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terça-feira, 31 de maio de 2011

Antologia Poética


Miniatura


Pois eu gosto de crianças!
Já fui criança, também…
Não me lembro de o ter sido;
Mas só ver reproduzido
O que fui, sabe-me bem.


É como se de repente
A minha imagem mudasse
No cristal duma nascente,
E tudo o que sou voltasse
À pureza da semente.

Miguel Torga, Diário VIII, 1957

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Tempo de poesia...

Imagem

Este é o poema de uma macieira.
Quem quiser lê-lo,                                
Quem quiser vê-lo,
Venha olhá-lo daqui a tarde inteira.


Floriu assim pela primeira vez.
Deu-lhe um sol de noivado, 
E toda a virgindade se desfez
Neste lirismo fecundado.


São dois braços abertos de brancura;
Mas em redor
Não há coisa mais pura,
Nem promessa maior.                        
                                                      
Vila Nova, 4 de Abril de 1936
Miguel Torga
In Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa, Eugénio de Andrade, Campo das Letras, 1999, p. 431


Este poema faz hoje 75 anos. Permanece puro e virginal como macieira em flor em manhã primaveril...
Dedico-o ao Jorge, que faz hoje anos... 
...e à Maria, que hoje mesmo nasceu...


Até hoje, Sebastião da Gama dispensou-me o seu Pequeno poema, para idênticas e repetidas situações... Pode ser lido aqui mesmo...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Certeza



















Sereno, o parque espera
Mostra os braços cortados,
E sonha a Primavera
Com seus braços gelados.


É um mundo que há-de vir
Naquela fé dormente;
Um sonho que há-de abrir
Em ninhos e sementes.


Basta que um novo Sol
Desça do velho céu,
E diga ao Rouxinol
Que a vida não morreu.








Miguel Torga
Fotos da Net
Música - Keith Jarrett, Life, Memories of tomorrow:
http://www.youtube.com/watch?v=lNfP3_KoVJU

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Antologia...


A vida é feita de nadas

A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento
De casas de moradia
Caiadas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais

De poeira;
Da sombra de uma figueira
De ver esta maravilha:
Meu pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.

Miguel Torga