Fui a Sesimbra na «semana das cores» daquela escola. Calhou!
Era o «dia do verde» e... eu ia vestida de verde. Pura coincidência!!!
O objetivo traçado era fazer, com o 5º E, uma abordagem à poesia, numa aula de Português da professora Felicidade Matias.
Preparei a sessão como se fosse, para mim, novidade!...
De facto, há poemas "incontornáveis" para ilustrar determinados aspetos, mas sinto necessidade de inovar, de pensar no meio social do público-alvo... e a minha seleção teve em conta o mar, a pesca... muito azul!
A sessão (de cerca de 80m) dividiu-se em três partes:
I - Escuta - e comentário - de poemas;
II - Leitura autónoma, pelos alunos, de um livro de poesia à sua escolha - silenciosamente e em voz alta;
III - Jogo.
- O que é a poesia? - foi a questão inicial. (O poeta faz-se aos 10 anos, de Maria Alberta Menéres, serve de inspiração...)
As respostas foram surgindo: são palavras...; a poesia brinca com palavras, sons, sentidos... Fala da realidade e apela à imaginação. Exprime sentimentos: amor, alegria..., às vezes tristeza...; outras vezes, faz humor. Pode ser um jogo de formas (como na poesia concreta visual).
Geralmente tem rima, mas pode não ter. Há recursos que a dispensam...
É constituída por versos que formam estrofes (de dimensão variável)...
Encontram-se em livros de autor ou em antologias. Os ilustradores dão vida aos textos dos poetas...
Tudo se foi constatando, à medida que se foi lendo..., ouvindo, vendo.
Por sinal, o primeiro a intervir foi um aluno que quis ler um poema seu. Poema rimado, que falava de amor e de sorrisos "como os da televisão".
- Poesia popular, de Eu bem vi nascer o sol (Antologia organizada por Alice Vieira);
- Jogos poéticos com sinais de pontuação de Alexandre O' Neill, do Primeiro livro de poesia (Antologia organizada por Sophia de Mello Breyner Andresen);
- Versos divertidos de José Fanha, de Cantigas e cantigos;
- O poema Jogo (não rimado) de Nuno Júdice, em O meu primeiro álbum de poesia (Antologia organizada por Alice Vieira);
- Poesia concreta visual de Salette Tavares, em Brincar também é poesia (Antologia organizada por Catarina Ferreira);
- Mistérios, de Matilde Rosa Araújo.
- Por fim, um "grande" poema composto de dois "pequenos" versos - Atlântico, de Sophia de Mello Breyner Andresen:
Mar,
Metade da minha alma é feita de maresia.
Os meninos escutavam, participavam, mas já era tempo de lhes dar a vez, de serem eles a escolher e ler.
Formaram pares, escolheram um dos muitos livros que eu levara e leram a meias... Selecionaram estrofes, prepararam a sua leitura, apresentaram-nas aos colegas. (Ninguém se inibiu de ler, mesmo quando foi preciso vencer visíveis dificuldades.)
Por fim, um jogo. Ordenou-se (coletivamente) um poema de António Torrado: A urtiga e a mão (da antologia organizada por António José Gomes, Conto estrelas em ti).
À despedida, foi feita, conjunta e oralmente, uma avaliação da atividade:
- Gostaram?
- Sim!
- De que gostaram mais?
- De ouvir ler!...
- De ler!...
- De escrever!...
- E do jogo, gostaram?
- Sim!
(Houve gostos para tudo!)
Mais ainda do que com palavras, eles comprovaram - por ações - que a abordagem à poesia surtiu efeito e que a motivação foi intensa.
Enquanto esperavam uns pelos outros, os meninos copiaram poemas ou recriaram-nos, por iniciativa própria. Mostravam-nos orgulhosamente!
Que dizer daquele menino que copiou o poema Mistérios, para oferecer ao seu pai, pescador?
E daquela menina que veio despedir-se de mim, dizendo: "Adorei! Muito!..."
E ainda aquela outra que afirmou: Gostei muito. A professora fala muito depressa (isto é, disse muita coisa, com vivacidade) e é muito engraçada!...
Para confirmar, escutei a minha amiga Felicidade manifestar satisfação plena... Que bom!
E vi a Direção da escola subtrair minutos preciosos à sua azáfama, para agradecer a minha colaboração. Que prazer!
Ser voluntário é isto!
Dar... e receber. Assim..., simplesmente, sem nada esperar em troca.
Pura poesia!...