sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Recomeçar: o que um livro passa para aqui chegar!


Reencontrei-me hoje, finalmente, com os meninos da Escola Conde de Ferreira, que estão agora no 4ºA, para relançarmos o projeto Ler a Meias... 
Este ano há novidades: as sessões decorrem na Biblioteca da Escola Feliciano Oleiro que fica mesmo em frente. E então, por que não?, alargou-se esta atividade de mediação de leitura ao 4ºA daquela escola.
Tobias: O que eu passei para chegar aqui! era o livro do dia, de Manuela Bacelar. 
Em ambas as turmas, começámos por tentar adivinhar qual o seu tema, a partir do título. Não faltou imaginação! Ainda assim foi preciso ler para se descobrir que se tratava do próprio livro que passou por muito, até chegar à nossa mão!
Além dos desenhos de Manuela Bacelar, os meninos viram  ilustrações de Alice Jorge, Maria João Lopes, Teresa Lima... Todas diferentes e muito bonitas! 
Capa, contracapa, lombada, guarda, folha de rosto... catalogação...; verso, estrofe, quadra... - foi vocabulário que veio a talho de foice.
A semelhança do trabalho entre as duas turmas ficou-se por aí.
O 4º A da escola anfitriã escutou o poema Golo (do livro Mistériosde Matilde Rosa Araújo) de onde se partiu para uma boa conversa. Inspirados pelos Apontamentos (que Maria Alberta Menéres incluiu No coração do trevo), irão agora escrever e ilustrar os seus próprios "apontamentos", com ajuda da sua professora... 
A outra turma, da professora Isaura, divertiu-se com o poema O computador de Luísa Ducla Soares. E ainda ouviu parte de O mundo num segundo, de Isabel Minhós Martins.
A seguir, foi a sua vez de imaginar coisas que aconteciam naquele segundo...
Ilustraram e escreveram a pares, criando uma página. E com todas elas vamos fazer o nosso livro!

Quem acabou primeiro ainda teve tempo para ler!
Gostaram. Querem mais. "Pode ser já amanhã", afirmou um  deles. A Mediadora prometeu: "De quinze em quinze dias, cá estaremos de novo." Pois então, até breve!








(A notícia dada pela escola aqui está.)

Citação



Todas as artes contribuem para a maior de todas as artes, a arte de viver.


Bertold Brecht



quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Novas formas de leitura

Carlos Pinheiro publicou no seu blogue, Ler ebooks, o resumo de uma comunicação (que partilho) em que se debruçou sobre novas formas de leitura
Que o livro não é o único suporte de leitura, sabemos. Mas aqui encontramos uma informação sintetizada, organizada, com novidades...

Os ebooks e as novas formas de leitura (Leva um tempinho! Calma! :-)


Livros miniatura... no CCB

Na Fábrica das Artes, no CCB, está patente, até dia 26, uma exposição de livros miniatura. Partilho um vídeo... 


Já agora, acrescento que estão previstas oficinas e visitas... 

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Mediando leitura, entre nuvens e sol...

Há dias, voltei ao Agrupamento Conceição e Silva. Desta vez, fui acolhida de braços abertos na "Cova da Piedade 1", a conhecida "Escola da Fundação".
Nuvens cinzentas, vento forte e muita chuva caracterizavam aquele dia de novembro. À última da hora, mudei a planificação e transformei estes elementos da natureza nas personagens principais das três sessões do dia.
A poesia de Eugénio de Andrade: Aquela nuvem e outras... 
O tom alegre e divertido das Cantigas e cantigos, de José Fanha: Viva o Vê!...
Um breve conto de António Torrado: A nuvem e o caracol...
Pelo meio, não faltaram conversas sobre a importância da água e do sol, fontes de vida..., sobre alimentação... E até aprendi com o 3ºC que a água preenche agora o centro da recuperada "Roda dos alimentos".
Excertos de Um livro para todos os dias, de Isabel Minhós Martins, animaram o 3ºA e o 3ºB.
O 3ºC, onde o tempo "esticou", teve direito de escolher entre este e outros  livros: votaram na história O rapaz que tinha medo, de Mathilde Stein, e não se arrependeram!... 
Contaram o que também eles fizeram, no ano passado, para aprisionar os seus medos, mas confessaram que há uns novos, à solta... (Por esta altura, já a professora Rosário os deve ter ajudado, pela certa...)
Retirei de A gata Tareca e outros poemas levados da breca, de Luísa Ducla Soares, o poema para a minha despedida, em todas as turmas: Encontro
"Marquei encontro com o sol esta manhã/(...)/Não vou faltar ao encontro/Até amanhã."
Uma despedida alegre e esperançada de meninos satisfeitos. 
Despedidas de uma mediadora feliz...


Notícia no blogue "Biblioteca & Companhia"

domingo, 6 de novembro de 2011

Viagem à serra: de dentro para fora de nós...

O Teatro O Bando fez anos recentemente, não sei bem quantos... Residem, há uma dúzia de anos, em plena área protegida da Serra do Louro, cercada de olival e ar puro, e com uma bela vista sobre Palmela e o seu castelo, antigos moinhos, montes e vales..., no Vale de Barris.
Foram muitas as peças levadas à cena por esta Companhia. (Veja-se o blogue...) "Inesquecíveis" - dizem aqueles que as presenciaram.
Imaginem agora uma exposição de máquinas de cena pela serra acima, literalmente «Ao relento», dadas ao olhar de quem as quiser recordar ou conhecer (antes que se finem com o devir do tempo, estação após estação, ao sol, vento e chuva, "numa lógica contrária à dos conservadores de museus", como afirma João Brites, o Chefe do Bando...) É arte ao ar livre, acrescentando valia à caminhada de quem se dispõe a subir a serra, em redor. 
A entrada é livre: verdadeiramente livre...
Dentro do modesto edifício, o ambiente é agradável e acolhedor; mais quente ainda é o convívio.
As confrarias retomaram a sua atividade, agora que um novo ano de trabalho se iniciou. 
Neste momento, qualquer um, consoante a sua faixa etária, pode integrar uma das oficinas de formação de expressão dramática. (Re)Começou ontem o projeto. 
A Linha fora de si, para maiores de 18, desfiou-me receios e entusiasmo..., pretensa desinibição com constrangedora inibição..., e ainda assim sobrou-me coragem para abraçar o desafio. Esta minha 1ª experiência pôs a nu as receadas dificuldades, a par do prazer de as tentar superar, numa solidão acompanhada... (Há mais estreantes, no nosso grupo...)
Bem mais fácil é para mim emprestar voz e sentimento a uma qualquer personagem de um texto cuja leitura medeio... Aí sim, sinto-me "em casa".
O livro é o suporte que me falta no momento de recriar, de improviso, uma situação inesperada, atentamente observada... Sem guião..., sem rede.
Apontam-me o objetivo de refrear a minha natural aceleração... 
Conseguirei? 
Quererei?!...



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A voz de Fernando Cardoso...

Li uma entrevista dada por Fernando Cardoso, o conhecido autor de Flores para crianças, Novas flores para crianças, Novíssimas flores para crianças... e muitos títulos mais: são já 32! 
Eu não sabia. Não sabia que, além de ser escritor, é hoje professor universitário de Direito e ainda de Literatura Infantil e Juvenil.
Menos podia imaginar que nasceu em meio socioeconómico desfavorecido, não tinha livros em casa..., que começou a trabalhar aos 12 anos!...
Fiquei a saber que teve sonhos que não pôde concretizar mas que, mesmo assim..., VENCEU!
Enfim, um exemplo.
(A entrevista aqui fica...)

Conta-me um conto...

Música. Promoção da Leitura...
No Youtube... João Lóio e Canto Décimo. 

sábado, 15 de outubro de 2011

De volta ao voluntariado...

Foi ontem o meu regresso à Mediação de Leitura. Desta vez estreei-me na Escola do Alfeite - que pertence ao Agrupamento Conceição e Silva, na Cova da Piedade. (O meu...)

Três turmas de 3º ano. Três sessões. É outubro, Mês das Bibliotecas Escolares; reforça-se o objetivo de promover leitura e saberes: verdadeiramente, "um poder para a vida".
Era dia de apresentações: «Sou uma leitora de histórias, não uma contadora... Vou "dar a ler", vamos ler a meias...»
Levava uma sacada de livros, agrupados em três montinhos, de forma a possibilitar  outros tantos caminhos possíveis, conforme o desenrolar de cada sessão... Autores portugueses e também estrangeiros; livros de poesia, de narrativa em prosa e em versoinformativos; um slogan publicitário... Não faltavam umas folhas amarelecidas..., uma laranja, uma maçã...
Nem tudo fez falta! Mas de facto seguimos percursos distintos, de hora para hora.
O 3ºC não me apanhou de surpresa ao pedir livros de terror! Ouviram com agrado O rapaz que tinha medo, da GATAfunho... A ilustração de morcegos, no início e no fim do livro, fez a ponte para a leitura de A fada Palavrinha e o gigante das bibliotecas, de Luísa Ducla Soares, que foi aliás o único livro lido a meias com todas as turmas. Pelo meio, este proporcionou a referência aos úteis morcegos, em grandes bibliotecas. E à possibilidade de rapidamente se pesquisar esta informação no Google...
Surpresa senti ao ver o entusiasmo geral causado por Desculpa, mas esse livro é meu, da Oficina do Livro... (cujo poder mediático eu ignorava. Falta-me cultura televisiva, reconheço.) Quer o 3ºA quer o 3ºB foram convidados a recontar a  história, mas incapazes de o fazer... Naturalmente, lemos. Divertiram-se com a teimosia e os "erros" linguísticos da pequenita Lola; riram com a ligação do tamanho de letra ao tom de voz crescente da voluntariosa menina: é meu, meu, meu, meu... Ambas as professoras aproveitaram para lhes fazer ver situações similares vividas nas suas turmas!
Ao 3ºB comecei por contar uma história, à medida que iam observando as respetivas ilustrações: Mariazinha, a contadora de histórias, de Maria João Lopo de Carvalho. África e suas díspares realidades socioeconómicas foi tópico de conversa. Em seguida, lemos a meias... Além das histórias, versos de Cantigas e cantigos, de José Fanha.
O 3ºA ouviu um poema: Os mistérios da escrita, de Álvaro Magalhães. Souberam-no interpretar com perspicácia...
Curiosos, não partiram sem perguntar para que serviam a laranja e a maçã... Foi assim que assistiram à demonstração do movimento de rotação da Terra, perceberam as causas do dia e da noite, e compreenderam que "A noite é a nossa dádiva de sol aos que vivem no outro lado da Terra"...
Igual, igual, nas três turmas, foram as manifestações de agrado e de carinho com que se despediram...
E porque o 3ºA teve a sua sessão pelas 9h30m, e eu só me vim embora perto das 15h, tiveram tempo para me preparar uma surpresa e convidar para ir à sua sala receber um maravilhoso livro de ilustrações das histórias lidas, com opiniões de fazer envaidecer qualquer um (e a mim também!)... Obrigada, Meninos; obrigada, Professora Carmen!
Estou grata a todos os colegas que tão bem me receberam... 
À Carla Pimenta, Professora Bibliotecária, tenho ainda de agradecer a receção... e o almoço na cantina - que bem merece um elogio!
Até à próxima!...

O blogue Biblioteca & Companhia deu notícia...

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Contas fechadas...

Já lá vai, há que tempos, o ano 2010/2011...
Setembro despediu-se da praia... Outubro recuperou o verão... Tiquetaque, tiquetaque, o relógio prossegue inflexível. Um outro ano escolar começou; novas sessões de mediação de leitura estão programadas e se avizinham...
Não me esqueci! Sei bem que me faltou apresentar, no fim do ano transato, o balanço final do trabalho realizado; faltou-me principalmente dar o merecido destaque à despedida do 1º projeto Ler a Meias, após dois anos de trabalho consecutivo com aquelas duas turmas que partiriam para o 5º ano.
É tarde, mas mais vale tarde... 
Em três pinceladas, direi apenas...:
1) Foram 62 as sessões por mim desenvolvidas no ano findo (mais 56, ao longo de 2009/2010 e outras 3, em maio de 2009 - o que perfaz 121 sessões de mediação de leitura e escrita, até agora; 54 das quais, com aqueles alunos...)
2) Relativamente às escolas, mais uma daqui menos outra dacolá (pois nem sempre é possível aceitar os convites de última hora para sessões pontuais), uma vez feitas as contas, o número de bibliotecas escolares em que trabalhei foi semelhante ao de 2009/2010, isto é, 9; todas elas no Distrito de Setúbal: Almada, Azeitão e Sesimbra.
3) Aqui fui deixando alguns relatos e traçando balanços periódicos. (Nos blogues - atualizados...- das diversas bibliotecas escolares, foi sendo dada notícia das sessões realizadas.)
Adiei o balanço do Ler a Meias... Um ensaio sobre  essa experiência de continuidade irá em breve (?) ser publicado na próxima revista municipal Anais de Almada. Lançaram-me o desafio e deitei mãos à obra. Pensei, na altura, que poderia publicar aqui o dito artigo, uma vez que estivesse redigido, mas constato que é demasiado extenso, exigiria opções, cortes, sínteses... (Fora de questão!)
Em resumo, este voluntariado produziu efeitos; segundo afirmaram os intervenientes, cumpri o objetivo de fazer crescer, nos meninos, o desejo de ler autonomamente e a capacidade de ler melhor. Contribuí para facilitar a abordagem de muitas temáticas das diversas áreas curriculares. Enfim, a avaliação final de docentes e discentes alegram-me... e encorajam-me a prosseguir.
Todos nós ficámos ricos de histórias, sonhos e saudades...







Fotos do blogue 
A Magia dos Livros
http://bibliotecamagialivros.blogspot.com  

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Eu queria ser como a Guidinha...

Deixei passar muito tempo sem nada escrever e muita coisa aconteceu... Agora tenho tanto que contar que na verdade nem sei por que ponta lhe hei-de pegar...
Realmente eu queria ser como a Guidinha que escrevia de um fôlego, misturava tudo com ingenuidade e sarcasmo, defendia os seus pontos de vista e fazia críticas a torto e a direito, com ironia e graça, como se não fosse nada com ela...  Lembro-me que a lia mal apanhava o jornal (que tenho ideia que era o Diário de Notícias, mas talvez nem fosse...)... Só sei que era a minha leitura preferida, em tempos de ditadura e lápis azul, quando aprendíamos a ler nas entrelinhas...
Queria saber imitar a Guidinha, tirando aquela coisa da falta de pontuação... Assuntos para abordar e relacionar não me faltariam: eu podia falar dos novos livros que li... ou do novo disco do Sérgio Godinho..., com mútuo consentimento, claro!..., da mão cheia de netos que vão crescendo e me preenchem de orgulho e de afetos..., das férias em setembro (pugnando por um novo direito merecido) ou então de novos sonhos e projetos que se vão expandindo neste mês de outubro..., mas neste caso estou a ouvir o  Alexandre O' Neill a avisar-me (ou a zombar): "Não fales da vidinha!"... e alto!... 
Mas isto não me faz desistir: afinal eu até sou daquelas que se interessam por tudo e também por nada e consigo falar alto e sem parar... Ainda assim, que pena!, estou muito aquém de ser uma pessoa "insaciável e louca", como exortava o genial Steve Jobs, a quem presto homenagem. 
Podia falar da política internacional e da nacional..., da solidariedade da Europa e da falta dela..., ou de gentes que lutam pelos direitos humanos, já agora aproveitando para dar os parabéns às três premiadas com o  Nobel da Paz: as liberianas Ellen Johnson Sirleaf e Leymah Gbowee e a iemenita Tawakkul Karman, hoje mesmo distinguidas pela sua luta pacífica em nome dos direitos das mulheres, como li no Público online
Podia aludir à economia nacional que nos empobrece dia a dia..., mais às agências de rating que nos atiram para o lixo, mas, a sério, não me sinto particularmente informada e vendo bem é melhor estar atenta aos anúncios de cortes nas despesas do Estado e nas receitas dos cidadãos, fora todos os aumentos que havemos de pagar, as privatizações ao desbarato e os benefícios que já suspeitamos que se vão evaporar... 
Queria falar, e com justiça, de tantos anónimos heróis da vida que lutam levando-a de vencida... E lembrar que, como parafraseava George Orwell, «todos os homens são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros»... 
Bem se vê: se eu fosse a Guidinha, teria pano para mangas para uma redação excelente... Falta-me a sua visão e ingénua lucidez...; falta-me fluidez; falta-me sobretudo a graça mordaz e o génio de Sttau Monteiro.
Eu tanto queria ser como a Guidinha!... 

Outubro, inspiração musical...

«Sometimes one dream is enough to light up the whole sky.» (Por vezes, um só sonho é suficiente para iluminar todo o céu.)
Mark Isham, Céu de outubro (banda sonora)


Vale de Barris - Serra do Louro, 1/10/2011 (foto)

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Citação...


Quero é recuperar, saber, reinventar a criança que eu fui. Pode parecer uma coisa um pouco tonta: um senhor nesta idade estar a pensar na criança que foi. Mas eu acho que o pai da pessoa que eu sou é essa criança que eu fui. Há o pai biológico, e a mãe biológica, mas eu diria que o pai espiritual do homem que sou é a criança que fui.
Público, Lisboa, 14 de Outubro de 1998
In José Saramago nas Suas Palavras

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Em Setembro...

Em Setembro, a despedida do Verão traz nostalgia... e desejo de fruir da cor dourada de cada dia...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Nova lista de livros do Plano Nacional de Leitura

Plano Nacional de Leitura já escolheu livros recomendados para ano lectivo 2011/2012 - Educação - PUBLICO.PT

A notícia do Público saiu, há dias, com este título que, creio, não estará bem formulado. Na minha opinião, não se trata de "os livros para 2011/2012", mas sim da reformulação da lista de livros do Plano Nacional de Leitura, à qual terão sido agora acrescentados novos títulos. 
Novas propostas se lhe seguirão, espaçadamente, enquanto perdurar o PNLComo se pode imaginar, a seleção será sempre um trabalho inacabado, forçosamente posterior à edição de novas obras, também pronta a homenagear clássicos da Literatura Portuguesa e Universal, recetiva a livros e autores recém-premiados, a novos valores...
Ora os livros são desta ou daquela editora:  há interesses em jogo!
Penso que a lista nacional está provavelmente a cargo de professores e especialistas, certamente impermeáveis a tais interesses..., mas cujas decisões não serão indiscutíveis.
Há espaço para a celeuma. Mais ainda porque esta lista condiciona, realmente, o mercado. Tanto pode relegar obras (talvez injustamente) para o esquecimento como pode conduzir à reedição de outras há muito (lamentavelmente) esgotadas. 
Verso e reverso...
Na minha atividade de mediação de leitura, em bibliotecas escolares, tenho em conta as listas de livros recomendados pelo PNL, obviamente. Mas não só. Posso igualmente ignorá-las. Intencionalmente.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Abra-se o pano!

4 de Julho: é o Festival de Almada que recomeça, pela 28ª vez consecutiva.
Na esplanada da "António", decorrido mais um ano, os amigos reencontraram-se, reviram-se animadamente e não raras vezes ignoraram, distraídos, o silêncio devido a quem ali tocava e cantava... 
Junto ao palco ao ar livre, a fila foi encaracolando... Mal se abriram portas, aquele cordão de gente desenrolou-se serenamente direito às bancadas, ávido de teatro... 
Primeiro dia: tempo de saudar o público e fazer homenagens a quem nos proporciona, ano a ano, toda esta festa.
Joaquim Benite, que perfaz este ano 40 anos de carreira, 33 dos quais em Almada, dirigindo o Teatro Municipal, subiu ao palco, sendo longamente ovacionado. Por sua vez, chamou até junto de si toda a sua Equipa e também os inúmeros jovens estagiários e colaboradores, muitos atores... Os aplausos soaram de um e de outro lado, num reconhecimento mútuo geral, e aqueceram a noite estrelada.
A Commedia dell' Arte, que será elevada à categoria de património da Humanidade, em 2011, de novo merecerá destaque nesta edição do Festival. 
"Abriu-se o pano" para assistirmos à Fabula Buffa, de Dario Fo. Uma abertura promissora num Festival que pretende divertir e fazer refletir...
Parabéns (e melhoras), Joaquim Benite! Obrigada!


domingo, 26 de junho de 2011

Homenagens e despedidas, na "António". . .

Na EB 2.3 António da Costa, a biblioteca escolar realizou, neste final de ano, uma cerimónia de distribuição de prémios, homenageando deste modo, em cerimónia pública, os vencedores de inúmeros concursos realizados ao longo do ano: jogos, escrita de poesia e prosa..., «o melhor leitor da biblioteca»...
Tive a honra de ser convidada para este evento. Coube-me entregar prémios; tarefa simples, pois tudo decorreu sob a orientação da Professora Dina Dourado e fora organizado com extremo rigor. 
Uma honra acrescida por ter a meu lado a professora Helena Peixinho, que durante anos e anos tanto se dedicou à formação de jovens em Expressão Dramática; ligada, ab initio, a "O Mundo do Espectáculo" e ao apoio a projetos artísticos nas nossas escolas; uma colega de longa data; alguém que muito admiro!
Foi uma cerimónia digna que ilustra bem o muito que a biblioteca fez, ao longo do ano, pela promoção da leitura e escrita.
Agora, férias! Com muitas leituras, certamente...

Atividades from ebac on Vimeo.
(Vídeo do Professor Eduardo Ramos, divulgado no blogue da biblioteca escolar: http://ebac.blogs.sapo.pt/ )

sábado, 25 de junho de 2011

Luares. . . de Cruzeiro Seixas


Desenhos e pinturas de Nadir Afonso, Cruzeiro Seixas, Júlio Resende e Fernando Lanhas deram o motivo; mãos hábeis da Manufactura da Tapeçaria de Portalegre teceram fios de lã, recriando-os com arte, técnica e perfeição. Nas Belas Artes, em Lisboa, na sua Galeria de Arte Moderna, está agora patente uma exposição de tapeçaria que constitui uma lindíssima e significativa homenagem a estes pintores. 
E também uma homenagem aos anónimos artesãos, acrescento eu.
Estéticas diferenciadas: expressão geométrica; figuração e abstração; surrealismo...
O meu olhar ficou refém das luas-sóis de Cruzeiro Seixas... Luares de Lua Cheia Quarto Crescente.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Lua envergonhada?! . . .

Foi isto que sucedeu: 

Pudemos presenciar o fenómeno a noite passada, entre as 21h e as 23h. 
Vimos então a nossa lua esconder-se na sombra, disfarçar-se na penumbra, perder a timidez e recuperar o luar de Lua Cheia...

Foto: Ciência Viva
(Esquema retirado da Net.)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Por agora, boas férias!...

Por este ano, já está: o Verão a chegar, as aulas a acabar... E o mar ali tão perto!!! A Comunidade de Leitores de Sesimbra despediu-se.
Mas calma, vamos por partes!

1 - O grupinho de leitores, a certa altura, estabilizou e manteve-se. Eram seis… (Ou seriam cinco? É que o Bruno faltou às duas últimas sessões!…)


2 – O Miguel esqueceu-se de trazer a (nossa) Aventura fantástica de Elias Bonfim, depois de ter inserido no texto as alterações propostas no penúltimo encontro. (Vai-no-lo enviar depois, por e-mail. Não te esqueças!)


3 - Discutiu-se o último livro do dia: O Anibaleitor, de Rui Zink. 
Registaram-se os acidentes de percurso do costume: nem todos leram... uns ficaram "a meio" ou "a menos"… Em consequência, a análise foi breve e menos participada do que o desejado.
Para o Tiago (que leu tudo, gostou e logo deu essa novidade pelo Facebook), a parte mais interessante foi a amizade do narrador com o pirata Keequog - que tinha o corpo todinho tatuado de poemas e romances! O momento mais divertido foi quando percebeu que quem batizou o Animal Leitor (de Anibaleitor) foi um náufrago go'sdibado (isso mesmo, constipado)…
Salientou-se que o rapaz foi forçado a ler e a discutir livros para salvar a pele… tal como Sherazade, de As mil e uma noites… E interessou-se pela leitura, naquela ilha… tal como nós gostamos de falar de livros e leituras, na biblioteca!


4 - Fez-se, por fim, o balanço deste projeto.
Os Jovens consideraram que as sessões foram agradáveis, interessantes e divertidas. Sentiram dificuldade em requisitar as obras; leram outras pelo meio; têm muitas atividades extracurriculares e faltou-lhes tempo para ler tudo no prazo… Era impossível fazer-se mais! Contudo, falámos de obras lidas, lemos excertos de livros de vários autores; escrevemos uma narrativa; debatemos três obras; conhecemos livros novos... Gostaram de ler, discutir, imaginar, recriar… Valeu a pena!


5 -  Querem continuar. Fizeram uma proposta: escolherem eles os livros… 
Foi contraposta uma condição: apresentarem sugestões de títulos na página do Facebook ou por email. Assim, poderemos todos lê-los, avaliar o seu interesse, opinar. O resto, logo se vê… Concordaram.


Só depois de tudo isto, então sim, nos despedimos. Com esse compromisso... Sobretudo com amizade, na expectativa de continuarmos juntos, embora aceitando as incógnitas inconstantes do futuro.


6 – E eu?... Satisfeita?
Fizemos menos do que o esperado.
Houve atrasos e faltas…, mudança de horário, sessões forçosamente adiadas, logo, realizaram-se menos encontros e leram-se menos obras... Os contratempos foram sempre superados com úteis soluções de recurso… Lançámos mão dos meios digitais, nos tempos de ausência… (Pouco participados, é certo...)
Antes de ser mediadora, sou professora. Foi uma 1ª vez para eles, para a escola e, desta forma, também para mim. Naturalmente, avalio o percurso, valorizo os pontos fortes, pondero o progresso. Devagarinho, a evolução aconteceu.
Ficámos aquém do desejado, é verdade. Mas o que foi feito, foi válido. Eles cresceram… 
Pessoalmente, gostei daqueles Jovens, dos afetos de todos, e desta minha experiência... Aprendemos todos... Cresceram eles, cresci eu!

Citação...


«A palavra que digas, a carta que escrevas, que sejam obra de arte.»



Carlos de Oliveira

sábado, 4 de junho de 2011

A propósito de crianças...



Encontrando-me na sala, bem cedinho, um dia o Kiko perguntou-me: "Estavas à espera de mim?" 
Estava, realmente! Havia que aproveitar todos os minutos disponíveis da minha curta visita; era a hora do seu pequeno almoço, da ida para a escola; era o momento diário do beijo de despedida
(Daqui de longe, eu continuo naquela sala, à sua espera, e a dar-lhe um beijo, a cada manhã...)
À hora de almoço, era tempo de regresso. A seguir, o ansiado momento das histórias, tendo ficado em 1º lugar, no Top das preferências, o Tio Lobo (da Kalandraka). Por fim, já era ele quem me contava a história a mim, com idênticos requebros na voz... 
(Menos bem sucedida fui eu... que não sei se conseguirei fazer uma pintura no Paint, tão bem quanto ele, apesar das suas demonstrações!...)
E não dispensávamos, diariamente, uma ida ao Parque... Tantas crianças, de todas as idades, cores e credos, com suas amas ou familiares, cada qual com seu brinquedo, dispostas a partilhá-lo momentaneamente... Excelente escola de socialização! Convívio e aprendizagem, em ambiente de alegria e descontração! 
As crianças têm, não raras vezes, saídas inesquecíveis... Ele também, claro! Certo dia, vendo-me sem saber muito bem o que fazer à irmã ensonada, bem a propósito, o Kiko opinou: "Avó, põe ela na cama e pronto!" - acrescentando, resoluto - "Tomar conta de crianças... é fácil!".
E houve ainda aquela outra vez em que, depois de eu lhe ter dado uma ínfima moeda para o seu mealheiro, ele decidiu, sensato: "Vou guardar, para fazer uma viagem!"
Indicou o destino. Voou longe o seu sonho...
Inevitavelmente, os dias foram-se escoando, um a um... A despedida anunciada foi-se aproximando, inexoravelmente... E aconteceu!
Fácil e difícil!...
 ...Até à próxima!
Fui matar saudades e trouxe-as renovadas.
Vivam as férias!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Vós, as Crianças...


«A criança,
Toda a criança,
Seja de que raça for,
Seja negra, branca, vermelha, amarela, 
Seja rapariga ou rapaz.
Fale que língua falar,
Acredite no que acreditar,
Pense o que pensar,
Tenha nascido seja onde for,
Ela tem direito...
(...)
Depois da hora radial do parto, 
A criança deverá receber
Amor,
Alimentação,
Casa,
Cuidados médicos,
O amor sereno de mãe e pai.
(...)»
Matilde Rosa Araújo, Os direitos da criança