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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Reencontro, na Escola Conde de Ferreira

Estava prometido.
Os meninos iriam fazer, na sua sala, anonimamente e por escrito, a avaliação do Ler a Meias... e eu iria à escola, esta semana, buscá-la. 
Deste modo, também eles poderiam levar as suas fitas de "finalistas" para que eu lhes escrevesse uma dedicatória... (Alguém se lembrou de me dar uma fita a assinar e depois todos queriam o mesmo, só que nem todos a tinham levado consigo, no último dia...)
Celebramos assim certas etapas marcantes da vida escolar dos pequenitos, em solene ambiente de festa... Tal acontece, em regra, em momentos de mudança de ciclo de estudos e de estabelecimento de ensino: tempos de adaptação a novas situações que geram uma pontinha de desconforto... (ainda assim, menor do que o de ser retido...) 
Alguns rituais dos finalistas propriamente ditos foram sendo encenados... e, aos poucos, a tradição ganhou raízes, desde o Pré-Escolar! Ora os meninos da Conde de Ferreira vão transitar do 1º para o 2º ciclo (do 4º para o 5º ano), já fizeram as provas... e vivem este momento de despedida muito a sério!... 
Entre nós, tudo se passou tal e qual fora previsto.
A avaliação estava pronta: cumpriram a sua parte! E eu, a minha: escrevi, escrevi... assinei, assinei... (Nem todos se lembraram de levar a fita...; só que, desta vez, não prometi voltar...)
Fiz mais. 
Era grande, hoje, a azáfama. Assisti ao ensaio de uma peça de teatro, para a festa (na 4a feira). Que nervosos, todos! (Como vos entendo!!!)

Foi assim que acabei por presenciar a última aula de Desenvolvimento Pessoal e Criatividade, ministrada pela minha ex-aluna e amiga Joana Sabala. Foi assim que pude ver os belos trabalhos plásticos que criaram (autorretrato, heterorretrato, continuidade, etc, feitos de olhos fechados e abertos..., com diferentes técnicas e materiais)... E pude ouvir as elogiosas apreciações que teceram à sua professora e às atividades realizadas, generosamente e com sentido crítico. 
Ensinei-lhes uma palavra nova: inolvidável... (para não repetirem, sempre e só, inesquecível)!
Quanto à minha avaliação, sinto-me muito feliz com o resultado. 
1) Todos gostaram do Ler a Meias... porque:
- foi divertido; 
- a professora lê bem, 
- gostaram de ler (também)...
- "É linda."... 
2) Lembram-se de livros:
- Bartolomeu Marinheiro; 
- Os três bandidos;
- Os burros; 
- O quadro roubado... 
  Lembram-se de situações: 
- recriação das Janeiras; 
- realização de uma Assembleia; 
- oficina de desenho; 
- ver/rever as fotos de todas as sessões...
3) Um único aluno (-a) diz que não passou a gostar mais de ler (por uma razão de peso!): «Não - porque já gostava de ler.»
Os restantes afirmam, sem exceção:
Sim! Sim! Sim! :-) :-) :-)
E justificam:
- "Sim, ajudou-me a gostar mais dos livros."
- "Sim, antes não gostava de ler, mas agora gosto."
- "Sim, eu agora gosto muito mais de ler."
- "Sim, ajudou-me a perceber melhor as histórias"; 
- "Sim, graças à professora, eu agora leio com graça e piada."
- "Sim. E ajudou a divertirmo-nos com os livros."
- "Ajudou-me a comprender o amor aos livros". 
E por aí fora... Uma avaliação em tudo idêntica à que foi feita pelos meninos da outra turma, no dia da última sessão.
Eu também gostei muito! Se tudo correr bem..., até para o ano!...
Boas leituras! Boas férias!


terça-feira, 4 de março de 2008

Avaliar a avaliação: urgentemente!...

Assistimos a debates televisivos, ouvimos programas de rádio. A Educação está na ordem do dia. Por maus motivos.

A opinião pública, que em estudos recentemente revelados se mostrava generosa na avaliação do papel dos professores, parece agora vacilar. Abundam subentendidas acusações; sobejam assumidas críticas; ressaltam demasiadas desconfianças e dúvidas… Do mesmo modo que somamos apoios substanciais.
Radicalizam-se posições. Urgem soluções.

O Ministério não escuta fundadas inquietações desta classe profissional e, de igual modo, mantém-se surdo a decisões recentes dos tribunais.
Permito-me perguntar: uma tão grande mobilização de professores de norte a sul do país seria esperada se a preparação deste novo processo de avaliação tivesse sido atempada e devidamente conduzida?...
A lei, publicada em Janeiro, terá saído na melhor altura? Para ser preparada agora e implementada, experimentalmente, no próximo ano lectivo, talvez! Para ser posta em prática num ano lectivo que começou em Setembro, sendo este um modelo que não foi previamente testado e que tantas implicações negativas pode vir a ter na carreira destes profissionais - como é possível concebê-lo?!

Alguém considera que a escola tem condições para, a meio do ano, a meio de um segundo período curtíssimo, planear e executar todas as alterações a documentos orientadores, tais como o Projecto Educativo de Agrupamento, o Projecto Curricular de Agrupamento, o Plano Anual de Actividades de Agrupamento, as inúmeras grelhas de avaliação de toda a espécie para avaliar toda a gente e todos os sectores da escola… e implementar tudo, no decorrer deste mesmo ano lectivo, por mais alargado e flexível que este prazo seja?... Sabendo-se do acréscimo de horas para reuniões e para trabalho prévio que todo este processo implica?... É humanamente impossível, por mais boa vontade que exista!

Não será melhor que o Ministério conceba fazer uma pausa para entender as dúvidas e as dificuldades de quem está no terreno, em vez de partir do princípio que são todos “da oposição”? Que “quem quer trabalhar, trabalha”?... Ou, simplesmente, pretender acreditar que somos um bando de incompetentes, com medo da avaliação?...

Quem fez da escola a instituição reconhecida que hoje é, senão os próprios professores?
E é fácil entender que o fizeram sem esperar a recompensa de uma boa nota, de uma progressão na carreira ou de quaisquer honras pessoais, mas apenas guiados pelo sentido de responsabilidade e pelo prazer de levar a cabo os projectos em curso. Pelos alunos! Pela escola pública!

Merecemos confiança. Merecemos ser agora compreendidos e atendidos numa pretensão tão simples quanto esta: preparemos tudo, com tempo; repensemos e ajustemos critérios de avaliação; retiremos o que é subjectivo e que não depende da nossa acção directa; experimentemos tudo, numa primeira fase; implementemos, finalmente, um modelo de avaliação justo em 2009/2010.
É a minha opinião.

Uma coisa é certa: esta situação não serve a ninguém.
Há que encontrar saídas. Urgentemente.