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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A casa de férias de "O Senhor Valéry"

«O senhor Valéry tinha uma casa sem volume onde passava férias. A porta e uma fachada eram as únicas coisas que existiam.
- Nos dois sentidos se pode entrar e sair - dizia o senhor Valéry, todo contente.

Ele gostava da sua casa de férias.
Melhor só mesmo uma casa com quatro portas, em quadrado, sem nenhuma parede.
O centro a restar como o único sítio onde se pode estar sentado.
O senhor Valéry fez um desenho.
Chamou-lhe: a casa das quatro portas juntas.
Entra-se por qualquer lado e é sempre igual. É esta a casa de férias que eu quero - dizia o senhor Valéry.
-Evitarei perder-me em compartimentos - dizia. Só existirão portas. É que só consigo repousar se não tiver que decidir nada, e para que isso aconteça é indispensável não existirem opções. Parece-me lógico.
-É um sonho que eu tenho, esta casa - murmurava o senhor Valéry. - Seriam as férias perfeitas.»
Tavares, Gonçalo M., O Senhor Valéry, Caminho, 2008, 4ª ed, pp. 27-28
Desenhos de Rachel Caiano

O senhor Valéry é um dos moradores do seu bairro... Solitário, reflexivo e cheio de ideias e atitudes lógicas... ou talvez ilógicas?!... É um filósofo!...
Os seus vizinhos são também curiosas personagens de outros tantos livros de Gonçalo M. Tavares. 
Imagina!



sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Livro da vida? Não?!...

Imagem da NET

Desafiaram-me (a mim e não só) para ser fotografada falando do livro da minha vida. Um projeto muito interessante e ambicioso, em jeito de trabalho final de um curso de fotografia... 
Sonhos e persistência não faltam à minha amiga e (experiente) fotógrafa!
O desafio era para mim irrecusável. 
Dificuldades, havia só uma..., imperiosa e suficiente para me impedir de participar: "Livro da vida? Não tenho!"... 
Comprometi-me a procurar algum livro que, de algum modo, em um qualquer momento da vida, tivesse sido para mim essencial... E a minha resposta nada tinha de vago: "Não, não e não"... e permanecia imperturbável, apesar do prazo que se ia esgotando...
...Literatura Portuguesa? Lusófona? Europeia? Daqui ou de Além-Mar?... Poderia ser Literatura Infantil? Os meus lidos e relidos Contos de fadas?... ou a coleção da Condessa de Ségur? (Hei de reler estes últimos para tentar perceber por que gostava eu tanto deles!) 
Enfim, o relógio avançava e nem o pânico da última hora me resolvia a situação. 
Depois, aconteceu... Uma vez, outra vez... Fiquei atenta.
Concluí:
Em momentos do quotidiano, reais ou relembrados, recordo poemas; mais precisamente, frases. Palavras. Lembro-me de livros e leituras que partilhei algum dia com alguém, algures... 
São geralmente versos que me ficaram gravados com a força de provérbios... Assomam ao consciente em certas ocasiões, sem pré-aviso e, por seu lado, transportam memórias de vida. Às vezes sei-lhes a música de cor e esses versos saem inteiros e límpidos; outras vezes, reproduzo a sua mensagem e, de passagem, corrompo-lhes a letra... 
Continuava sem saber qual o livro, mas tinha já "terra à vista" no horizonte.
A partir de então, foi fácil improvisar o "livro da vida" . Dos versos se refazem poemas (pesquisando-os rapidamente no Google ou indo à estante - os livros agradecem)... e uma Antologia Poética pessoal constrói-se. O tempo era já pouco; a recolha ficaria inevitavelmente inacabada, mas ainda assim deu lugar à respetiva impressão, prontíssima para usar à hora marcada.
A sessão fotográfica foi recheada de cliques e de palavras. Versos ditos ou lidos. Pedaços de poemas ou de prosa poética associados, de facto, à forma como sinto o palpitar da vida.  
A fotógrafa, por detrás da lente que se interpunha entre nós, devotava-se ao retrato e também à poesia. (Parecia.)
Um tempo repleto de prazer e partilha de Literatura; poesia com uma pitadinha de filosofia, dando voz aos meus Poetas...  
Um momento "inspirador", segundo a minha amiga. Intenso e inesquecível para mim...

«Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço.
..»

«A vida é feita de nadas»

«Quando eu nasci, (...)
Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe…»

«Eu sei que te traí, mãe. (...)
Boa noite.  Eu vou com as aves.»

«E tudo era possível. Era só querer.»


«Vê moinhos? São moinhos!
Vê gigantes? São gigantes!»

«São de nada tempestades
Ante a falta que me fazes»

«Quero de ti o que for simples
um aceno um postal
o teu nome numa concha
...»

«O sonho comanda a vida»

«Partimos. Vamos. Somos»

«Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!»

«Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio»

«enquanto um de nós estiver vivo seremos
sempre cinco»

«Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar.»


«Em qualquer aventura
O que importa é partir, não é chegar.»


António Gedeão
David Mourão-Ferreira
Eugénio de Andrade
José Luís Peixoto
José Régio
Miguel Torga
Ruy Belo
Sebastião da Gama
Sophia de Mello Breyner
Vasco Gato
E ainda Almada Negreiros (A flor). 
E Antoine de Saint-Exupéry (O Principezinho)...

Fotos no Canto dos Leitores de Maria Teresa Teixeira.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Recomeçar: o que um livro passa para aqui chegar!


Reencontrei-me hoje, finalmente, com os meninos da Escola Conde de Ferreira, que estão agora no 4ºA, para relançarmos o projeto Ler a Meias... 
Este ano há novidades: as sessões decorrem na Biblioteca da Escola Feliciano Oleiro que fica mesmo em frente. E então, por que não?, alargou-se esta atividade de mediação de leitura ao 4ºA daquela escola.
Tobias: O que eu passei para chegar aqui! era o livro do dia, de Manuela Bacelar. 
Em ambas as turmas, começámos por tentar adivinhar qual o seu tema, a partir do título. Não faltou imaginação! Ainda assim foi preciso ler para se descobrir que se tratava do próprio livro que passou por muito, até chegar à nossa mão!
Além dos desenhos de Manuela Bacelar, os meninos viram  ilustrações de Alice Jorge, Maria João Lopes, Teresa Lima... Todas diferentes e muito bonitas! 
Capa, contracapa, lombada, guarda, folha de rosto... catalogação...; verso, estrofe, quadra... - foi vocabulário que veio a talho de foice.
A semelhança do trabalho entre as duas turmas ficou-se por aí.
O 4º A da escola anfitriã escutou o poema Golo (do livro Mistérios, de Matilde Rosa Araújo) de onde se partiu para uma boa conversa. Inspirados pelos Apontamentos (que Maria Alberta Menéres incluiu No coração do trevo), irão agora escrever e ilustrar os seus próprios "apontamentos", com ajuda da sua professora... 
A outra turma, da professora Isaura, divertiu-se com o poema O computador de Luísa Ducla Soares. E ainda ouviu parte de O mundo num segundo, de Isabel Minhós Martins.
A seguir, foi a sua vez de imaginar coisas que aconteciam naquele segundo...
Ilustraram e escreveram a pares, criando uma página. E com todas elas vamos fazer o nosso livro!

Quem acabou primeiro ainda teve tempo para ler!
Gostaram. Querem mais. "Pode ser já amanhã", afirmou um  deles. A Mediadora prometeu: "De quinze em quinze dias, cá estaremos de novo." Pois então, até breve!








(A notícia dada pela escola aqui está.)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Novas formas de leitura

Carlos Pinheiro publicou no seu blogue, Ler ebooks, o resumo de uma comunicação (que partilho) em que se debruçou sobre novas formas de leitura. 
Que o livro não é o único suporte de leitura, sabemos. Mas aqui encontramos uma informação sintetizada, organizada, com novidades...

Os ebooks e as novas formas de leitura (Leva um tempinho! Calma! :-)


Livros miniatura... no CCB

Na Fábrica das Artes, no CCB, está patente, até dia 26, uma exposição de livros miniatura. Partilho um vídeo... 


Já agora, acrescento que estão previstas oficinas e visitas... 

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Para mãos habilidosas...

Técnica origami: uma folha de papel, dobras bem vincadas e medidas rigorosas... e a obra vai crescendo...
A prática leva à perfeição.
Uma exigência: paciência.


Assim nasce um mini-livro origami, passo a passo.


terça-feira, 20 de abril de 2010

Para uma Educação Sexual

Talvez com a ajuda de livros (como estes), nos sintamos mais à vontade para fazer desmoronar, de vez, receios e tabus... e empreender, de forma séria, uma educação sexual.
Porque os meninos e meninas fá-la-ão de qualquer modo (bem ou mal)...
Então, que seja bem!
Tenciono não cruzar os braços... e participar!

(Nota: Clicar em baixo, em full, para aumentar o zoom.
Pode também ver-se no Slideshare, onde existem muitos mais artigos de Rita Pimenta, disponíveis.)

sábado, 10 de abril de 2010

Marketing: BOOK!...

Verdade e humor, promovendo Sua Excelência, o Livro! Tanto mais que "está na moda"!...


terça-feira, 21 de abril de 2009

Os livros...

«Livros são os mais silenciosos e constantes amigos, os mais acessíveis e sábios conselheiros e os mais pacientes professores» - afirmou Charles W Elliot. O João, 6 meses de idade, não diz, mas pratica com convicção: «Os livros são para devorar!"... :-)