domingo, 2 de janeiro de 2011

Novo Ano Novo...

Cacilhas, fragata D. Fernando II e Glória, 1/1/2011
Ano Novo, de novo! 
Com ele entramos na 2ª década do 3º Milénio. Tempo de maturidade. E contudo...
De novo se registou o sobe e desce do número de acidentes vulgarmente contabilizados em épocas festivas, semeando tristezas..., a par do brilho retumbante do fogo fátuo e de muitas festas e alegrias, à meia-noite vividas.
De novo se evoca, em grandes parangonas, cortes de vencimentos, novos aumentos, previsão de restrições na vida de todos nós, mais duras para alguns de nós.
Os dias, esses seguirão seguramente o seu curso: um projecto que evolui, uma carreira que se desenvolve, um filho que vai nascer, uma criança que cresce, um desafio que se vence, um sonho que ganha forma... o tempo que passa.
Um novo ano começa cheio de renovadas esperanças que ignoram tempestades... 
Enfrentemos ventos e tormentas. Com realismo.
Aí está 2011, para ser vivido activamente, dia após dia.
Também com música e poesia.


Receita de ano novo 
Carlos Drummond de Andrade


Para você ganhar belíssimo Ano Novo 
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
(mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
novo 
até no coração das coisas menos percebidas 
(a começar pelo seu interior) 
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
não precisa expedir nem receber mensagens 
(planta recebe mensagens? 
passa telegramas?) 
 
Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumidas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 
 
Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.


3 comentários:

Judite disse...

Manela, é sempre um prazer visitar ao teu blogue e, ao fazê-lo, sinto sempre um prazer redobrado por ter uma amiga como tu! Como dizia a minha Mãe, bem hajas!

Judite disse...

Manela, como deves ter verificado, não fiz a "revisão" do texto,pelo que peço desculpa pela má redacção.Salva-se a mensagem....e a Amizade, claro!

Manuela Caeiro disse...

Pois é: ainda não criaram a possibilidade de "modificar" ou "editar"... Uma falha! (Da qual também me queixo, por vezes, quando comento...)
Que escreves bem, sei eu! O importante, mesmo, é receber a tua visita... para mais, com amizade!