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quarta-feira, 21 de março de 2018

Há histórias assim, de memórias e afetos...


Os sótãos furados é o título de uma obra infantil de Maria do Carmo Almeida, publicado pela Verbo, na Coleção Picapau, em 1980. Apesar de uma ou de outra natural marca da época, nomeadamente a ilustração, continua a ler-se com prazer!…
Imaginem um bairro antigo; um quarteirão de prédios com sótãos, paredes meias uns com os outros; de repente, alguém tem a ideia de os tentar ligar por uma pequena abertura, apesar do receio do que poderia encontrar-se do outro lado… O resultado é uma história que alia aventura e suspense, e fala de vivências quotidianas intemporais de crianças entre os seis e os dez anos, dinâmicas e destemidas.
Cada sótão, tal como cada um dos seus moradores, constitui um mundo diverso a descobrir. E um meio para aprender a conviver, democrática e solidariamente. Não faltam reuniões e decisões; brincadeiras e leituras; lanches e trabalho partilhado.
Nesse tempo, a sociedade portuguesa era menos cosmopolita. Dois dos vizinhos são negros, referidos como os pretinhos - expressão que soando mal, não deixa dúvidas quanto ao valor carinhoso do diminutivo. Aquele grupo vai crescendo diariamente, sem qualquer atrito ou discriminação. Todos diferentes, todos iguais, todos amigos.
Acabo de reler este livro graças ao reencontro com uma ex-aluna, atualmente professora bibliotecária, que o ouviu ler, em tempos, nas nossas aulas de Português… Uma história de afetos. Um livro inesquecível para ela. Uma boa escolha (mais não fosse por isso), digo eu! 
(E confesso: apetece-me abrir o meu próprio sótão, eu que
moro no último andar!)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Contas fechadas...

Já lá vai, há que tempos, o ano 2010/2011...
Setembro despediu-se da praia... Outubro recuperou o verão... Tiquetaque, tiquetaque, o relógio prossegue inflexível. Um outro ano escolar começou; novas sessões de mediação de leitura estão programadas e se avizinham...
Não me esqueci! Sei bem que me faltou apresentar, no fim do ano transato, o balanço final do trabalho realizado; faltou-me principalmente dar o merecido destaque à despedida do 1º projeto Ler a Meias, após dois anos de trabalho consecutivo com aquelas duas turmas que partiriam para o 5º ano.
É tarde, mas mais vale tarde... 
Em três pinceladas, direi apenas...:
1) Foram 62 as sessões por mim desenvolvidas no ano findo (mais 56, ao longo de 2009/2010 e outras 3, em maio de 2009 - o que perfaz 121 sessões de mediação de leitura e escrita, até agora; 54 das quais, com aqueles alunos...)
2) Relativamente às escolas, mais uma daqui menos outra dacolá (pois nem sempre é possível aceitar os convites de última hora para sessões pontuais), uma vez feitas as contas, o número de bibliotecas escolares em que trabalhei foi semelhante ao de 2009/2010, isto é, 9; todas elas no Distrito de Setúbal: Almada, Azeitão e Sesimbra.
3) Aqui fui deixando alguns relatos e traçando balanços periódicos. (Nos blogues - atualizados...- das diversas bibliotecas escolares, foi sendo dada notícia das sessões realizadas.)
Adiei o balanço do Ler a Meias... Um ensaio sobre  essa experiência de continuidade irá em breve (?) ser publicado na próxima revista municipal Anais de Almada. Lançaram-me o desafio e deitei mãos à obra. Pensei, na altura, que poderia publicar aqui o dito artigo, uma vez que estivesse redigido, mas constato que é demasiado extenso, exigiria opções, cortes, sínteses... (Fora de questão!)
Em resumo, este voluntariado produziu efeitos; segundo afirmaram os intervenientes, cumpri o objetivo de fazer crescer, nos meninos, o desejo de ler autonomamente e a capacidade de ler melhor. Contribuí para facilitar a abordagem de muitas temáticas das diversas áreas curriculares. Enfim, a avaliação final de docentes e discentes alegram-me... e encorajam-me a prosseguir.
Todos nós ficámos ricos de histórias, sonhos e saudades...







Fotos do blogue 
A Magia dos Livros
http://bibliotecamagialivros.blogspot.com  

terça-feira, 7 de junho de 2011

Por agora, boas férias!...

Por este ano, já está: o Verão a chegar, as aulas a acabar... E o mar ali tão perto!!! A Comunidade de Leitores de Sesimbra despediu-se.
Mas calma, vamos por partes!

1 - O grupinho de leitores, a certa altura, estabilizou e manteve-se. Eram seis… (Ou seriam cinco? É que o Bruno faltou às duas últimas sessões!…)


2 – O Miguel esqueceu-se de trazer a (nossa) Aventura fantástica de Elias Bonfim, depois de ter inserido no texto as alterações propostas no penúltimo encontro. (Vai-no-lo enviar depois, por e-mail. Não te esqueças!)


3 - Discutiu-se o último livro do dia: O Anibaleitor, de Rui Zink. 
Registaram-se os acidentes de percurso do costume: nem todos leram... uns ficaram "a meio" ou "a menos"… Em consequência, a análise foi breve e menos participada do que o desejado.
Para o Tiago (que leu tudo, gostou e logo deu essa novidade pelo Facebook), a parte mais interessante foi a amizade do narrador com o pirata Keequog - que tinha o corpo todinho tatuado de poemas e romances! O momento mais divertido foi quando percebeu que quem batizou o Animal Leitor (de Anibaleitor) foi um náufrago go'sdibado (isso mesmo, constipado)…
Salientou-se que o rapaz foi forçado a ler e a discutir livros para salvar a pele… tal como Sherazade, de As mil e uma noites… E interessou-se pela leitura, naquela ilha… tal como nós gostamos de falar de livros e leituras, na biblioteca!


4 - Fez-se, por fim, o balanço deste projeto.
Os Jovens consideraram que as sessões foram agradáveis, interessantes e divertidas. Sentiram dificuldade em requisitar as obras; leram outras pelo meio; têm muitas atividades extracurriculares e faltou-lhes tempo para ler tudo no prazo… Era impossível fazer-se mais! Contudo, falámos de obras lidas, lemos excertos de livros de vários autores; escrevemos uma narrativa; debatemos três obras; conhecemos livros novos... Gostaram de ler, discutir, imaginar, recriar… Valeu a pena!


5 -  Querem continuar. Fizeram uma proposta: escolherem eles os livros… 
Foi contraposta uma condição: apresentarem sugestões de títulos na página do Facebook ou por email. Assim, poderemos todos lê-los, avaliar o seu interesse, opinar. O resto, logo se vê… Concordaram.


Só depois de tudo isto, então sim, nos despedimos. Com esse compromisso... Sobretudo com amizade, na expectativa de continuarmos juntos, embora aceitando as incógnitas inconstantes do futuro.


6 – E eu?... Satisfeita?
Fizemos menos do que o esperado.
Houve atrasos e faltas…, mudança de horário, sessões forçosamente adiadas, logo, realizaram-se menos encontros e leram-se menos obras... Os contratempos foram sempre superados com úteis soluções de recurso… Lançámos mão dos meios digitais, nos tempos de ausência… (Pouco participados, é certo...)
Antes de ser mediadora, sou professora. Foi uma 1ª vez para eles, para a escola e, desta forma, também para mim. Naturalmente, avalio o percurso, valorizo os pontos fortes, pondero o progresso. Devagarinho, a evolução aconteceu.
Ficámos aquém do desejado, é verdade. Mas o que foi feito, foi válido. Eles cresceram… 
Pessoalmente, gostei daqueles Jovens, dos afetos de todos, e desta minha experiência... Aprendemos todos... Cresceram eles, cresci eu!

terça-feira, 19 de abril de 2011

2º Período, longo e preenchido...

Comunidades de Leitores
Das aventuras e desventuras vividas com Um livro debaixo de olho, na D. António da Costa (Almada) e na Navegador Rodrigues Soromenho (Sesimbra), várias vezes aqui falei. Não por ser um trabalho de êxito garantido, antes pelo contrário... Talvez precisamente por ser "a primeira vez" que faço promoção da leitura com adolescentes e este constituir o maior desafio do momento, aquele que tem posto à prova a minha resistência a surpresas duras e a desventuras,  estimulando a minha criatividade... (Sete sessões.)


Homenagem a Maria Alberta Menéres
Relatei também aqui, prontamente, a minha primeira sessão de homenagem a Maria Alberta Menéres (oito vezes repetida, em várias escolas.)
Constituiu igualmente um grande desafio. Que livros escolher para ler a turmas do 1º Ciclo que eu não conhecia?, ...livros que nunca abordara? O quê e como fazer?...  
Tal justificou um longo tempo de preparação, de maturação... 
A diferente reação das duas turmas com quem estive na primeira vez (diversa das de outros grupos), tanto quanto a concretização bem sucedida desta homenagem recém estreada, deu-me esse irresistível impulso para escrever logo, logo, nessa altura...
Se a primeiríssima turma (de 2º ano) riu a bandeiras despregadas com as peripécias e distrações de Alberta, no Retrato em escadinha, tranquilizando-me quanto a esta minha opção, a última turma, de 4º ano, não foi menos surpreendente! Os meninos aderiram, participaram... Por fim, fizeram perguntas à Mediadora - acabei entrevistada!... (Quase prometi que um dia eu hei de escrever uma história!...) E quando eu julgava que tudo sucedera já, naquele dia, eis que descubro que a senhora professora daqueles meninos fora minha aluna... e guardava boas memórias... Inesquecível!

Ambiente: plantas, animais e gente...

Nas restantes escolas de 1º Ciclo do AVE D. António da Costa - Escola dos Caranguejais e EB1/JI nº3 de Almada -, realizei quatro outras sessões, com turmas de 3º e 4º anos. Aí a temática foi diversa: Ambiente. 
A estas duas escolas eu fui pela primeira vez, mas com a serenidade de quem já experimentara o que ia fazer, mesmo introduzindo voluntariamente alterações à planificação, como sempre... 
Os meninos queriam saber quando eu voltaria... 
Aos do 3º ano, pude prometer um regresso, no próximo ano...

De novo, em Azeitão...
Imaginem a escola de Casal de Bolinhos: pequenina, com biblioteca. Apenas duas turmas; uma de 3º e 4º anos e outra de 1º. Tão familiar!
Pela 1ª vez, realizei aí sessões com o 1º ano. Para mim, um novo desafio! 
De uma das vezes, esqueci-me que ainda não saberiam ler versos!... (Ah! Apanhada em falso!...) Resultou, tornou-se mesmo uma atividade engraçada..., graças à motivação dos pequenitos e à entreajuda de todos...
Com os meninos do 3º e 4º anos, realizei duas sessões diferentes. Acompanhei-os também ao Lar dos Bancários, ali perto, onde cultivam a sua horta. E estivemos juntos mais umas vezes, para atualizarmos o jornal escolar digital (o seu blogue). 

Ler a Meias... (Os últimos são os primeiros...)
É na Escola Conde de Ferreira que desenvolvo a minha mais intensa atividade de promoção da leitura, quer pelo seu caráter regular quer pela sua duração: o Ler a Meias vai fazer dois anos!...
Os meus meninos, com quem me encontro quinzenalmente, estão agora quase a acabar o 4º ano e a mudar para uma escola de gente mais crescida... Os livros cujo afeto partilhamos têm-nos permitido abordar todas as temáticas possíveis e imaginárias... Juntos, estivemos oito vezes, no 2º Período..., aliás catorze..., em seis das quais fui aprendiz de Artes, pela mão da professora Clarinda Matos... Está no prelo um livro digital com as nossas produções: Tu cá, tu lá com Henri Rousseau.
Com a turma de 3º ano, os encontros são mensais; foram três as nossas sessões.
Outros balanços de resultados poderão vir a ser feitos... ou talvez não.
Os meninos passaram a ler mais? Melhor?... Quantos livros requisitam? Quais?... Para mim, Mediadora de Leitura voluntária, é balanço impossível.
Só sei que...
Acorrem felizes, sessão após sessão. Ganharam afeição pela biblioteca. Conhecem muitos, muitos livros; procuram-nos, requisitam-nos... Refletiram sobre muitos, muitos temas... Debateram muitas, muitas ideias... Incorpóreas como todas as ideias.
Quanto às evidências, existem nos blogues das minhas bibliotecas... mas aviso que nem todos estão em dia!...
A Magia dos Livros está. Posso garantir. Tenho prestado colaboração regular.
Em resumo: foram 33 as sessões realizadas por mim, (sem contar as 6 da minha colega Clarinda Matos, na Conde de Ferreira). 
E com muito mais horas de trabalho preenchi este looooooongo 2º Período!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Alea jacta est...

Ainda ontem eu continuava a remexer estantes, a ler e reler livros juvenis, a buscar ideias para uma estratégia diferente de promoção da leitura… O tempo em contagem decrescente e eu ainda sem ter uma decisão definitiva sobre o que iria fazer hoje, na 3ª sessão com o 7º 4ª, na António da Costa.
Tendo eu a Comunidade de Leitores debaixo de olho…, sabia que tinha de ser criativa e dar mais um passo no processo de sedução dos jovens para a leitura… Sendo uma sessão de 45m, mais me eram exigidas objetividade e economia de tempo… Mais isto e mais aquilo…
Quem por fim assiste, talvez ache que tudo aconteceu muito espontaneamente… Mas aqui para nós (quase em segredo…) a preparação de uma nova sessão representa muita dedicação e trabalho. As temáticas a abordar e as obras a ler constituem um processo lento, um longo desafio... Tempo de inquietante indecisão; tempo de insegura decisão.
Quando chega o momento da concretização, alea jacta est...(isto é, a sorte está lançada...) Aí sim, é seguir em frente com naturalidade… Toca a descontrair, confiar… Basta desenrolar o plano e as páginas, dar asas à imaginação, escutar apartes e comentários, não fugir às questões, interagir… encorajar, aplaudir... Gerir o tempo… Tudo aparentemente fácil! Resta a sensação de que afinal não custava nada!
O auditório reage e não engana: eles, sim, são espontâneos.

Esta 3ª sessão agora já lá vai… e eu voltei "de alma cheia"!
Levei novos títulos, sim. Uns livros cujas personagens são adolescentes, movendo-se no seu mundo sócio-familiar, com as dúvidas e emoções próprias da idade, comuns às destes jovens, e juntei também outros títulos sobre livros e leitura, bem como um cartaz publicitário da Livraria Histórias com Bicho.
A sessão começou pelo tema do amor e do primeiro beijo, lendo/vendo Borboletas, de Xavier Docampo (que traduzi).
Do Diário de um adolescente com a mania da saúde, de Aidan Macfarlane e Ann Mcpherson, lemos um capítulo eleito pelos jovens (de entre três à escolha), o qual permitiu responder a algumas inquietas questões sobre sexualidade, nomeadamente a maternidade na adolescência.
Relações familiares, dificuldade de comunicação, insucesso escolar, tecnologias ou falta delas e descoberta de prazeres do campo foram assuntos que vieram depois à baila, a partir da divulgação de Meia hora para mudar a minha vida, de Alice Vieira; Escrito na parede, de Ana Saldanha; Verba volant, scripta manent, um conto de João Aguiar, incluído em O Prazer da Leitura, que permaneceu suspenso em grande suspense*
O cartaz da livraria abriu novas aceções para a palavra LER. 
Da importância e aventura da leitura falam Os livros que devoraram o meu pai, de Afonso Cruz, e O Anibaleitor, de Rui Zink - brevemente aflorados.
Acabámos com uma atividade lúdica: de onde teriam sido retiradas três “páginas perdidas”?... Não foi tarefa fácil, mas elas reentraram direitinhas no seu lugar, exigindo alguma técnica e persistência… O poema de Makinaria, de Carlos Negro (traduzido) foi o mais fácil.
Esgotou-se o tempo. Era preciso ir logo para a aula seguinte. Haviam chegado cheios de entusiasmo, com ar expectante e sorridente, a disputar os lugares da frente. Haviam seguido a sessão com olhar atento, sem perder pitada e intervindo… Agora partiam sem pressa e satisfeitos, tal como eu.
- Voltem voluntariamente para o ano!– -insisti, à despedida.
Voltarão ou não... Alea jacta est...
Curiosamente, surgiram novas interessadas: as professoras presentes talvez queiram integrar uma Comunidade de Leitores em torno de livros para a infância e juventude...
Quem sabe?!… ;-)

* Livro esgotado. O conto integral pode ser lido on-line, aqui: http://www.andante.com.pt/pdfs/verba%20volant,%20scripta%20manent.pdf  

sexta-feira, 18 de março de 2011

Com uma Comunidade de Leitores debaixo de olho...

Fui à António da Costa em Dezembro e voltei ontem, para trabalhar com uma turma de 7º ano.
(Em Fevereiro, fora também a uma turma de 6º ano, como veremos.)
Realizei, portanto, três sessões de promoção da leitura, mas desta vez com o objetivo acrescido de formar a Comunidade de Leitores que trago debaixo de olho
O projeto da Comunidade, nesta escola, mereceu, em Outubro, a aprovação do Conselho Pedagógico, suscitou o entusiasmo e envolvimento da Professora Bibliotecária, etc, etc…, mas não houve inscrições.
Desiludidas? Não muito, pois dúvidas subsistiam desde o início. Eu não sou da escola. Trata-se de uma atividade voluntária e não sujeita a avaliação - que, no entanto, implica horários, trabalho… Seduzir leitores adolescentes é um grande desafio…
Cruzámos os braços? Não! Andamos desde então a lançar sementes para 2011/2012. Persistentemente. Calmamente.
De que modo? Como a única inscrição fora a de um aluno do 7º 4ª, começámos por fazer uma sessão com esta turma.
Iriam conhecer-me… Poderia propagar-se o vírus do contágio…
Um poema de Carlos Negro, professor e poeta galego, abriu a sessão e prendeu a assistência. Umas páginas do Diário inventado de um menino já crescido, de José Fanha, mantiveram o entusiasmo… Saltámos depois de excerto em excerto, entre temáticas e géneros variados, viajando felizes pelos livros selecionados para os adolescentes… O planeta branco, Gosto de ti, R, Vampiros ou nem por isso, Alex ponto com, Poemas para um dia feliz
Foi uma sessão alegre e viva… O tempo era pouco (45m) e passou muito, muito depressa…
A professora Isabel foi efusiva ao demonstrar o seu agrado, o mesmo agrado que os jovens não escondiam… Houve quem indicasse um livro para ser relido na “próxima sessão”…
Gostaram de ouvir ler – é certo. Incerto é quererem ler autonomamente… E a intenção de uma eventual inscrição, ninguém manifestou...
Ontem voltámos a estar juntos. Traziam o entusiasmo da 1ª vez.
Recriei o desafiante momento da seleção de um livro, entre muitos: olhar o título, ver a capa, ler a contracapa, abrir e ler um excerto… E curioso é vê-los aperceberem-se de que o seu interesse vai mudando, ora pela deceção ora pela boa surpresa que a capa, contracapa ou uma passagem do livro deixam em aberto…
Real… mente, A casa das bengalas, Diário inventado de um menino já crescido, O amor faz-te mal, Valentim, A rapariga voadora, O sonhador... foram despertando, sucessivamente, diferentes reações. 
(Andreia Brites inspirou-me com o seu Ver para Crer… Aliás, é graças a Andreia Brites que eu ando hoje em dia nestas andanças de Mediação de Leitura. Leonor Fernandes, por sua vez, foi quem primeiro me abriu as portas da sua biblioteca escolar, possibilitando que o meu sonho germinasse...)
Os jovens da António irão agora requisitar os livros, como eu costumava ver acontecer, na minha biblioteca?... Era essa a intenção. Veremos!…  
Inscrever-se-ão na Comunidade de leitores, para o ano? Este convite é explícito, permanece válido…; o resultado, absolutamente incerto.









O 6º 6ª, entusiasmado com a sessão de Fevereiro que denominei Dez e vai um... (na qual dez livros de autores portugueses estiveram em destaque, durante 90m de escuta atenta e participação ativa), poderá engrossar, talvez, o grupinho de interessados… A professora Elisabete confia. Uns jovens manifestaram interesse, com brilho no olhar...
Voltarei a esta escola, em breve. Com novos títulos, novas estratégias. 
Talvez a semente dê fruto. Um qualquer. Pelo menos, o prazer do reencontro.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Aventura, Ventura e Desventuras de uma Mediadora de Leitura

A aventura, essa explica-se em duas penadas: foi a criação de uma Comunidade de leitores do 3º ciclo, propondo ao grupo a leitura de um livro, mensalmente, como ponto de partida para reflexão, debates, leituras em voz alta, jogos de improvisação… Livros escolhidos pelo grupo, claro, de entre uma variada lista fornecida, fazendo-se previamente a respetiva divulgação, com o apoio de uma Mediadora… (Eu..., exterior à escola…)
Não haver inscrições?... Haver desistências? Tudo isso foi previsto e calculado…
E, de facto, aconteceu: na António, houve uma inscrição… e a Comunidade não se formou. Na Navegador Rodrigo Soromenho, o suspense manteve-se até ao último minuto. Estavam dez jovens, na primeira sessão;  oito, na segunda…
Ventura?
Estes adolescentes lêem. São empenhados, interventivos… Sentiu-se empatia, alegria, em ambas as sessões. Falaram apaixonadamente das suas leituras. Colaboraram animadamente na eleição dos livros a ler… Ficou tudo decidido!
Da primeira para a segunda sessão, assinalou-se uma desistência, logo compensada pela entrada de um novo membro. 
(Duas amigas faltaram. Voltariam?)
Desventuras: também as há. Várias. Constrangimentos não faltam!
Os membros da Comunidade de Leitores de Sesimbra, para mais tratando-se de uma atividade voluntária e não curricular, não fazem tenções de comprar os livros. A biblioteca escolar não dispõe de exemplares suficientes de cada livro…
Os alunos são de várias turmas; só é possível reunir todos à 4ª-feira, o dia com dois tempos sem aulas, na escola, tempo esse destinado a todas as atividades e clubes… 
Involuntariamente, disputo o espaço do Clube de Teatro, neste “meu dia”…
Nem sequer as questões logísticas estão garantidas! Para três sessões, três salas diferentes… Impossível criar rotinas.
Eu não tinha ainda referido a 3ª sessão. Foi mesmo hoje.
Havia um conto para ler... 
Se calhar, não o leram. Se calhar, foi por isso que faltaram e só dois jovens compareceram. Ou talvez fosse por outra razão qualquer: testes e trabalhos por fazer? Alguém doente? Uma qualquer greve de transportes afetaria Sesimbra?...
Uma coisa é certa: por isso eu adiei a sessão. Por uma semana, até ver…  Voltarei, a não ser que se revele missão impossível…
Porque vale a pena. 
Não acham?


..........
Notícia da 1ª sessão: aqui.


Página do Facebook criada para a nossa comunicação à distância (ainda não divulgada):
http://www.facebook.com/pages/UmLivroDebaixoDeOlho/127213937348055


Uma página anteriormente criada no Hi5, já divulgada, mas não participada...: http://1livrodebaixodeolho.hi5.com/friend/p560299657--M_Caeiro--html;jsessionid=27EC5A58AB1078DF46C24C2976A4795D

domingo, 2 de janeiro de 2011

O trabalho, neste 1º Período...

Foram treze as sessões de promoção da leitura realizadas por mim, ao longo do 1º Período...
Em várias ocasiões, Li a meias... Por três vezes, com uma turma de 3º ano e, por quatro vezes, com cada uma das duas turmas de 4º ano, os meus meninos que acompanho desde o ano lectivo transacto. Educação rodoviária, educação para a saúde (alimentação), educação sexual, educação para a Felicidade, eis alguns dos temas abordados, como quem não quer a coisa, a propósito de várias histórias lidas.
Um livro, digo, Muitos livros debaixo de olho mantive eu, quer durante as férias de Verão quer depois delas... Essas leituras culminaram na realização de sessões para adolescentes: uma em Sesimbra e outra em Almada, com alunos de 7º e 8º anos.
Impossível fazer mais actividades! Uma das razões foi porque, finalmente, me dei ao luxo e ao privilégio de gozar férias em Setembro!
Descobri e fiz uso do turismo para formação...: desloquei-me recentemente a Beja, à Batalha e ao Porto. Jornadas de formação e trabalho, oportunidades para passeio e fotografia, pausas para lazer e prazer.
Fiz mais! Colaborei, como sempre, na actualização do blogue da Escola Conde de Ferreira.
Corrigi trabalhos diversos. Voluntariamente. 
Activa e viva. Estimada, logo, recompensada.


Fotografia: Fernanda Ataíde, responsável pela biblioteca escolar da Escola Conde de Ferreira, e Dina Dourado, Professora Bibliotecária do Agrupamento Vertical de Escolas D. António da Costa.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Com vários livros debaixo de olho...

Foi ontem, em Sesimbra. A Comunidade de Leitores adolescentes reuniu-se pela primeira vez.
Pela manhã, só havia notícia de três inscrições: metade do mínimo previsto!.. Mesmo assim, fui. E à hora marcada, dez jovens se apresentaram no local combinado: uma aluna de 7º ano e nove do 8º, de três turmas diferentes. Por acaso, cinco rapazes e cinco raparigas.
Vejam bem se eu tivesse desanimado e desistido!...
Calculem como fui apanhada de surpresa!...
Começámos pelas apresentações. Pelos objectivos desta actividade. E pelo perfil de leitor de cada um...
Um grupo muuuuuuuito heterogéneo...
Há os que gostam de aventuras, de Banda Desenhada e humor; os apaixonados pelo romance fantástico e os que optam por biografias e textos realistas, nomeadamente o romance histórico; há mesmo quem eleja os autores clássicos... e os amantes da poesia. E lêem!...  Livros e autores que souberam nomear: O planeta branco, de Miguel Sousa Tavares; a História de uma alma, de Álvaro Magalhães; os 7 volumes de Harry Potter...; O Diário de um banana ou livros de José Rodrigues dos Santos...; há mesmo quem esteja a ler o Dom Quixote de Cervantes!...
Com a apreensão de quem já não sabia se fizera uma boa escolha, apresentei-lhes então os livros cuja leitura eu lhes iria propor... e, para meu alívio, senti que a motivação foi crescendo...
Nova surpresa: três quartos de hora depois, tivemos de acabar a sessão que duraria 90 minutos. O que me impediu de concluir o trabalho: a votação dos livros preferidos..., a decisão do 1º livro a lermos...
Solução de recurso: cada um concluir a sua leitura em curso e divulgar esse livro na próxima sessão.
Uns correram para a camioneta; outros para o Clube de Teatro ou para o Clube de Vólei... Quem não tinha pressa correu para a mesa dos meus livros, folheou-os, apontou títulos... Querem ir à Biblioteca Escolar ou à Biblioteca Municipal requisitá-los... (A Professora Bibliotecária já recebeu pedidos, esta manhã.)
Jovens activos, empenhados...
Um simpático grupo que promete...
Um horário a rever...
Vim satisfeita!