sexta-feira, 18 de março de 2011

Com uma Comunidade de Leitores debaixo de olho...

Fui à António da Costa em Dezembro e voltei ontem, para trabalhar com uma turma de 7º ano.
(Em Fevereiro, fora também a uma turma de 6º ano, como veremos.)
Realizei, portanto, três sessões de promoção da leitura, mas desta vez com o objetivo acrescido de formar a Comunidade de Leitores que trago debaixo de olho
O projeto da Comunidade, nesta escola, mereceu, em Outubro, a aprovação do Conselho Pedagógico, suscitou o entusiasmo e envolvimento da Professora Bibliotecária, etc, etc…, mas não houve inscrições.
Desiludidas? Não muito, pois dúvidas subsistiam desde o início. Eu não sou da escola. Trata-se de uma atividade voluntária e não sujeita a avaliação - que, no entanto, implica horários, trabalho… Seduzir leitores adolescentes é um grande desafio…
Cruzámos os braços? Não! Andamos desde então a lançar sementes para 2011/2012. Persistentemente. Calmamente.
De que modo? Como a única inscrição fora a de um aluno do 7º 4ª, começámos por fazer uma sessão com esta turma.
Iriam conhecer-me… Poderia propagar-se o vírus do contágio…
Um poema de Carlos Negro, professor e poeta galego, abriu a sessão e prendeu a assistência. Umas páginas do Diário inventado de um menino já crescido, de José Fanha, mantiveram o entusiasmo… Saltámos depois de excerto em excerto, entre temáticas e géneros variados, viajando felizes pelos livros selecionados para os adolescentes… O planeta branco, Gosto de ti, R, Vampiros ou nem por isso, Alex ponto com, Poemas para um dia feliz
Foi uma sessão alegre e viva… O tempo era pouco (45m) e passou muito, muito depressa…
A professora Isabel foi efusiva ao demonstrar o seu agrado, o mesmo agrado que os jovens não escondiam… Houve quem indicasse um livro para ser relido na “próxima sessão”…
Gostaram de ouvir ler – é certo. Incerto é quererem ler autonomamente… E a intenção de uma eventual inscrição, ninguém manifestou...
Ontem voltámos a estar juntos. Traziam o entusiasmo da 1ª vez.
Recriei o desafiante momento da seleção de um livro, entre muitos: olhar o título, ver a capa, ler a contracapa, abrir e ler um excerto… E curioso é vê-los aperceberem-se de que o seu interesse vai mudando, ora pela deceção ora pela boa surpresa que a capa, contracapa ou uma passagem do livro deixam em aberto…
Real… mente, A casa das bengalas, Diário inventado de um menino já crescido, O amor faz-te mal, Valentim, A rapariga voadora, O sonhador... foram despertando, sucessivamente, diferentes reações. 
(Andreia Brites inspirou-me com o seu Ver para Crer… Aliás, é graças a Andreia Brites que eu ando hoje em dia nestas andanças de Mediação de Leitura. Leonor Fernandes, por sua vez, foi quem primeiro me abriu as portas da sua biblioteca escolar, possibilitando que o meu sonho germinasse...)
Os jovens da António irão agora requisitar os livros, como eu costumava ver acontecer, na minha biblioteca?... Era essa a intenção. Veremos!…  
Inscrever-se-ão na Comunidade de leitores, para o ano? Este convite é explícito, permanece válido…; o resultado, absolutamente incerto.









O 6º 6ª, entusiasmado com a sessão de Fevereiro que denominei Dez e vai um... (na qual dez livros de autores portugueses estiveram em destaque, durante 90m de escuta atenta e participação ativa), poderá engrossar, talvez, o grupinho de interessados… A professora Elisabete confia. Uns jovens manifestaram interesse, com brilho no olhar...
Voltarei a esta escola, em breve. Com novos títulos, novas estratégias. 
Talvez a semente dê fruto. Um qualquer. Pelo menos, o prazer do reencontro.

4 comentários:

Leonor disse...

É verdade, amiga!
Que feliz e orgulhosa fico por ter sido numa das "minhas escolas" que tiveste o primeiro contacto directo com os meninos do 1.º ciclo. Encantaste e saíste encantada! Afinal, naquele dia, aquela experiência, foi amesmo uma porta que se abriu. Fico muito feliz por ti, por nós...

Um grande beijinho
Boa semana!

Dina Dourado disse...

Olá, Manuela!
Foi tão bom teres vindo à minha escola! Lamento não se ter conseguido a comunidade de leitores. Penso que os alunos teriam ficado a ganhar. Paciência. Talvez para o próximo ano. Em todo o caso, os alunos que assistiram às tuas sessões ficaram muito contentes, reagiram com entusiamo e mostraram-se muito interessados.
Muito, muito obrigada!
Graças a ti a biblioteca da António da Costa ficou mais perto dos livros.
Um grande abraço
Dina Dourado

Manuela Caeiro disse...

Leonor e Dina (Professoras Bibliotecárias com quem tenho colaborado e por quem sou tão bem acolhida), obrigada!
Sermos boas amigas ajuda muito! ;-)

dona da estante disse...

Acredito que nas sessões de sensibilização para a leitura há sempre alguém que se deixa tocar. Acredito, também, que com pequenos passos também se percorrem grandes caminhos.