quarta-feira, 2 de março de 2011

Agarrar a vida...

Esta minha amiga vive a dúzia e meia de Km, por via rápida. Entre nós alongou-se o tempo de com-viver: a princípio em serviço, depois em formação, sempre em cooperação e partilha. Ingredientes para uma boa amizade. E assim se tornou simples segui-la pelos recentes caminhos que a vida lhe reservou, aliás nada fáceis.
Primeiro, foi o exame médico que lançou suspeitas; depois, mais um e mais outro, até à evidência indesmentível da confirmação; passo a passo, muita angústia estoicamente controlada. Veio o dia da intervenção cirúrgica, o período da convalescença... Por fim (cremos que é o fim), o tempo dos tratamentos e dos enjoos, das dores de cabeça, dos altos e baixos. Um já foi, mais um outro já lá vai também... Faltam mais uns tantos, regulares, espaçados. Um deserto longo e penoso para atravessar, sem fuga possível.
A minha amiga não sente revolta, não questiona "Porquê eu?". Pelo contrário, evidencia coragem e esperança que, como sabemos, rimam com inquietação e incerteza... Longe de sentir autocomiseração, preocupa-se com quem a rodeia e a ama, com os meninos que estranham a sua ausência na escola onde ela queria estar agora. Equaciona retomar o serviço, mesmo quando a prudência o desaconselha. É que há dias em que as horas custam mais a passar.
Resignada e lutadora, confiante mas naturalmente insegura, a minha amiga vai singrando por entre as duras e comezinhas provas do quotidiano: como atar um lenço à cabeça, antes de sair de casa; um súbito cruzar de olhar; recontar a história a alguém conhecido... 
Uma situação que se revela longa, mas efémera... Tu sabes!
De longe (e de perto), contigo aprendo esta lição de vida.
Há prioridades e valores fundamentais. 
Há solidariedade.
Há esperança para fiar, coragem para tecer... há vida para viver. 
Com cores alegres.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Dúzia e meia de anos mais tarde...

Certo dia, o filho de vinte anos entrou em casa anunciando novidade. Pelos rodeios, era coisa séria. Mas não recuou: vinha determinado.
Com a inquietação de quem teme o teor de declarações titubeantes, ainda que decididas, escutámos. 
Um casal de jovens estudantes, um curso por fazer, um emprego por haver... um bebé por nascer.
Íamos ser avós.
A natural alegria foi precedida de receios...
Os jovens futuros pais já haviam refletido, arquitetado sonhos e projetos... 
O nosso filho trazia dúvidas e argumentos. Deixava luzir alegria no olhar.
A alegria promete contágio...
As soluções encontraram-se. 
A menina nasceu...
O pai trabalhou. A mãe trabalhou e estudou. Ele fez umas cadeiras hoje, outras amanhã; e ainda assim concluiu o seu curso. Ela fez o curso de um fôlego; construiu carreira...
Pais tão novos quanto maduros, sempre consideraram a sua filha como o Factor X a ponderar, antes de toda e qualquer decisão... E muitas e variadas foi preciso tomar, ao longo dos anos.
A viagem da vida desuniu e uniu famílias, aproximou novos familiares e amigos. Fez somar casas, escolas, colegas. Desbravou caminhos, multiplicou experiências.
A neta é hoje Menina-Mulher: de menina conserva a ternura; de mulher, a graciosidade e o sentido de responsabilidade.
Completou dezoito anos. É maior. 
Na sua festa de aniversário, que permite que todos nos entrecruzemos em alargado convívio familiar, pediram-lhe um discurso, no momento de brindar... Com pouca vontade de falar em tom solene, numa dúzia de palavras proferiu uma síntese simples, significativa, tocante: «Obrigada a todos pelos dezoito anos maravilhosos que me ajudaram a viver.»
Pude contribuir com o meu quinhão.
Sou avó feliz. Orgulhosa.
Obrigada, Íris.
Parabéns!


Foto: Macieira em flor, de Joaquim Chaves

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Homenageando Maria Alberta Menéres

A Escola dos Caranguejais tinha ontem duas turmas de 2º ano à minha espera, na sua Semana da Leitura. O desafio era homenagear Maria Alberta Menéres. Um convite lançado há meses pelas Professoras Bibliotecárias Margarida Pinho e Sara Cacela.
Deu-me tempo… Reuni sem pressa diversos livros meus da Autora e, recentemente, dispus-me a lê-los e relê-los. 
Deixei-me seduzir pelo Retrato em escadinha: autobiográfico, divertido, com uma história à volta da História da fotografia… Boa ideia! Casualmente, ao folhear a antologia De que são feitos os sonhos, tive a boa surpresa de ver reproduzido o retrato que deu origem à narrativa. Perfeito!











Quem faz hoje anos? sugeriu-me outra ideia: presentear os meninos nascidos em cada mês do ano com uma das quadras relativas ao seu mês, uma difícil seleção da minha autoria… Optei pelas cómicas, pelas poéticas..
Estava traçado o plano, mas não bastava: fiz ainda algumas pesquisas, uma ou outra impressão… Remexi velhos álbuns de fotografias minhas, selecionei o que me pareceu oportuno… Para boa companhia, a minha museológica Kodak Brownie Reflex e o respetivo rolo... Agora sim! Tudo a postos.
As sessões desenrolaram-se tal e qual a planificação (sempre flexível!). E esta resultou, como eu previra. Despertando embora reações diferentes, consoante o grupo, revelaram-se idênticos a concentração e o prazer. 
A 1ª turma riu a bandeiras despregadas, desde o primeiro momento; interveio, opinou descontraidamente… A 2ª turma levou o seu tempo a perder a timidez, a intervir, a rir… E, por fim, estes meninos foram espontâneos  a querer dar desenhos, trabalhinhos em plasticina, cada qual improvisando um miminho, em demonstração de reconhecimento e simpatia…
Tudo graças a Alberta Menéres.
Obrigada a todos, Miúdos e Graúdos dos Caranguejais! Pelo convite, pela receção, pelo carinho…
Parabéns e obrigada, Maria Alberta!


Nota: Esta homenagem a Maria Alberta Menéres foi reproduzida posteriormente em outras cinco sessões, em mais duas escolas do Agrupamento D. António da Costa, igualmente durante as respetivas Semanas da Leitura: EB1 de Almada e EB1/JI da Cova da Piedade . 
Decorreu idêntica homenagem com uma turma da EB1 de Casal de Bolinhos (Agrupamento de Azeitão).

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Aventura, Ventura e Desventuras de uma Mediadora de Leitura

A aventura, essa explica-se em duas penadas: foi a criação de uma Comunidade de leitores do 3º ciclo, propondo ao grupo a leitura de um livro, mensalmente, como ponto de partida para reflexão, debates, leituras em voz alta, jogos de improvisação… Livros escolhidos pelo grupo, claro, de entre uma variada lista fornecida, fazendo-se previamente a respetiva divulgação, com o apoio de uma Mediadora… (Eu..., exterior à escola…)
Não haver inscrições?... Haver desistências? Tudo isso foi previsto e calculado…
E, de facto, aconteceu: na António, houve uma inscrição… e a Comunidade não se formou. Na Navegador Rodrigo Soromenho, o suspense manteve-se até ao último minuto. Estavam dez jovens, na primeira sessão;  oito, na segunda…
Ventura?
Estes adolescentes lêem. São empenhados, interventivos… Sentiu-se empatia, alegria, em ambas as sessões. Falaram apaixonadamente das suas leituras. Colaboraram animadamente na eleição dos livros a ler… Ficou tudo decidido!
Da primeira para a segunda sessão, assinalou-se uma desistência, logo compensada pela entrada de um novo membro. 
(Duas amigas faltaram. Voltariam?)
Desventuras: também as há. Várias. Constrangimentos não faltam!
Os membros da Comunidade de Leitores de Sesimbra, para mais tratando-se de uma atividade voluntária e não curricular, não fazem tenções de comprar os livros. A biblioteca escolar não dispõe de exemplares suficientes de cada livro…
Os alunos são de várias turmas; só é possível reunir todos à 4ª-feira, o dia com dois tempos sem aulas, na escola, tempo esse destinado a todas as atividades e clubes… 
Involuntariamente, disputo o espaço do Clube de Teatro, neste “meu dia”…
Nem sequer as questões logísticas estão garantidas! Para três sessões, três salas diferentes… Impossível criar rotinas.
Eu não tinha ainda referido a 3ª sessão. Foi mesmo hoje.
Havia um conto para ler... 
Se calhar, não o leram. Se calhar, foi por isso que faltaram e só dois jovens compareceram. Ou talvez fosse por outra razão qualquer: testes e trabalhos por fazer? Alguém doente? Uma qualquer greve de transportes afetaria Sesimbra?...
Uma coisa é certa: por isso eu adiei a sessão. Por uma semana, até ver…  Voltarei, a não ser que se revele missão impossível…
Porque vale a pena. 
Não acham?


..........
Notícia da 1ª sessão: aqui.


Página do Facebook criada para a nossa comunicação à distância (ainda não divulgada):
http://www.facebook.com/pages/UmLivroDebaixoDeOlho/127213937348055


Uma página anteriormente criada no Hi5, já divulgada, mas não participada...: http://1livrodebaixodeolho.hi5.com/friend/p560299657--M_Caeiro--html;jsessionid=27EC5A58AB1078DF46C24C2976A4795D

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Internet Segura...

Foto: Portal Fersap
Pelo oitavo ano consecutivo, a rede europeia Insafe promove o Dia da Internet Segura, hoje, dia 8 de Fevereiro.
O objetivo é tornar a Internet um espaço mais seguro para os seus utilizadores, em especial as crianças e jovens.
Dadas as potencialidades desta ferramenta, não isenta de perigos, a chave não está em dificultar o acesso ao mundo virtual, mas sim em formar para uma utilização responsável e segura. 
E quem tarde se iniciou nestas andanças de computadores, sendo ainda um jovem utilizador (seja qual for a sua idade), está em tempo de aprender, a par dos mais novos. 
Fala-se hoje em dia de livros crossover: aqueles que são à partida escritos para jovens e que os adultos leem também com prazer. Os livros dos 7 aos 77, uma fórmula que os editores bem gostariam de descobrir.  
A promoção da Internet Segura deve ser, necessariamente, uma aprendizagem crossover...

  • Ver alguns conselhos, aqui. 
  • Em baixo, um vídeo do Comité Gestor de Internet (Brasil).



quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Uma frase especial...

A melhor frase que ouvi na semana passada (e muitas foram!) tinha cinco palavras e faltavam-lhe outras tantas. Não era gramaticalmente aceitável, mas estava impregnada de sentido e sentimento, e portanto os erros de sintaxe não contaram para nada.
Foi proferida com um profundo suspiro... (Saudoso, acrescento eu.) Dizia-me respeito, sem dúvida! E eu nem estava presente para a ouvir.
Quem a disse foi o meu neto, de 27 meses.
Suspirou ao ir para a escola, na 2ª feira de manhã (pormenor relevante). E explicou à mãe, de seguida, a razão do seu suspiro: 
«Abó b'incai João chão Legos.» (ou seja, literalmente, «Avó brincar João chão Legos.»)
O que falta, depreende-se:  "...a avó a brincar com o João, no chão, com Legos."
Creio ser capaz de entender o que ele não disse e prolongar-lhe a frase: "Queria ficar com a avó a brincar..."
E arrisco mais, rindo descaradamente: "Queria ficar com a avó a brincar com o João, no chão, com Legos..., em vez de ir agora para a escola... (logo hoje que é 2ª feira!)"
Fosse o que fosse que o João sentisse e quisesse, a lembrança da brincadeira com a sua avó acompanhava-o e exprimiu bem o seu desejo de um reencontro. A tal avó que se senta com ele no chão, para brincar, ficou enternecida...
Apenas cinco palavras carregadas de afeto, ingenuidade, pureza.
Foi ou não a melhor frase? 

domingo, 16 de janeiro de 2011

Postagem escrita segundo o acordo ortográfico de 1990...


Embora mal amado, está em vigor o novo Acordo Ortográfico, agora por um período de transição até 2012, sem adiamento de prazo. Os jornais adotaram-no e já comprei livros que trazem a chancela “texto segundo o Acordo Ortográfico de 1990 (Diário da República nº 193, Série I-A, páginas 4370 a 4388)”. Nas escolas, ditará a grafia a partir de 2011/2012. É desta!
Não é meu hábito resistir teimosamente às mudanças e chegou finalmente a minha vez de ser proativa, tarde e a más horas. Precisei de um impulso como este, do tipo “Ano Novo, vida nova”…
Eu sei que a ortografia é uma convenção social; que a língua escrita sempre sofreu alterações, que está novamente em processo de mudança e não será a última vez.
Sei que há bons linguistas e gramáticos no Brasil e que muitos leitores de Português, espalhados pelo mundo inteiro, são brasileiros ou de outros países da CPLP, além de portugueses. Por que razão se há de aprender a escrever a nossa língua de maneira diferente, em duas salas de aula contíguas?
Uniformizar a língua escrita é um bom objetivo. Por isso, pelo contrário, me custa aceitar a inclusão de tantas exceções, no texto do Acordo… 
De que nos servem as consoantes mudas, algumas das quais resistem sem que as pronunciemos? A sua abolição aliviará muitos aprendizes de Português e nenhum Romano se virá insurgir contra o nosso desrespeito pelo étimo latino…
Camões e Pessoa regeram-se por normas ortográficas diversas.
Em vinte anos decorridos desde a assinatura deste último Acordo Ortográfico, assisti a polémicas (tanto em Portugal como nos outros países de expressão portuguesa), furtei-me a abaixo-assinados… Fiquei na expetativa. Basta.
Calha bem: estamos em janeiro… É já.

(Apenas 7 alterações, em todo este texto?!...)

Eis o que muda: 

Buscando um conversor fiável e gratuito para a nova ortografia:


A não perder: 
uma crónica do Jornal das Letras, aqui. 

domingo, 9 de janeiro de 2011

Fala uma nutricionista...: "Pequenas mudanças, grandes efeitos"

Foto sacada da Net 

Mal se foi o Natal e o Ano Novo, teve início a explosão de aniversários de Janeiro... Pessoalmente, estou quase a perder-lhes a conta, numa sucessão de bons almoços, saborosos lanches ou jantares, com todos...
Aqui e ali, há sempre alguém que faz dieta: disfarçada ou assumidamente. Por vezes, são dietas rigidamente traçadas por nutricionistas, a régua e esquadro,  e balança. Assistimos então a uma estóica demonstração da capacidade de a nossa amiga resistir à prova de um petisco, de um copo de vinho, de uns goles de champanhe, de um apreciado doce, em nome das 250g semanais que urge perder, para não falhar um compromisso pessoal... 
Pois nem a propósito: encontrei um artigo recente da nutricionista Paula Veloso que afirma, desassombradamente: Para ter um peso e uma vida mais saudáveis, não são necessários sacrifícios. Sacrifício significa penitência, sofrimento, renúncia... fez mal a alguém? (...) Desfrutar da comida, do prazer de comer mas também da saúde e da "boa" vida são perfeitamente possíveis. Basta seguir pequenas rotinas diárias.
Bem mais aliciante, esta sua prescrição... Apetece segui-la! Tanto mais que promete e permite manter o tal peso, alcançado tão a custo, com a dita dieta!... Eis a sua pródiga "receita":


1. Começar o dia obrigatoriamente com o pequeno-almoço, verdadeiro acelerador do metabolismo, constituído por um alimento do grupo do pão (pão ou cereais pouco refinados), outro do grupo de leite (leite, iogurte ou queijo magros) e uma peça de fruta ou um sumo de fruta (com polpa).

2. Se o intervalo entre o pequeno-almoço e o almoço for superior a 3 horas e meia ou se já sente fome próximo da hora do almoço, faça uma refeição ligeira (leite, iogurte, pão ou bolachas sem gordura e com pouco açúcar; fruta...) que irá controlar o seu nível glicémico e fazer com que não tenha tanta fome ao almoço.

3. Inicie o almoço e o jantar com um bom prato de sopa de legumes (de base fina). Se come em restaurantes, em vez das entradas, e enquanto espera pelo prato do dia, poderá inclusivamente, e antes da sopa, começar pela fruta. Se comer legumes ou salada a acompanhar o prato, peça para temperar no seu prato. Pode temperar com limão ou vinagre, mas não utilize mais do que uma colher de chá de azeite para o fazer. 

4. Evite os fritos, pelo menos durante seis dias na semana. É preferível uma sandes tipo "americana" do que o prato do dia com rissóis ou batatas fritas...

5. Faça um lanche a meio da tarde ou dois, se almoça cedo e janta tarde.

6. Evite refrigerantes e bebidas açucaradas. Se beber vinho faça-o com moderação - dois copos de vinho por dia (de preferência tinto) para os homens e um para as mulheres (desde que não estejam grávidas).

7. Coma, pelo menos, duas peças de fruta por dia, mas não exagere porque a fruta em excesso também engorda.

8. Se se deita tarde, faça uma pequena ceia antes de ir para a cama - um copo de leite e três bolachas Maria, um iogurte e uma peça de fruta, por exemplo.

9. Mexa-se o mais que puder durante o dia, andando a pé, descendo e subindo escadas ou fazendo qualquer actividade física, evitando longos períodos sentado. (...)


O artigo integral encontra-se aqui.
Bom apetite!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Quero mais Natal... venha a Befana!

Hoje é feriado. Não cá, mas acontece em Espanha, na Roménia, em Itália… E não só na Europa. É feriado também na República Dominicana, por exemplo.
Em Itália, associa-se a Epifania, a festa religiosa da revelação de Jesus aos reis gentios (isto é, não judeus), relembrada no Dia de Reis, uma outra festa profana: a da Befana. Esta surge como uma velha muito feia, mas muito generosa, que distribui doces e brinquedos às crianças, reforçando os presentes trazidos há poucos dias pelo Babo Natal. Os italianos conservam em suas casas pequenas bruxas, geralmente suspensas nos cortinados, ao longo de cada novo ano que recomeça, pois afugentará os maus espíritos e trará sorte…
Quem é a Befana?
Segundo a lenda, é uma velhinha que indicou o caminho aos Reis Magos quando estes se dirigiam a Belém e se encontravam perdidos no caminho. Ela deu-lhes informações e, agradecidos pela ajuda, os Reis convidaram-na a acompanhá-los, mas recusou. Mais tarde, arrependeu-se, preparou um cesto com doces e foi procurar os Reis, em vão. Na esperança de ver Jesus, foi distribuindo doces em todas as casas onde encontrava meninos. Desde então, dá a volta ao mundo no Dia de Reis, dando presentes a todas as crianças.
O meu pequeno João, de 2 anos e três meses, vai ampliando os seus conhecimentos sobre o mundo… Recentemente, o Natal fê-lo extrair conclusões e albergar desejos que, estando cada vez mais vivaço e conversador, já é capaz de exprimir bem… Uma coisa é certa: ele hoje teria apreciado estar em Itália, com a sua tia Aline…
Ultimamente repete, com frequência, com uma entoação comovida e  intencionalmente comovedora (suprimindo os erres):
- Que'o natal..., que'o p'endas... 


Uma velha canção, de Gianni Morandi:



domingo, 2 de janeiro de 2011

Novo Ano Novo...

Cacilhas, fragata D. Fernando II e Glória, 1/1/2011
Ano Novo, de novo! 
Com ele entramos na 2ª década do 3º Milénio. Tempo de maturidade. E contudo...
De novo se registou o sobe e desce do número de acidentes vulgarmente contabilizados em épocas festivas, semeando tristezas..., a par do brilho retumbante do fogo fátuo e de muitas festas e alegrias, à meia-noite vividas.
De novo se evoca, em grandes parangonas, cortes de vencimentos, novos aumentos, previsão de restrições na vida de todos nós, mais duras para alguns de nós.
Os dias, esses seguirão seguramente o seu curso: um projecto que evolui, uma carreira que se desenvolve, um filho que vai nascer, uma criança que cresce, um desafio que se vence, um sonho que ganha forma... o tempo que passa.
Um novo ano começa cheio de renovadas esperanças que ignoram tempestades... 
Enfrentemos ventos e tormentas. Com realismo.
Aí está 2011, para ser vivido activamente, dia após dia.
Também com música e poesia.


Receita de ano novo 
Carlos Drummond de Andrade


Para você ganhar belíssimo Ano Novo 
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
(mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
novo 
até no coração das coisas menos percebidas 
(a começar pelo seu interior) 
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
não precisa expedir nem receber mensagens 
(planta recebe mensagens? 
passa telegramas?) 
 
Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumidas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 
 
Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.


O trabalho, neste 1º Período...

Foram treze as sessões de promoção da leitura realizadas por mim, ao longo do 1º Período...
Em várias ocasiões, Li a meias... Por três vezes, com uma turma de 3º ano e, por quatro vezes, com cada uma das duas turmas de 4º ano, os meus meninos que acompanho desde o ano lectivo transacto. Educação rodoviária, educação para a saúde (alimentação), educação sexual, educação para a Felicidade, eis alguns dos temas abordados, como quem não quer a coisa, a propósito de várias histórias lidas.
Um livro, digo, Muitos livros debaixo de olho mantive eu, quer durante as férias de Verão quer depois delas... Essas leituras culminaram na realização de sessões para adolescentes: uma em Sesimbra e outra em Almada, com alunos de 7º e 8º anos.
Impossível fazer mais actividades! Uma das razões foi porque, finalmente, me dei ao luxo e ao privilégio de gozar férias em Setembro!
Descobri e fiz uso do turismo para formação...: desloquei-me recentemente a Beja, à Batalha e ao Porto. Jornadas de formação e trabalho, oportunidades para passeio e fotografia, pausas para lazer e prazer.
Fiz mais! Colaborei, como sempre, na actualização do blogue da Escola Conde de Ferreira.
Corrigi trabalhos diversos. Voluntariamente. 
Activa e viva. Estimada, logo, recompensada.


Fotografia: Fernanda Ataíde, responsável pela biblioteca escolar da Escola Conde de Ferreira, e Dina Dourado, Professora Bibliotecária do Agrupamento Vertical de Escolas D. António da Costa.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Armstrong e o Pai Natal

As palavras dos outros...

POEMA DE NATAL
Hoje é dia de Natal.
O jornal fala dos pobres
em letras grandes e pretas,
traz versos e historietas
e desenhos bonitinhos,
e traz retratos também
dos bodos, bodos e bodos,
em casa de gente bem.
Hoje é dia de Natal.
- Mas quando será de todos?
Sidónio Muralha
E, a propósito de pobres, bem como do aproveitamento político que destes se faz, convido à leitura de Pobres é o que está a dar, de Manuel António Pina: aqui.




sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Velhas técnicas... renovados encantos...

É velha a notícia, sim, e mais velha ainda a técnica japonesa de contar histórias da tradição oral: kamishibai.
Vejam como este contador de histórias se dedicou a renovar a velhinha tradição e como, por esse processo, consegue despertar o entusiasmo de todo um vasto auditório...  


terça-feira, 30 de novembro de 2010

Língua Portuguesa e Fernando Pessoa...

«A minha pátria é a língua portuguesa» é afirmação, sobejamente conhecida, de Fernando Pessoa; descontextualizada, obviamente.
Estive há dias no II Congresso da Língua Portuguesa, realizado ao longo de dois intensos dias, no Instituto Piaget de Almada. 
Vindos dos quatro cantos do Mundo da Lusofonia, escritores, jornalistas, sociólogos, cientistas, professores, políticos, economistas... integraram os diversos painéis em que se debateu a diversidade e universalismo da língua, a sua difusão nos media e no ciberespaço, o seu uso nos grandes espaços linguísticos e económicos, especificando-se o seu valor económico, o seu peso na Ciência e na Literatura, os seus poetas, o seu ensino... venturas e desventuras. E o acordo ortográfico foi repetidamente citado, a talho de foice, ora contra ora a favor, evidenciando-se que este se vai tornando mais consensual. 

Eis o texto de Fernando Pessoa de onde foi extraída aquela citação (com referência ao Padre António Vieira), tal como Pessoa o escreveu, respeitando as regras ortográficas do seu tempo - diferenças que não afectam a nossa compreensão.
(Faz hoje 75 anos sobre a sua morte.) 
"Não chóro por nada que a vida traga ou leve. Há porém paginas de prosa que me teem feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noute em que, ainda creança, li pela primeira vez numa selecta, o passo celebre de Vieira sobre o Rei Salomão, "Fabricou Salomão um palacio..." E fui lendo, até ao fim, tremulo, confuso; depois rompi em lagrimas felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquelle movimento hieratico da nossa clara lingua majestosa, aquelle exprimir das idéas nas palavras inevitaveis, correr de agua porque ha declive, aquelle assombro vocalico em que os sons são cores ideaes - tudo isso me toldou de instincto como uma grande emoção politica. E, disse, chorei; hoje, relembrando, ainda chóro. Não é - não - a saudade da infancia, de que não tenho saudades: é a saudade da emoção d'aquelle momento, a magua de não poder já ler pela primeira vez aquella grande certeza symphonica.
Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente. Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
Sim, porque a orthographia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-m'a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha."

O iPad da Apple chegou até nós





É hoje notícia: a Fnac e a Worten começaram a vender o iPad da Apple.
Sabe-se que permite escutar rádio e aceder à Internet, bastando escolher o modelo pretendido. 
Contam que já fez diminuir a venda de portáteis, por ser pequeno e leve. Noticiam que os preços variam entre €499,00 e €799,00 e que não se registam filas, nos pontos de venda. Anunciam que os meios de comunicação social preparam conteúdos (pagos) para o iPad e que esperam aumentar, assim, o número dos seus leitores.
Não há que temer o fim dos livros ou dos jornais. Todos os suportes, afinal, concorrem para um mesmo objectivo: acesso a informação, promoção da leitura. 
Segundo os editores, um e-book tem um custo de produção menor do que o livro em papel, excepto quando inclui conteúdos e actividades que implicam o trabalho de uma equipa multidisciplinar - uma tendência que se expande. 
Acrescidos aliciantes para captar jovens leitores... 

A notícia está aqui.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Música e poesia

Fui revisitar a voz de um conhecido cantor do país vizinho: Paco Ibañez. Vi-o por segundos no documentário José e Pilar e ficou-me a vontade de o ouvir mais longamente... 
Lúcido e irreverente, cada canção sua é um poema de intervenção. Mais de quarenta anos a cantar... e só a idade mudou...
 



quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Cinema: José e Pilar

O filme José e Pilar abriu o DocLisboa 2010, teve uma ante-estreia a 16 de Novembro, no dia do 88º aniversário de nascimento de José Saramago e está desde então em cartaz, em diversas salas de cinema nacionais. 
Vi-o há dois dias, sem um desvio do olhar... 
Senti-me emocionada pela ilusão de penetrar no quotidiano do casal; pela simplicidade com que nos é relatado o seu ritmo intenso de vida; pela dimensão humana de cada um, Homem e Mulher..; pelo amor que ressalta daquela união, finda mas infinita... Pela viagem a Lanzarote e a A Casa...; pela beleza da fotografia e da música do vento... Pela tenacidade com que José concluiu A viagem do Elefante e com que Pilar terminou a respectiva tradução, no mesmo dia... Por me identificar com todo aquele desejo de viver a vida, aproveitar todo o tempo disponível..., repousar e prosseguir, sem cessar... Por concordar com tantas das posições ali assumidas e defendidas...
Saí com desejo de rever o filme... e, sobretudo, de conhecer melhor a obra do nosso Nobel de Literatura. 
José Gonçalves Mendes conviveu com José Saramago e Pilar del Rio durante quatro anos e a gravação de 240h deu lugar a este documentário com um décimo de duração - realista, poético, sóbrio, imperdível.

domingo, 21 de novembro de 2010

Arte...

Matisse, pintor francês (1869-1954) - visto por Philip Scott Johnson, através da sua arte digital.


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Com vários livros debaixo de olho...

Foi ontem, em Sesimbra. A Comunidade de Leitores adolescentes reuniu-se pela primeira vez.
Pela manhã, só havia notícia de três inscrições: metade do mínimo previsto!.. Mesmo assim, fui. E à hora marcada, dez jovens se apresentaram no local combinado: uma aluna de 7º ano e nove do 8º, de três turmas diferentes. Por acaso, cinco rapazes e cinco raparigas.
Vejam bem se eu tivesse desanimado e desistido!...
Calculem como fui apanhada de surpresa!...
Começámos pelas apresentações. Pelos objectivos desta actividade. E pelo perfil de leitor de cada um...
Um grupo muuuuuuuito heterogéneo...
Há os que gostam de aventuras, de Banda Desenhada e humor; os apaixonados pelo romance fantástico e os que optam por biografias e textos realistas, nomeadamente o romance histórico; há mesmo quem eleja os autores clássicos... e os amantes da poesia. E lêem!...  Livros e autores que souberam nomear: O planeta branco, de Miguel Sousa Tavares; a História de uma alma, de Álvaro Magalhães; os 7 volumes de Harry Potter...; O Diário de um banana ou livros de José Rodrigues dos Santos...; há mesmo quem esteja a ler o Dom Quixote de Cervantes!...
Com a apreensão de quem já não sabia se fizera uma boa escolha, apresentei-lhes então os livros cuja leitura eu lhes iria propor... e, para meu alívio, senti que a motivação foi crescendo...
Nova surpresa: três quartos de hora depois, tivemos de acabar a sessão que duraria 90 minutos. O que me impediu de concluir o trabalho: a votação dos livros preferidos..., a decisão do 1º livro a lermos...
Solução de recurso: cada um concluir a sua leitura em curso e divulgar esse livro na próxima sessão.
Uns correram para a camioneta; outros para o Clube de Teatro ou para o Clube de Vólei... Quem não tinha pressa correu para a mesa dos meus livros, folheou-os, apontou títulos... Querem ir à Biblioteca Escolar ou à Biblioteca Municipal requisitá-los... (A Professora Bibliotecária já recebeu pedidos, esta manhã.)
Jovens activos, empenhados...
Um simpático grupo que promete...
Um horário a rever...
Vim satisfeita!




terça-feira, 16 de novembro de 2010

Mar...

Cresci junto ao mar, vivo perto do mar, o meu nome mergulha no mar (Maria... e-por-aí-fora...) O mar evoca em mim sensações, recordações... Fascina-me.
Ora o mar representa muito mais, sabemo-lo: é memória de epopeia histórica, lazer, vida, sustento, energia... por isso mesmo lhe foi dedicado um dia: 16 de Novembro. 
É hoje o Dia Nacional do Mar.
Comemoro-o com este e outros instantes fotográficos... que podem ser vistos aqui e ali...


E comemoro-o com poesia:
Atlântico
Mar,
Metade da minha alma é feita de maresia.
Sophia, Poesia, Caminho, 2007, 6ª edição, p.12


domingo, 7 de novembro de 2010

Gosto de ler...

...como dizem ali ao lado, nuestros hermanos...