domingo, 26 de junho de 2011

Homenagens e despedidas, na "António". . .

Na EB 2.3 António da Costa, a biblioteca escolar realizou, neste final de ano, uma cerimónia de distribuição de prémios, homenageando deste modo, em cerimónia pública, os vencedores de inúmeros concursos realizados ao longo do ano: jogos, escrita de poesia e prosa..., «o melhor leitor da biblioteca»...
Tive a honra de ser convidada para este evento. Coube-me entregar prémios; tarefa simples, pois tudo decorreu sob a orientação da Professora Dina Dourado e fora organizado com extremo rigor. 
Uma honra acrescida por ter a meu lado a professora Helena Peixinho, que durante anos e anos tanto se dedicou à formação de jovens em Expressão Dramática; ligada, ab initio, a "O Mundo do Espectáculo" e ao apoio a projetos artísticos nas nossas escolas; uma colega de longa data; alguém que muito admiro!
Foi uma cerimónia digna que ilustra bem o muito que a biblioteca fez, ao longo do ano, pela promoção da leitura e escrita.
Agora, férias! Com muitas leituras, certamente...

Atividades from ebac on Vimeo.
(Vídeo do Professor Eduardo Ramos, divulgado no blogue da biblioteca escolar: http://ebac.blogs.sapo.pt/ )

sábado, 25 de junho de 2011

Luares. . . de Cruzeiro Seixas


Desenhos e pinturas de Nadir Afonso, Cruzeiro Seixas, Júlio Resende e Fernando Lanhas deram o motivo; mãos hábeis da Manufactura da Tapeçaria de Portalegre teceram fios de lã, recriando-os com arte, técnica e perfeição. Nas Belas Artes, em Lisboa, na sua Galeria de Arte Moderna, está agora patente uma exposição de tapeçaria que constitui uma lindíssima e significativa homenagem a estes pintores. 
E também uma homenagem aos anónimos artesãos, acrescento eu.
Estéticas diferenciadas: expressão geométrica; figuração e abstração; surrealismo...
O meu olhar ficou refém das luas-sóis de Cruzeiro Seixas... Luares de Lua Cheia a Quarto Crescente.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Lua envergonhada?! . . .

Foi isto que sucedeu: 

Pudemos presenciar o fenómeno a noite passada, entre as 21h e as 23h. 
Vimos então a nossa lua esconder-se na sombra, disfarçar-se na penumbra, perder a timidez e recuperar o luar de Lua Cheia...

Foto: Ciência Viva
(Esquema retirado da Net.)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Por agora, boas férias!...

Por este ano, já está: o Verão a chegar, as aulas a acabar... E o mar ali tão perto!!! A Comunidade de Leitores de Sesimbra despediu-se.
Mas calma, vamos por partes!

1 - O grupinho de leitores, a certa altura, estabilizou e manteve-se. Eram seis… (Ou seriam cinco? É que o Bruno faltou às duas últimas sessões!…)


2 – O Miguel esqueceu-se de trazer a (nossa) Aventura fantástica de Elias Bonfim, depois de ter inserido no texto as alterações propostas no penúltimo encontro. (Vai-no-lo enviar depois, por e-mail. Não te esqueças!)


3 - Discutiu-se o último livro do dia: O Anibaleitor, de Rui Zink. 
Registaram-se os acidentes de percurso do costume: nem todos leram... uns ficaram "a meio" ou "a menos"… Em consequência, a análise foi breve e menos participada do que o desejado.
Para o Tiago (que leu tudo, gostou e logo deu essa novidade pelo Facebook), a parte mais interessante foi a amizade do narrador com o pirata Keequog - que tinha o corpo todinho tatuado de poemas e romances! O momento mais divertido foi quando percebeu que quem batizou o Animal Leitor (de Anibaleitor) foi um náufrago go'sdibado (isso mesmo, constipado)…
Salientou-se que o rapaz foi forçado a ler e a discutir livros para salvar a pele… tal como Sherazade, de As mil e uma noites… E interessou-se pela leitura, naquela ilha… tal como nós gostamos de falar de livros e leituras, na biblioteca!


4 - Fez-se, por fim, o balanço deste projeto.
Os Jovens consideraram que as sessões foram agradáveis, interessantes e divertidas. Sentiram dificuldade em requisitar as obras; leram outras pelo meio; têm muitas atividades extracurriculares e faltou-lhes tempo para ler tudo no prazo… Era impossível fazer-se mais! Contudo, falámos de obras lidas, lemos excertos de livros de vários autores; escrevemos uma narrativa; debatemos três obras; conhecemos livros novos... Gostaram de ler, discutir, imaginar, recriar… Valeu a pena!


5 -  Querem continuar. Fizeram uma proposta: escolherem eles os livros… 
Foi contraposta uma condição: apresentarem sugestões de títulos na página do Facebook ou por email. Assim, poderemos todos lê-los, avaliar o seu interesse, opinar. O resto, logo se vê… Concordaram.


Só depois de tudo isto, então sim, nos despedimos. Com esse compromisso... Sobretudo com amizade, na expectativa de continuarmos juntos, embora aceitando as incógnitas inconstantes do futuro.


6 – E eu?... Satisfeita?
Fizemos menos do que o esperado.
Houve atrasos e faltas…, mudança de horário, sessões forçosamente adiadas, logo, realizaram-se menos encontros e leram-se menos obras... Os contratempos foram sempre superados com úteis soluções de recurso… Lançámos mão dos meios digitais, nos tempos de ausência… (Pouco participados, é certo...)
Antes de ser mediadora, sou professora. Foi uma 1ª vez para eles, para a escola e, desta forma, também para mim. Naturalmente, avalio o percurso, valorizo os pontos fortes, pondero o progresso. Devagarinho, a evolução aconteceu.
Ficámos aquém do desejado, é verdade. Mas o que foi feito, foi válido. Eles cresceram… 
Pessoalmente, gostei daqueles Jovens, dos afetos de todos, e desta minha experiência... Aprendemos todos... Cresceram eles, cresci eu!

Citação...


«A palavra que digas, a carta que escrevas, que sejam obra de arte.»



Carlos de Oliveira

sábado, 4 de junho de 2011

A propósito de crianças...



Encontrando-me na sala, bem cedinho, um dia o Kiko perguntou-me: "Estavas à espera de mim?" 
Estava, realmente! Havia que aproveitar todos os minutos disponíveis da minha curta visita; era a hora do seu pequeno almoço, da ida para a escola; era o momento diário do beijo de despedida. 
(Daqui de longe, eu continuo naquela sala, à sua espera, e a dar-lhe um beijo, a cada manhã...)
À hora de almoço, era tempo de regresso. A seguir, o ansiado momento das histórias, tendo ficado em 1º lugar, no Top das preferências, o Tio Lobo (da Kalandraka). Por fim, já era ele quem me contava a história a mim, com idênticos requebros na voz... 
(Menos bem sucedida fui eu... que não sei se conseguirei fazer uma pintura no Paint, tão bem quanto ele, apesar das suas demonstrações!...)
E não dispensávamos, diariamente, uma ida ao Parque... Tantas crianças, de todas as idades, cores e credos, com suas amas ou familiares, cada qual com seu brinquedo, dispostas a partilhá-lo momentaneamente... Excelente escola de socialização! Convívio e aprendizagem, em ambiente de alegria e descontração! 
As crianças têm, não raras vezes, saídas inesquecíveis... Ele também, claro! Certo dia, vendo-me sem saber muito bem o que fazer à irmã ensonada, bem a propósito, o Kiko opinou: "Avó, põe ela na cama e pronto!" - acrescentando, resoluto - "Tomar conta de crianças... é fácil!".
E houve ainda aquela outra vez em que, depois de eu lhe ter dado uma ínfima moeda para o seu mealheiro, ele decidiu, sensato: "Vou guardar, para fazer uma viagem!"
Indicou o destino. Voou longe o seu sonho...
Inevitavelmente, os dias foram-se escoando, um a um... A despedida anunciada foi-se aproximando, inexoravelmente... E aconteceu!
Fácil e difícil!...
 ...Até à próxima!
Fui matar saudades e trouxe-as renovadas.
Vivam as férias!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Vós, as Crianças...


«A criança,
Toda a criança,
Seja de que raça for,
Seja negra, branca, vermelha, amarela, 
Seja rapariga ou rapaz.
Fale que língua falar,
Acredite no que acreditar,
Pense o que pensar,
Tenha nascido seja onde for,
Ela tem direito...
(...)
Depois da hora radial do parto, 
A criança deverá receber
Amor,
Alimentação,
Casa,
Cuidados médicos,
O amor sereno de mãe e pai.
(...)»
Matilde Rosa Araújo, Os direitos da criança

terça-feira, 31 de maio de 2011

Antologia Poética


Miniatura


Pois eu gosto de crianças!
Já fui criança, também…
Não me lembro de o ter sido;
Mas só ver reproduzido
O que fui, sabe-me bem.


É como se de repente
A minha imagem mudasse
No cristal duma nascente,
E tudo o que sou voltasse
À pureza da semente.

Miguel Torga, Diário VIII, 1957

domingo, 15 de maio de 2011

Às viagens!...

A festa era longe... E galgou-se a distância.
O tempo, em permanente corrida, admite pausas... Tendo em mira reunião, convívio e festa, o tempo esperou; serenou a rotina.
Revitalizaram-se os dias.
Frutificaram as sementes de afetos. Colo, carinho e contos para os netos. Convívio com filhos, primos, amigos. Receção terna e inesquecível. Uma festa diária.
O Fernando brindou: À amizade! Às viagens!
As taças tilintaram, os olhares entrecruzaram-se, provou-se e aprovou-se o champanhe e a saudação.
Tchim-tchim!
(Foto da Net - blogue Borboleteando)

sexta-feira, 29 de abril de 2011

terça-feira, 19 de abril de 2011

Abre uma flor...

Casulo que se desfolha timidamente e se expõe, aberto em flor, à carícia do sol.
Primavera em mim.
Assim vos desejo: Boa Páscoa!

2º Período, longo e preenchido...

Comunidades de Leitores
Das aventuras e desventuras vividas com Um livro debaixo de olho, na D. António da Costa (Almada) e na Navegador Rodrigues Soromenho (Sesimbra), várias vezes aqui falei. Não por ser um trabalho de êxito garantido, antes pelo contrário... Talvez precisamente por ser "a primeira vez" que faço promoção da leitura com adolescentes e este constituir o maior desafio do momento, aquele que tem posto à prova a minha resistência a surpresas duras e a desventuras,  estimulando a minha criatividade... (Sete sessões.)


Homenagem a Maria Alberta Menéres
Relatei também aqui, prontamente, a minha primeira sessão de homenagem a Maria Alberta Menéres (oito vezes repetida, em várias escolas.)
Constituiu igualmente um grande desafio. Que livros escolher para ler a turmas do 1º Ciclo que eu não conhecia?, ...livros que nunca abordara? O quê e como fazer?...  
Tal justificou um longo tempo de preparação, de maturação... 
A diferente reação das duas turmas com quem estive na primeira vez (diversa das de outros grupos), tanto quanto a concretização bem sucedida desta homenagem recém estreada, deu-me esse irresistível impulso para escrever logo, logo, nessa altura...
Se a primeiríssima turma (de 2º ano) riu a bandeiras despregadas com as peripécias e distrações de Alberta, no Retrato em escadinha, tranquilizando-me quanto a esta minha opção, a última turma, de 4º ano, não foi menos surpreendente! Os meninos aderiram, participaram... Por fim, fizeram perguntas à Mediadora - acabei entrevistada!... (Quase prometi que um dia eu hei de escrever uma história!...) E quando eu julgava que tudo sucedera já, naquele dia, eis que descubro que a senhora professora daqueles meninos fora minha aluna... e guardava boas memórias... Inesquecível!

Ambiente: plantas, animais e gente...

Nas restantes escolas de 1º Ciclo do AVE D. António da Costa - Escola dos Caranguejais e EB1/JI nº3 de Almada -, realizei quatro outras sessões, com turmas de 3º e 4º anos. Aí a temática foi diversa: Ambiente. 
A estas duas escolas eu fui pela primeira vez, mas com a serenidade de quem já experimentara o que ia fazer, mesmo introduzindo voluntariamente alterações à planificação, como sempre... 
Os meninos queriam saber quando eu voltaria... 
Aos do 3º ano, pude prometer um regresso, no próximo ano...

De novo, em Azeitão...
Imaginem a escola de Casal de Bolinhos: pequenina, com biblioteca. Apenas duas turmas; uma de 3º e 4º anos e outra de 1º. Tão familiar!
Pela 1ª vez, realizei aí sessões com o 1º ano. Para mim, um novo desafio! 
De uma das vezes, esqueci-me que ainda não saberiam ler versos!... (Ah! Apanhada em falso!...) Resultou, tornou-se mesmo uma atividade engraçada..., graças à motivação dos pequenitos e à entreajuda de todos...
Com os meninos do 3º e 4º anos, realizei duas sessões diferentes. Acompanhei-os também ao Lar dos Bancários, ali perto, onde cultivam a sua horta. E estivemos juntos mais umas vezes, para atualizarmos o jornal escolar digital (o seu blogue). 

Ler a Meias... (Os últimos são os primeiros...)
É na Escola Conde de Ferreira que desenvolvo a minha mais intensa atividade de promoção da leitura, quer pelo seu caráter regular quer pela sua duração: o Ler a Meias vai fazer dois anos!...
Os meus meninos, com quem me encontro quinzenalmente, estão agora quase a acabar o 4º ano e a mudar para uma escola de gente mais crescida... Os livros cujo afeto partilhamos têm-nos permitido abordar todas as temáticas possíveis e imaginárias... Juntos, estivemos oito vezes, no 2º Período..., aliás catorze..., em seis das quais fui aprendiz de Artes, pela mão da professora Clarinda Matos... Está no prelo um livro digital com as nossas produções: Tu cá, tu lá com Henri Rousseau.
Com a turma de 3º ano, os encontros são mensais; foram três as nossas sessões.
Outros balanços de resultados poderão vir a ser feitos... ou talvez não.
Os meninos passaram a ler mais? Melhor?... Quantos livros requisitam? Quais?... Para mim, Mediadora de Leitura voluntária, é balanço impossível.
Só sei que...
Acorrem felizes, sessão após sessão. Ganharam afeição pela biblioteca. Conhecem muitos, muitos livros; procuram-nos, requisitam-nos... Refletiram sobre muitos, muitos temas... Debateram muitas, muitas ideias... Incorpóreas como todas as ideias.
Quanto às evidências, existem nos blogues das minhas bibliotecas... mas aviso que nem todos estão em dia!...
A Magia dos Livros está. Posso garantir. Tenho prestado colaboração regular.
Em resumo: foram 33 as sessões realizadas por mim, (sem contar as 6 da minha colega Clarinda Matos, na Conde de Ferreira). 
E com muito mais horas de trabalho preenchi este looooooongo 2º Período!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Um sorriso...


Juntando-me à homenagem a Charlie Chaplin, por ocasião do seu 122º aniversário,  sugiro uma ida a


http://youtu.be/iu-rLA4POkI


Sublinho a mensagem final...
Mesmo nos momentos mais duros,
 ...just keep smiling...
:-)

Grande Projeto para Pequeno (Grande) Público

O "Sementes" começou em Almada, há 16 anos, pelas artes do Teatro Extremo... 
Não parou de se recriar, adaptando-se a novos tempos e novas necessidades, firme nos objetivos e persistente na viagem...
Ter uma neta de 18 anos deu-me o privilégio de acompanhar de perto este percurso... e assistir a algumas peças de teatro inesquecíveis!... 
Ser professora, permitiu-me partilhar a experiência...
Sinto-me grata.
Hoje será lançada a próxima edição. Estamos convidados...
Tudo revelado no sítio do Teatro Extremo, aqui.

SEMENTES - Mostra Internacional de Artes para o Pequeno Público

O "Sementes - Mostra Internacional de Artes para o Pequeno Público" é uma iniciativa que o Teatro Extremo organiza desde 1996. Realiza-se normalmente de 4 de Maio a 1 de Junho e é composto por uma mostra de trabalhos de qualidade ao nível nacional e internacional no âmbito do teatro e das várias artes performativas, plásticas, visuais entre outras. O Sementes é já uma referência no circuito de eventos culturais dedicados ao Pequeno Público tanto ao nível nacional como internacional.

O Sementes começou por ser uma Mostra de Teatro para o Pequeno Público, com a duração de 9 dias, depois passou a denominar-se "Sementes - Mostra Internacional de Teatro para o Pequeno Público", ainda com 9 dias de duração. A partir da 5ª edição, passa a integrar outras artes e iniciativas, assumindo o nome de: Sementes - Mostra Internacional de Artes para o Pequeno Público, com a duração de um mês.

O Sementes forma, cria, consolida e amplifica entre o jovem público, hábitos de fruição estética, fomentando o gosto pelas artes e principalmente pelo teatro; sensibiliza um público adulto que dificilmente assiste a espectáculos de teatro se não for para acompanhar os seus filhos; incentiva a troca de experiências entre criadores e público, através de vários ateliers artísticos, desta forma reflectindo sobre valores humanistas.

Todos os anos inclui na sua programação, espectáculos de teatro, dança, circo, marionetas, música, contadores de histórias, um ciclo de cinema de animação, exposições de artes plásticas, feira do livro infantil e juvenil, diversos tipos de jogos, ateliers, tertúlias e seminários que reflectem as mais variadas questões sociais relacionadas com as crianças.


 (Retirado do sítio do Teatro Extremo.)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Alea jacta est...

Ainda ontem eu continuava a remexer estantes, a ler e reler livros juvenis, a buscar ideias para uma estratégia diferente de promoção da leitura… O tempo em contagem decrescente e eu ainda sem ter uma decisão definitiva sobre o que iria fazer hoje, na 3ª sessão com o 7º 4ª, na António da Costa.
Tendo eu a Comunidade de Leitores debaixo de olho…, sabia que tinha de ser criativa e dar mais um passo no processo de sedução dos jovens para a leitura… Sendo uma sessão de 45m, mais me eram exigidas objetividade e economia de tempo… Mais isto e mais aquilo…
Quem por fim assiste, talvez ache que tudo aconteceu muito espontaneamente… Mas aqui para nós (quase em segredo…) a preparação de uma nova sessão representa muita dedicação e trabalho. As temáticas a abordar e as obras a ler constituem um processo lento, um longo desafio... Tempo de inquietante indecisão; tempo de insegura decisão.
Quando chega o momento da concretização, alea jacta est...(isto é, a sorte está lançada...) Aí sim, é seguir em frente com naturalidade… Toca a descontrair, confiar… Basta desenrolar o plano e as páginas, dar asas à imaginação, escutar apartes e comentários, não fugir às questões, interagir… encorajar, aplaudir... Gerir o tempo… Tudo aparentemente fácil! Resta a sensação de que afinal não custava nada!
O auditório reage e não engana: eles, sim, são espontâneos.

Esta 3ª sessão agora já lá vai… e eu voltei "de alma cheia"!
Levei novos títulos, sim. Uns livros cujas personagens são adolescentes, movendo-se no seu mundo sócio-familiar, com as dúvidas e emoções próprias da idade, comuns às destes jovens, e juntei também outros títulos sobre livros e leitura, bem como um cartaz publicitário da Livraria Histórias com Bicho.
A sessão começou pelo tema do amor e do primeiro beijo, lendo/vendo Borboletas, de Xavier Docampo (que traduzi).
Do Diário de um adolescente com a mania da saúde, de Aidan Macfarlane e Ann Mcpherson, lemos um capítulo eleito pelos jovens (de entre três à escolha), o qual permitiu responder a algumas inquietas questões sobre sexualidade, nomeadamente a maternidade na adolescência.
Relações familiares, dificuldade de comunicação, insucesso escolar, tecnologias ou falta delas e descoberta de prazeres do campo foram assuntos que vieram depois à baila, a partir da divulgação de Meia hora para mudar a minha vida, de Alice Vieira; Escrito na parede, de Ana Saldanha; Verba volant, scripta manent, um conto de João Aguiar, incluído em O Prazer da Leitura, que permaneceu suspenso em grande suspense*…
O cartaz da livraria abriu novas aceções para a palavra LER. 
Da importância e aventura da leitura falam Os livros que devoraram o meu pai, de Afonso Cruz, e O Anibaleitor, de Rui Zink - brevemente aflorados.
Acabámos com uma atividade lúdica: de onde teriam sido retiradas três “páginas perdidas”?... Não foi tarefa fácil, mas elas reentraram direitinhas no seu lugar, exigindo alguma técnica e persistência… O poema de Makinaria, de Carlos Negro (traduzido) foi o mais fácil.
Esgotou-se o tempo. Era preciso ir logo para a aula seguinte. Haviam chegado cheios de entusiasmo, com ar expectante e sorridente, a disputar os lugares da frente. Haviam seguido a sessão com olhar atento, sem perder pitada e intervindo… Agora partiam sem pressa e satisfeitos, tal como eu.
- Voltem voluntariamente para o ano!– -insisti, à despedida.
Voltarão ou não... Alea jacta est...
Curiosamente, surgiram novas interessadas: as professoras presentes talvez queiram integrar uma Comunidade de Leitores em torno de livros para a infância e juventude...
Quem sabe?!… ;-)

* Livro esgotado. O conto integral pode ser lido on-line, aqui: http://www.andante.com.pt/pdfs/verba%20volant,%20scripta%20manent.pdf  

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Tempo de poesia...

Imagem

Este é o poema de uma macieira.
Quem quiser lê-lo,                                
Quem quiser vê-lo,
Venha olhá-lo daqui a tarde inteira.


Floriu assim pela primeira vez.
Deu-lhe um sol de noivado, 
E toda a virgindade se desfez
Neste lirismo fecundado.


São dois braços abertos de brancura;
Mas em redor
Não há coisa mais pura,
Nem promessa maior.                        
                                                      
Vila Nova, 4 de Abril de 1936
Miguel Torga
In Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa, Eugénio de Andrade, Campo das Letras, 1999, p. 431


Este poema faz hoje 75 anos. Permanece puro e virginal como macieira em flor em manhã primaveril...
Dedico-o ao Jorge, que faz hoje anos... 
...e à Maria, que hoje mesmo nasceu...


Até hoje, Sebastião da Gama dispensou-me o seu Pequeno poema, para idênticas e repetidas situações... Pode ser lido aqui mesmo...

sábado, 2 de abril de 2011

Outras leituras...

Mafalda Milhões lembra-nos que "ler" não tem de ser necessariamente pelos livros... digitais ou analógicos. Há tantos, tantos outros suportes!...


...o mar, as árvores, a rua, o álbum de fotografia, as tabuletas, os sinais, as embalagens, os objectos, as cores do dia, o rosto das pessoas, as instruções dos electrodomésticos, o tempo, as cartas, os postais, o mundo inteiro ou o seu (nosso) canteiro...



terça-feira, 29 de março de 2011

Mensagem do Dia Internacional do Livro Infantil 2011

Mensagem do dia 2 de Abril de 2011, Dia Internacional do Livro Infantil* 
 O LIVRO RECORDA*
Cartaz - Bernardo Carvalho
“Quando Arno e o seu pai chegaram à escola, as aulas já tinham começado.”
No meu país, a Estónia, quase toda a gente conhece esta frase de cor. É a primeira linha de um livro intitulado Primavera. Publicado em 1912, é da autoria do escritor estónio Oskar Luts (1887-1953). 
 Primavera narra a vida de crianças que frequentavam uma escola rural na Estónia, em finais do século XIX. O Autor escrevia sobre a sua própria infância e Arno, na verdade, era o próprio Oskar Luts na sua meninice.
Os investigadores estudam documentos antigos e, com base neles, escrevem livros de História. Os livros de História relatam eventos que aconteceram, mas é claro que esses livros nunca contam como eram de facto as vidas das pessoas comuns em certa época.
Os livros de histórias, por seu lado, recordam coisas que não é possível encontrar nos velhos documentos. Podem contar-nos, por exemplo, o que é que um rapaz como Arno pensava quando foi para a escola há cem anos, ou quais os sonhos das crianças dessa época, que medos tinham e o que as fazia felizes. O livro também recorda os pais dessas crianças, como queriam ser e que futuro desejavam para os seus filhos.
Claro que hoje podemos escrever livros sobre os velhos tempos, e esses livros são, muitas vezes, apaixonantes. Mas um escritor actual não pode realmente conhecer os sabores e os cheiros, os medos e as alegrias de um passado distante. O escritor de hoje já sabe o que aconteceu depois e o que o futuro reservava à gente de então.
O livro recorda o tempo em que foi escrito.

A partir dos livros de Charles Dickens, ficamos a saber como era realmente a vida de um rapazinho nas ruas de Londres, em meados do século XIX, no tempo de Oliver Twist. Através dos olhos de David Copperfield (coincidentes com o olhar de Dickens nessa época), vemos todo o tipo de personagens que ao tempo viviam na Inglaterra — que relações tinham, e como os seus pensamentos e sentimentos influenciaram tais relações. Porque David Copperfield era de facto, em muitos aspectos, o próprio Charles Dickens; Dickens não precisava de inventar nada, ele pura e simplesmente conhecia aquilo que contava.
São os livros que nos permitem saber o que realmente sentiam Tom Sawyer, Huckleberry Finn e o seu amigo Jim nas viagens pelo Mississippi em finais do século XIX, quando Mark Twain escreveu as suas aventuras. Ele conhecia profundamente o que as pessoas do seu tempo pensavam sobre as demais, porque ele próprio vivia entre elas. Era uma delas.
Nas obras literárias, os relatos mais verosímeis sobre gente do passado são os que foram escritos à época em que essa mesma gente vivia.

O livro recorda.
Aino Pervik

*Tradução: José António Gomes
*A Mensagem do Dia Internacional do Livro Infantil é uma iniciativa do IBBY (International Board on Books for Young People), difundida em Portugal pela APPLIJ (Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil), Secção Portuguesa do IBBY.

Retirado de http://www.dglb.pt 
(Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas)

sexta-feira, 18 de março de 2011

Com uma Comunidade de Leitores debaixo de olho...

Fui à António da Costa em Dezembro e voltei ontem, para trabalhar com uma turma de 7º ano.
(Em Fevereiro, fora também a uma turma de 6º ano, como veremos.)
Realizei, portanto, três sessões de promoção da leitura, mas desta vez com o objetivo acrescido de formar a Comunidade de Leitores que trago debaixo de olho…
O projeto da Comunidade, nesta escola, mereceu, em Outubro, a aprovação do Conselho Pedagógico, suscitou o entusiasmo e envolvimento da Professora Bibliotecária, etc, etc…, mas não houve inscrições.
Desiludidas? Não muito, pois dúvidas subsistiam desde o início. Eu não sou da escola. Trata-se de uma atividade voluntária e não sujeita a avaliação - que, no entanto, implica horários, trabalho… Seduzir leitores adolescentes é um grande desafio…
Cruzámos os braços? Não! Andamos desde então a lançar sementes para 2011/2012. Persistentemente. Calmamente.
De que modo? Como a única inscrição fora a de um aluno do 7º 4ª, começámos por fazer uma sessão com esta turma.
Iriam conhecer-me… Poderia propagar-se o vírus do contágio…
Um poema de Carlos Negro, professor e poeta galego, abriu a sessão e prendeu a assistência. Umas páginas do Diário inventado de um menino já crescido, de José Fanha, mantiveram o entusiasmo… Saltámos depois de excerto em excerto, entre temáticas e géneros variados, viajando felizes pelos livros selecionados para os adolescentes… O planeta branco, Gosto de ti, R, Vampiros ou nem por isso, Alex ponto com, Poemas para um dia feliz…
Foi uma sessão alegre e viva… O tempo era pouco (45m) e passou muito, muito depressa…
A professora Isabel foi efusiva ao demonstrar o seu agrado, o mesmo agrado que os jovens não escondiam… Houve quem indicasse um livro para ser relido na “próxima sessão”…
Gostaram de ouvir ler – é certo. Incerto é quererem ler autonomamente… E a intenção de uma eventual inscrição, ninguém manifestou...
Ontem voltámos a estar juntos. Traziam o entusiasmo da 1ª vez.
Recriei o desafiante momento da seleção de um livro, entre muitos: olhar o título, ver a capa, ler a contracapa, abrir e ler um excerto… E curioso é vê-los aperceberem-se de que o seu interesse vai mudando, ora pela deceção ora pela boa surpresa que a capa, contracapa ou uma passagem do livro deixam em aberto…
Real… mente, A casa das bengalas, Diário inventado de um menino já crescido, O amor faz-te mal, Valentim, A rapariga voadora, O sonhador... foram despertando, sucessivamente, diferentes reações. 
(Andreia Brites inspirou-me com o seu Ver para Crer… Aliás, é graças a Andreia Brites que eu ando hoje em dia nestas andanças de Mediação de Leitura. Leonor Fernandes, por sua vez, foi quem primeiro me abriu as portas da sua biblioteca escolar, possibilitando que o meu sonho germinasse...)
Os jovens da António irão agora requisitar os livros, como eu costumava ver acontecer, na minha biblioteca?... Era essa a intenção. Veremos!…  
Inscrever-se-ão na Comunidade de leitores, para o ano? Este convite é explícito, permanece válido…; o resultado, absolutamente incerto.









O 6º 6ª, entusiasmado com a sessão de Fevereiro que denominei Dez e vai um... (na qual dez livros de autores portugueses estiveram em destaque, durante 90m de escuta atenta e participação ativa), poderá engrossar, talvez, o grupinho de interessados… A professora Elisabete confia. Uns jovens manifestaram interesse, com brilho no olhar...
Voltarei a esta escola, em breve. Com novos títulos, novas estratégias. 
Talvez a semente dê fruto. Um qualquer. Pelo menos, o prazer do reencontro.