Ler, citar, contar, escrever... Partilhar experiências de mediação de leitura e de vida...
terça-feira, 21 de agosto de 2012
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Tempo de poesia: "moaxahas"...
Moaxaha para os dias escuros
Às vezes o dia nasce-me escuro
e sinto contristada que para mim não há futuro
Tento então abrir os olhos à criança que ainda sou
e dizer-lhe que os caminhos aonde vou
fui eu quem os abriu, os adubou, e os plantou
– que os alicerces da minha casa estão firmes, e seguros
e que há portas de ouro abertas nos seus muros
Portas e vidraças por onde triunfante o sol penetra
escrevendo e musicando os meus dias letra a letra
tornando-os imortais como os templos em Petra
– para quê tantos e tão tristes sentimentos inseguros
se plantei a minha casa em chão indómito e maduro?
Amor ei!
Myriam Jubilot de Carvalho
Foto: Manuela Caeiro
- O que é uma moaxaha?
- Como se constrói?
- Respostas no blogue da Autora:
- Aceitas o desafio da CML de criar uma moaxaha dedicada à Lisboa dos nossos dias?
- Para conheceres a iniciativa, saberes prazos, etc, consulta:
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
A casa de férias de "O Senhor Valéry"
«O senhor Valéry tinha uma casa sem volume onde passava férias. A porta e uma fachada eram as únicas coisas que existiam.
- Nos dois sentidos se pode entrar e sair - dizia o senhor Valéry, todo contente.
Ele gostava da sua casa de férias.
Melhor só mesmo uma casa com quatro portas, em quadrado, sem nenhuma parede.
O centro a restar como o único sítio onde se pode estar sentado.
O senhor Valéry fez um desenho.
-Evitarei perder-me em compartimentos - dizia. Só existirão portas. É que só consigo repousar se não tiver que decidir nada, e para que isso aconteça é indispensável não existirem opções. Parece-me lógico.
-É um sonho que eu tenho, esta casa - murmurava o senhor Valéry. - Seriam as férias perfeitas.»
O senhor Valéry é um dos moradores do seu bairro... Solitário, reflexivo e cheio de ideias e atitudes lógicas... ou talvez ilógicas?!... É um filósofo!...
Os seus vizinhos são também curiosas personagens de outros tantos livros de Gonçalo M. Tavares.
Imagina!
- Nos dois sentidos se pode entrar e sair - dizia o senhor Valéry, todo contente.
Ele gostava da sua casa de férias.
Melhor só mesmo uma casa com quatro portas, em quadrado, sem nenhuma parede.
O centro a restar como o único sítio onde se pode estar sentado.
O senhor Valéry fez um desenho.
Chamou-lhe: a casa das quatro portas juntas.
Entra-se por qualquer lado e é sempre igual. É esta a casa de férias que eu quero - dizia o senhor Valéry.-Evitarei perder-me em compartimentos - dizia. Só existirão portas. É que só consigo repousar se não tiver que decidir nada, e para que isso aconteça é indispensável não existirem opções. Parece-me lógico.
-É um sonho que eu tenho, esta casa - murmurava o senhor Valéry. - Seriam as férias perfeitas.»
Tavares, Gonçalo M., O Senhor Valéry, Caminho, 2008, 4ª ed, pp. 27-28
Desenhos de Rachel Caiano
Os seus vizinhos são também curiosas personagens de outros tantos livros de Gonçalo M. Tavares.
Imagina!
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Os senhores
segunda-feira, 30 de julho de 2012
E depois do adeus..., um balanço do Ler a Meias...
Do mesmo modo que gosto de descrever e divulgar as sessões de mediação de leitura que vou desenvolvendo, é também meu propósito (e tradição) traçar um balanço final, tendo em vista uma leitura rigorosa do trabalho voluntário realizado, imprescindível para proceder à respetiva avaliação.
Para quê recorrer ao blogue para descrever/avaliar este trabalho?
- O blogue tem servido, ultimamente, para prolongar o diálogo com os jovens de diversas escolas que, após uma sessão, gostam de saber o que escrevi, de recordar o que foi feito e de ver fotografias (forçosamente discretas)... Descobri que passei a ter jovens leitores assíduos!
- Por vezes, é também consultado por pais e professores.
- O blogue passou a constituir, igualmente, uma mostra do meu trabalho para outros colegas que me convidam a ir às suas escolas abordar uma certa temática, reproduzir uma determinada sessão... (Um menu à disposição.)
- Para mim, é uma forma de organização: arquivo e possibilidade de consulta em qualquer lugar, a qualquer hora...
- Constato que se transformou num meio de comunicação: família e amigos podem, do mesmo modo, saber notícias...
- É ainda uma possibilidade de conhecer/partilhar ideias com outros (futuros?) professores, mediadores de leitura...
Faz sentido!
Vamos a números?
Ler
a Meias, 2011/2012
|
Nº
de sessões
|
Total/
Período
|
1ºPeríodo
|
Anselmo Andrade (1º Ciclo) - 4
Conceição e Silva (1º Ciclo) - 6
|
10
|
2º
Período
|
Anselmo Andrade (1º Ciclo) - 12
António da Costa (1º Ciclo) - 7
Azeitão/Casal Bolinhos (1º Ciclo)- 2
Augusto Louro (3º Ciclo) - 2
|
23
|
3º
Período
|
Anselmo Andrade (1º Ciclo) - 11
António da Costa (1º Ciclo) - 8
António da Costa (2º Ciclo) - 2
António da Costa (3º Ciclo) - 1
Azeitão/Casal Bolinhos (1º Ciclo)- 4
Conceição e Silva (2º Ciclo) - 1
Conceição e Silva (3º Ciclo) - 1
Augusto Louro (3º Ciclo) - 2
Sesimbra-Poente (2º Ciclo) - 1
Sesimbra-Poente (3º Ciclo) - 2
|
33
|
Total - 2011/2012
Total - mai/2009 a jun/2011 - 121
Total - 2009 a 2012 |
66
--- 187 |
|
Em suma, em 2011/2012:
- Agrupamento Anselmo de Andrade/ Almada - 27 sessões / 4 turmas (1º Ciclo):
O Ler a Meias desenrolou-se quinzenalmente, pelo 2º ano consecutivo, com uma turma da Escola Conde de Ferreira (4º A).
Abrangeu, pela 1ª vez, o 4º A da Escola Feliciano Oleiro (também quinzenalmente, ao longo do ano).
A educação para os valores orientou a seleção dos livros para cada sessão; o lema foi Um poema por dia... dá saúde e alegria... E de facto a poesia teve lugar "diariamente", entre muitas outras leituras de diversa tipologia.
Desenvolvi ainda duas sessões pontuais, uma para cada turma de 1º ano (das professoras com quem trabalhei regularmente, nos dois anos anteriores).
- Agrupamento de Vila Nogueira de Azeitão (EB1 de Casal de Bolinhos) - 6 sessões/ 2 turmas (1º Ciclo) - Mediação de leitura, a pretexto de datas comemorativas.
- Agrupamento António Augusto Louro/Arrentela - 4 sessões / 2 turmas (3º Ciclo).
2 sessões por turma, no âmbito da Educação Cívica, justamente com temáticas relacionadas com a Educação Pessoal e Social.
Nos restantes Agrupamentos/escolas, fui convidada para fazer uma sessão por turma, em datas comemorativas (Mês das Bibliotecas Escolares, Semana da Leitura,...) Ocorreu igualmente em aulas de Língua Portuguesa, com o objetivo da promoção do livro e da leitura:
- Agrupamento D. António da Costa/ Almada - 18 sessões /18 turmas (1º, 2º e 3º Ciclos).
- Agrupamento Conceição e Silva/ Cova da Piedade (Almada) - 8 sessões / 8 turmas (1º, 2º e 3º Ciclos).
- Agrupamento Sesimbra-Poente (EB 2.3 Navegador Rodrigo Soromenho) - 3 sessões/ 3 turmas (2º e 3º Ciclos).
Em suma:
- 6 Agrupamentos (António Augusto Louro, pela 1ª vez.)
- 15 escolas
- 37 turmas envolvidas
- 1º Ciclo - 54 sessões - 82%
- 2º Ciclo - 4 » - 6%
- 3º Ciclo - 8 » - 12%
- 1º Ciclo - 27 turmas - 73%
- 2º Ciclo - 4 » 11%
- 3º Ciclo - 6 » 16%
Avaliação:
Gosto do que faço: conviver; partilhar o gosto pelo livro e pela leitura; dar a conhecer autores e obras, discutir ideias, fazer imaginar...; ajudar a criar leitores autónomos...
Faço-o o melhor que posso e sei: desde a morosa pesquisa inicial dos livros (para temáticas previamente estabelecidas) até à planificação de estratégias e à realização das sessões.
Estas costumam correr bem: pequenos e graúdos demonstram agrado e simpatia. Têm-me feito sempre avaliações generosas que me incentivam a prosseguir.
Eu termino cada sessão satisfeita..., às vezes, muito satisfeita... e, outras vezes mesmo, exultante. Nunca insatisfeita! Ainda assim, por vezes com dúvidas..., apesar de reconhecer que é um trabalho útil e fértil.
Tenho feito anualmente formações que possam contribuir para progredir... entre as quais, este ano, Expressão Dramática, saúde vocal...
O meu "calcanhar de Aquiles" são as Comunidades de Leitores. A de Sesimbra não foi retomada (nem nenhuma diligência fiz para tal); as da António da Costa e da Anselmo de Andrade não "arrancaram".
Claro que é mais fácil receber na biblioteca escolar uma turma inteira, num tempo letivo (uma aula que não vão ter), para ouvir ler..., do que os meninos se inscreverem e se dirigirem aí por vontade própria, fora do seu horário, para falar de leituras domiciliárias e fazer atividades afins... As escolas, por sua vez, têm constrangimentos de espaço, de horários...
A ser possível concretizar (satisfatoriamente) uma Comunidade de Leitores, tal aconteceria na Anselmo de Andrade. Confiei. Dificuldades à parte, aqui teria havido a oportunidade de dar continuidade ao trabalho de promoção da leitura com alunos que acompanhei dois anos consecutivos, no 3º e 4º anos de escolaridade e que, este ano, frequentavam o 5º ano. Talvez para o ano se consiga, agora com um grupo de alunos de 5º e 6º anos, com idêntico percurso prévio.
As Professoras Bibliotecárias da Anselmo de Andrade manifestaram vontade. Conseguirão?
Manter-se-ão no cargo?!
Esta foi a maior dificuldade inicial deste ano letivo. Por razões várias, quatro das minhas amigas abandonaram o seu cargo de Professora Bibliotecária.
São tempos de muitas convulsões e perplexidades.
Como voluntária, faço jus ao nome: trabalho de bom grado e desinteressadamente. Compreendo bem quanto dou e recebo em troca!
Continuarei a andar de escola em escola, enquanto me sentir apta e útil e a minha colaboração assim for entendida.
Logo, para o ano, cá estaremos.
Foto: Lendo a meias... Um livro para todos os dias, de Isabel Minhós Martins, na EB1 nº1 da Cova da Piedade
sábado, 28 de julho de 2012
Antologia - Credo...
A casa se fez vela, aconchegada nos braços do vento, alongou o olhar e vogou em demanda do Tejo... e da poesia.
Creio nos anjos que andam pelo mundo
creio nos anjos que andam pelo mundo,
creio na deusa com olhos de diamantes,
creio em amores lunares com piano ao fundo,
creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes;
creio num engenho que falta mais fecundo
de harmonizar as partes dissonantes,
creio que tudo é eterno num segundo,
creio num céu futuro que houve dantes,
creio nos deuses de um astral mais puro,
na flor humilde que se encosta ao muro,
creio na carne que enfeitiça o além,
creio no incrível, nas coisas assombrosas,
na ocupação do mundo pelas rosas,
creio que o amor tem asas de ouro. amém.
Natália Correia
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quarta-feira, 18 de julho de 2012
67 minutos... por Mandela, para o MEM
De 19 a 21 de Julho, no Piaget de Almada, decorrerá o 34º Congresso do Movimento da Escola Moderna (MEM).
Sem referir nada do que foi preciso preparar antecipadamente, hoje todos seríamos poucos para apoiar na organização da exposição, acolhimento aos Congressistas, afixação de painéis informativos...; distribuição de água, cafés...
Qualquer um de nós o faria, de qualquer modo. Fazê-lo por Mandela acrescentou objetivos e ânimo.
Vários conjuntos de 67 minutos oferecemos, por Mandela, ao MEM. Em dia de calor abrasador.
Ao MEM... e a... Mandela.
Com gratidão e simpatia.
Trabalho social voluntário, pela Educação, em ambiente de festa!
Foto acima: Colaboração na organização da Exposição (painéis dos meninos da Educadora de Infância Manuela Guedes.)
Sem referir nada do que foi preciso preparar antecipadamente, hoje todos seríamos poucos para apoiar na organização da exposição, acolhimento aos Congressistas, afixação de painéis informativos...; distribuição de água, cafés...
Qualquer um de nós o faria, de qualquer modo. Fazê-lo por Mandela acrescentou objetivos e ânimo.
Vários conjuntos de 67 minutos oferecemos, por Mandela, ao MEM. Em dia de calor abrasador.
Ao MEM... e a... Mandela.
Com gratidão e simpatia.
Trabalho social voluntário, pela Educação, em ambiente de festa!
Parabéns, Mandela!
Parabéns pelos 94 anos!
Parabéns pelo exemplo de vida!
Parabéns pela determinação e coragem na luta contra o apartheid!
Que lhe podemos dar de presente? O que nos pede: tempo. Tempo e trabalho voluntário a favor de causas sociais. 67 minutos! Um minúsculo minuto por cada maiúsculo ano da sua penosa luta por justiça.
Todos temos algo por que lutar, sendo livres e solidários. Apoio esta ideia!
Parabéns e muitos anos de vida, Mandela!
Parabéns pelo exemplo de vida!
Parabéns pela determinação e coragem na luta contra o apartheid!
Que lhe podemos dar de presente? O que nos pede: tempo. Tempo e trabalho voluntário a favor de causas sociais. 67 minutos! Um minúsculo minuto por cada maiúsculo ano da sua penosa luta por justiça.
Todos temos algo por que lutar, sendo livres e solidários. Apoio esta ideia!
Parabéns e muitos anos de vida, Mandela!
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terça-feira, 17 de julho de 2012
Festival de Almada: festa, cultura, convívio...
Cerimónia breve: uma saudação a todos aqueles que nos iriam proporcionar esta festa anual (incluindo nós, o público), na sua 29ª edição; e a manifestação de regozijo por se terem vencido adversidades e ter sido possível voltar a levá-la à cena, em 2012.
Dezoito espetáculos em palcos de Almada e Lisboa, para serem vistos em quinze dias; muitos criadores de renome internacional: portugueses, franceses, belgas, italianos, espanhóis, alemães, dinamarqueses, israelitas e árabes, juntos...
Artes várias: música, dança, pantomima, cinema (uma "curta"), teatro...
Com alguma determinação e habilidade, os espetadores conseguem estabelecer um programa diário que possibilite assistir a (quase) tudo. E, deste modo, o preço da caderneta (€70,00, no caso do público "em geral") vai-se tornando cada vez mais convidativo: menos de €4,00, cada sessão...; €2,50, no caso dos jovens. Entretanto, apreciam-se várias artes, cotejam-se temáticas e estéticas, vivem-se reflexões e emoções em catadupa, "gostei deste, daquele não tanto", forma-se uma opinião pessoal.
Paralelamente, realizam-se encontros, debates, exposições... Na esplanada, convívio; gastronomia variada, música, cinema (entrada livre).
Fazem-se opções.
Ao chegar ao fim, um cansaço regenerador: muito se viveu e aprendeu, como em curso intensivo...
As noites aqueceram.
Saudades antecipadas. O fim anuncia-se. É amanhã!
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segunda-feira, 18 de junho de 2012
Quando o futebol prodigaliza afetos...
Era dia de futebol.
Ao
chegar a casa, deparei-me com festa nas proximidades, em local inusitado...
Seguramente, mais de uma dúzia de pessoas sentadas à mesa, vozes alegres, crianças
brincando, bandeiras da Lusofonia desfraldadas – Cabo Verde, Brasil e Portugal –
lado a lado, unidas.
Comemoração à mesa. Sabores de aquém e além–mar. Chouriço
assado na brasa, salgadinhos, salada; arroz, farinha de mandioca, em receita
saborosa; pastéis de nata...
Por fim, arrumação e limpeza, com grande ligeireza e espírito de cooperação. O pátio rapidamente ficou “como novo”.
Era
dia de aniversário, domingo, por sinal dia de futebol.
Torcia-se
(sofria-se) por Portugal: quer sendo país
natal quer país de acolhimento… Sensibilizou-me! Avistei gente conhecida.
Aproximei-me. “Para um brasileiro «quantos mais, mais…»” (Fui bem acolhida.)
Reuniam-se ali várias famílias (parte delas,
multiculturais), seus vizinhos e amigos, gente que por cá reside e resiste.
Talvez fossem todos migrantes, até mesmo os portugueses! Como eu, inclusive.
Emoção. (Maior entre os que se sentaram na 1ª fila; menos
acentuada entre os conversadores da linha intermédia ou ainda entre o grupo das mães, lá atrás.)
Uma única voz discordante apoiava a equipa adversária,
com assumida simpatia pela Holanda – e certamente também com desejo de
espicaçar o nervosismo alheio, em jogo decisivo…
Cada golo (dos nossos)
prodigalizou brados de alegria, palmas. Beijos, abraços, famílias enlaçadas. A
vitória fez redobrar carinhos e manifestações de alegria, cada qual
sentindo-a muito sua.
Por fim, arrumação e limpeza, com grande ligeireza e espírito de cooperação. O pátio rapidamente ficou “como novo”.
Duplo pretexto para
festejar, animadamente.
Data duplamente memorável.
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segunda-feira, 11 de junho de 2012
Reencontro, na Escola Conde de Ferreira
Os meninos iriam fazer, na sua sala, anonimamente e por escrito, a avaliação do Ler a Meias... e eu iria à escola, esta semana, buscá-la.
Deste modo, também eles poderiam levar as suas fitas de "finalistas" para que eu lhes escrevesse uma dedicatória... (Alguém se lembrou de me dar uma fita a assinar e depois todos queriam o mesmo, só que nem todos a tinham levado consigo, no último dia...)
Celebramos assim certas etapas marcantes da vida escolar dos pequenitos, em solene ambiente de festa... Tal acontece, em regra, em momentos de mudança de ciclo de estudos e de estabelecimento de ensino: tempos de adaptação a novas situações que geram uma pontinha de desconforto... (ainda assim, menor do que o de ser retido...)
Alguns rituais dos finalistas propriamente ditos foram sendo encenados... e, aos poucos, a tradição ganhou raízes, desde o Pré-Escolar! Ora os meninos da Conde de Ferreira vão transitar do 1º para o 2º ciclo (do 4º para o 5º ano), já fizeram as provas... e vivem este momento de despedida muito a sério!...
Entre nós, tudo se passou tal e qual fora previsto.
A avaliação estava pronta: cumpriram a sua parte! E eu, a minha: escrevi, escrevi... assinei, assinei... (Nem todos se lembraram de levar a fita...; só que, desta vez, não prometi voltar...)
Fiz mais.
Era grande, hoje, a azáfama. Assisti ao ensaio de uma peça de teatro, para a festa (na 4a feira). Que nervosos, todos! (Como vos entendo!!!)
Foi assim que acabei por presenciar a última aula de Desenvolvimento Pessoal e Criatividade, ministrada pela minha ex-aluna e amiga Joana Sabala. Foi assim que pude ver os belos trabalhos plásticos que criaram (autorretrato, heterorretrato, continuidade, etc, feitos de olhos fechados e abertos..., com diferentes técnicas e materiais)... E pude ouvir as elogiosas apreciações que teceram à sua professora e às atividades realizadas, generosamente e com sentido crítico.
Ensinei-lhes uma palavra nova: inolvidável... (para não repetirem, sempre e só, inesquecível)!
Quanto à minha avaliação, sinto-me muito feliz com o resultado.
1) Todos gostaram do Ler a Meias... porque:
- foi divertido;
- a professora lê bem,
- gostaram de ler (também)...
- "É linda."...
2) Lembram-se de livros:
- Bartolomeu Marinheiro;
- Os três bandidos;
- Os burros;
- O quadro roubado...
Lembram-se de situações:
- recriação das Janeiras;
- realização de uma Assembleia;
- oficina de desenho;
- ver/rever as fotos de todas as sessões...
3) Um único aluno (-a) diz que não passou a gostar mais de ler (por uma razão de peso!): «Não - porque já gostava de ler.»
Os restantes afirmam, sem exceção:
- Sim! Sim! Sim! :-) :-) :-)
E justificam:
- "Sim, ajudou-me a gostar mais dos livros."
- "Sim, antes não gostava de ler, mas agora gosto."
- "Sim, eu agora gosto muito mais de ler."
- "Sim, ajudou-me a perceber melhor as histórias";
- "Sim, graças à professora, eu agora leio com graça e piada."
- "Sim. E ajudou a divertirmo-nos com os livros."
- "Ajudou-me a comprender o amor aos livros".
E por aí fora... Uma avaliação em tudo idêntica à que foi feita pelos meninos da outra turma, no dia da última sessão.
Eu também gostei muito! Se tudo correr bem..., até para o ano!...
Boas leituras! Boas férias!
domingo, 10 de junho de 2012
Surpresa... e dúvidas...
Foi assim ontem.
Sete papagaios voavam paralelos e alinhados, ao sabor do vento, colorindo o céu e prendendo a atenção de quem passava no paredão da Caparica. Eram como sete velozes avionetas participando em festival aéreo, com suas longas caudas de fumo de outras tantas cores... Um arco-íris em movimento, manejado com perícia, longamente, ora rodopiando ora voando para o alto em flecha e de súbito descendo vertiginosamente, sem se despenhar...
Era adulto, o piloto. Crianças à sua volta não se viam... (Talvez existisse apenas uma, dentro de si...)
Seria vendedor?
Estaria a fazer uma demonstração do produto que pretendia vender?
Observar-nos-ia?
Viria a seguir contactar quem olhava incessantemente para aquele espetáculo inesperado?
Pediria algo em troca do serviço... ou das fotografias?...
Tudo isso veio à mente... com inesperada desconfiança. (Sinais dos tempos...)
Já não acreditamos em "almoços grátis". Mas afinal sim, ainda os há!
Uma simples diversão... sem contrapartidas.
Belo, simplesmente!...
terça-feira, 5 de junho de 2012
Despedidas, no "Ler a Meias..."
Desde 25 de novembro, estivemos juntos de quinze em quinze dias, na biblioteca da escola Feliciano Oleiro... Agora o ano chega ao fim.
Neste último encontro, viram-se fotografias das sessões todas, visitou-se o Quarto Crescente (onde tudo pode ser recordado), escreveu-se coletivamente um comentário...
(O videoprojetor funcionou. A professora Mafalda Rodrigues deu o apoio necessário.)
Os meninos lembravam-se de tudo: sabiam pormenores das histórias, recordavam-se de episódios vividos, gostavam de se ver... e observavam como cresceram!...
Ainda arranjámos tempo para ler um livro!!!...
Quem diria que o ano acabaria com a leitura de O Princípio, de Paula Carballeira, uma história que decorre no pós-guerra, com as cores da destruição e miséria? (A que propósito?!)
Há momentos assim na vida, em que tudo é (ou parece ser) muito negro... E, afinal, "estamos vivos, o que é uma festa": tudo se pode recompor! (Não podemos cruzar os braços!)
São assim os momentos de transição da nossa vida: assustam-nos as mudanças, desgostam-nos as despedidas... mas temos de seguir em frente, valorizando as coisas boas... (Acertei. Os meninos pressentem saudades..., receiam a mudança de escola...)
- Acharam a história triste? - perguntei.
- Sim..., mas tem esperança!... (Certeira e linda resposta!)
Foi dia de despedidas, logo, dia de avaliação.
Ainda não tenho tudo em meu poder...
Para já, recebi as avaliações do 4ºA da Feliciano Oleiro, com muitos desenhos lindos e com simpáticas mensagens no verso... E tive a oferta de um livro feito pelo 4ºA da escola Conde de Ferreira, reunindo uma página de cada aluno, com maravilhosos textos e ilustrações que me dedicaram...
Tanto basta para me sentir vaidosa e comovida! (Acreditem!...)
Todos já sabem, mas repito: gostei muito de estar convosco! Espero que possamos continuar alguma atividade no 2º Ciclo...
Há esperança! As professoras bibliotecárias da escola Anselmo de Andrade ali se encontravam, unidas, à despedida, simpaticamente, afirmando a sua vontade de tratar disso...
Querem ver a prendinha que me deram? Uma linda bolachinha com o logotipo do Ler a Meias...!
Gostei tanto! (Conseguirei comê-la?... Difícil!)
Sabem? A grande artista-pasteleira que a fez trabalha na biblioteca da Anselmo de Andrade!
E quanto aos meus retratos, desenhos e mensagens... vejam só alguns!...
sábado, 2 de junho de 2012
Ler a meias... entre crianças...
De novo, uma ida a Casal de Bolinhos. Desta vez, festejando o "Dia da criança".
Com o 1º ano, começámos por A Cegonha, de Luísa Ducla Soares (do livro Arca de Noé):
Olha a cegonha
na chaminé
Dizem que trouxe
o meu bebé. (...)
E da barriga
da minha mãe
veio o bebé
que a gente tem.
Puseram-se "os pontos nos is". Os meninos não sabiam... que dantes se dizia às crianças que os bebés vinham de Paris, trazidos no bico de uma cegonha! Novidade!...
A seguir, havia dois livros à escolha. Decidir pelo título não foi fácil, foi mesmo difícil!!!... Pronto, lemos Quando eu nasci, de Isabel Minhós Martins. E os meninos divertiram-se a valer enquanto foram seguindo as descobertas que os bebés fazem, com os seus cinco sentidos, à medida que crescem... Apreenderam a mensagem final:
Todos os dias descubro sempre mais um bocadinho. E isso é a coisa mais fantástica que há.
Queriam mais!!!
Então, espreitámos A família dos macacos, de Rita Taborda Duarte. Lemos só as primeiras páginas... E o que irá agora acontecer? - perguntei.
A imaginação foi fértil, as resoluções severas... (Tenho de lhes ler o resto, da próxima vez. Prometido!)
Tinham uma prendinha para me dar à despedida: um marcador. Os meninos são sensíveis aos papelitos com que assinalo as páginas... e o André frisou:
- Agora já não precisas de usar esses papéis...
- Sim!...
Fizeram questão que eu visse as suas assinaturas no marcador. Muito bonito!
Saíram sem pressa, mas tinha de ser!
Era a vez do 2º ano.
Também estes meninos, mal chegaram, me deram um marcador, assinado por todos...
- Faz-me falta! Obrigada! Gostei muito!... - E logo li os seus nomes, um a um. Estavam felizes e orgulhosos.
- Vamos ler A princesa baixinha? - perguntaram logo em seguida.
- Sim! (Nem se esqueceram eles nem eu...)
Começámos imediatamente.
Imaginem uma Princesa pequenina que, com conhecimento da Rainha Avó, parte por esse mundo fora, atravessa desertos, montanhas e bosques e faz grandes feitos! A quem todos aplaudem: Viva a princesa! Grande princesa!...
Foi diversão e encantamento.
Para mais, a seguir, com a minha ajuda, os meninos improvisaram um teatro, com fantoches de dedo... Começaram a medo, envergonhados... e acabaram com grande à vontade, extravasando a alegria e entusiasmo que a sessão lhes despertou.
Que prazer trabalhar com estes meninos e com as suas professoras!
...Obrigada!...
Até breve!
Poderão visitar o blogue de Casal de Bolinhos.
Com o 1º ano, começámos por A Cegonha, de Luísa Ducla Soares (do livro Arca de Noé):
Olha a cegonha
na chaminé
Dizem que trouxe
o meu bebé. (...)
E da barriga
da minha mãe
veio o bebé
que a gente tem.
Puseram-se "os pontos nos is". Os meninos não sabiam... que dantes se dizia às crianças que os bebés vinham de Paris, trazidos no bico de uma cegonha! Novidade!...
A seguir, havia dois livros à escolha. Decidir pelo título não foi fácil, foi mesmo difícil!!!... Pronto, lemos Quando eu nasci, de Isabel Minhós Martins. E os meninos divertiram-se a valer enquanto foram seguindo as descobertas que os bebés fazem, com os seus cinco sentidos, à medida que crescem... Apreenderam a mensagem final:
Todos os dias descubro sempre mais um bocadinho. E isso é a coisa mais fantástica que há.
Queriam mais!!!
Então, espreitámos A família dos macacos, de Rita Taborda Duarte. Lemos só as primeiras páginas... E o que irá agora acontecer? - perguntei.
A imaginação foi fértil, as resoluções severas... (Tenho de lhes ler o resto, da próxima vez. Prometido!)
Tinham uma prendinha para me dar à despedida: um marcador. Os meninos são sensíveis aos papelitos com que assinalo as páginas... e o André frisou:
- Agora já não precisas de usar esses papéis...
- Sim!...
Fizeram questão que eu visse as suas assinaturas no marcador. Muito bonito!
Saíram sem pressa, mas tinha de ser!
Era a vez do 2º ano.
Também estes meninos, mal chegaram, me deram um marcador, assinado por todos...
- Faz-me falta! Obrigada! Gostei muito!... - E logo li os seus nomes, um a um. Estavam felizes e orgulhosos.
- Vamos ler A princesa baixinha? - perguntaram logo em seguida.
- Sim! (Nem se esqueceram eles nem eu...)
Começámos imediatamente.
Imaginem uma Princesa pequenina que, com conhecimento da Rainha Avó, parte por esse mundo fora, atravessa desertos, montanhas e bosques e faz grandes feitos! A quem todos aplaudem: Viva a princesa! Grande princesa!...
Foi diversão e encantamento.
Para mais, a seguir, com a minha ajuda, os meninos improvisaram um teatro, com fantoches de dedo... Começaram a medo, envergonhados... e acabaram com grande à vontade, extravasando a alegria e entusiasmo que a sessão lhes despertou.
Que prazer trabalhar com estes meninos e com as suas professoras!
...Obrigada!...
Até breve!
Poderão visitar o blogue de Casal de Bolinhos.
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