Cresci junto ao mar, vivo perto do mar, o meu nome mergulha no mar (Maria... e-por-aí-fora...) O mar evoca em mim sensações, recordações... Fascina-me.
Ora o mar representa muito mais, sabemo-lo: é memória de epopeia histórica, lazer, vida, sustento, energia... por isso mesmo lhe foi dedicado um dia: 16 de Novembro.
É hoje o Dia Nacional do Mar.
Comemoro-o com este e outros instantes fotográficos... que podem ser vistos aqui e ali...
E comemoro-o com poesia:
Atlântico
Mar,
Metade da minha alma é feita de maresia.
Sophia, Poesia, Caminho, 2007, 6ª edição, p.12
Ler, citar, contar, escrever... Partilhar experiências de mediação de leitura e de vida...
terça-feira, 16 de novembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Um livro debaixo de olho...
Trata-se de um novo projecto. Pensado para "gente crescida" do 3º Ciclo.
Primeiro, sonhado...
Depois, longamente planeado...
Em seguida, bem acolhido pelos professores responsáveis, tanto na EB 2.3 António da Costa (Almada) como na EB 2.3 Navegador Rodrigues Soromenho (Sesimbra).
Alcançou agora a fase crucial: a divulgação aos seus destinatários.
Uma tertúlia mensal à roda de um dos livros que desperte a atenção e fique debaixo de olho...
Haverá jovens interessados? A motivação será tal que ousem inscrever-se?...
Um grupo de seis: tanto basta para que valha a pena começar. Seis a doze, não mais.
Por enquanto, paira apenas a minha expectativa. E o desejo de fazer parte desta Comunidade de Leitores.
Pelos jovens. Para os jovens.
Claro que estou pronta para o que der e vier... Talvez sim, talvez não... Tudo é possível!
Enfim, um novo desafio em ebulição.
Primeiro, sonhado...
Depois, longamente planeado...
Em seguida, bem acolhido pelos professores responsáveis, tanto na EB 2.3 António da Costa (Almada) como na EB 2.3 Navegador Rodrigues Soromenho (Sesimbra).
Alcançou agora a fase crucial: a divulgação aos seus destinatários.
Uma tertúlia mensal à roda de um dos livros que desperte a atenção e fique debaixo de olho...
Haverá jovens interessados? A motivação será tal que ousem inscrever-se?...
Um grupo de seis: tanto basta para que valha a pena começar. Seis a doze, não mais.
Por enquanto, paira apenas a minha expectativa. E o desejo de fazer parte desta Comunidade de Leitores.
Pelos jovens. Para os jovens.
Claro que estou pronta para o que der e vier... Talvez sim, talvez não... Tudo é possível!
Enfim, um novo desafio em ebulição.
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Um livro debaixo de olho...
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Prémio Hans Christian Andersen
No passado dia 19, teve lugar a 1ª edição do prémio Hans Christian Andersen, em Odense, cidade natal do conhecido escritor dinamarquês.
A vencedora do prémio de Literatura foi J.K. Rowling, a bem sucedida autora britânica dos livros de Harry Potter. Um prémio honroso e de valor pecuniário avultado.
Li os sete volumes da saga deste aprendiz de feiticeiro, à medida que foram sendo publicados. Lia-os pela noite dentro, com um entusiasmo à prova de sono e de cansaço...
Galgando sofregamente milhares de páginas, vivi aventuras e desventuras, amizades e inimizades, derrotas e vitórias que me tornaram firme aliada de Harry Potter.
Foram os meus alunos de então que se encarregaram da mediação da leitura. Deixei-me contagiar. (E o vírus propagou-se...)
A eles agradeço ter enriquecido com Harry Potter a minha galeria de heróis. Entender o papel de J. K. Rowling na promoção da leitura entre os jovens. E a atribuição do prémio.
Admitindo, contudo, que os Contos Imortais de Andersen sobreviverão aos demais...
Li os sete volumes da saga deste aprendiz de feiticeiro, à medida que foram sendo publicados. Lia-os pela noite dentro, com um entusiasmo à prova de sono e de cansaço...
Galgando sofregamente milhares de páginas, vivi aventuras e desventuras, amizades e inimizades, derrotas e vitórias que me tornaram firme aliada de Harry Potter.
Foram os meus alunos de então que se encarregaram da mediação da leitura. Deixei-me contagiar. (E o vírus propagou-se...)
A eles agradeço ter enriquecido com Harry Potter a minha galeria de heróis. Entender o papel de J. K. Rowling na promoção da leitura entre os jovens. E a atribuição do prémio.
Admitindo, contudo, que os Contos Imortais de Andersen sobreviverão aos demais...
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Recomeçar...
Como é bom fruir do sol meigo de Setembro, junto ao mar, sem multidões nem filas!... Como é bom viver alheio à escravatura dos ponteiros do relógio, deixando fluir o tempo ao ritmo da vida...
Íamos começar daí a instantes. Foram os meninos que abriram a sessão correndo a entregar-me, espontânea e simpaticamente, as suas mensagens: desenhos, uma carta, um postal, um marcador de livros...
Como é bom ter tempo para tudo: repouso, tarefas rotineiras, pequenos prazeres de férias e... para a preparação daquele novo projecto em gestação...
E como é extraordinário, por fim, recomeçar!...
De novo, o Ler a meias...
A excitação dos meninos (agora no 4º ano) foi visível na pequena multidão apinhada junto ao portão da escola, àquela hora, e nas entusiásticas exclamações de alegria ao avistarem-me...
O portão abriu-se de par em par, ainda eu estava do lado oposto da rua, como se tivesse gritado de longe:
-Abre-te Sésamo!...
Mal o transpus, as crianças desabaram sobre mim entre abraços e beijos. Foi difícil alcançar a biblioteca. Quanta saudade!...
«Bem-vinda!»
Também eu lhes levava uma surpresa: pela 1ª vez, o computador entrou pela biblioteca dentro...
Uma conversa breve, a abrir...
E em seguida, através das imagens de "Eu espero" e do poema de Patrícia Joyce, "Era uma vez um menino", seguimos o fio da vida, com tudo o que a compõe, alegrias e tristezas... e reflectimos sobre a felicidade - que em parte está nas nossas mãos.
Assim ficaram apresentadas as temáticas para este ano lectivo.
...Um início cheio de emoção.
Como é bom recomeçar!...
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Promoção da leitura
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Evocando John Lennon
Evocar John Lennon é recuar aos anos 60, é lembrar os Beatles... No meu imaginário, um momento tão marcante quanto a ida do Homem à Lua ou a Revolução dos Cravos, no nosso país...
John Lennon foi um dos mais criativos músicos britânicos do pop rock. Nasceu a 9 de Outubro de 1940 e foi assassinado a 8 de Dezembro de 1980, em Nova Iorque. Celebrizou-se nos Beatles e fez depois carreira a solo. Foi um activista pelos direitos humanos e pela paz.
As letras das suas canções continuam pertinentes e actuais. Acabam de ser reeditados os seus êxitos no álbum
Gimme some truth (Dêem-me alguma verdade - em tradução literal).
Mother
Mother, you had me, but I never had you
I wanted you, you didn't want me
So I, I just go to tell you
Goodbye, goodbye
Father, you left me, but I never left you
I needed you, you didn't need me
So I, I just go to tell you
Goodbye, goodbye
Children, don't do what I have done
I couldn't walk and I tried to run
So I, I just go to tell you
Goodbye, goodbye
Mamma, don't go
Daddy, come home
(repeat 9 more times)
«A criança,
Toda a criança,
Seja de que raça for,
Seja negra, branca, vermelha, amarela,
Seja rapariga ou rapaz.
Fale que língua falar,
Acredite no que acreditar,
Pense o que pensar,
Tenha nascido seja onde for,
Ela tem direito...
(...)
Depois da hora radial do parto,
A criança deverá receber
Amor,
Alimentação,
Casa,
Cuidados médicos,
O amor sereno de mãe e pai.
(...)»
Matilde Rosa Araújo, Os direitos da criança
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domingo, 3 de outubro de 2010
A República em Almada, um dia antes...
A 4 de Outubro, em Almada, foi proclamada a República. Faz 100 anos.
(Aliás, Almada foi, em várias datas assinaladas pela História de Portugal, "a terra do dia anterior". Por exemplo, também no dia 23 de Julho, na Cova da Piedade, a vitória das tropas liberais sobre as absolutistas ocorreu na véspera da vitória final alcançada em Lisboa, a 24 de Julho de 1833...)
Em jeito de homenagem à República, divulgo este apontamento histórico, objectivo e sintético - um powerpoint sacado da NET:
(Aliás, Almada foi, em várias datas assinaladas pela História de Portugal, "a terra do dia anterior". Por exemplo, também no dia 23 de Julho, na Cova da Piedade, a vitória das tropas liberais sobre as absolutistas ocorreu na véspera da vitória final alcançada em Lisboa, a 24 de Julho de 1833...)
Em jeito de homenagem à República, divulgo este apontamento histórico, objectivo e sintético - um powerpoint sacado da NET:
domingo, 26 de setembro de 2010
A propósito de leituras... e de um novo projecto...
Vivi permanentemente rodeada de livros e sempre li, li... Mas confesso que, anos a fio, li sobretudo muitas prosas bárbaras de crianças e jovens. Li principalmente muitas histórias com vista a escolher as que queria dar a ler aos meus alunos e muitas outras com o objectivo de seleccionar alguma para elaborar um determinado teste ou uma ficha de trabalho… Em suma, privilegiei a literatura para a infância e juventude. E fiz também leituras para minha informação e estudo. Ou leituras de clássicos e modernos, a meu bel-prazer. Apesar disso, estou muito longe de ter lido tudo o que gostaria de ler.
Um projecto que me mantém ultimamente retirada do mundo…, junto ao mar.
Uma experiência para começar em breve, neste novo ano que há pouco se iniciou…
(Depois conto!)
Os meninos vão para a escola...
“Os meninos vão para a escola”- assim lhes chamam.
Claro, este não é o seu nome erudito, em latim, nem sei mesmo se a designação será usada em todo o país… Segundo consta, elas florescem por esta altura quando, findo o Verão, os meninos retornam à escola. E o povo, atento à natureza, é hábil a nomear tudo aquilo que nos rodeia, não se preocupando muito com pormenores tais como recorrer a uma frase para denominar flores, em vez de usar um único nome-substantivo, como é habitual…
Esta associação, a meu ver, é clara: o reino cor-de-rosa de meninas e meninos não se faz só de tempo de lazer; engloba o tempo da sua educação: trabalhar, aprender; cumprir regras e horários ao ir/voltar para a escola. Aquela flor rosada, singela, que por coincidência floresce por esta altura e em seguida adormece para reflorir um ano mais tarde, ganhou o nome da grande marcha dos meninos nesta estação. Ganhou esse simbolismo.
Inicia-se mais um ano. Lectivo. Meses em que serão vividas inseguranças e confortáveis rotinas, entusiasmos e cansaços, descobertas e emoções, tristezas e alegrias, facilidades e dificuldades, aprendizagens dos currículos (sem esquecer o currículo oculto)…
Chegou o tempo de aprender a conviver. Aprender a aprender. Descobrir. Saber.
Enfim, tempo de crescer.
Que os meninos que vão para a escola possam crescer, aprendendo a vencer desafios; aprendendo a ser felizes!
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Citação
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Voltam a andar as Palavras Andarilhas
Aí estão elas de novo, as Palavras Andarilhas, na Cidade dos Contos (em Beja), a 16, 17 e 18 de Setembro...
Já há programa (ainda que provisório).
As inscrições poderão ser feitas até 13 de Setembro.
Um excelente ponto de encontro!
Para saber mais, anda até aqui.
Já há programa (ainda que provisório).
As inscrições poderão ser feitas até 13 de Setembro.
Um excelente ponto de encontro!
Para saber mais, anda até aqui.
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Palavras Andarilhas
Aqui vou eu de novo até ao mar...
Here I go out to sea again
The sunshine fills my hair
And dreams hang in the air
Gulls in the sky and in my blue eyes
You know it feels unfair
There's magic everywhere
Look at me standing
Here on my own again
Up straight in the sunshine
No need to run and hide
It's a wonderful, wonderful life
No need to laugh or cry
It's a wonderful, wonderful life
The sun is in your eyes
The heat is in your hair
They seem to hate you
Because you're there
And I need a friend,
The sunshine fills my hair
And dreams hang in the air
Gulls in the sky and in my blue eyes
You know it feels unfair
There's magic everywhere
Look at me standing
Here on my own again
Up straight in the sunshine
No need to run and hide
It's a wonderful, wonderful life
No need to laugh or cry
It's a wonderful, wonderful life
The sun is in your eyes
The heat is in your hair
They seem to hate you
Because you're there
And I need a friend,
oh I need a friend
To make me happy
Not stand here on my own
Look at me standing here on my own again
Up straight in the sunshine
To make me happy
Not stand here on my own
Look at me standing here on my own again
Up straight in the sunshine
No need to run and hide
It's a wonderful, wonderful life
No need to laugh or cry
It's a wonderful, wonderful life
I need a friend, oh I need a friend
To make me happy, not so aloooooone
Look at me standing, here on my own again
Up straight in the sunshine
No need to run and hide
It's a wonderful, wonderful life
No need to laugh or cry
It's a wonderful, wonderful life.
It's a wonderful, wonderful life
No need to laugh or cry
It's a wonderful, wonderful life
I need a friend, oh I need a friend
To make me happy, not so aloooooone
Look at me standing, here on my own again
Up straight in the sunshine
No need to run and hide
It's a wonderful, wonderful life
No need to laugh or cry
It's a wonderful, wonderful life.
Wonderful life
Wondeful life...
Para mãos habilidosas...
Técnica origami: uma folha de papel, dobras bem vincadas e medidas rigorosas... e a obra vai crescendo...
A prática leva à perfeição.
Uma exigência: paciência.
Assim nasce um mini-livro origami, passo a passo.
A prática leva à perfeição.
Uma exigência: paciência.
Assim nasce um mini-livro origami, passo a passo.
domingo, 25 de julho de 2010
Brasil: vários olhares, uma voz...
Julho trouxe festa...
Impossível é estar aqui e ali, ao mesmo tempo..., e muito difícil é optar!
Findo o Festival de Teatro, em Almada decorreu a V Mostra de Cinema Brasileiro. Meia dúzia de filmes de géneros diversos: dramas e comédias; ficção baseada em factos reais e documentários - depoimentos de gente que sobrevive e resiste. A custo.
Uma realidade crua: habitar um imenso prédio superlotado e claustrofóbico, a um quarteirão da praia de Copacabana; nascer pobre e crescer num internato público desumanizado... e alcançar êxito...; vivenciar o crime e a violência na rua...
Filmes tais como Edifício Master, 2002; O contador de histórias, 2009; Contra todos, 2004...
No vídeo de Diana Krall, a cantora evoca o "rapaz de Ipanema". A excelente fotografia revela-nos um Rio de Janeiro cheio de belezas naturais e de prazeres, particularmente vividos na praia de Ipanema, bem como o património construído de uma grande metrópole. Na outra margem, Niterói exibe orgulhosamente o seu Museu de Arte Contemporânea, obra do arquitecto Oscar Niemeyer, hoje com 102 anos.
Um Brasil desenvolvido; um apetecido postal turístico...
Um quotidiano a que queremos ter direito.
Diana Krall passou hoje por Cascais... Podemos ainda imaginar a sua voz quente e sensual ecoando na Cidadela...
Impossível é estar aqui e ali, ao mesmo tempo..., e muito difícil é optar!
Findo o Festival de Teatro, em Almada decorreu a V Mostra de Cinema Brasileiro. Meia dúzia de filmes de géneros diversos: dramas e comédias; ficção baseada em factos reais e documentários - depoimentos de gente que sobrevive e resiste. A custo.
Uma realidade crua: habitar um imenso prédio superlotado e claustrofóbico, a um quarteirão da praia de Copacabana; nascer pobre e crescer num internato público desumanizado... e alcançar êxito...; vivenciar o crime e a violência na rua...
Filmes tais como Edifício Master, 2002; O contador de histórias, 2009; Contra todos, 2004...
No vídeo de Diana Krall, a cantora evoca o "rapaz de Ipanema". A excelente fotografia revela-nos um Rio de Janeiro cheio de belezas naturais e de prazeres, particularmente vividos na praia de Ipanema, bem como o património construído de uma grande metrópole. Na outra margem, Niterói exibe orgulhosamente o seu Museu de Arte Contemporânea, obra do arquitecto Oscar Niemeyer, hoje com 102 anos.
Um Brasil desenvolvido; um apetecido postal turístico...
Um quotidiano a que queremos ter direito.
Diana Krall passou hoje por Cascais... Podemos ainda imaginar a sua voz quente e sensual ecoando na Cidadela...
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sábado, 24 de julho de 2010
Entrevista a Alberto Manguel
Alberto Manguel é ensaísta, escritor, tradutor… e, sobretudo, leitor. Quando era adolescente, foi anagnosta: leu em voz alta para Jorge Luis Borges, que cegara. E fê-lo durante 17 anos, experiência esta que relatou na sua biografia Con Borges (2004).Nasceu em 1948, em Buenos Aires. Tem dupla nacionalidade: argentino e canadiano, por opção. Vive actualmente em França, onde tem uma vasta biblioteca pessoal de cerca de 30.000 títulos, num antigo mosteiro.
Recentemente, de passagem por Lisboa, deu uma entrevista ao Público, de que destaco algumas passagens, relacionadas com os leitores e o acto de ler, os livros e os ebooks… Estas que se seguem:
A sua obra está praticamente toda ela dedicada ao lado maravilhoso da leitura, do acto de ler. A sua paixão pela leitura vem de onde? Nasce-se leitor ou uma pessoa torna-se leitora?
Penso que somos animais leitores. Vimos ao mundo com uma certa consciência de nós próprios e do que nos rodeia e temos a impressão de que tudo nos conta histórias: a paisagem, o rosto dos outros, o céu; em tudo encontramos linguagem. Tentamos desentranhá-la, tentamos lê-la. Nesse sentido, não podemos existir enquanto seres humanos sem a leitura. Inventámos a linguagem escrita, a linguagem oral, para tentarmos comunicar essa experiência do mundo, para nos contarmos histórias e através delas, falar dessa experiência.
No meu caso, o conhecimento do mundo passou sempre pelos livros. Tive uma infância um pouco particular: o facto de o meu pai pertencer ao corpo diplomático fez com que viajássemos muito e que eu não tivesse nenhum sítio onde me sentisse em casa. A minha casa estava nos livros. Regressar à noite aos livros que conhecia, abri-los e constatar com imenso alívio que o mesmo conto continuava na mesma página, com a mesma ilustração, dava-me uma certa segurança e um certo sentido do lar.
No meu caso, o conhecimento do mundo passou sempre pelos livros. Tive uma infância um pouco particular: o facto de o meu pai pertencer ao corpo diplomático fez com que viajássemos muito e que eu não tivesse nenhum sítio onde me sentisse em casa. A minha casa estava nos livros. Regressar à noite aos livros que conhecia, abri-los e constatar com imenso alívio que o mesmo conto continuava na mesma página, com a mesma ilustração, dava-me uma certa segurança e um certo sentido do lar.
Mas nem toda a gente é leitora...
Nem toda a gente é leitora, mas acho que, no fundo, é porque as circunstâncias fazem que não sejamos todos leitores. A possibilidade está em todos nós. O que quero dizer é que suponho que há pessoas que nunca se apaixonam, suponho que há pessoas que nunca viajam, suponho que há pessoas que não têm uma certa experiência do mundo. E da mesma maneira, existem muitas pessoas que não são leitoras. Mas a possibilidade está dentro de nós.
A proporção de leitores numa dada sociedade nunca foi muito grande – seja na Idade Média, seja no Renascimento ou no século XX. Os leitores nunca foram a maioria. Se, por exemplo, todos os espectadores de um único jogo de futebol comprassem um livro, uma tarde, esse livro passaria a ser o best-seller mais espectacular da História da literatura.
A proporção de leitores numa dada sociedade nunca foi muito grande – seja na Idade Média, seja no Renascimento ou no século XX. Os leitores nunca foram a maioria. Se, por exemplo, todos os espectadores de um único jogo de futebol comprassem um livro, uma tarde, esse livro passaria a ser o best-seller mais espectacular da História da literatura.
(…)
Estamos a ler de forma diferente?
Penso que o que está a acontecer, como acontece em tempos de crise, não é o facto de termos passado a ler de forma diferente, mas de estarmos a tornar-nos mais conscientes do que significa ler, ser leitor, do que é a literatura. Estamos a interrogar-nos sobre essa actividade simplesmente porque ela está ameaçada. Antes de o urso polar entrar na lista das espécies em perigo, ninguém falava dos ursos polares – não era um tema de conversa corrente [ri-se]. Surgiu porque os ursos polares estão em perigo. É porque os leitores sentem um perigo que começaram a reflectir sobre o que significa o acto de ler.
(…) O que perdemos quando passamos do livro em papel para o ebook?
(…) Se eu tivesse de passar seis meses no Pólo Norte, dava-me muito jeito levar um livro electrónico – se houvesse baterias que durassem seis meses. O problema não está na invenção de novos suportes para a leitura. Surge quando esses suportes são promovidos por razões puramente económicas e nos tentam convencer a substituirmos tudo por esse único suporte.
A indústria faz constantemente isso e é o que está a acontecer com os livros. Existe actualmente nos Estados Unidos um movimento para acabar com os livros em papel nas bibliotecas das universidades. São tontices: o problema não tem a ver com a electrónica nem com o livro impresso, tem a ver com um comerciante ganancioso que quer vender computadores.
A indústria faz constantemente isso e é o que está a acontecer com os livros. Existe actualmente nos Estados Unidos um movimento para acabar com os livros em papel nas bibliotecas das universidades. São tontices: o problema não tem a ver com a electrónica nem com o livro impresso, tem a ver com um comerciante ganancioso que quer vender computadores.
(…)
Não sente frustração quando pensa que há jóias literárias que lhe passam ao lado?
Não. Quando era adolescente, angustiava-me pensar que nunca iria poder ter nem ler todos os livros que queria. Mas essa angústia passa-nos e transforma-se numa espécie de alívio [ri-se]. É óbvio que não vou ler tudo o que é publicado, é óbvio que nem vou ter conhecimento de tudo aquilo que é publicado. Aliás, prefiro concentrar-me em certos livros.
O tipo de leitura que pratico agora, nesta idade – embora continue a ler algumas coisas novas – é a releitura. Por exemplo, há já mais de dois anos que leio um canto de Dante todas as manhãs, antes de tomar o pequeno-almoço [ri-se] – com um comentário diferente, tomando notas. Já completei esse percurso umas dez vezes. É um tipo de leitura que faço por prazer – e que me parece infinito. Nunca vou conseguir saber o suficiente acerca da "Divina Comédia", mas felizmente, já não tenho aquela angústia. É como pensar em sítios que nunca visitarei, pessoas que nunca conhecerei. Que alívio! [ri-se]
O tipo de leitura que pratico agora, nesta idade – embora continue a ler algumas coisas novas – é a releitura. Por exemplo, há já mais de dois anos que leio um canto de Dante todas as manhãs, antes de tomar o pequeno-almoço [ri-se] – com um comentário diferente, tomando notas. Já completei esse percurso umas dez vezes. É um tipo de leitura que faço por prazer – e que me parece infinito. Nunca vou conseguir saber o suficiente acerca da "Divina Comédia", mas felizmente, já não tenho aquela angústia. É como pensar em sítios que nunca visitarei, pessoas que nunca conhecerei. Que alívio! [ri-se]
(…)
Há umas gerações uma pessoa não erudita, mas culta, tinha a obrigação de ter lido certos livros. Hoje, essa ideia parece ter sido esquecida.
A questão é que deixámos cair a noção de “ser culto”. Agora, não passa pela cabeça de ninguém dizer que uma pessoa é culta ou não é culta. Como já disse, há uma perda de prestígio do acto intelectual. Hoje, uma pessoa pode perfeitamente admitir que é estúpida, que passa o seu tempo a jogar jogos de vídeo ou que só se interessa pela moda. Não vai chocar ninguém. Antes, tínhamos vergonha de dizer coisas dessas, mas hoje é realmente espantoso ver o número de pessoas adultas que jogam jogos totalmente imbecis.
A questão é que deixámos cair a noção de “ser culto”. Agora, não passa pela cabeça de ninguém dizer que uma pessoa é culta ou não é culta. Como já disse, há uma perda de prestígio do acto intelectual. Hoje, uma pessoa pode perfeitamente admitir que é estúpida, que passa o seu tempo a jogar jogos de vídeo ou que só se interessa pela moda. Não vai chocar ninguém. Antes, tínhamos vergonha de dizer coisas dessas, mas hoje é realmente espantoso ver o número de pessoas adultas que jogam jogos totalmente imbecis.
Há leitores que só querem ler coisas novas.
Mas essa é a tal política do supermercado. Não vamos ao supermercado comprar um produto do ano passado, mas coisas que ainda não passaram do prazo. É o mesmo com os livros: agora, têm um prazo de caducidade. Passadas três semanas, o que não foi vendido desaparece. É uma política muito perigosa.
Mas essa é a tal política do supermercado. Não vamos ao supermercado comprar um produto do ano passado, mas coisas que ainda não passaram do prazo. É o mesmo com os livros: agora, têm um prazo de caducidade. Passadas três semanas, o que não foi vendido desaparece. É uma política muito perigosa.
Mas ler os clássicos na escola continua a fazer sentido? “Os Lusíadas” de Camões, por exemplo.
Claro que continua. Os grandes clássicos não foram escolhidos por ninguém; não há um comité que decide que Homero é importante. O que houve foi cem gerações de leitores que disseram que esse livro é importante. É isso que define o clássico, é a obra que não se esgota junto dos seus leitores. E isso continua a ser importante, embora muitos leitores – e muita gente – não o reconheçam.
As crianças têm uma imaginação activa, uma inteligência activa. Querem aprender a pensar. (…) Se me confiarem uma turma de crianças, comprometo-me a fazer com que elas leiam Camões com muitíssimo entusiasmo. É preciso dizer-lhes que são inteligentes e que vão conseguir ler essa obra. As crianças adoram palavras complicadas, termos difíceis, histórias onde não se percebe tudo. Mas a indústria não quer isso, quer tornar as coisas mais simples – e então fazem resumos, simplificam, publicam coisas idiotas para crianças e acabam por não publicar nada. Apenas jogos de vídeo.
A nova geração continua a ter gosto pela leitura. Para o ser humano, o instinto de sobrevivência não se resume à necessidade de comer e beber; também inclui a necessidade de pensar. E isso é verdade seja onde for – aconteceu nos campos de concentração, acontece nas favelas mais pobres, acontece nas situações mais extremas. Continuamos a pensar, a criar, a interrogarmo-nos. E temos de lutar por isso. Não somos cegos; podemos dizer que não.
Claro que continua. Os grandes clássicos não foram escolhidos por ninguém; não há um comité que decide que Homero é importante. O que houve foi cem gerações de leitores que disseram que esse livro é importante. É isso que define o clássico, é a obra que não se esgota junto dos seus leitores. E isso continua a ser importante, embora muitos leitores – e muita gente – não o reconheçam.
As crianças têm uma imaginação activa, uma inteligência activa. Querem aprender a pensar. (…) Se me confiarem uma turma de crianças, comprometo-me a fazer com que elas leiam Camões com muitíssimo entusiasmo. É preciso dizer-lhes que são inteligentes e que vão conseguir ler essa obra. As crianças adoram palavras complicadas, termos difíceis, histórias onde não se percebe tudo. Mas a indústria não quer isso, quer tornar as coisas mais simples – e então fazem resumos, simplificam, publicam coisas idiotas para crianças e acabam por não publicar nada. Apenas jogos de vídeo.
A nova geração continua a ter gosto pela leitura. Para o ser humano, o instinto de sobrevivência não se resume à necessidade de comer e beber; também inclui a necessidade de pensar. E isso é verdade seja onde for – aconteceu nos campos de concentração, acontece nas favelas mais pobres, acontece nas situações mais extremas. Continuamos a pensar, a criar, a interrogarmo-nos. E temos de lutar por isso. Não somos cegos; podemos dizer que não.
(…)
A leitura e a escrita vão desaparecer? Há quem pense que vamos regressar a uma espécie de tradição oral high-tech, graças a computadores capazes de comunicar através da fala.
A tradição oral não tem nada de mau. O problema é quando a tradição não é oral, mas feita apenas de conversas que nunca chegam a ter lugar. Já eliminámos até os locais onde conversar. Ainda há alguns cafés, mas todos têm televisão, música. E mesmo esses estão a desaparecer.
Nós também iremos provavelmente desaparecer. Mas se sobrevivermos como seres humanos – o que não é seguro – fá-lo-emos com a linguagem escrita, com a linguagem falada e com a linguagem lida. Vamos sobreviver com os nossos livros. Se desaparecermos, os livros também desaparecerão. E no fundo, isso talvez seja uma coisa óptima para o planeta – para as árvores, para as formigas, para os ursos polares...
Foto da NET: Biblioteca de Alberto Manguel
Nós também iremos provavelmente desaparecer. Mas se sobrevivermos como seres humanos – o que não é seguro – fá-lo-emos com a linguagem escrita, com a linguagem falada e com a linguagem lida. Vamos sobreviver com os nossos livros. Se desaparecermos, os livros também desaparecerão. E no fundo, isso talvez seja uma coisa óptima para o planeta – para as árvores, para as formigas, para os ursos polares...
Foto da NET: Biblioteca de Alberto Manguel
Público, 05/07/2010
terça-feira, 20 de julho de 2010
Um outro Festival de Verão...
Falo do Festival ao Largo, em Lisboa. Ainda a decorrer (até 27 de Julho) e com uma programação de dança e música a não perder...
O espaço (o Largo de S. Carlos) é tão emblemático e acolhedor quanto exíguo...
Céu estrelado, ar livre, frescura apetecida em noites de Verão... e a toda a hora chega mais alguém tentando furar a multidão, apinhada nas ruas contíguas ao Largo, na ânsia de conseguir um espacinho para aí permanecer e poder assistir (ou apenas escutar), mesmo que só por momentos... A este vai-vem juntam-se ruídos de vozes, flashes de máquinas fotográficas e a movimentação constante de eléctricos e carros que por ali avançam, a custo...
Para aqueles que lá não podem ir, para quem lá foi e não viu... ou para quem deseja avivar memórias, o Youtube dá uma ajuda...
O espaço (o Largo de S. Carlos) é tão emblemático e acolhedor quanto exíguo...
Céu estrelado, ar livre, frescura apetecida em noites de Verão... e a toda a hora chega mais alguém tentando furar a multidão, apinhada nas ruas contíguas ao Largo, na ânsia de conseguir um espacinho para aí permanecer e poder assistir (ou apenas escutar), mesmo que só por momentos... A este vai-vem juntam-se ruídos de vozes, flashes de máquinas fotográficas e a movimentação constante de eléctricos e carros que por ali avançam, a custo...
Para aqueles que lá não podem ir, para quem lá foi e não viu... ou para quem deseja avivar memórias, o Youtube dá uma ajuda...
sexta-feira, 16 de julho de 2010
A 56ª sessão do ano, a "Ler a meias..."
A tal 56ª sessão de promoção da leitura em que eu iria ainda participar, antes destas férias de Verão, teve mesmo lugar, à hora marcada do dia aprazado, na biblioteca escolar da Escola Secundária do Monte de Caparica...
A boa surpresa é que, com a descrição que fiz dessa actividade, alguém criou este bonito vídeo que pode ser visto no respectivo blogue...
Ei-lo também aqui:
A boa surpresa é que, com a descrição que fiz dessa actividade, alguém criou este bonito vídeo que pode ser visto no respectivo blogue...
Ei-lo também aqui:
domingo, 11 de julho de 2010
Campeonatos e títulos...

Destacaram-se as selecções europeias, no Campeonato do Mundo de Futebol: Alemanha, Holanda e, em particular, a Espanha que, tendo ganho a Taça do Mundo, está uma vez mais de parabéns.
Justamente, segundo afirmam os entendidos.
Para tal, não terá bastado a fé e a oração... Contudo, a minha amiga Mònica Mas rezava (literalmente) assim, na 4ª-feira:
«Padre Nuestro que estás en Sudáfrica, santificado sea Vicente Del Bosque.
Venga a nosotros el 5to partido. Hágase tu voluntad, tanto en el cuerpo técnico como en el de los jugadores.
Danos hoy nuestro gol de cada día.
Perdona a nuestros defensas, como nosotros perdonamos al árbitro que nos ofende.
No nos dejes caer en la eliminación y...........
LLÉVANOS A LA FINAL. AMÉN!!»
E não é que "o gol de cada día" foi, uma vez mais, suficiente? :-)
Perdemos com os campeões: sucesso seu; consolação nossa...
E há mais!
Sagrámo-nos hoje campeões europeus de sevens (rugby)! Na final, os nossos jogadores venceram a França por 12-5.
Regozijemo-nos com a sua vitória!
Modalidades desportivas há muitas. O futebol é apenas uma delas...
A notícia está aqui.
Um Festival, uma quinzena especial
Dia a dia, a Festa (leia-se, o Festival) cumpre-se. Vamos sensivelmente a meio da edição deste ano. Um Festival que, como sempre, trouxe novidades.
Apenas um espectáculo é repetido: a peça eleita pelo público, no ano transacto. E são muito variados os espectáculos apresentados, ano após ano: mímica, marionetas, poesia, dança, música, narração oral..., talvez a razão pela qual o tradicional Festival de Teatro de Almada se passou a designar, simplesmente, Festival de Almada.
Diversificam-se palcos que galgam o Tejo: para Lisboa... e para o Porto (pela 1ª vez, em 2010).
As peças, essas provêm de um qualquer continente e aqui recebemos grandes dramaturgos, encenadores e actores... Também críticos e jornalistas dos vários cantos do mundo vieram já até à nossa cidade, tendo participado em Colóquios e Encontros a que o público acorreu também.
Em cada ano, presta-se homenagem a uma personalidade de alguma forma ligada ao teatro, seja autor, actor, crítico... e até mesmo um espectador já mereceu essa distinção.
Este ano, Maria Barroso, pela sua carreira de actriz cerceada pela Censura, pela memória de sessões de poesia, na Incrível Almadense, em que divulgou corajosamente poetas neo-realistas, em tempos de Ditadura, pela sua intervenção cívica, ao longo da vida, mereceu justamente essa honra.
Criativas são as estátuas vivas que, este ano, diariamente podemos observar, enquanto nos dirigimos até ao palco ao ar livre... Sempre diferentes!
E muito mais haveria a dizer...
Sabemos que "a obra nasce" quando é sonhada por alguém... e quem faz a diferença são os sonhadores, as pessoas envolvidas...
Aplaudo o papel que a nossa Câmara Municipal de Almada tem assumido, no apoio à cultura...
Regozijo-me pelo espírito de iniciativa e empenhamento de Joaquim Benite que torna, a cada ano, esta Festa possível.
Obrigada!
Regozijo-me pelo espírito de iniciativa e empenhamento de Joaquim Benite que torna, a cada ano, esta Festa possível.
Obrigada!
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Festival de Teatro de Almada
domingo, 4 de julho de 2010
Verão... férias... sinónimo de teatro!
Tenho o privilégio de viver numa cidade que preza a cultura e que insiste na realização do seu Festival de Teatro internacional, contornando a crise...
Já não saberíamos viver sem este evento anual, o reencontro de amigos, a música na esplanada, os espectáculos ao ar livre, especiais em noites quentes como foi a de hoje, a da abertura.
Começou a Festa.
Esgotámos as assinaturas!De 4 a 18, temos este programa.
Viva o Verão!
Até amanhã, de novo!...
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