
Do património oral fazem parte todas aquelas histórias ancestrais que passaram de pais para filhos, de boca em boca, mesmo antes de haver escrita ou quando esta era apenas privilégio de alguns...
Foi assim, passando de geração em geração, que chegaram até nós lendas, contos tradicionais, quadras populares, provérbios, adivinhas, lengalengas e trava-línguas... que continuam a deliciar quem os escuta... e muito divertem jovens e menos jovens...
Desde o século XIX, quase tudo passou a ser escrito. E ainda bem: o mais certo seria que muito deste legado se perdesse...
O hábito de contar histórias foi sendo substituído pela atenção à TV e outras diversões. Mas não há nada como uma criança escutar uma história... e assim desenvolver a sua capacidade de concentração e memória, estimular a imaginação, fazer perguntas, enriquecer a linguagem, resolver problemas...
Pode acontecer até que essas histórias preencham o seu imaginário e ganhem, um dia, uma nova vida...
A jovem Joana Pires escutou muitas vezes o seu pai... Este, natural de Angola, atravessou tempos de guerra, no seu país, e guardou na memória duras histórias que repetidamente contava à filha, na sua infância...
A Joana vive na Austrália, onde está a finalizar um Curso de Arte, de Direcção de Actores...
Ontem, ela levou à cena "A Rosa de Angola", que teve uma estreia coroada de êxito.
As histórias que guardou na memória constituem um importante património oral que este pai legou a sua filha... que, por sua vez, o soube recriar e escrever...
Bem-hajam. Parabéns!
Uma flor para a Austrália..., onde as histórias da História de Angola são agora recontadas!