Ler, citar, contar, escrever... Partilhar experiências de mediação de leitura e de vida...
sexta-feira, 29 de abril de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
Abre uma flor...
Casulo que se desfolha timidamente e se expõe, aberto em flor, à carícia do sol.
Primavera em mim.
Assim vos desejo: Boa Páscoa!
2º Período, longo e preenchido...
Das aventuras e desventuras vividas com Um livro debaixo de olho, na D. António da Costa (Almada) e na Navegador Rodrigues Soromenho (Sesimbra), várias vezes aqui falei. Não por ser um trabalho de êxito garantido, antes pelo contrário... Talvez precisamente por ser "a primeira vez" que faço promoção da leitura com adolescentes e este constituir o maior desafio do momento, aquele que tem posto à prova a minha resistência a surpresas duras e a desventuras, estimulando a minha criatividade... (Sete sessões.)
Homenagem a Maria Alberta Menéres
Relatei também aqui, prontamente, a minha primeira sessão de homenagem a Maria Alberta Menéres (oito vezes repetida, em várias escolas.)
Constituiu igualmente um grande desafio. Que livros escolher para ler a turmas do 1º Ciclo que eu não conhecia?, ...livros que nunca abordara? O quê e como fazer?...
Tal justificou um longo tempo de preparação, de maturação...
A diferente reação das duas turmas com quem estive na primeira vez (diversa das de outros grupos), tanto quanto a concretização bem sucedida desta homenagem recém estreada, deu-me esse irresistível impulso para escrever logo, logo, nessa altura...
Se a primeiríssima turma (de 2º ano) riu a bandeiras despregadas com as peripécias e distrações de Alberta, no Retrato em escadinha, tranquilizando-me quanto a esta minha opção, a última turma, de 4º ano, não foi menos surpreendente! Os meninos aderiram, participaram... Por fim, fizeram perguntas à Mediadora - acabei entrevistada!... (Quase prometi que um dia eu hei de escrever uma história!...) E quando eu julgava que tudo sucedera já, naquele dia, eis que descubro que a senhora professora daqueles meninos fora minha aluna... e guardava boas memórias... Inesquecível!

Os meus meninos, com quem me encontro quinzenalmente, estão agora quase a acabar o 4º ano e a mudar para uma escola de gente mais crescida... Os livros cujo afeto partilhamos têm-nos permitido abordar todas as temáticas possíveis e imaginárias... Juntos, estivemos oito vezes, no 2º Período..., aliás catorze..., em seis das quais fui aprendiz de Artes, pela mão da professora Clarinda Matos... Está no prelo um livro digital com as nossas produções: Tu cá, tu lá com Henri Rousseau.
Homenagem a Maria Alberta Menéres
Constituiu igualmente um grande desafio. Que livros escolher para ler a turmas do 1º Ciclo que eu não conhecia?, ...livros que nunca abordara? O quê e como fazer?...
Tal justificou um longo tempo de preparação, de maturação...
A diferente reação das duas turmas com quem estive na primeira vez (diversa das de outros grupos), tanto quanto a concretização bem sucedida desta homenagem recém estreada, deu-me esse irresistível impulso para escrever logo, logo, nessa altura...
Se a primeiríssima turma (de 2º ano) riu a bandeiras despregadas com as peripécias e distrações de Alberta, no Retrato em escadinha, tranquilizando-me quanto a esta minha opção, a última turma, de 4º ano, não foi menos surpreendente! Os meninos aderiram, participaram... Por fim, fizeram perguntas à Mediadora - acabei entrevistada!... (Quase prometi que um dia eu hei de escrever uma história!...) E quando eu julgava que tudo sucedera já, naquele dia, eis que descubro que a senhora professora daqueles meninos fora minha aluna... e guardava boas memórias... Inesquecível!
Ambiente: plantas, animais e gente...
Nas restantes escolas de 1º Ciclo do AVE D. António da Costa - Escola dos Caranguejais e EB1/JI nº3 de Almada -, realizei quatro outras sessões, com turmas de 3º e 4º anos. Aí a temática foi diversa: Ambiente.
A estas duas escolas eu fui pela primeira vez, mas com a serenidade de quem já experimentara o que ia fazer, mesmo introduzindo voluntariamente alterações à planificação, como sempre...
Os meninos queriam saber quando eu voltaria...
Aos do 3º ano, pude prometer um regresso, no próximo ano...
De novo, em Azeitão...
Imaginem a escola de Casal de Bolinhos: pequenina, com biblioteca. Apenas duas turmas; uma de 3º e 4º anos e outra de 1º. Tão familiar!
Pela 1ª vez, realizei aí sessões com o 1º ano. Para mim, um novo desafio!
De uma das vezes, esqueci-me que ainda não saberiam ler versos!... (Ah! Apanhada em falso!...) Resultou, tornou-se mesmo uma atividade engraçada..., graças à motivação dos pequenitos e à entreajuda de todos...
Com os meninos do 3º e 4º anos, realizei duas sessões diferentes. Acompanhei-os também ao Lar dos Bancários, ali perto, onde cultivam a sua horta. E estivemos juntos mais umas vezes, para atualizarmos o jornal escolar digital (o seu blogue).
Ler a Meias... (Os últimos são os primeiros...)
É na Escola Conde de Ferreira que desenvolvo a minha mais intensa atividade de promoção da leitura, quer pelo seu caráter regular quer pela sua duração: o Ler a Meias vai fazer dois anos!...
Com a turma de 3º ano, os encontros são mensais; foram três as nossas sessões.
Outros balanços de resultados poderão vir a ser feitos... ou talvez não.
Os meninos passaram a ler mais? Melhor?... Quantos livros requisitam? Quais?... Para mim, Mediadora de Leitura voluntária, é balanço impossível.
Só sei que...
Acorrem felizes, sessão após sessão. Ganharam afeição pela biblioteca. Conhecem muitos, muitos livros; procuram-nos, requisitam-nos... Refletiram sobre muitos, muitos temas... Debateram muitas, muitas ideias... Incorpóreas como todas as ideias.
Quanto às evidências, existem nos blogues das minhas bibliotecas... mas aviso que nem todos estão em dia!...
A Magia dos Livros está. Posso garantir. Tenho prestado colaboração regular.
Em resumo: foram 33 as sessões realizadas por mim, (sem contar as 6 da minha colega Clarinda Matos, na Conde de Ferreira).
E com muito mais horas de trabalho preenchi este looooooongo 2º Período!
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Um sorriso...
Grande Projeto para Pequeno (Grande) Público
O "Sementes" começou em Almada, há 16 anos, pelas artes do Teatro Extremo...
Não parou de se recriar, adaptando-se a novos tempos e novas necessidades, firme nos objetivos e persistente na viagem...
Ter uma neta de 18 anos deu-me o privilégio de acompanhar de perto este percurso... e assistir a algumas peças de teatro inesquecíveis!...
Ser professora, permitiu-me partilhar a experiência...
Sinto-me grata.
Hoje será lançada a próxima edição. Estamos convidados...
Tudo revelado no sítio do Teatro Extremo, aqui.
Não parou de se recriar, adaptando-se a novos tempos e novas necessidades, firme nos objetivos e persistente na viagem...
Ter uma neta de 18 anos deu-me o privilégio de acompanhar de perto este percurso... e assistir a algumas peças de teatro inesquecíveis!...
Ser professora, permitiu-me partilhar a experiência...
Sinto-me grata.
Hoje será lançada a próxima edição. Estamos convidados...
Tudo revelado no sítio do Teatro Extremo, aqui.
| SEMENTES - Mostra Internacional de Artes para o Pequeno Público O "Sementes - Mostra Internacional de Artes para o Pequeno Público" é uma iniciativa que o Teatro Extremo organiza desde 1996. Realiza-se normalmente de 4 de Maio a 1 de Junho e é composto por uma mostra de trabalhos de qualidade ao nível nacional e internacional no âmbito do teatro e das várias artes performativas, plásticas, visuais entre outras. O Sementes é já uma referência no circuito de eventos culturais dedicados ao Pequeno Público tanto ao nível nacional como internacional. O Sementes começou por ser uma Mostra de Teatro para o Pequeno Público, com a duração de 9 dias, depois passou a denominar-se "Sementes - Mostra Internacional de Teatro para o Pequeno Público", ainda com 9 dias de duração. A partir da 5ª edição, passa a integrar outras artes e iniciativas, assumindo o nome de: Sementes - Mostra Internacional de Artes para o Pequeno Público, com a duração de um mês. O Sementes forma, cria, consolida e amplifica entre o jovem público, hábitos de fruição estética, fomentando o gosto pelas artes e principalmente pelo teatro; sensibiliza um público adulto que dificilmente assiste a espectáculos de teatro se não for para acompanhar os seus filhos; incentiva a troca de experiências entre criadores e público, através de vários ateliers artísticos, desta forma reflectindo sobre valores humanistas. Todos os anos inclui na sua programação, espectáculos de teatro, dança, circo, marionetas, música, contadores de histórias, um ciclo de cinema de animação, exposições de artes plásticas, feira do livro infantil e juvenil, diversos tipos de jogos, ateliers, tertúlias e seminários que reflectem as mais variadas questões sociais relacionadas com as crianças. |
(Retirado do sítio do Teatro Extremo.)
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Alea jacta est...
Ainda ontem eu continuava a remexer estantes, a ler e reler livros juvenis, a buscar ideias para uma estratégia diferente de promoção da leitura… O tempo em contagem decrescente e eu ainda sem ter uma decisão definitiva sobre o que iria fazer hoje, na 3ª sessão com o 7º 4ª, na António da Costa.
Tendo eu a Comunidade de Leitores debaixo de olho…, sabia que tinha de ser criativa e dar mais um passo no processo de sedução dos jovens para a leitura… Sendo uma sessão de 45m, mais me eram exigidas objetividade e economia de tempo… Mais isto e mais aquilo…
Quem por fim assiste, talvez ache que tudo aconteceu muito espontaneamente… Mas aqui para nós (quase em segredo…) a preparação de uma nova sessão representa muita dedicação e trabalho. As temáticas a abordar e as obras a ler constituem um processo lento, um longo desafio... Tempo de inquietante indecisão; tempo de insegura decisão.
Quando chega o momento da concretização, alea jacta est...(isto é, a sorte está lançada...) Aí sim, é seguir em frente com naturalidade… Toca a descontrair, confiar… Basta desenrolar o plano e as páginas, dar asas à imaginação, escutar apartes e comentários, não fugir às questões, interagir… encorajar, aplaudir... Gerir o tempo… Tudo aparentemente fácil! Resta a sensação de que afinal não custava nada!
O auditório reage e não engana: eles, sim, são espontâneos.
Esta 3ª sessão agora já lá vai… e eu voltei "de alma cheia"!
Levei novos títulos, sim. Uns livros cujas personagens são adolescentes, movendo-se no seu mundo sócio-familiar, com as dúvidas e emoções próprias da idade, comuns às destes jovens, e juntei também outros títulos sobre livros e leitura, bem como um cartaz publicitário da Livraria Histórias com Bicho.
A sessão começou pelo tema do amor e do primeiro beijo, lendo/vendo Borboletas, de Xavier Docampo (que traduzi).
Do Diário de um adolescente com a mania da saúde, de Aidan Macfarlane e Ann Mcpherson, lemos um capítulo eleito pelos jovens (de entre três à escolha), o qual permitiu responder a algumas inquietas questões sobre sexualidade, nomeadamente a maternidade na adolescência.
Relações familiares, dificuldade de comunicação, insucesso escolar, tecnologias ou falta delas e descoberta de prazeres do campo foram assuntos que vieram depois à baila, a partir da divulgação de Meia hora para mudar a minha vida, de Alice Vieira; Escrito na parede, de Ana Saldanha; Verba volant, scripta manent, um conto de João Aguiar, incluído em O Prazer da Leitura, que permaneceu suspenso em grande suspense*…
O cartaz da livraria abriu novas aceções para a palavra LER.
Da importância e aventura da leitura falam Os livros que devoraram o meu pai, de Afonso Cruz, e O Anibaleitor, de Rui Zink - brevemente aflorados.
Da importância e aventura da leitura falam Os livros que devoraram o meu pai, de Afonso Cruz, e O Anibaleitor, de Rui Zink - brevemente aflorados.
Esgotou-se o tempo. Era preciso ir logo para a aula seguinte. Haviam chegado cheios de entusiasmo, com ar expectante e sorridente, a disputar os lugares da frente. Haviam seguido a sessão com olhar atento, sem perder pitada e intervindo… Agora partiam sem pressa e satisfeitos, tal como eu.
- Voltem voluntariamente para o ano!– -insisti, à despedida.
Voltarão ou não... Alea jacta est...
Curiosamente, surgiram novas interessadas: as professoras presentes talvez queiram integrar uma Comunidade de Leitores em torno de livros para a infância e juventude...Quem sabe?!… ;-)
* Livro esgotado. O conto integral pode ser lido on-line, aqui: http://www.andante.com.pt/pdfs/verba%20volant,%20scripta%20manent.pdf
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Tempo de poesia...
Imagem
Quem quiser lê-lo,
Quem quiser vê-lo,
Venha olhá-lo daqui a tarde inteira.
Floriu assim pela primeira vez.
Deu-lhe um sol de noivado,
E toda a virgindade se desfez
Neste lirismo fecundado.
São dois braços abertos de brancura;
Mas em redor
Não há coisa mais pura,
Nem promessa maior.
Vila Nova, 4 de Abril de 1936
Miguel Torga
In Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa, Eugénio de Andrade, Campo das Letras, 1999, p. 431
Este poema faz hoje 75 anos. Permanece puro e virginal como macieira em flor em manhã primaveril...
...e à Maria, que hoje mesmo nasceu...
Até hoje, Sebastião da Gama dispensou-me o seu Pequeno poema, para idênticas e repetidas situações... Pode ser lido aqui mesmo...
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Sebastião da Gama
sábado, 2 de abril de 2011
Outras leituras...
Mafalda Milhões lembra-nos que "ler" não tem de ser necessariamente pelos livros... digitais ou analógicos. Há tantos, tantos outros suportes!...
...o mar, as árvores, a rua, o álbum de fotografia, as tabuletas, os sinais, as embalagens, os objectos, as cores do dia, o rosto das pessoas, as instruções dos electrodomésticos, o tempo, as cartas, os postais, o mundo inteiro ou o seu (nosso) canteiro...
terça-feira, 29 de março de 2011
Mensagem do Dia Internacional do Livro Infantil 2011
Mensagem do dia 2 de Abril de 2011, Dia Internacional do Livro Infantil*
O LIVRO RECORDA*
Cartaz - Bernardo Carvalho
“Quando Arno e o seu pai chegaram à escola, as aulas já tinham começado.”No meu país, a Estónia, quase toda a gente conhece esta frase de cor. É a primeira linha de um livro intitulado Primavera. Publicado em 1912, é da autoria do escritor estónio Oskar Luts (1887-1953).
Primavera narra a vida de crianças que frequentavam uma escola rural na Estónia, em finais do século XIX. O Autor escrevia sobre a sua própria infância e Arno, na verdade, era o próprio Oskar Luts na sua meninice.
Os investigadores estudam documentos antigos e, com base neles, escrevem livros de História. Os livros de História relatam eventos que aconteceram, mas é claro que esses livros nunca contam como eram de facto as vidas das pessoas comuns em certa época.Os livros de histórias, por seu lado, recordam coisas que não é possível encontrar nos velhos documentos. Podem contar-nos, por exemplo, o que é que um rapaz como Arno pensava quando foi para a escola há cem anos, ou quais os sonhos das crianças dessa época, que medos tinham e o que as fazia felizes. O livro também recorda os pais dessas crianças, como queriam ser e que futuro desejavam para os seus filhos.Claro que hoje podemos escrever livros sobre os velhos tempos, e esses livros são, muitas vezes, apaixonantes. Mas um escritor actual não pode realmente conhecer os sabores e os cheiros, os medos e as alegrias de um passado distante. O escritor de hoje já sabe o que aconteceu depois e o que o futuro reservava à gente de então.O livro recorda o tempo em que foi escrito.
A partir dos livros de Charles Dickens, ficamos a saber como era realmente a vida de um rapazinho nas ruas de Londres, em meados do século XIX, no tempo de Oliver Twist. Através dos olhos de David Copperfield (coincidentes com o olhar de Dickens nessa época), vemos todo o tipo de personagens que ao tempo viviam na Inglaterra — que relações tinham, e como os seus pensamentos e sentimentos influenciaram tais relações. Porque David Copperfield era de facto, em muitos aspectos, o próprio Charles Dickens; Dickens não precisava de inventar nada, ele pura e simplesmente conhecia aquilo que contava.São os livros que nos permitem saber o que realmente sentiam Tom Sawyer, Huckleberry Finn e o seu amigo Jim nas viagens pelo Mississippi em finais do século XIX, quando Mark Twain escreveu as suas aventuras. Ele conhecia profundamente o que as pessoas do seu tempo pensavam sobre as demais, porque ele próprio vivia entre elas. Era uma delas.Nas obras literárias, os relatos mais verosímeis sobre gente do passado são os que foram escritos à época em que essa mesma gente vivia.
O livro recorda.
Aino Pervik
*Tradução: José António Gomes
*A Mensagem do Dia Internacional do Livro Infantil é uma iniciativa do IBBY (International Board on Books for Young People), difundida em Portugal pela APPLIJ (Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil), Secção Portuguesa do IBBY.
Retirado de http://www.dglb.pt
(Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas)
sexta-feira, 18 de março de 2011
Com uma Comunidade de Leitores debaixo de olho...
Fui à António da Costa em Dezembro e voltei ontem, para trabalhar com uma turma de 7º ano.
(Em Fevereiro, fora também a uma turma de 6º ano, como veremos.)
Realizei, portanto, três sessões de promoção da leitura, mas desta vez com o objetivo acrescido de formar a Comunidade de Leitores que trago debaixo de olho…
O projeto da Comunidade, nesta escola, mereceu, em Outubro, a aprovação do Conselho Pedagógico, suscitou o entusiasmo e envolvimento da Professora Bibliotecária, etc, etc…, mas não houve inscrições.
Desiludidas? Não muito, pois dúvidas subsistiam desde o início. Eu não sou da escola. Trata-se de uma atividade voluntária e não sujeita a avaliação - que, no entanto, implica horários, trabalho… Seduzir leitores adolescentes é um grande desafio…
De que modo? Como a única inscrição fora a de um aluno do 7º 4ª, começámos por fazer uma sessão com esta turma.
Iriam conhecer-me… Poderia propagar-se o vírus do contágio…
Um poema de Carlos Negro, professor e poeta galego, abriu a sessão e prendeu a assistência. Umas páginas do Diário inventado de um menino já crescido, de José Fanha, mantiveram o entusiasmo… Saltámos depois de excerto em excerto, entre temáticas e géneros variados, viajando felizes pelos livros selecionados para os adolescentes… O planeta branco, Gosto de ti, R, Vampiros ou nem por isso, Alex ponto com, Poemas para um dia feliz…
Foi uma sessão alegre e viva… O tempo era pouco (45m) e passou muito, muito depressa…
A professora Isabel foi efusiva ao demonstrar o seu agrado, o mesmo agrado que os jovens não escondiam… Houve quem indicasse um livro para ser relido na “próxima sessão”…
Gostaram de ouvir ler – é certo. Incerto é quererem ler autonomamente… E a intenção de uma eventual inscrição, ninguém manifestou...


Ontem voltámos a estar juntos. Traziam o entusiasmo da 1ª vez.
Recriei o desafiante momento da seleção de um livro, entre muitos: olhar o título, ver a capa, ler a contracapa, abrir e ler um excerto… E curioso é vê-los aperceberem-se de que o seu interesse vai mudando, ora pela deceção ora pela boa surpresa que a capa, contracapa ou uma passagem do livro deixam em aberto…
Real… mente, A casa das bengalas, Diário inventado de um menino já crescido, O amor faz-te mal, Valentim, A rapariga voadora, O sonhador... foram despertando, sucessivamente, diferentes reações.
(Andreia Brites inspirou-me com o seu Ver para Crer… Aliás, é graças a Andreia Brites que eu ando hoje em dia nestas andanças de Mediação de Leitura. Leonor Fernandes, por sua vez, foi quem primeiro me abriu as portas da sua biblioteca escolar, possibilitando que o meu sonho germinasse...)
Os jovens da António irão agora requisitar os livros, como eu costumava ver acontecer, na minha biblioteca?... Era essa a intenção. Veremos!…
Inscrever-se-ão na Comunidade de leitores, para o ano? Este convite é explícito, permanece válido…; o resultado, absolutamente incerto.

O 6º 6ª, entusiasmado com a sessão de Fevereiro que denominei Dez e vai um... (na qual dez livros de autores portugueses estiveram em destaque, durante 90m de escuta atenta e participação ativa), poderá engrossar, talvez, o grupinho de interessados… A professora Elisabete confia. Uns jovens manifestaram interesse, com brilho no olhar...
Voltarei a esta escola, em breve. Com novos títulos, novas estratégias.
Talvez a semente dê fruto. Um qualquer. Pelo menos, o prazer do reencontro.
Poesia...
Dada a dificuldade em aceder às páginas indicadas, aqui vai o Programa a que tive acesso:
21 de Março, Segunda-feira, Convento dos Capuchos
10:30 às 12:30 e 14:30 às 16:30
Jardim
Sentidos das Artes
Oficinas de Expressão
Leitura; Escrita; Dança; Música; Expressão Plástica
Destinatários: 2 turmas de alunos do 1º Ciclo
Animadores: Albina Moura; Helena Leitão; Helena Peixinho; Margarida Catarino (Leitura e Escrita); Ana Lucinda Melo e Jaime Soares (Dança e Corpo); João Cuña; João Rodrigues; Ricardo Fonseca; Gonçalo Pinto; José Manuel Pereira (Música); Eurídice Santos; Mariana Rosa (Expressão Plástica)
Registo de Fotografia: José L. Guimarães
16:00 às 17:00
Sala do piano, Claustros, Galerias da Capela
Abertura das Exposições
Lançamento da publicação “Floresta Sinfónica”, Álvaro de Mendonça
17:00 às 18:00
Claustros, Galerias da Capela
Convívio com Porto de Honra
Interpelações Poéticas
Manuel Fernandes (Voz e Guitarra)
Jaime Soares (Interpretação)
Kin Bar (Junto à Casa da Cerca)
21:30 às 24:00
Deambulações Poéticas
Noite de Poesia e Músicas do Mundo
- Música: João Cuña (Guitarra Portuguesa); José Manuel Ferreira (Voz); Gonçalo Pinto (Castanholas);
Ricardo Fonseca; João Rodrigues (Campaniça)
- Declamações de Poesia por: José Manuel Ferreira; Didier Ferreira; Margarida Catarino; José Vaz; Américo Morgado; António Boieiro
25 de Março, Sexta-feira
Escola Secundária Emídio Navarro
16:00 às 18:00
Curtas Viagens
Ciclo de Curtas Metragens, com apresentação de Possidónio Cachapa
Teatro Extremo
21:00 às 24:00
Foyer
Conversas com... Viagens
Ser viajante...
Autores / Poetas convidados
Eduardo Salavisa; Fátima Monteiro; Ana Sofia Pinho; Jaime Soares
Por video-conferência: Ondjaki (Angola); Múcio Goes (Brasil). Moderador: Miguel Passarinho
Demandas do Mar, da Terra, do Universo
Autores / Poetas convidados
Delmar Maia Gonçalves; Vera Fornelos; Jorge Viegas; Carlos Amaral; Ângelo Rodrigues; Américo Morgado. Moderadora: Eveline Monteiro
26 de Março, Sábado
Convento dos Capuchos
Sala do piano, Claustros, Galerias da Capela
10:30 às 13:00
Oficina de Escrita Criativa de Viagens, com Orlando Ferreira
15:00 às16:00
Espectáculo Pessoas em Pessoa, Mostra de Criatividade
Participantes do Concurso, encenação de Jaime Soares
16:00 às 17:00
Pausa para Café / Convívio
Rotas de Fernão Mendes Pinto
Alunos da Escola Secundária Emídio Navarro
Morabi Dance Group, Nôs Tradison, Fundação Antigo Liceu Gil Eanes, Cabo Verde
Coreografia Lúcio Cabral e Licínio Fernandes
17:00 às 18:00
Sala do piano
Prémio Pessoas em Pessoa - Viagem, Mar, Mundo
Entrega dos Prémios a Concurso: Poesia; Pintura; Vídeo; Desenho; Fotobiografia; Azulejaria; Música e Coreografia. Participantes do Concurso / Comunidade Educativa
Lançamento da Revista DiverCidades
Língua Cultura Cidadania
Centro de Formação AlmadaForma / Projecto ALReP
21:00 às 21:30
Sala do piano
Ladrões de Deus
Instalação por João Ribeiro; Pedro Sena Neves; João Gil; Gonçalo M. Tavares
21:30 às 24:00
Conversas com… Viagens
Rumos da Criação
Autores / Poetas convidados - Orlando Ferreira; Xico Braga; Conceição Marques; Fátima Rosa; Luís Miranda; José Mário Silva; João Ribeiro; Ângela Luzia. Moderador: Nuno Bernardo
Viagens Poéticas
Eduardo Agualusa (Angola, por video-conferência); Teresa Pombo Pereira; Jorge Arrimar; Ruth Navas; Armindo Reis; Miguel Almeida. Moderadora: Ângela Luzia
Lançamento do Livro
“Poemas das Coisas Ditas Triviais”, Xico Braga, por Conceição Marques
27 de Março, Domingo
Convento dos Capuchos
15:30 às 17:30
Encerramento POEMA 2011
Diásporas Musicais
Silvestre Fonseca (Voz e Guitarra)
Nelson Conceição (Acordeão)
Exposições
Convento dos Capuchos
Visitáveis de 21 de Março a 27 de Março
Jardim
POETREE – Poesia para Florestas
Instalação de Álvaro de Mendonça
Livraria do Convento
Palmos de Rostos, José L. Guimarães
Galerias da Capela
Viagens à Memória, Pintura, Mariana Rosa
Viagens no Convento, Fotografia, Siegfried Kuntzig
Paisagens & Personagens, Artes Plásticas, Alunos de Artes da ESMC, Professores José Henrique; Luzia Lourenço; João Ribeiro
Pessoa ao Cubo, Desenho, Catarina Pinheiro
Almada vista da Ponte, Fotografia, Nuno de Albuquerque Gaspar
Pessoas em Pessoa, Mostra de Criatividade, Comunidade Educativa de Almada
Museu da Cidade - visitável das 10:00 às 18:00
Diários Gráficos em Almada
Não somos Desenhadores Perfeitos
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2º Encontro Poetas do Mundo em Almada
quarta-feira, 2 de março de 2011
Agarrar a vida...
Esta minha amiga vive a dúzia e meia de Km, por via rápida. Entre nós alongou-se o tempo de com-viver: a princípio em serviço, depois em formação, sempre em cooperação e partilha. Ingredientes para uma boa amizade. E assim se tornou simples segui-la pelos recentes caminhos que a vida lhe reservou, aliás nada fáceis.
Primeiro, foi o exame médico que lançou suspeitas; depois, mais um e mais outro, até à evidência indesmentível da confirmação; passo a passo, muita angústia estoicamente controlada. Veio o dia da intervenção cirúrgica, o período da convalescença... Por fim (cremos que é o fim), o tempo dos tratamentos e dos enjoos, das dores de cabeça, dos altos e baixos. Um já foi, mais um outro já lá vai também... Faltam mais uns tantos, regulares, espaçados. Um deserto longo e penoso para atravessar, sem fuga possível.
A minha amiga não sente revolta, não questiona "Porquê eu?". Pelo contrário, evidencia coragem e esperança que, como sabemos, rimam com inquietação e incerteza... Longe de sentir autocomiseração, preocupa-se com quem a rodeia e a ama, com os meninos que estranham a sua ausência na escola onde ela queria estar agora. Equaciona retomar o serviço, mesmo quando a prudência o desaconselha. É que há dias em que as horas custam mais a passar.
Resignada e lutadora, confiante mas naturalmente insegura, a minha amiga vai singrando por entre as duras e comezinhas provas do quotidiano: como atar um lenço à cabeça, antes de sair de casa; um súbito cruzar de olhar; recontar a história a alguém conhecido...
Uma situação que se revela longa, mas efémera... Tu sabes!
De longe (e de perto), contigo aprendo esta lição de vida.
Há prioridades e valores fundamentais.
Há solidariedade.
Há esperança para fiar, coragem para tecer... há vida para viver.
Primeiro, foi o exame médico que lançou suspeitas; depois, mais um e mais outro, até à evidência indesmentível da confirmação; passo a passo, muita angústia estoicamente controlada. Veio o dia da intervenção cirúrgica, o período da convalescença... Por fim (cremos que é o fim), o tempo dos tratamentos e dos enjoos, das dores de cabeça, dos altos e baixos. Um já foi, mais um outro já lá vai também... Faltam mais uns tantos, regulares, espaçados. Um deserto longo e penoso para atravessar, sem fuga possível.
A minha amiga não sente revolta, não questiona "Porquê eu?". Pelo contrário, evidencia coragem e esperança que, como sabemos, rimam com inquietação e incerteza... Longe de sentir autocomiseração, preocupa-se com quem a rodeia e a ama, com os meninos que estranham a sua ausência na escola onde ela queria estar agora. Equaciona retomar o serviço, mesmo quando a prudência o desaconselha. É que há dias em que as horas custam mais a passar.
Resignada e lutadora, confiante mas naturalmente insegura, a minha amiga vai singrando por entre as duras e comezinhas provas do quotidiano: como atar um lenço à cabeça, antes de sair de casa; um súbito cruzar de olhar; recontar a história a alguém conhecido...
Uma situação que se revela longa, mas efémera... Tu sabes!
De longe (e de perto), contigo aprendo esta lição de vida.
Há prioridades e valores fundamentais.
Há solidariedade.
Há esperança para fiar, coragem para tecer... há vida para viver.
Com cores alegres.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Dúzia e meia de anos mais tarde...
Certo dia, o filho de vinte anos entrou em casa anunciando novidade. Pelos rodeios, era coisa séria. Mas não recuou: vinha determinado.
Com a inquietação de quem teme o teor de declarações titubeantes, ainda que decididas, escutámos.
Um casal de jovens estudantes, um curso por fazer, um emprego por haver... um bebé por nascer.
Íamos ser avós.
A natural alegria foi precedida de receios...
Os jovens futuros pais já haviam refletido, arquitetado sonhos e projetos...
O nosso filho trazia dúvidas e argumentos. Deixava luzir alegria no olhar.
A alegria promete contágio...
As soluções encontraram-se.
A menina nasceu...
O pai trabalhou. A mãe trabalhou e estudou. Ele fez umas cadeiras hoje, outras amanhã; e ainda assim concluiu o seu curso. Ela fez o curso de um fôlego; construiu carreira...
Pais tão novos quanto maduros, sempre consideraram a sua filha como o Factor X a ponderar, antes de toda e qualquer decisão... E muitas e variadas foi preciso tomar, ao longo dos anos.
A viagem da vida desuniu e uniu famílias, aproximou novos familiares e amigos. Fez somar casas, escolas, colegas. Desbravou caminhos, multiplicou experiências.
A neta é hoje Menina-Mulher: de menina conserva a ternura; de mulher, a graciosidade e o sentido de responsabilidade.
Completou dezoito anos. É maior.
Na sua festa de aniversário, que permite que todos nos entrecruzemos em alargado convívio familiar, pediram-lhe um discurso, no momento de brindar... Com pouca vontade de falar em tom solene, numa dúzia de palavras proferiu uma síntese simples, significativa, tocante: «Obrigada a todos pelos dezoito anos maravilhosos que me ajudaram a viver.»
Pude contribuir com o meu quinhão.
Sou avó feliz. Orgulhosa.
Obrigada, Íris.
Parabéns!
Com a inquietação de quem teme o teor de declarações titubeantes, ainda que decididas, escutámos.
Um casal de jovens estudantes, um curso por fazer, um emprego por haver... um bebé por nascer.
Íamos ser avós.
A natural alegria foi precedida de receios...
Os jovens futuros pais já haviam refletido, arquitetado sonhos e projetos...
O nosso filho trazia dúvidas e argumentos. Deixava luzir alegria no olhar.
A alegria promete contágio...
As soluções encontraram-se.
A menina nasceu...
O pai trabalhou. A mãe trabalhou e estudou. Ele fez umas cadeiras hoje, outras amanhã; e ainda assim concluiu o seu curso. Ela fez o curso de um fôlego; construiu carreira...
Pais tão novos quanto maduros, sempre consideraram a sua filha como o Factor X a ponderar, antes de toda e qualquer decisão... E muitas e variadas foi preciso tomar, ao longo dos anos.
A viagem da vida desuniu e uniu famílias, aproximou novos familiares e amigos. Fez somar casas, escolas, colegas. Desbravou caminhos, multiplicou experiências.
A neta é hoje Menina-Mulher: de menina conserva a ternura; de mulher, a graciosidade e o sentido de responsabilidade.
Completou dezoito anos. É maior.
Na sua festa de aniversário, que permite que todos nos entrecruzemos em alargado convívio familiar, pediram-lhe um discurso, no momento de brindar... Com pouca vontade de falar em tom solene, numa dúzia de palavras proferiu uma síntese simples, significativa, tocante: «Obrigada a todos pelos dezoito anos maravilhosos que me ajudaram a viver.»
Pude contribuir com o meu quinhão.
Sou avó feliz. Orgulhosa.
Obrigada, Íris.
Parabéns!
Foto: Macieira em flor, de Joaquim Chaves
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Homenageando Maria Alberta Menéres
A Escola dos Caranguejais tinha ontem duas turmas de 2º ano à minha espera, na sua Semana da Leitura. O desafio era homenagear Maria Alberta Menéres. Um convite lançado há meses pelas Professoras Bibliotecárias Margarida Pinho e Sara Cacela.
Deu-me tempo… Reuni sem pressa diversos livros meus da Autora e, recentemente, dispus-me a lê-los e relê-los.
Deixei-me seduzir pelo Retrato em escadinha: autobiográfico, divertido, com uma história à volta da História da fotografia… Boa ideia! Casualmente, ao folhear a antologia De que são feitos os sonhos, tive a boa surpresa de ver reproduzido o retrato que deu origem à narrativa. Perfeito!
Quem faz hoje anos? sugeriu-me outra ideia: presentear os meninos nascidos em cada mês do ano com uma das quadras relativas ao seu mês, uma difícil seleção da minha autoria… Optei pelas cómicas, pelas poéticas..
Estava traçado o plano, mas não bastava: fiz ainda algumas pesquisas, uma ou outra impressão… Remexi velhos álbuns de fotografias minhas, selecionei o que me pareceu oportuno… Para boa companhia, a minha museológica Kodak Brownie Reflex e o respetivo rolo... Agora sim! Tudo a postos.
As sessões desenrolaram-se tal e qual a planificação (sempre flexível!). E esta resultou, como eu previra. Despertando embora reações diferentes, consoante o grupo, revelaram-se idênticos a concentração e o prazer.
A 1ª turma riu a bandeiras despregadas, desde o primeiro momento; interveio, opinou descontraidamente… A 2ª turma levou o seu tempo a perder a timidez, a intervir, a rir… E, por fim, estes meninos foram espontâneos a querer dar desenhos, trabalhinhos em plasticina, cada qual improvisando um miminho, em demonstração de reconhecimento e simpatia…
Obrigada a todos, Miúdos e Graúdos dos Caranguejais! Pelo convite, pela receção, pelo carinho…
Parabéns e obrigada, Maria Alberta!Nota: Esta homenagem a Maria Alberta Menéres foi reproduzida posteriormente em outras cinco sessões, em mais duas escolas do Agrupamento D. António da Costa, igualmente durante as respetivas Semanas da Leitura: EB1 de Almada e EB1/JI da Cova da Piedade .
Decorreu idêntica homenagem com uma turma da EB1 de Casal de Bolinhos (Agrupamento de Azeitão).
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