão. Foi explicando, com rigor, a razão de ser de todo o habitual cerimonial. Apimentou o discurso ao falar sobre a facilidade de se ter um filho, com afirmações ligeiras de quem carece de experiência de vida. Compreensível, lamentavelmente.
Como lhe competia, o senhor padre fez questão de tudo orientar bem como de vigiar o cumprimento de regras, na sua casa de Deus. Intransigentemente. Pregou, literalmente, vários "sermões", com a autoridade de um "magister dixit". Faltou-lhe a bonomia de quem desculpa um atraso, de quem compreende a alegria simples de um encontro há muito esperado, de quem entende o precipitado entusiasmo daquele que se instala num lugar menos próprio para captar o melhor ângulo para uma fotografia, num momento especial...
Esperar-se-ia que ele, na sua igreja, pudesse ser como um pai tolerante e compreensivo ou como um anfitrião que acolhesse simpaticamente as suas visitas. Desejar-se-ia que ele fizesse sentir ali bem todos e cada um; que fizesse crescer em alguns daqueles que raramente o visitam o desejo de lá voltar; que talvez assim aumentasse o "rebanho" cada vez mais disperso por novas igrejas, hoje sediadas em caves, garagens, antigas lojas, velhos cinemas, em espaços mais ou menos nobres, espalhados por este e por aquele mundo fora...
Porquê toda esta debandada, quando tanta gente é explorada por corruptos autodenominados "ministros de Deus"? Talvez por uma fé pouco racional, por uma esperança... Por falsas promessas, talvez... Certamente porque a sua nova igreja os acolhe, os escuta, os faz participar e sentir-se parte de uma comunidade.
Esta velha igreja (em que fui baptizada e educada), por muito que custe admitir, tem de reformular objectivos, repensar estratégias, renovar métodos; formar padres com competências sociais e humanas para novos tempos. Se quiser cativar e acolher.
O Tomás, por enquanto, mantém-se imperturbável perante a aparente carência de bondade divina de um representante de Deus na Terra.
Pachorrento e sorridente, ele aceitou cada ritual do seu baptismo com a boa disposição de um bebé saudável, alimentado e bem cuidado, criado com amor no seio de uma família feliz.
Coerente, o Tomás manteve-se sereno ao longo do agradável dia de festa que a todos proporcionou.
Quando um dia mais tarde vir as suas fotografias, só esta alegria irá ressaltar.
Momento de poesia: «Poema à mãe»
No mais fundo de ti terça-feira, 21 de abril de 2009
Os livros...
O meu tio
domingo, 15 de fevereiro de 2009
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Momento de poesia
Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar

eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido
Chegava o mês de Maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido
E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio o não sei dizer
Só sei que tinha o poder duma criança
Entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer.
Ruy Belo
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Uma canção, pela paz...
Alguém concebeu a iniciativa... conjugou vontades... e muitos se envolveram na sua concretização.
O YouTube exibe o vídeo: é um facto que se mobilizaram e conseguiram!
A ideia parece criativa... menos fácil é acreditar que esteja apta a alcançar tão ambicioso objectivo...
A Paz parece inatingível quando não têm fim lutas entre povos vizinhos..., são violadas tréguas estabelecidas..., a indústria da guerra floresce...; pululam ódios raciais e étnicos...; a exploração do homem pelo homem assume os mais variados cambiantes...; acentuam-se desigualdades sociais...; a violência vive instalada na intimidade do seio familiar, onde a relação de afecto seria a única com verdadeira razão de existir...
Uma canção pouca diferença fará. Apesar da universalidade da linguagem musical.
Mas é certo que qualquer acto causa reacção... e pode gerar diferença.
Sem dúvida, grandes realizações começaram por uma simples ideia.
"Não há caminho... O caminho faz-se caminhando."
Paz?
Eu quero acreditar que ela possa espalhar-se como um manto... que cada um de nós ajudará a estender...
...«Paz... aos homens de boa vontade...»
O 1º de Janeiro aproxima-se; é o Dia da Paz.
Vem mesmo a propósito:
Feliz Ano Novo!...
Já agora, aqui fica o link para quem queira aceder ao vídeo e ouvir a canção:
http://www.flixxy.com/peace-through-music.htm
(Ou então, cantada por Ben King, com direito a tradução: http://www.youtube.com/watch?v=QxRyPKYlIsc )
Outro link ainda, para quem queira saber mais sobre este evento pela paz: autores, participantes... http://www.mahalo.com/Stand_By_Me_Video
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
"As galinhas da Vovó"...
É este o meu presépio. O indispensável símbolo desta época natalícia, data em que, mais ou menos conscientemente, o mundo celebra um nascimento.
O meu presépio não é branco nem negro: é cor de terra, castanho. Cor do material simples de que é feito: o barro. Saído de mãos hábeis de um artesão que o moldou com formas estilizadas. Simples e sóbrio, como eu gosto.
Simbólico e discreto, o meu presépio não escapou aos olhos atentos do Francisco. Dois anos e meio ladinos e curiosos, parou em frente dele, no meio das suas correrias alegres pela casa fora.
Olhou, reviu num ápice os seus conhecimentos do mundo, relacionou-os e inferiu, convicto: "(...são)...as galinhas da vovó...".
Confundira as ovelhinhas... apesar destas não serem exactamente como as galinhas que vira há tempos, algures num quintal...
Perplexos, os adultos riram... e apressaram-se a aproveitar aquele momento para uma lição precisa e breve, como convinha: "não é uma capoeira: é um estábulo"... e mais isto e mais aquilo... blá-blá-blá...:
"Nasceu Jesus, muito pobrezinho, mas tinha Mãe e Pai... e animais amigos"...
São assim os olhos das crianças...
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Citação...
"E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros.Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."
Miguel Sousa Tavares
domingo, 14 de dezembro de 2008
Contar histórias é fundamental...

sábado, 13 de dezembro de 2008
Tempo de poesia...
«na hora de pôr a mesa, éramos cinco:o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.»
José Luis Peixoto, A criança em ruínas, Quasi, 5ª ed, 2003
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Uma rosa - para Estocolmo
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Pelos Direitos Humanos!
Há 60 anos, no dia 10 de Dezembro de 1948, foi adoptada e proclamada, pela Assembleia Geral das Nações Unidas, a Declaração Universal dos Direitos do Homem.
10 de Dezembro. Dia de comemoração, dia dos Direitos Humanos.
Por isso, tal como o fazemos nas datas dos nossos aniversários ou no fim/ início de um novo ano ou ciclo, é também tempo de reflexão, tempo de nos orgulharmos pelo que já conseguimos, mas também, e sobretudo, tempo de olharmos para o que ainda temos para fazer.
Sessenta anos! Muito tempo, muita luta, muita batalha vencida.
Mas...
«Não há mas./Todos temos culpa. E a nossa culpa é mortal.»
(António Gedeão)
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Natal, e não Dezembro
Saibamos preparar-nos para acolher o Natal...
Natal, e não Dezembro (1962)
Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
Das mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.
David Mourão-Ferreira, Cancioneiro de Natal, Editorial Verbo, 2ª edição
Voltei à escola...
Entre dias amenos, dando lugar à esperança de belos dias ao ar livre, ainda por acontecer, foi tempo de preparativos para receber novas e velhas turmas, alunos novos ou desconhecidos; jovens curiosos ou desmotivados, tímidos ou atrevidos, francos ou dissimulados, preguiçosos e empenhados, maus e bons alunos…, cada um carregando as suas expectativas e limitações, receios e sonhos, por vezes bem distantes do que deles se espera, na escola… Para mais neste ano em que metas de sucesso, de tudo e mais alguma coisa, passaram a ser mensuráveis em grelhas e mais grelhas, de forma diversa em cada recanto do país…
Setembro trouxe-me à memória os meus tempos de menina, os meus primeiros passos na escola…
Nos idos anos 50, eu fui das que fizeram uma passagem pela Pré-Primária!… “Lembro-me” disso, talvez apenas devido às repetidas narrativas da minha mãe, confirmadas por uma fotografia de uma daquelas festas de fim de ano lectivo para pais, na qual estou, bem pequenina, muito senhora do meu papel de anão,
seguindo a bela Branca de Neve (certamente, a Educadora)…Tinha sete anos já bem contados quando entrei para a “1ª classe”. Assim ditou a exigência da idade, à data da matrícula.
Levava, certamente, o cabelo preso por um largo laço branco e um vestido cintado, preso nas costas por outro grande laço, acentuando a saia franzida e rodada… uma imagem que se repete nas escassas fotografias que conservo…
Não sei quantas seríamos naquela sala branca com quadro negro de ardósia, com carteiras muito alinhadinhas, de sólida madeira, com uma concavidade para colocar frágeis lápis de ardósia… (Ai, eles que não caíssem!…) e também canetas de aparo que introduzíamos, repetidamente, num branco tinteiro de cerâmica, implantado ao meio, a fim de recolhermos a imprescindível tinta permanente… causadora de dramáticos borrões!…
Recordo as infindáveis filas de carteiras, ocupadas por muitas meninas negras, mulatas e brancas (todas nós portuguesas, a maioria nascida em Angola) e conservo a vaga imagem da minha professora exigente e intransigente, que a todas tudo ensinava, mantendo uma disciplina garantida pelo infalível método das reguadas…
Quem tivesse capacidade de memória e raciocínio, método de estudo e um comportamento dócil (natural na época… e para mais nas meninas…), facilmente passaria incólume a castigos corporais e obteria sucesso escolar.
Ano após ano, fui assim avançando na minha escolaridade…
Nos anos 70, voltei à escola.
Desta vez, do outro lado das fileiras: como professora.
Empunhava um horário de 28h lectivas, que me atribuía sete turmas, de 40 a 45 alunas cada, perto de trezentas meninas, negras, mulatas e brancas (nascidas na Guiné; todas portuguesas, ainda que falando crioulo, entre si) a quem eu deveria ensinar Francês e que eu deveria avaliar…
Dera explicações, enquanto estudante; trabalhara voluntariamente numa sala de estudo, num bairro da lata, em Lisboa…
O meu curso, como era habitual, não tivera estágio integrado…
O curso de Ciências Pedagógicas era tão teórico quanto toda a formação académica feita, até então…
Em suma, aprendera a ser professora, observando aulas na minha condição de aluna. E pouco mais.
Reuniões de grupo... e colegas disponíveis para ajudar; paixão de ensinar, vontade de aprender e vencer desafios… amadorismo… Sempre aprendiz, fui somando experiência.
Sinto-me feliz por ter trabalhado nestes anos que passaram: devotada à profissão e aos alunos, em dedicação exclusiva e voluntária, tudo fazendo com prazer, por paixão…
Cargos exercidos rotativamente, tornando todos corresponsáveis pelo bom desempenho dessa missão...
Reuniões de efectivo trabalho... e não apenas para desbravar chorrilhos de novas legislações...
Participação periódica num Conselho Pedagógico, em que eram discutidos, democraticamente, problemas concretos e onde se procuravam soluções, nos limites do nosso poder de decidir e agir, após a auscultação de todos.
Muitas condições de trabalho foram, deste modo, melhorando... muitas questões pedagógicas, resolvidas.
Noites curtas para tanto que fazer!
A pasta carregada, sempre atrás…
Acompanhamento de estágios.
Formação aos sábados… por opção!
Congressos pagos, em período de férias…
Experimentação de novas metodologias.
Recurso a todas as estratégias... e aos meios tecnológicos à nossa disposição...
Cada novidade e dificuldade sendo encarada como uma nova oportunidade.
Muito trabalho! Sem fugir a desafios nem a responsabilidades.
Sem ter em mira qualquer recompensa, a não ser ensinar melhor.
Pelos alunos.
Profissão e não carreira.
Sujeita a uma avaliação periódica.
Fazendo formação, regular e obrigatoriamente.
Voltei à escola, este ano.
Num período de descontentamento e luta.
Em que reina a desconfiança no nosso trabalho e a incerteza de uma avaliação justa.
Em que nos sobrecarregam o horário, sem nos darem condições para trabalhar, no local onde somos obrigados a permanecer.
Num novo tempo em que escasseia o respeito granjeado e merecido.

Num momento em que os meninos de várias cores falam várias línguas, as turmas aumentam sem cessar, as problemáticas multiplicam-se... o que não se resolve sem tempo e serenidade para corresponder aos desafios desta nova realidade...
Voltei à escola.
No momento oportuno para lhe dizer adeus.
Um exemplo e conselho
Dedicatória:
À Ana Santos, minha jovem leitora
E a todos os jovens e menos jovens leitores que me visitam.
.........
A ave baloiçava feliz
num ramo de coqueiro sacudido pelo vento...
Não se sentia em perigo
e achava divertido tanto balanço e movimento...
- Nada é seguro na vida, nem sequer para os humanos,
e é preciso, portanto, dar-lhes exemplo e conselho:
«Saibamos saborear cada momento!»
domingo, 9 de novembro de 2008
sábado, 8 de novembro de 2008
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Não desistas!...
«Não é por as coisas serem difíceis que não as devemos ousar..., é por não as ousarmos que as coisas se tornam difíceis.»
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Um filme: a escola em debate!
O filme francês
"A Turma" foi premiado com a Palma de Ouro do Festival de Cannes 2008 e retrata o quotidiano de uma turma multiétnica de um liceu francês da periferia de Paris.O argumento baseia-se num livro de François Bégaudeau, que interpreta o seu próprio papel, uma vez que é o autor do livro que deu origem ao filme, no qual relata a sua experiência como professor. Os restantes actores não são profissionais: são alunos de liceus parisienses.
Laurent Cantet, o realizador, nega que se trate de um documentário, visto que não dá uma visão geral sobre a escola: é um filme centrado nas dificuldades de um professor perante alunos de um liceu, num bairro problemático; foram escolhidos momentos de tensão e de diálogo; a acção concentra-se naqueles 25 alunos e naquele professor, durante esse ano lectivo.
Sei que o filme tem gerado controvérsia: professores franceses, pais e sociedade, em geral, fazem leituras várias, fazendo ressaltar os seus pontos de vista sobre a Educação e a escola pública.
Alheia à polémica, eu vi o filme com comoção e sem estranheza.
Aquela turma não difere de muitas das nossas turmas (que são cada vez maiores).
Em 37 anos de ensino, em Almada, vivi em sala de aula situações diversas e idênticas, ora melhores ora piores do que as do filme... Quer tratando-se de imigrantes ou não!
O filme mostra-nos os professores a chegarem àquela escola, em Setembro, esperançados e meio assustados; a certa altura do ano, um deles teve um momento em que ficou absolutamente fora de si; vemos reuniões em que se cumprem imprescindíveis e meras formalidades, sobretudo preenchendo papéis... lá como cá..., sobretudo cá, onde os papéis abundam e se multiplicam.
No dia-a-dia, cada professor a sós com a(s) sua(s) turma(s)...

Assistimos a muitos minutos de aulas.
O professor é atento, activo, humano... tenta cumprir o currículo daquele ano de escolaridade de maneira flexível, adaptando-se aos alunos que tem diante de si – o que me parece correcto. Sendo professor de Língua (de Francês - simultaneamente como língua materna e não materna), ele treina afincadamente a expressão oral, a escrita, a leitura; insiste no vocabulário, na construção frásica, nos verbos..., revelando dominar bem a matéria que ensina, aceitando todas as opiniões e respondendo assertivamente.
Quanto ao seu método... na minha opinião, poderia ter usado outros recursos materiais e novas tecnologias; recorrer a trabalho em equipa; conduzir a aula em maior cooperação... Mas há muito aprendi que cada professor tem o seu estilo próprio... que não há um método perfeito: o melhor método é o que funciona, não sendo nenhum deles isento de insucessos...
Indisciplina? Problemas naquela aula? Houve muitos, indesejáveis, inaceitáveis!...
Ignorando deliberadamente alguns aspectos, digo apenas que as palavras de alguns alunos eram duras, agressivas, inoportunas...
E, no entanto, não aprovando esse tom, considero positivo que o diálogo tivesse lugar. Uma aula de língua é o momento privilegiado para ser um espaço de comunicação.
Por outro lado, vi trabalho! Admirei a forma como muitos iam realizando, disciplinadamente, uma a uma, as tarefas que o professor lhes propunha, de chofre, para cumprir na aula e em casa...
Alguns não o faziam: ali como aqui, agora como outrora...
Admirei e saliento a capacidade de aqueles jovens falarem de si mesmos desassombradamente, de serem capazes de se escutar em silêncio, sabendo respeitar-se, apesar de tudo...
Dificilmente o vejo acontecer entre os nossos adolescentes...: nem uns se querem expor nem os outros os escutam sem interromper e troçar... criando um ciclo vicioso difícil de combater.

O professor está geralmente só - tem de decidir em fracções de segundo, perante uma turma unida, nos momentos cruciais; não raramente é incompreendido não apenas pelos seus alunos, mas também pelos seus pares e pelos pais, quando surgem dificuldades e estes o olham com desconfiança, sem entender a escola... para além de que tem ainda de lidar com a sua própria frustração...
Não consegui ver o filme como uma observadora exterior... Senti que podia ser eu... Recordei situações guardadas à chave... e, felizmente, também sucessos acumulados!...
A nossa realidade não é mais fácil, desenganem-se!
Anexo: vídeo em francês (Conferência de Imprensa com realizador e professor).
Entre les murs - Conf de presse
Enviado por CANNES_LEXPRESS_STUDIOMAG

