domingo, 16 de janeiro de 2011

Postagem escrita segundo o acordo ortográfico de 1990...


Embora mal amado, está em vigor o novo Acordo Ortográfico, agora por um período de transição até 2012, sem adiamento de prazo. Os jornais adotaram-no e já comprei livros que trazem a chancela “texto segundo o Acordo Ortográfico de 1990 (Diário da República nº 193, Série I-A, páginas 4370 a 4388)”. Nas escolas, ditará a grafia a partir de 2011/2012. É desta!
Não é meu hábito resistir teimosamente às mudanças e chegou finalmente a minha vez de ser proativa, tarde e a más horas. Precisei de um impulso como este, do tipo “Ano Novo, vida nova”…
Eu sei que a ortografia é uma convenção social; que a língua escrita sempre sofreu alterações, que está novamente em processo de mudança e não será a última vez.
Sei que há bons linguistas e gramáticos no Brasil e que muitos leitores de Português, espalhados pelo mundo inteiro, são brasileiros ou de outros países da CPLP, além de portugueses. Por que razão se há de aprender a escrever a nossa língua de maneira diferente, em duas salas de aula contíguas?
Uniformizar a língua escrita é um bom objetivo. Por isso, pelo contrário, me custa aceitar a inclusão de tantas exceções, no texto do Acordo… 
De que nos servem as consoantes mudas, algumas das quais resistem sem que as pronunciemos? A sua abolição aliviará muitos aprendizes de Português e nenhum Romano se virá insurgir contra o nosso desrespeito pelo étimo latino…
Camões e Pessoa regeram-se por normas ortográficas diversas.
Em vinte anos decorridos desde a assinatura deste último Acordo Ortográfico, assisti a polémicas (tanto em Portugal como nos outros países de expressão portuguesa), furtei-me a abaixo-assinados… Fiquei na expetativa. Basta.
Calha bem: estamos em janeiro… É já.

(Apenas 7 alterações, em todo este texto?!...)

Eis o que muda: 

Buscando um conversor fiável e gratuito para a nova ortografia:


A não perder: 
uma crónica do Jornal das Letras, aqui. 

domingo, 9 de janeiro de 2011

Fala uma nutricionista...: "Pequenas mudanças, grandes efeitos"

Foto sacada da Net 

Mal se foi o Natal e o Ano Novo, teve início a explosão de aniversários de Janeiro... Pessoalmente, estou quase a perder-lhes a conta, numa sucessão de bons almoços, saborosos lanches ou jantares, com todos...
Aqui e ali, há sempre alguém que faz dieta: disfarçada ou assumidamente. Por vezes, são dietas rigidamente traçadas por nutricionistas, a régua e esquadro,  e balança. Assistimos então a uma estóica demonstração da capacidade de a nossa amiga resistir à prova de um petisco, de um copo de vinho, de uns goles de champanhe, de um apreciado doce, em nome das 250g semanais que urge perder, para não falhar um compromisso pessoal... 
Pois nem a propósito: encontrei um artigo recente da nutricionista Paula Veloso que afirma, desassombradamente: Para ter um peso e uma vida mais saudáveis, não são necessários sacrifícios. Sacrifício significa penitência, sofrimento, renúncia... fez mal a alguém? (...) Desfrutar da comida, do prazer de comer mas também da saúde e da "boa" vida são perfeitamente possíveis. Basta seguir pequenas rotinas diárias.
Bem mais aliciante, esta sua prescrição... Apetece segui-la! Tanto mais que promete e permite manter o tal peso, alcançado tão a custo, com a dita dieta!... Eis a sua pródiga "receita":


1. Começar o dia obrigatoriamente com o pequeno-almoço, verdadeiro acelerador do metabolismo, constituído por um alimento do grupo do pão (pão ou cereais pouco refinados), outro do grupo de leite (leite, iogurte ou queijo magros) e uma peça de fruta ou um sumo de fruta (com polpa).

2. Se o intervalo entre o pequeno-almoço e o almoço for superior a 3 horas e meia ou se já sente fome próximo da hora do almoço, faça uma refeição ligeira (leite, iogurte, pão ou bolachas sem gordura e com pouco açúcar; fruta...) que irá controlar o seu nível glicémico e fazer com que não tenha tanta fome ao almoço.

3. Inicie o almoço e o jantar com um bom prato de sopa de legumes (de base fina). Se come em restaurantes, em vez das entradas, e enquanto espera pelo prato do dia, poderá inclusivamente, e antes da sopa, começar pela fruta. Se comer legumes ou salada a acompanhar o prato, peça para temperar no seu prato. Pode temperar com limão ou vinagre, mas não utilize mais do que uma colher de chá de azeite para o fazer. 

4. Evite os fritos, pelo menos durante seis dias na semana. É preferível uma sandes tipo "americana" do que o prato do dia com rissóis ou batatas fritas...

5. Faça um lanche a meio da tarde ou dois, se almoça cedo e janta tarde.

6. Evite refrigerantes e bebidas açucaradas. Se beber vinho faça-o com moderação - dois copos de vinho por dia (de preferência tinto) para os homens e um para as mulheres (desde que não estejam grávidas).

7. Coma, pelo menos, duas peças de fruta por dia, mas não exagere porque a fruta em excesso também engorda.

8. Se se deita tarde, faça uma pequena ceia antes de ir para a cama - um copo de leite e três bolachas Maria, um iogurte e uma peça de fruta, por exemplo.

9. Mexa-se o mais que puder durante o dia, andando a pé, descendo e subindo escadas ou fazendo qualquer actividade física, evitando longos períodos sentado. (...)


O artigo integral encontra-se aqui.
Bom apetite!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Quero mais Natal... venha a Befana!

Hoje é feriado. Não cá, mas acontece em Espanha, na Roménia, em Itália… E não só na Europa. É feriado também na República Dominicana, por exemplo.
Em Itália, associa-se a Epifania, a festa religiosa da revelação de Jesus aos reis gentios (isto é, não judeus), relembrada no Dia de Reis, uma outra festa profana: a da Befana. Esta surge como uma velha muito feia, mas muito generosa, que distribui doces e brinquedos às crianças, reforçando os presentes trazidos há poucos dias pelo Babo Natal. Os italianos conservam em suas casas pequenas bruxas, geralmente suspensas nos cortinados, ao longo de cada novo ano que recomeça, pois afugentará os maus espíritos e trará sorte…
Quem é a Befana?
Segundo a lenda, é uma velhinha que indicou o caminho aos Reis Magos quando estes se dirigiam a Belém e se encontravam perdidos no caminho. Ela deu-lhes informações e, agradecidos pela ajuda, os Reis convidaram-na a acompanhá-los, mas recusou. Mais tarde, arrependeu-se, preparou um cesto com doces e foi procurar os Reis, em vão. Na esperança de ver Jesus, foi distribuindo doces em todas as casas onde encontrava meninos. Desde então, dá a volta ao mundo no Dia de Reis, dando presentes a todas as crianças.
O meu pequeno João, de 2 anos e três meses, vai ampliando os seus conhecimentos sobre o mundo… Recentemente, o Natal fê-lo extrair conclusões e albergar desejos que, estando cada vez mais vivaço e conversador, já é capaz de exprimir bem… Uma coisa é certa: ele hoje teria apreciado estar em Itália, com a sua tia Aline…
Ultimamente repete, com frequência, com uma entoação comovida e  intencionalmente comovedora (suprimindo os erres):
- Que'o natal..., que'o p'endas... 


Uma velha canção, de Gianni Morandi:



domingo, 2 de janeiro de 2011

Novo Ano Novo...

Cacilhas, fragata D. Fernando II e Glória, 1/1/2011
Ano Novo, de novo! 
Com ele entramos na 2ª década do 3º Milénio. Tempo de maturidade. E contudo...
De novo se registou o sobe e desce do número de acidentes vulgarmente contabilizados em épocas festivas, semeando tristezas..., a par do brilho retumbante do fogo fátuo e de muitas festas e alegrias, à meia-noite vividas.
De novo se evoca, em grandes parangonas, cortes de vencimentos, novos aumentos, previsão de restrições na vida de todos nós, mais duras para alguns de nós.
Os dias, esses seguirão seguramente o seu curso: um projecto que evolui, uma carreira que se desenvolve, um filho que vai nascer, uma criança que cresce, um desafio que se vence, um sonho que ganha forma... o tempo que passa.
Um novo ano começa cheio de renovadas esperanças que ignoram tempestades... 
Enfrentemos ventos e tormentas. Com realismo.
Aí está 2011, para ser vivido activamente, dia após dia.
Também com música e poesia.


Receita de ano novo 
Carlos Drummond de Andrade


Para você ganhar belíssimo Ano Novo 
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
(mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
novo 
até no coração das coisas menos percebidas 
(a começar pelo seu interior) 
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
não precisa expedir nem receber mensagens 
(planta recebe mensagens? 
passa telegramas?) 
 
Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumidas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 
 
Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.


O trabalho, neste 1º Período...

Foram treze as sessões de promoção da leitura realizadas por mim, ao longo do 1º Período...
Em várias ocasiões, Li a meias... Por três vezes, com uma turma de 3º ano e, por quatro vezes, com cada uma das duas turmas de 4º ano, os meus meninos que acompanho desde o ano lectivo transacto. Educação rodoviária, educação para a saúde (alimentação), educação sexual, educação para a Felicidade, eis alguns dos temas abordados, como quem não quer a coisa, a propósito de várias histórias lidas.
Um livro, digo, Muitos livros debaixo de olho mantive eu, quer durante as férias de Verão quer depois delas... Essas leituras culminaram na realização de sessões para adolescentes: uma em Sesimbra e outra em Almada, com alunos de 7º e 8º anos.
Impossível fazer mais actividades! Uma das razões foi porque, finalmente, me dei ao luxo e ao privilégio de gozar férias em Setembro!
Descobri e fiz uso do turismo para formação...: desloquei-me recentemente a Beja, à Batalha e ao Porto. Jornadas de formação e trabalho, oportunidades para passeio e fotografia, pausas para lazer e prazer.
Fiz mais! Colaborei, como sempre, na actualização do blogue da Escola Conde de Ferreira.
Corrigi trabalhos diversos. Voluntariamente. 
Activa e viva. Estimada, logo, recompensada.


Fotografia: Fernanda Ataíde, responsável pela biblioteca escolar da Escola Conde de Ferreira, e Dina Dourado, Professora Bibliotecária do Agrupamento Vertical de Escolas D. António da Costa.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Armstrong e o Pai Natal

As palavras dos outros...

POEMA DE NATAL
Hoje é dia de Natal.
O jornal fala dos pobres
em letras grandes e pretas,
traz versos e historietas
e desenhos bonitinhos,
e traz retratos também
dos bodos, bodos e bodos,
em casa de gente bem.
Hoje é dia de Natal.
- Mas quando será de todos?
Sidónio Muralha
E, a propósito de pobres, bem como do aproveitamento político que destes se faz, convido à leitura de Pobres é o que está a dar, de Manuel António Pina: aqui.




sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Velhas técnicas... renovados encantos...

É velha a notícia, sim, e mais velha ainda a técnica japonesa de contar histórias da tradição oral: kamishibai.
Vejam como este contador de histórias se dedicou a renovar a velhinha tradição e como, por esse processo, consegue despertar o entusiasmo de todo um vasto auditório...  


terça-feira, 30 de novembro de 2010

Língua Portuguesa e Fernando Pessoa...

«A minha pátria é a língua portuguesa» é afirmação, sobejamente conhecida, de Fernando Pessoa; descontextualizada, obviamente.
Estive há dias no II Congresso da Língua Portuguesa, realizado ao longo de dois intensos dias, no Instituto Piaget de Almada. 
Vindos dos quatro cantos do Mundo da Lusofonia, escritores, jornalistas, sociólogos, cientistas, professores, políticos, economistas... integraram os diversos painéis em que se debateu a diversidade e universalismo da língua, a sua difusão nos media e no ciberespaço, o seu uso nos grandes espaços linguísticos e económicos, especificando-se o seu valor económico, o seu peso na Ciência e na Literatura, os seus poetas, o seu ensino... venturas e desventuras. E o acordo ortográfico foi repetidamente citado, a talho de foice, ora contra ora a favor, evidenciando-se que este se vai tornando mais consensual. 

Eis o texto de Fernando Pessoa de onde foi extraída aquela citação (com referência ao Padre António Vieira), tal como Pessoa o escreveu, respeitando as regras ortográficas do seu tempo - diferenças que não afectam a nossa compreensão.
(Faz hoje 75 anos sobre a sua morte.) 
"Não chóro por nada que a vida traga ou leve. Há porém paginas de prosa que me teem feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noute em que, ainda creança, li pela primeira vez numa selecta, o passo celebre de Vieira sobre o Rei Salomão, "Fabricou Salomão um palacio..." E fui lendo, até ao fim, tremulo, confuso; depois rompi em lagrimas felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquelle movimento hieratico da nossa clara lingua majestosa, aquelle exprimir das idéas nas palavras inevitaveis, correr de agua porque ha declive, aquelle assombro vocalico em que os sons são cores ideaes - tudo isso me toldou de instincto como uma grande emoção politica. E, disse, chorei; hoje, relembrando, ainda chóro. Não é - não - a saudade da infancia, de que não tenho saudades: é a saudade da emoção d'aquelle momento, a magua de não poder já ler pela primeira vez aquella grande certeza symphonica.
Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente. Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
Sim, porque a orthographia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-m'a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha."

O iPad da Apple chegou até nós





É hoje notícia: a Fnac e a Worten começaram a vender o iPad da Apple.
Sabe-se que permite escutar rádio e aceder à Internet, bastando escolher o modelo pretendido. 
Contam que já fez diminuir a venda de portáteis, por ser pequeno e leve. Noticiam que os preços variam entre €499,00 e €799,00 e que não se registam filas, nos pontos de venda. Anunciam que os meios de comunicação social preparam conteúdos (pagos) para o iPad e que esperam aumentar, assim, o número dos seus leitores.
Não há que temer o fim dos livros ou dos jornais. Todos os suportes, afinal, concorrem para um mesmo objectivo: acesso a informação, promoção da leitura. 
Segundo os editores, um e-book tem um custo de produção menor do que o livro em papel, excepto quando inclui conteúdos e actividades que implicam o trabalho de uma equipa multidisciplinar - uma tendência que se expande. 
Acrescidos aliciantes para captar jovens leitores... 

A notícia está aqui.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Música e poesia

Fui revisitar a voz de um conhecido cantor do país vizinho: Paco Ibañez. Vi-o por segundos no documentário José e Pilar e ficou-me a vontade de o ouvir mais longamente... 
Lúcido e irreverente, cada canção sua é um poema de intervenção. Mais de quarenta anos a cantar... e só a idade mudou...
 



quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Cinema: José e Pilar

O filme José e Pilar abriu o DocLisboa 2010, teve uma ante-estreia a 16 de Novembro, no dia do 88º aniversário de nascimento de José Saramago e está desde então em cartaz, em diversas salas de cinema nacionais. 
Vi-o há dois dias, sem um desvio do olhar... 
Senti-me emocionada pela ilusão de penetrar no quotidiano do casal; pela simplicidade com que nos é relatado o seu ritmo intenso de vida; pela dimensão humana de cada um, Homem e Mulher..; pelo amor que ressalta daquela união, finda mas infinita... Pela viagem a Lanzarote e a A Casa...; pela beleza da fotografia e da música do vento... Pela tenacidade com que José concluiu A viagem do Elefante e com que Pilar terminou a respectiva tradução, no mesmo dia... Por me identificar com todo aquele desejo de viver a vida, aproveitar todo o tempo disponível..., repousar e prosseguir, sem cessar... Por concordar com tantas das posições ali assumidas e defendidas...
Saí com desejo de rever o filme... e, sobretudo, de conhecer melhor a obra do nosso Nobel de Literatura. 
José Gonçalves Mendes conviveu com José Saramago e Pilar del Rio durante quatro anos e a gravação de 240h deu lugar a este documentário com um décimo de duração - realista, poético, sóbrio, imperdível.

domingo, 21 de novembro de 2010

Arte...

Matisse, pintor francês (1869-1954) - visto por Philip Scott Johnson, através da sua arte digital.


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Com vários livros debaixo de olho...

Foi ontem, em Sesimbra. A Comunidade de Leitores adolescentes reuniu-se pela primeira vez.
Pela manhã, só havia notícia de três inscrições: metade do mínimo previsto!.. Mesmo assim, fui. E à hora marcada, dez jovens se apresentaram no local combinado: uma aluna de 7º ano e nove do 8º, de três turmas diferentes. Por acaso, cinco rapazes e cinco raparigas.
Vejam bem se eu tivesse desanimado e desistido!...
Calculem como fui apanhada de surpresa!...
Começámos pelas apresentações. Pelos objectivos desta actividade. E pelo perfil de leitor de cada um...
Um grupo muuuuuuuito heterogéneo...
Há os que gostam de aventuras, de Banda Desenhada e humor; os apaixonados pelo romance fantástico e os que optam por biografias e textos realistas, nomeadamente o romance histórico; há mesmo quem eleja os autores clássicos... e os amantes da poesia. E lêem!...  Livros e autores que souberam nomear: O planeta branco, de Miguel Sousa Tavares; a História de uma alma, de Álvaro Magalhães; os 7 volumes de Harry Potter...; O Diário de um banana ou livros de José Rodrigues dos Santos...; há mesmo quem esteja a ler o Dom Quixote de Cervantes!...
Com a apreensão de quem já não sabia se fizera uma boa escolha, apresentei-lhes então os livros cuja leitura eu lhes iria propor... e, para meu alívio, senti que a motivação foi crescendo...
Nova surpresa: três quartos de hora depois, tivemos de acabar a sessão que duraria 90 minutos. O que me impediu de concluir o trabalho: a votação dos livros preferidos..., a decisão do 1º livro a lermos...
Solução de recurso: cada um concluir a sua leitura em curso e divulgar esse livro na próxima sessão.
Uns correram para a camioneta; outros para o Clube de Teatro ou para o Clube de Vólei... Quem não tinha pressa correu para a mesa dos meus livros, folheou-os, apontou títulos... Querem ir à Biblioteca Escolar ou à Biblioteca Municipal requisitá-los... (A Professora Bibliotecária já recebeu pedidos, esta manhã.)
Jovens activos, empenhados...
Um simpático grupo que promete...
Um horário a rever...
Vim satisfeita!




terça-feira, 16 de novembro de 2010

Mar...

Cresci junto ao mar, vivo perto do mar, o meu nome mergulha no mar (Maria... e-por-aí-fora...) O mar evoca em mim sensações, recordações... Fascina-me.
Ora o mar representa muito mais, sabemo-lo: é memória de epopeia histórica, lazer, vida, sustento, energia... por isso mesmo lhe foi dedicado um dia: 16 de Novembro. 
É hoje o Dia Nacional do Mar.
Comemoro-o com este e outros instantes fotográficos... que podem ser vistos aqui e ali...


E comemoro-o com poesia:
Atlântico
Mar,
Metade da minha alma é feita de maresia.
Sophia, Poesia, Caminho, 2007, 6ª edição, p.12


domingo, 7 de novembro de 2010

Gosto de ler...

...como dizem ali ao lado, nuestros hermanos...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Um livro debaixo de olho...

Trata-se de um novo projecto. Pensado para "gente crescida" do 3º Ciclo.
Primeiro, sonhado...  
Depois, longamente planeado... 
Em seguida, bem acolhido pelos professores responsáveis, tanto na EB 2.3 António da Costa (Almada) como na EB 2.3 Navegador Rodrigues Soromenho (Sesimbra).
Alcançou agora a fase crucial: a divulgação aos seus destinatários.
Uma tertúlia mensal à roda de um dos livros que desperte a atenção e fique debaixo de olho...
Haverá jovens interessados? A motivação será tal que ousem inscrever-se?...
Um grupo de seis: tanto basta para que valha a pena começar. Seis a doze, não mais.
Por enquanto, paira apenas a minha expectativa. E o desejo de fazer parte desta Comunidade de Leitores. 
Pelos jovens. Para os jovens. 
Claro que estou pronta para o que der e vier... Talvez sim, talvez não... Tudo é possível!
Enfim, um novo desafio em ebulição. 

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Prémio Hans Christian Andersen

No passado dia 19, teve lugar a 1ª edição do prémio Hans Christian Andersen, em Odense, cidade natal do conhecido escritor dinamarquês. 


A vencedora do prémio de Literatura foi J.K. Rowling, a bem sucedida autora britânica dos livros de Harry Potter. Um prémio honroso e de valor pecuniário avultado.


Li os sete volumes da saga deste aprendiz de feiticeiro, à medida que foram sendo publicados. Lia-os pela noite dentro, com um entusiasmo à prova de sono e de cansaço... 
Galgando sofregamente milhares de páginas, vivi aventuras e desventuras, amizades e inimizades, derrotas e vitórias que me tornaram firme aliada de Harry Potter. 


Foram os meus alunos de então que se encarregaram da mediação da  leitura. Deixei-me contagiar. (E o vírus propagou-se...)
A eles agradeço ter enriquecido com Harry Potter a minha galeria de heróis. Entender o papel de J. K. Rowling na promoção da leitura entre os jovens. E a atribuição do prémio.
Admitindo, contudo, que os Contos Imortais de Andersen sobreviverão aos demais... 

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Recomeçar...

Como é bom fruir do sol meigo de Setembro, junto ao mar, sem multidões nem filas!... Como é bom viver alheio à escravatura dos ponteiros do relógio, deixando fluir o tempo ao ritmo da vida...
Como é bom ter tempo para tudo: repouso, tarefas rotineiras, pequenos prazeres de férias e... para a preparação daquele novo projecto em gestação... 
E como é extraordinário, por fim, recomeçar!...

Foi ontem. 
De novo, o Ler a meias...

A excitação dos meninos (agora no 4º ano) foi visível na pequena multidão apinhada junto ao portão da escola, àquela hora, e nas entusiásticas exclamações de alegria ao avistarem-me... 
O portão abriu-se de par em par, ainda eu estava do lado oposto da rua, como se tivesse gritado de longe: 
-Abre-te Sésamo!... 
Mal o transpus, as crianças desabaram sobre mim entre abraços e beijos. Foi difícil alcançar a biblioteca. Quanta saudade!...

Íamos começar daí a instantes. Foram os meninos que abriram a sessão correndo a entregar-me, espontânea e simpaticamente, as suas mensagens: desenhos, uma carta, um postal, um marcador de livros... 
«Bem-vinda!»
Também eu lhes levava uma surpresa: pela 1ª vez, o computador entrou pela biblioteca dentro...
Uma conversa breve, a abrir...

E em seguida, através das imagens de "Eu espero" e do poema de Patrícia Joyce, "Era uma vez um menino", seguimos o fio da vida, com tudo o que a compõe, alegrias e tristezas... e reflectimos sobre a felicidade - que em parte está nas nossas mãos.

Assim ficaram apresentadas as temáticas para este ano lectivo.
...Um início cheio de emoção.

Como é bom recomeçar!...


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Evocando John Lennon


Evocar John Lennon é recuar aos anos 60, é lembrar os Beatles... No meu imaginário, um momento tão marcante quanto a ida do Homem à Lua ou a Revolução dos Cravos, no nosso país...


John Lennon foi um dos mais criativos músicos britânicos do pop rock. Nasceu a 9 de Outubro de 1940 e foi assassinado a 8 de Dezembro de 1980, em Nova Iorque. Celebrizou-se nos Beatles e fez depois carreira a solo. Foi um activista pelos direitos humanos e pela paz. 
As letras das suas canções continuam pertinentes e actuais. Acabam de ser reeditados os seus êxitos no álbum 

Gimme some truth (Dêem-me alguma verdade - em tradução literal).





Mother


Mother, you had me, but I never had you
I wanted you, you didn't want me
So I, I just go to tell you
Goodbye, goodbye



Father, you left me, but I never left you
I needed you, you didn't need me
So I, I just go to tell you
Goodbye, goodbye

Children, don't do what I have done
I couldn't walk and I tried to run
So I, I just go to tell you
Goodbye, goodbye

Mamma, don't go
Daddy, come home

(repeat 9 more times)




«A criança,
Toda a criança,
Seja de que raça for,
Seja negra, branca, vermelha, amarela, 
Seja rapariga ou rapaz.
Fale que língua falar,
Acredite no que acreditar,
Pense o que pensar,
Tenha nascido seja onde for,
Ela tem direito...
(...)
Depois da hora radial do parto, 
A criança deverá receber
Amor,
Alimentação,
Casa,
Cuidados médicos,
O amor sereno de mãe e pai.
(...)»
Matilde Rosa Araújo, Os direitos da criança



domingo, 3 de outubro de 2010

A República em Almada, um dia antes...

A 4 de Outubro, em Almada, foi proclamada a República. Faz 100 anos.
(Aliás, Almada foi, em várias datas assinaladas pela História de Portugal, "a terra do dia anterior". Por exemplo, também no dia 23 de Julho, na Cova da Piedade, a vitória das tropas liberais sobre as absolutistas ocorreu na véspera da vitória final alcançada em Lisboa, a 24 de Julho de 1833...)


Em jeito de homenagem à República, divulgo este apontamento histórico, objectivo e sintético - um powerpoint sacado da NET:


domingo, 26 de setembro de 2010

A propósito de leituras... e de um novo projecto...

Vivi permanentemente rodeada de livros e sempre li, li... Mas confesso que, anos a fio, li sobretudo muitas prosas bárbaras de crianças e jovens. Li principalmente muitas histórias com vista a escolher as que queria dar a ler aos meus alunos e muitas outras com o objectivo de seleccionar alguma para elaborar um determinado teste ou uma ficha de trabalho… Em suma, privilegiei a literatura para a infância e juventude. E fiz também leituras para minha informação e estudo. Ou leituras de clássicos e modernos, a meu bel-prazer. Apesar disso, estou muito longe de ter lido tudo o que gostaria de ler.

Reconheço que nunca fui o que vulgarmente se chama uma leitora compulsiva. Esta designação é geralmente associada a auto-elogio, mas tudo o que seja compulsivo me parece dependência. E, pelo contrário, sinto orgulho por considerar não ser dependente de coisa alguma. E por crer que sempre soube partilhar o meu tempo entre obrigações e devoções (embora umas vezes melhor do que outras), incluindo-se, entre estas, a leitura.


Quereria ter lido muito mais, já disse. Mas não esgotei o meu tempo e continuo afincadamente nesse propósito. Para mais, gosto de ler de um fôlego, quase sem interrupções, o que exige que dedique à leitura um tempo prolongado e seguido, o que nem sempre é fácil, mas tenho tentado agora. Ou não fossem férias! 

Enfim, tempo de preparação de um novo ano… e também de um novo projecto: “Um livro debaixo de olho...”, isto é, uma comunidade de leitores para jovens do 3º ciclo (7º e 8º anos, para começar).
Um projecto que me mantém ultimamente retirada do mundo…, junto ao mar.

Uma experiência para começar em breve, neste novo ano que há pouco se iniciou…
(Depois conto!)

Os meninos vão para a escola...

“Os meninos vão para a escola”- assim lhes chamam.
Claro, este não é o seu nome erudito, em latim, nem sei mesmo se a designação será usada em todo o país… Segundo consta, elas florescem por esta altura quando, findo o Verão, os meninos retornam à escola. E o povo, atento à natureza, é hábil a nomear tudo aquilo que nos rodeia, não se preocupando muito com pormenores tais como recorrer a uma frase para denominar flores, em vez de usar um único nome-substantivo, como é habitual…
Esta associação, a meu ver, é clara: o reino cor-de-rosa de meninas e meninos não se faz só de tempo de lazer; engloba o tempo da sua educação: trabalhar, aprender; cumprir regras e horários ao ir/voltar para a escola. Aquela flor rosada, singela, que por coincidência floresce por esta altura e em seguida adormece para reflorir um ano mais tarde, ganhou o nome da grande marcha dos meninos nesta estação. Ganhou esse simbolismo.
Inicia-se mais um ano. Lectivo. Meses em que serão vividas inseguranças e confortáveis rotinas, entusiasmos e cansaços, descobertas e emoções, tristezas e alegrias, facilidades e dificuldades, aprendizagens dos currículos (sem esquecer o currículo oculto)…
Chegou o tempo de aprender a conviver. Aprender a aprender. Descobrir. Saber.
Enfim, tempo de crescer.
Que os meninos que vão para a escola possam crescer, aprendendo a vencer desafios; aprendendo a ser felizes!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Citação

Henri Cartier Bresson afirmou, certa vez: 


"Fotografar é prender a respiração quando todas as faculdades convergem para a realidade fugaz. É neste instante que apoderar-se de uma imagem se torna um prazer físico e intelectual.”


Fotógrafo: Joaquim Chaves