domingo, 14 de dezembro de 2008

Contar histórias é fundamental...


Do património oral fazem parte todas aquelas histórias ancestrais que passaram de pais para filhos, de boca em boca, mesmo antes de haver escrita ou quando esta era apenas privilégio de alguns...

Foi assim, passando de geração em geração, que chegaram até nós lendas, contos tradicionais, quadras populares, provérbios, adivinhas, lengalengas e trava-línguas... que continuam a deliciar quem os escuta... e muito divertem jovens e menos jovens...

Desde o século XIX, quase tudo passou a ser escrito. E ainda bem: o mais certo seria que muito deste legado se perdesse...

O hábito de contar histórias foi sendo substituído pela atenção à TV e outras diversões. Mas não há nada como uma criança escutar uma história... e assim desenvolver a sua capacidade de concentração e memória, estimular a imaginação, fazer perguntas, enriquecer a linguagem, resolver problemas...

Pode acontecer até que essas histórias preencham o seu imaginário e ganhem, um dia, uma nova vida...

A jovem Joana Pires escutou muitas vezes o seu pai... Este, natural de Angola, atravessou tempos de guerra, no seu país, e guardou na memória duras histórias que repetidamente contava à filha, na sua infância...

A Joana vive na Austrália, onde está a finalizar um Curso de Arte, de Direcção de Actores...
Ontem, ela levou à cena "A Rosa de Angola", que teve uma estreia coroada de êxito.
As histórias que guardou na memória constituem um importante património oral que este pai legou a sua filha... que, por sua vez, o soube recriar e escrever...

Bem-hajam. Parabéns!

Uma flor para a Austrália..., onde as histórias da História de Angola são agora recontadas!

3 comentários:

Antonio disse...

Curiosa esta história de uma Rosa Africana.
A universalidade desta Lusófona.
Europa (origens), África (memórias) e Oceânia (actualidade).
E como a blogosfera nos põe todos tão próximos...

BoDy anD SouL disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
BoDy anD SouL disse...

Querida Manuela, me deicha emocionada com este tributo tão querido. Ao ler do princípio me lembro como a minha mãe era uma boa contadora de estorias e até de contos infanties. Eu nao tenho bem esse dom dai inventar estorias retiradas das esperiencias pessoais ou outrens. claro que assisti a Joana com a recolha da estoria original, apesar de a peca ter sido uma adaptacao ao contesto estorico e politico e sociologico, poderia ser a estoria de qualquer outra pessoa que viveu este conflito, no fundo e uma estoria universal com o seu lado humano, o seu lado heroico e as consecuencias de Gerra. A Peca foi um projecto para ser desenvolvido em 6 semanas e posto em cena, dai ter sido muito reduzido mas a estoria nao termina aqui, penso que e so ocomeco, a
Joana em Principo continuara as recolhas com o pai. Seria uma estoria para cinema mas infelizmente precisari investimento munetario e de momento uma estoria sobre Angola e a estoria pessoas de um rapazinho que se turnou uma especie de heroi nao sao " box Office" ou seija nao e uma estoria que fassa dinheiro, tudo se faz por dinheiro, nao se cria arte por criar a nao ser meia duzia de desconhecidos que morrem pobres, a arte sempre foi patrocinada por pessoas influentes e tambem e uma ferramenta de promocao, politica, etc.

Se ouver alguem que tiver estorias para contar sobe a sua vivencia de 61 e 75 em
Angola,em especial na Zona Norte do Pais, na aria do Uige/Carmona serao bem vindas.

(Tive que eliminar a mensagem e voltar a escrever, tinha uns quantos erros e por certo vai continuar a ter...)