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sábado, 29 de dezembro de 2012

Natal em fatias...


Celebrar a festa da família é tarefa para todos os dias, particularmente vivida nesta quadra. Difícil seria concentrar o convívio entre todos num só dia: as famílias multiplicam-se, migram de lar, reconstroem famílias, mudam de terra, de país...
Em vez de lamentos, busquemos soluções!
Sei de quem organiza festas diárias na semana do Natal: hoje com estes, amanhã com aqueles. Festas a rigor, com pratos típicos, troca de prendas e tudo o mais que nesse preciso dia se proporciona...
Prefiro a possibilidade de se organizar e viver, espaçadamente, sucessivos encontros com uns e outros, num espírito de fraternidade, com perfume de natal, sem mais...
Para mim, o almoço em casa do Mano foi "o 1º natal" de 2012.
A vinda de filhos, de longe, e a reunião de todos os netos à mesma mesa, no sábado seguinte, representou novo "primeiro" natal... "-Bó!"..., "-Avó!"... - o chamamento varia, consoante a idade e o correspondente desenvolvimento da linguagem.
O aniversário da Margarida, unindo outro segmento da família, foi mais um...
Por fim, a universal noite de Natal, foi aquela em que cinco netos, um sobrinho neto, as suas quatro mães e três pais..., os avós e bisavó... todos estivemos unidos, em casa!
Mais significativos natais virão ainda... (O dia de Reis vem longe; a partida da família também...)
Um natal fruído em fatias.
Laboriosas e doces fatias de natal...

Imagem: retirada de um cartaz publicitário da ASA.


sábado, 25 de dezembro de 2010

As palavras dos outros...

POEMA DE NATAL
Hoje é dia de Natal.
O jornal fala dos pobres
em letras grandes e pretas,
traz versos e historietas
e desenhos bonitinhos,
e traz retratos também
dos bodos, bodos e bodos,
em casa de gente bem.
Hoje é dia de Natal.
- Mas quando será de todos?
Sidónio Muralha
E, a propósito de pobres, bem como do aproveitamento político que destes se faz, convido à leitura de Pobres é o que está a dar, de Manuel António Pina: aqui.




sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

De Nordeste a "Oriente", porque é Natal...


A camioneta de carreira avançava, tão apressada quanto podia. Partira com significativo atraso. O limpa-neves demorara longo tempo a tornar as vias transitáveis… Só então saíra finalmente da estação o primeiro carro e entretanto todo o serviço se acumulara. Para mais, sendo época de muitos passageiros ou não fosse antevéspera de Natal.
A estrada nada fazia temer, mas o gelo que ainda se amontoava nas bermas aconselhava prudência ao motorista.
Os passageiros do Norte ignoravam, indiferentes, a paisagem. Tão pouco se deixavam surpreender pelo entusiasmo dos do Sul que, clic, clic…, não resistiam a mais uma fotografia que logo seria partilhada por telemóvel… E em breve legendavam-na, de viva voz: “Caiu tanta neve! Está tudo branco! Tão bonito!...” Tão maravilhados se sentiam que se esqueciam do desejo de chegar ao destino.
Os outros não. Na sua grande maioria, eram idosos, muito idosos. Seguiam viagem com vontade de permanecer em suas casas, junto da braseira, tranquilamente. Vinham de uma aldeia perdida na serra, já cansados de transbordos e longas esperas nas paragens, carregando sacos e saquinhos de mão, mais o saquito de viagem, uma caixa de papelão e outro saco de rede com couves da horta para a Consoada… Não fosse a insistência dos filhos bem como o desejo de estar junto deles no Natal e, seguramente, não estariam ali. Cheios de vontade e pressa de alcançar o destino, iam-se lamentando da viagem: «Eles, sim, eles é que deviam vir cá acima, como é costume…  Mas não quiseram vir, as estradas estão perigosas, as crianças… Eu é que já não tenho idade para isto!...»
Neste ponto, estavam todos de acordo.


O Sol mal conseguira romper as densas nuvens, durante aquele curto dia de Inverno. Agora despedia-se. Intensificavam-se o cansaço e a impaciência, à medida que anoitecia. Disso eram prova as constantes espreitadelas para o relógio e o contínuo cálculo do atraso previsto que, apesar da chuva e das  obrigatórias e necessárias paragens, por sorte se ia tornando cada vez mais reduzido.
Por fim, a estação Oriente - o final da viagem. Carros parados com luzes de perigo, braços à espera de pais idosos e dos sacos e saquinhos, caixas de papelão e sacos de rede com couves da terra para a Consoada - que subitamente se espalharam no cais, mal estacionou o autocarro e foi aberta a bagageira, a abarrotar…
Passos apressados. Vozes alegres. Dúvidas desfeitas. Lágrimas felizes. Abraços. Rodas chiando. Sacos arrastados com esforço. Ensaios para tudo caber nos porta-bagagens. Trás! Objectivo atingido, num abrir e fechar de olhos.
Despindo singelos casacos negros de malha, um a um iam entrando nos carros dos familiares que os haviam esperado e que rapidamente iam partindo. 
«Chegámos!» - pensavam, felizes, quase esquecidos do cansaço.
O cais regressava por fim à calma fria. Outros passageiros chegariam mais tarde. Tudo por um convívio familiar, em mais um Natal...

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Natal, História e Sociologia...


25 de Dezembro, anteriormente ao Cristianismo, era já tempo de festividade: celebrava-se o nascimento do Sol Invencível, o deus-Sol que renasce no solstício de Inverno.

À antiquíssima festa pagã sobrepôs-se, há cerca de dois mil anos, a festa cristã do nascimento do Menino-Deus.


A religiosidade faz parte da nossa herança cultural. Os presépios que, nesta época do ano, proliferam nas nossas casas, nas montras e em plena rua, comprovam-no; por outro lado, assim se apela a que não nos esqueçamos do significado atribuído, de longa data, a esta data...


Contudo, a forma como se comemora o Natal, nos nossos dias, revela bem que nas nossas sociedades, cada vez mais laicizadas, novos valores se sobrepõem à tradição religiosa.


O sociólogo Moisés Espírito Santo analisa: «A felicidade individual é, hoje, um objectivo primordial. O nascimento de Jesus é como que um antigo símbolo do “Eu, indivíduo” cujo objectivo na vida é “ser feliz”.»
E acrescenta: «Actualmente, o principal símbolo do Natal é a família. Vem depois a ideia de solidariedade humana, em que os indivíduos, com as suas diferenças estatutárias, se projectam como uma grande família humana. Há assim uma vontade de refazer a sociedade, mais igualitária, mais justa, e de relançar a fraternidade. (…)»
Não surpreende a sua conclusão: «O materialismo (comércio, consumo, etc), próprio desta época do ano, deriva da simbólica sociológica da “oferta”, num projecto de “fraternidade”.»


Convenhamos: renascer, reunir a família, recriar o social – é um projecto só por si muito amplo..., demasiado vasto apenas para um Natal.


Oferecer… o quê, como? Há tanta forma de se ser fraterno e solidário, no nosso dia-a-dia!


Tornar feliz, sem dúvida. Ser feliz, sim!
(Objectivos a não perder de vista, na azáfama e correria de cada dia...)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

E é Natal!...


- Menino Jesus, a Terra, este nosso planeta, precisa tanto de um presente de Natal!...

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

"As galinhas da Vovó"...


É este o meu presépio. O indispensável símbolo desta época natalícia, data em que, mais ou menos conscientemente, o mundo celebra um nascimento.

O meu presépio não é branco nem negro: é cor de terra, castanho. Cor do material simples de que é feito: o barro. Saído de mãos hábeis de um artesão que o moldou com formas estilizadas. Simples e sóbrio, como eu gosto.

Simbólico e discreto, o meu presépio não escapou aos olhos atentos do Francisco. Dois anos e meio ladinos e curiosos, parou em frente dele, no meio das suas correrias alegres pela casa fora.
Olhou, reviu num ápice os seus conhecimentos do mundo, relacionou-os e inferiu, convicto: "(...são)...as galinhas da vovó...".
Confundira as ovelhinhas... apesar destas não serem exactamente como as galinhas que vira há tempos, algures num quintal...


Perplexos, os adultos riram... e apressaram-se a aproveitar aquele momento para uma lição precisa e breve, como convinha: "não é uma capoeira: é um estábulo"... e mais isto e mais aquilo... blá-blá-blá...:

"Nasceu Jesus, muito pobrezinho, mas tinha Mãe e Pai... e animais amigos"...

São assim os olhos das crianças...


...Feliz Natal!...


segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Natal, e não Dezembro

A cidade revela bem que é Dezembro...
Saibamos preparar-nos para acolher o Natal...


Natal, e não Dezembro (1962)


Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.


Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
Das mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.



David Mourão-Ferreira, Cancioneiro de Natal, Editorial Verbo, 2ª edição


domingo, 13 de janeiro de 2008

Elas...


Juntaram-se quatro mulheres. Primas e amigas. Sem grande familiaridade entre si.
O pretexto foi o aniversário de uma delas.
O contexto: um restaurante e um saboroso jantar, ao gosto de cada uma.

Os tópicos de conversa foram surgindo “como as cerejas”, entre garfadas de peixe ou carne grelhados, regados a água.

No rescaldo do Natal, este tema foi dos primeiros a vir à baila. A laboriosa compra de prendas, iniciada meses antes, de forma planeada, com metódicos registos em agenda e tudo... ou, pelo contrário, a recusa absoluta de embarcar nesse frenesim... (Não houve consenso...)

Inovadoras formas de vivenciar o Natal. As famílias de hoje ramificam-se e os Natais antecipam-se e prolongam-se em sucessivos dias de festa, a rigor, com ceia e distribuição de prendas, em datas que são objecto de marcação prévia, por consenso... 23, 24, 25, 26...
E explanou-se o curioso conceito de prenda
em circulação: a prenda que se não quer e que anda de mão em mão, até ser por alguém desejada...

Leituras e filmes. Os que vemos sós e os que partilhamos com netos. Pontos de vista, preferências assumidas...

A reforma a que algumas de nós já teriam direito e que foi ficando cada vez mais longínqua...
E os projectos que aguardam esse porvir.

A evidente constatação de vivermos sós. Sem sermos solitárias.

A espontânea forma da Paula entabular conversa com desconhecidas e criar novas amizades...

Homens? Alguém reproduziu a opinião de uma amiga ausente (que ficaria bem integrada naquele grupo): “As mulheres são, em regra, mais sensíveis, mais sinceras, mais ricas de conteúdo... mais interessantes...”
Uma opinião que mereceu apoios e silêncios, ou por concordância ou por abstenção...

Elas não falaram de homens. Contudo eu contaria que se cruzou um olhar discreto, mas assumido, com
ele... sentado só numa mesa, na outra ponta da sala.
Todas teriam as suas histórias de vida, as suas desilusões, os seus sonhos... que não desvendaram. Talvez porque a falta de intimidade não transmitisse à-vontade para vencer o tabu.
Calaram-no. Embora com fama de tagarelas, elas sabem ser reservadas.

Falaram de dietas alimentares, mas não de receitas.
De festas de família, mas não de filhos nem de netos.

Nem de casas nem de decoração.

O jantar e a conversa fluíram sem pressa.
A dona do cão foi a primeira a partir... talvez também porque, lá fora, poderia fumar...

Despediram-se com a promessa de um reencontro – para a próxima um almoço, pois que ao jantar preferem refeições frugais.


- Adeus, Paula... Parabéns!


Livres, independentes, elas hoje revelam novos interesses e preocupações.
Elas são realmente diferentes.


quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Dezembro... Natal...


Há doze anos atrás, escrevi uns versos alusivos à quadra que agora revivemos.
Reli-o há dias...



Confesso que, desde então, me rebelei de vez contra a azáfama consumista do Natal e (quase) deixei de me preocupar com prendas...
Passei a vivê-lo mais serenamente, sobretudo atenta ao momento de convívio familiar que estes dias nos proporcionam...
Não resisto a transcrever os meus versos, escritos por altura do 3º Natal da minha neta.


Afinal, eles explicam o meu ponto de viragem...


Para sossegar alguns espíritos, esclareço que estou a passar um Natal africano... E não deixei de trazer uns presentinhos... ou não tivesse eu vindo passar o Natal com o meu neto de 16 meses!...
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Dezembro... Natal...

É Dezembro
de novo.
E o Natal vai chegar!
Onde o vamos passar?


Quisera reviver
meu Natal de memória,
o Natal de outrora...
Onde o vamos passar?


Este Natal
por sua vez será
Natal de memória
um Natal de outrora...


É a nossa vez
agora
de recriá-lo
enfim!...


É Dezembro de novo
o Natal a chegar.
Família dispersa
amigos ausentes
postais por enviar
prendas por comprar
E a este... e àquele... o que vamos dar?


Dezembro de novo
o Natal a chegar.
Tanto por fazer
tempo a escassear.
O Menino a nascer
um milagre por acontecer...


É Dezembro de novo.
Mais um Natal
por fim, aconteceu.
Mais um Dezembro
se reviveu.



21/12/1995