sábado, 13 de dezembro de 2008

Tempo de poesia...

«na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.»

José Luis Peixoto, A criança em ruínas, Quasi, 5ª ed, 2003
(p. 13, poema integral)

3 comentários:

Judite disse...

Emocionei-me!E emocionei-me porque eramos cinco irmãos e agora somos cinco menos dois, mas seremos sempre cinco porque "enquanto um de nós for vivo,seremos sempre cinco".E mais não consigo dizer!

BoDy anD SouL disse...

Tambem me emocionei...

tambem eramos cinco menos um...

Andreia disse...

É um grande poema, daqueles que são perfeitos no que dizem, e no que não precisam de dizer. Directo, parece ser dito/ escrito num jacto, de tão avassalador.
Para quem gostou e ainda não leu, Nenhum olhar; e Cemitério de Pianos (romances) valem muito a pena.
Um beijinho...