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domingo, 28 de agosto de 2016

Antologia poética

Poesia 

Quando não esperas nada
não esperas nada

Quando não esperas nada
tudo acontece

Quando não esperas nada
o nada é certo

quando não esperas nada
das leis do verso

Quando não esperas nada
por que esperavas?

Quando não esperas nada
lembras fantasmas

Quando não esperas nada
o som concreto

do poema cresce e tu recebes
lição de nada em tudo

e recomeças


António Carlos Cortez, Linha de fogo, Editora Licorne, p. 39

Aparentemente, fala-se de poesia. O título assim sugere. Os versos reforçam a sugestão: "Quando não esperas nada / o som concreto // do poema cresce (...)"
Ora,
Viver também é poesia...





domingo, 7 de agosto de 2016

Provavelmente alegria...

« (...)
Já os ventos recolheram
Já o verão se nos oferece
Quantos frutos quantas fontes
Mais o sol que nos aquece
(...) »

José Saramago, "Alegria", in Provavelmente alegria

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Jogar e zás!... Saltar até à primavera...

JOGO

Abro a caixa do inverno. Tiro os ventos,
as rajadas de chuva, os bancos de neve de onde
fugiram todos os pássaros. Desenrolo à minha

frente os pântanos do inverno. Ando à volta
deles para desentorpecer as pernas; sacudo
o frio das mãos; limpo a chuva que se me colou
aos cabelos. Depois volto a lançar os dados
– e avanço até à primavera.
Nuno Júdice


Alice Vieira (org), O meu primeiro álbum de poesia, Dom Quixote




segunda-feira, 19 de maio de 2014

Ler e ilustrar poemas, a meias...

Já se meteram férias pelo meio e passaram-se umas semanas a mais que a conta..., mas os meninos do 2º A da EB1 dos Caranguejais sabiam o que fizéramos na sessão anterior. Ainda se acedeu ao Quarto Crescente, viram as fotos e leu-se, mas lembravam-se.
Então foi só desvendar o segredo: "Como vamos continuar"?
Cada par recebeu o seu poema impresso; canetas, lápis de cor e de cera...
Voltaram a espalhar-se pela biblioteca.
Desenharam e pintaram, a gosto... e com prazo marcado...
A seguir foram para o pátio exterior, contíguo à biblioteca, treinar a leitura a meias...
E por fim vieram ler o seu poema à turma, à vez.
Tudo resultou num trabalho muito útil e bonito... (que não acabou...)
Não acreditam?
O que acham destes poemas ilustrados?






 A sessão anterior pode ver-se aqui.


terça-feira, 1 de abril de 2014

Ler a meias... mesmo a meias...

1, 2, 3...: foi a 3ª vez  que nos encontrámos.
Como acabaria a história O Sr. Milhões - que deixámos a meio, na 2ª sessão?... 
Os meninos do 2ºB do "Pragal" ficaram de imaginar o fim e hoje tinham trabalhos de grupo para apresentar. 
Nas suas histórias, cheias de imaginação, todas diferentes, fez-se justiça! Gostei! Para mais, leram tão bem!... Palmas!
E então escutaram o resto da história de Luísa Ducla Soares, com uma lição bem mais dura... Concordaram: «Bem feito!». 

Tempo de poesia: 
Seguiram-se momentos de pura diversão com versos de José Fanha, Natércia Rocha, António Torrado...
Muitos sorrisos naquelas carinhas, ao desejar "Boas férias!"...



Apresento-vos José Fanha, o próprio!...



segunda-feira, 31 de março de 2014

A Primavera brincou às escondidas com a poesia...

Quem disse que estava a chover e até houve trovões...?! Impossível!
Na biblioteca dos "Caranguejais", reinou a Primavera, a Ler a meias...
Entrou por ali dentro o Sol, lançámos sementes à terra, cresceram caules, folhas, grandes árvores a dar sombra e com ninhos de passarinhos..., flores e frutos saborosos! E depois? Depois, tudo acaba com A cambalhota: as sementes vão novamente sair dos frutos e voltar a germinar... (São lindas as ilustrações de Fátima Afonso para este livro de Maria de Lourdes Soares.)

Deste modo, demos um saltinho às Ciências, mas logo passámos à Poesia.
A professora Margarida Pinho leu Ou isto ou aquiloQue bem! 

Era a vez dos meninos (do 2ºA): escolheram livros, espalharam-se pela sua biblioteca, assinalaram as suas poesias preferidas, leram-nas a pares... 

Não acabou!
(Chiu! Por enquanto é segredo...)
Boas férias da Páscoa!


Bibliografia: 
Maria de Lourdes Soares, A cambalhota, Paulinas

Alexandre Parafita, Histórias a rimar para ler e brincar, Texto
António Manuel Couto Viana, Versos de cacaracá, Litexa
Cecília Meireles, Ou isto ou aquilo, Nova Fronteira
José Fanha, Cantigas e cantigos para formigas e formigos, Terramar
Luísa Ducla Soares, A gata Tareca e outros poemas levados da breca, Teorema
Maria Cândida Mendonça, A cor que se tem, Plátano
Matilde Rosa Araújo, O livro da Tila, Caminho
Sidónio Muralha, Bichos, bichinhos e bicharocos, Livros Horizonte


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Os avós foram meninos...

Deve ser difícil para um netito imaginar que o avô, provavelmente de cabelos grisalhos, foi um dia um bebé que depois cresceu... e, num ror de anos (para si incalculáveis), de aventura em aventura, de canseira em canseira, um dia foi pai... e um outro dia mais tarde, tornou-se o seu avô...
Tudo tão mágico, tão inesperado... e tão previsível!...
Este avô revive então o amor que experimentou com a paternidade, já sem a responsabilidade de cumprir esse dever... Orgulha-se dos progressos do petiz, encanta-se com os sorrisos... Se conserva em si uma alma de menino, agora dá-lhe asas, livremente... Irá contar-lhe histórias e transmitir memórias... 
Tem tanto para ensinar! E tanto para aprender!
Quer afinal ser o seu porto seguro e o seu companheiro cúmplice...
Juntos podem reviver um passado em que não existia TV nem computadores pessoais nem jogos eletrónicos... e lembrar que o nosso país era assim... e as pessoas viviam daquela maneira assim-assim... Depois, um dia, já ausente, o avô irá, através deste seu neto, projetar-se no futuro...

Evoco Sebastião da Gama: 

Também eu, também eu,
joguei às escondidas, fiz baloiços,
tive bolas, berlindes, papagaios,
automóveis de corda, cavalinhos...

Depois cresci,
tornei-me do tamanho que hoje tenho;
os brinquedos perdi-os, os meus bibes
deixaram de servir-me.
Mas nem tudo se foi:
ficou-me,
dos tempos de menino
esta alegria ingénua
perante as coisas novas
e esta vontade de brincar.
(...)

Também eu, também eu fui menina, tive um boneco chamado Manuel, saltei à corda, joguei à cabra-cega e à macaca, às 5 pedrinhas, andei de triciclo... e muito mais!
Ainda conservo em mim uma menina traquina...
Também eu tenho a felicidade de ter netos de que muito me orgulho... e de cuja vida faço parte...


sábado, 4 de maio de 2013

Tempo de poesia...

Amor

Mãe, as flores adormecem
Quando se põe o Sol!

Filha, para as adormecer
Canta o rouxinol...

Mãe, as flores acordam
Quando nasce o dia!

Filha, para as acordar
Canta a cotovia...

Mãe, gostava tanto de ser flor...
Filha, eu então seria uma ave...

Matilde Rosa Araújo, O livro da Tila, Caminho


quinta-feira, 21 de março de 2013

Poesia e Natureza...



A fermosura desta fresca serra,
e a sombra dos verdes castanheiros,
o manso caminhar destes ribeiros,
donde toda a tristeza se desterra;

o rouco som do mar, a estranha terra,
o esconder do sol pelos outeiros,
o recolher dos gados derradeiros,
das nuvens pelo ar a branda guerra;

enfim, tudo o que a rara natureza
com tanta variedade nos ofrece,
se está (se não te vejo) magoando.

Sem ti, tudo m' enoja e m' avorrece;
sem ti, perpetuamente estou passando
nas mores alegrias, mores tristezas.

Luís de Camões, Sonetos





«Olá, guardador de rebanhos,
Aí à beira da estrada,
Que te diz o vento que passa?»

«Que é vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois.
E a ti o que te diz?»

«Muita coisa mais do que isso,
Fala-me de muitas outras coisas.
De memórias e de saudades
E de coisas que nunca foram.»

«Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira, 
E a mentira está em ti.»

Fernando Pessoa/ Alberto Caeiro





MAR

I

De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua,
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.

II

Cheiro a terra as árvores e o vento
Que a Primavera enche de perfumes
Mas neles só quero e só procuro
A selvagem exalação das ondas
Subindo para os astros como um grito puro.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Poesia, Caminho





Perante nós o oceano.
Imensos, inexplorados, os caminhos.

Barco sem leme, sem velas, sem quilha. Sem
remos.

Devagar. Mas seguramente. Lá iremos

Myriam Jubilot de Carvalho, E no fim era a poesia, Vega




Separador de texto retirado da NET.


quinta-feira, 14 de março de 2013

quarta-feira, 6 de março de 2013

Antologia poética


VAGABUNDO DO MAR

Sou barco de vela e remo
sou vagabundo do mar.
não tenho escala marcada
nem hora para chegar:
é tudo conforme o vento,
tudo conforme a maré…
Muitas vezes acontece
largar o rumo tomado
da praia para onde ia…
Foi o vento que virou?
foi o mar que enraiveceu
e não há porto de abrigo?
ou foi a minha vontade
de vagabundo do mar?
Sei lá.
Fosse o que fosse
não tenho rota marcada
ando ao sabor da maré.
É por isso, meus amigos,
que a tempestade da vida
me apanhou no alto mar.
E agora queira ou não queira,
cara alegre e braço forte:
estou no meu posto a lutar!
Se for ao fundo acabou-se.
Estas coisas acontecem
aos vagabundos do mar.

Manuel da Fonseca



sábado, 10 de novembro de 2012

Vamos escrever a meias? Todos os dias...!?


Todos os dias
Todos os dias
nascem pequenas nuvens,
róseas umas, 
aniladas outras, 
nacaradas espumas...

Todos os dias 
nascem rosas,
também róseas
ou cor de chá, ou veludo...

Todos os dias 
nascem violetas,
as eleitas 
dos pobres corações...

Todos os dias
nascem risos, canções...

Todos os dias
os pássaros acordam
nos seus ninhos de lãs...

Todos os dias
nascem novos dias
nascem novas manhãs...
Saúl Dias,
Portugal, 1902-1983

Digam lá que não dava mesmo vontade de prolongar este poema?
Foi o que fizemos no Ler a Meias, coletivamente...
A turma da professora Mercedes concluiu esta tarefa na sua sala de aula. E ficou assim, lindo, lindo:
                  Todos os dias

Todos os dias
nascem crianças,
alguém faz anos
e acordamos alegres pela manhã...

Todos os dias
cuidamos da natureza,
o mar enche os corações dos peixes,
vemos os pássaros no ar
e as flores a crescer...

Todos os dias
merecemos dar e receber amor e carinho,
damos beijinhos à mãe,
penso em ti,
a amizade nunca nos separa,
conhecemos pessoas 
que nos podem acompanhar a vida toda...

Todos os dias
nasce o sol radiante 
e maravilho-me com o pôr-do-sol...

Todos os dias
os sorrisos estão no ar,
temos os nossos momentos de glória
tem de haver esperança,
esperança para continuar...

Todos os dias
a paz faz falta à Humanidade,
encanto-me pelas poesias
e canto em liberdade...

4º A da EB1 Feliciano Oleiro
Muitos parabéns!
(Mudei a ordem de pouquinhos versos... Gostaram?)


Por fim...
Agradeço e divulgo poesias individuais que a turma da professora Inês (4º B da EB1 Conde de Ferrreira)  escolheu para me ler! 
São poesias escritas e ilustradas pelos seus autores, no seu Caderno de Poesia






Muitos parabéns a todos!


Mais poemas nos bolsos... para Ler a Meias...

Voltei ontem à Feliciano Oleiro, para falar de poesia com as turmas de 4º ano dessa escola. E hoje foi a vez dos meninos do 4º B da Conde de Ferreira. Três sessões idênticas à do 4º A desta escola (no dia anterior), mas não inteiramente... 
Já se sabe que, de turma para turma, a interação com os meninos é diversa, a gestão do tempo altera-se, a Mediadora acrescenta uma coisa aqui e tira outra acolá... Mas houve ainda mais novidades
Na 5ª feira, não havia máquina fotográfica! Oh!!!???...
Na 6ª feira, chovia tanto que "a biblioteca" foi ter com os meninos à sua sala de aulaIsto trouxe novas possibilidades: eles tinham lá os seus cadernos e cada um leu uma poesia da sua autoria. Que bonitas!
De resto, nada de grandes alterações. Lemos muitos poemas que saltaram ora dos livros ora dos bolsos: brincadeiras com letras, palavras, sinais de pontuação, números, formas, sons, ritmos, humor... e muitos sentimentos pelo meio! 
Poesia popular e muitos poetas portugueses: Alexandre O'Neill, José Fanha, José Vaz, Luísa Ducla Soares, Matilde Rosa Araújo, Teresa Guedes, Saúl Dias... e ainda, na última turma, Maria Rosa Colaço.
Encerrámos a sessão com o poema Todos os dias, de Saúl Dias, pela voz de José Fanha, e terminámos prolongando coletivamente esse mesmo poema. 
TODOS OS DIAS..., o que acontece?













Realmente, cada um de nós é mais feliz com a poesia de cada dia! 
Não achas?


Antologias utilizadas:
  • Alice Vieira, Eu bem vi nascer o sol, Círculo de leitores, 1994
  • José Fanha, Poemas para um dia feliz, Gailivro, 2007
  • Sophia de Mello Breyner Andresen, Primeiro livro de poesia, Caminho, 1991
  • Susana Ralha, A casa do silêncioBando dos Gambozinos, 25 anos, «Tantas maneiras de ver e viver», Edições Afrontamento, 2000
Livros de autor:
  • José Fanha, Cantigas e cantigos, Terramar, 2004
  • Luísa Ducla Soares, A gata Tareca e outros poemas levados da breca, Teorema, 1990
  • Luísa Ducla Soares, Poemas da mentira e da verdade, Livros Horizonte, 5ª ed., 2010
  • Matilde Rosa Araújo, Segredos e brinquedos, Caminho, 1999
  • Teresa Guedes, Real... mente, Caminho, 2005

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Com poemas nos bolsos, para Ler a Meias...

O dia estava chuvoso. A seguir, iria decorrer outra atividade que mobilizaria toda a escola. A Mediadora quase tivera de faltar, para acudir à netinha adoentada, entretanto melhorzita... Tudo verdade! Mas verdade, verdadinha, foi que a professora Isabel chegou à biblioteca escolar com os seus meninos de 4º ano, todos muito contentes. (Só a professora Inês é que teve de adiar...) E a POESIA aconteceu!... 
Ia em muitos livros, em CDs... e até nos bolsos!...
Primeiro ouvimos uma canção, de A Casa do Silêncio, do Bando dos Gambozinos. Em ritmo de jazz, a faixa 6 contava a odisseia de um simples botão, vejam lá! Imaginam que ali se podem expressar sentimentos? Ui, tantos!!!
Versos, estrofes, quadras, onomatopeias, etc, etc... - nada é já segredo para esta turma de 4º ano. Contudo, escutaram, fascinados, os poemas lidos: jogos com letras, palavras, sinais de pontuação, números, sons e ritmos, formas... e sempre em busca de sentimentos.
Os poemas daqueles livros saltavam dos bolsos para o quadro, que foi ficando cheiinho de poesia...
Para terminar, a voz de José Fanha, num dos seus Poemas para um dia feliz: Todos os dias, de Saúl Dias. (A faixa 23.)
E para terminar, imaginámos o prolongamento do poema.
Que bonita mensagem, estes meninos nos deixaram!

Todos os dias nasce um novo dia para a felicidade.
Todos os dias acordamos com alegria.
Todos os dias nasce um sol brilhante.
Todos os dias, há um arco-íris colorido no céu.
Todos os dias, há um dia bonito para viver.

- Alguém duvida?...
- Quem acredita, vai tê-lo, sim!


sábado, 28 de julho de 2012

Antologia - Credo...

A casa se fez vela, aconchegada nos braços do vento, alongou o olhar e vogou em demanda do Tejo... e da poesia.

Creio nos anjos que andam pelo mundo

creio nos anjos que andam pelo mundo,
creio na deusa com olhos de diamantes,
creio em amores lunares com piano ao fundo,
creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes;

creio num engenho que falta mais fecundo
de harmonizar as partes dissonantes,
creio que tudo é eterno num segundo,
creio num céu futuro que houve dantes,

creio nos deuses de um astral mais puro,
na flor humilde que se encosta ao muro, 
creio na carne que enfeitiça o além,

creio no incrível, nas coisas assombrosas,
na ocupação do mundo pelas rosas,
creio que o amor tem asas de ouro. amém.

                                                                       Natália Correia

sexta-feira, 1 de junho de 2012

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Lendo a meias poesia... em tons de verde e azul...










Fui a Sesimbra na «semana das cores» daquela escola.  Calhou! 
Era o «dia do verde» e... eu ia vestida de verde. Pura coincidência!!!
O objetivo traçado era fazer, com o 5º E,  uma abordagem à poesia, numa aula de Português da professora Felicidade Matias. 
Preparei a sessão como se fosse, para mim, novidade!... 
De facto, há poemas "incontornáveis" para ilustrar determinados aspetos, mas sinto necessidade de inovar, de pensar no meio social do público-alvo... e a minha seleção teve em conta o mar, a pesca... muito azul!
A sessão (de cerca de 80m) dividiu-se em três partes:
I - Escuta - e comentário - de poemas;
II - Leitura autónoma, pelos alunos, de um livro de poesia à sua escolha - silenciosamente e em voz alta;
III - Jogo. 

- O que é a poesia? - foi a questão inicial. (O poeta faz-se aos 10 anos, de Maria Alberta Menéres, serve de inspiração...)
As respostas foram surgindo:  são palavras...; a poesia brinca com palavras, sons, sentidos... Fala da realidade e apela à imaginaçãoExprime sentimentos: amor, alegria..., às vezes tristeza...; outras vezes, faz humor. Pode ser um jogo de formas (como na poesia concreta visual). 
Geralmente tem rima, mas pode não ter. Há recursos que a dispensam... 
É constituída por versos que formam estrofes (de dimensão variável)... 
Encontram-se em livros de autor ou em antologias. Os ilustradores dão vida aos textos dos poetas...
Tudo se foi constatando, à medida que se foi lendo..., ouvindo, vendo.
Por sinal, o primeiro a intervir foi um aluno que quis ler um poema seu. Poema rimado, que falava de amor e de sorrisos "como os da televisão".
Que mais se leu?...

  • Poesia popular, de Eu bem vi nascer o sol (Antologia organizada por Alice Vieira);
  • Jogos poéticos com sinais de pontuação de Alexandre O' Neill, do Primeiro livro de poesia (Antologia organizada por Sophia de Mello Breyner Andresen);
  • Versos divertidos de José Fanha, de Cantigas e cantigos;
  • O poema Jogo (não rimado) de Nuno Júdice, em O meu primeiro álbum de poesia (Antologia organizada por Alice Vieira);
  • Poesia concreta visual de Salette Tavares, em Brincar também é poesia  (Antologia organizada por Catarina Ferreira);
  • Mistérios, de Matilde Rosa Araújo.
  • Por fim, um "grande" poema composto de dois "pequenos" versos -  Atlântico, de Sophia de Mello Breyner Andresen:
Mar,
Metade da minha alma é feita de maresia.


Os meninos escutavam, participavam, mas já era tempo de lhes dar a vez, de serem eles a escolher e ler.
Formaram pares, escolheram um dos muitos livros que eu levara e leram a meias... Selecionaram estrofes, prepararam a sua leitura, apresentaram-nas aos colegas. (Ninguém se inibiu de ler, mesmo quando foi preciso vencer visíveis dificuldades.)





Por fim, um jogo. Ordenou-se (coletivamente) um poema de António Torrado: A urtiga e a mão (da antologia organizada por António José Gomes, Conto estrelas em ti).


À despedida, foi feita, conjunta e oralmente, uma avaliação da atividade:
- Gostaram? 
- Sim!
- De que gostaram mais? 
- De ouvir ler!...
- De ler!...
- De escrever!...
- E do jogo, gostaram?
- Sim!
(Houve gostos para tudo!)
Mais ainda do que com palavras, eles comprovaram - por ações - que a abordagem à poesia surtiu efeito e que a motivação foi intensa. 



Enquanto esperavam uns pelos outros, os meninos copiaram poemas ou recriaram-nos, por iniciativa própria. Mostravam-nos orgulhosamente!
Que dizer daquele menino que copiou o poema Mistérios, para oferecer ao seu pai, pescador? 
E daquela menina que veio despedir-se de mim, dizendo: "Adorei! Muito!..." 
E ainda aquela outra que afirmou: Gostei muito. A professora fala muito depressa (isto é, disse muita coisa, com vivacidade) e é muito engraçada!...
Para confirmar, escutei a minha amiga Felicidade manifestar satisfação plena... Que bom!
E vi a Direção da escola subtrair minutos preciosos à sua azáfama, para agradecer a minha colaboração. Que prazer!


Ser voluntário é isto! 
Dar... e receber. Assim..., simplesmente, sem nada esperar em troca. 
Pura poesia!...