Primeiro, foi o exame médico que lançou suspeitas; depois, mais um e mais outro, até à evidência indesmentível da confirmação; passo a passo, muita angústia estoicamente controlada. Veio o dia da intervenção cirúrgica, o período da convalescença... Por fim (cremos que é o fim), o tempo dos tratamentos e dos enjoos, das dores de cabeça, dos altos e baixos. Um já foi, mais um outro já lá vai também... Faltam mais uns tantos, regulares, espaçados. Um deserto longo e penoso para atravessar, sem fuga possível.
A minha amiga não sente revolta, não questiona "Porquê eu?". Pelo contrário, evidencia coragem e esperança que, como sabemos, rimam com inquietação e incerteza... Longe de sentir autocomiseração, preocupa-se com quem a rodeia e a ama, com os meninos que estranham a sua ausência na escola onde ela queria estar agora. Equaciona retomar o serviço, mesmo quando a prudência o desaconselha. É que há dias em que as horas custam mais a passar.
Resignada e lutadora, confiante mas naturalmente insegura, a minha amiga vai singrando por entre as duras e comezinhas provas do quotidiano: como atar um lenço à cabeça, antes de sair de casa; um súbito cruzar de olhar; recontar a história a alguém conhecido...
Uma situação que se revela longa, mas efémera... Tu sabes!
De longe (e de perto), contigo aprendo esta lição de vida.
Há prioridades e valores fundamentais.
Há solidariedade.
Há esperança para fiar, coragem para tecer... há vida para viver.
Com cores alegres.







