sábado, 15 de outubro de 2011

De volta ao voluntariado...

Foi ontem o meu regresso à Mediação de Leitura. Desta vez estreei-me na Escola do Alfeite - que pertence ao Agrupamento Conceição e Silva, na Cova da Piedade. (O meu...)

Três turmas de 3º ano. Três sessões. É outubro, Mês das Bibliotecas Escolares; reforça-se o objetivo de promover leitura e saberes: verdadeiramente, "um poder para a vida".
Era dia de apresentações: «Sou uma leitora de histórias, não uma contadora... Vou "dar a ler", vamos ler a meias...»
Levava uma sacada de livros, agrupados em três montinhos, de forma a possibilitar  outros tantos caminhos possíveis, conforme o desenrolar de cada sessão... Autores portugueses e também estrangeiros; livros de poesia, de narrativa em prosa e em verso, informativos; um slogan publicitário... Não faltavam umas folhas amarelecidas..., uma laranja, uma maçã...
Nem tudo fez falta! Mas de facto seguimos percursos distintos, de hora para hora.
O 3ºC não me apanhou de surpresa ao pedir livros de terror! Ouviram com agrado O rapaz que tinha medo, da GATAfunho... A ilustração de morcegos, no início e no fim do livro, fez a ponte para a leitura de A fada Palavrinha e o gigante das bibliotecas, de Luísa Ducla Soares, que foi aliás o único livro lido a meias com todas as turmas. Pelo meio, este proporcionou a referência aos úteis morcegos, em grandes bibliotecas. E à possibilidade de rapidamente se pesquisar esta informação no Google...
Surpresa senti ao ver o entusiasmo geral causado por Desculpa, mas esse livro é meu, da Oficina do Livro... (cujo poder mediático eu ignorava. Falta-me cultura televisiva, reconheço.) Quer o 3ºA quer o 3ºB foram convidados a recontar a  história, mas incapazes de o fazer... Naturalmente, lemos. Divertiram-se com a teimosia e os "erros" linguísticos da pequenita Lola; riram com a ligação do tamanho de letra ao tom de voz crescente da voluntariosa menina: é meu, meu, meu, meu... Ambas as professoras aproveitaram para lhes fazer ver situações similares vividas nas suas turmas!
Ao 3ºB comecei por contar uma história, à medida que iam observando as respetivas ilustrações: Mariazinha, a contadora de histórias, de Maria João Lopo de Carvalho. África e suas díspares realidades socioeconómicas foi tópico de conversa. Em seguida, lemos a meias... Além das histórias, versos de Cantigas e cantigos, de José Fanha.
O 3ºA ouviu um poema: Os mistérios da escrita, de Álvaro Magalhães. Souberam-no interpretar com perspicácia...
Curiosos, não partiram sem perguntar para que serviam a laranja e a maçã... Foi assim que assistiram à demonstração do movimento de rotação da Terra, perceberam as causas do dia e da noite, e compreenderam que "A noite é a nossa dádiva de sol aos que vivem no outro lado da Terra"...
Igual, igual, nas três turmas, foram as manifestações de agrado e de carinho com que se despediram...
E porque o 3ºA teve a sua sessão pelas 9h30m, e eu só me vim embora perto das 15h, tiveram tempo para me preparar uma surpresa e convidar para ir à sua sala receber um maravilhoso livro de ilustrações das histórias lidas, com opiniões de fazer envaidecer qualquer um (e a mim também!)... Obrigada, Meninos; obrigada, Professora Carmen!
Estou grata a todos os colegas que tão bem me receberam... 
À Carla Pimenta, Professora Bibliotecária, tenho ainda de agradecer a receção... e o almoço na cantina - que bem merece um elogio!
Até à próxima!...

O blogue Biblioteca & Companhia deu notícia...

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Contas fechadas...

Já lá vai, há que tempos, o ano 2010/2011...
Setembro despediu-se da praia... Outubro recuperou o verão... Tiquetaque, tiquetaque, o relógio prossegue inflexível. Um outro ano escolar começou; novas sessões de mediação de leitura estão programadas e se avizinham...
Não me esqueci! Sei bem que me faltou apresentar, no fim do ano transato, o balanço final do trabalho realizado; faltou-me principalmente dar o merecido destaque à despedida do 1º projeto Ler a Meias, após dois anos de trabalho consecutivo com aquelas duas turmas que partiriam para o 5º ano.
É tarde, mas mais vale tarde... 
Em três pinceladas, direi apenas...:
1) Foram 62 as sessões por mim desenvolvidas no ano findo (mais 56, ao longo de 2009/2010 e outras 3, em maio de 2009 - o que perfaz 121 sessões de mediação de leitura e escrita, até agora; 54 das quais, com aqueles alunos...)
2) Relativamente às escolas, mais uma daqui menos outra dacolá (pois nem sempre é possível aceitar os convites de última hora para sessões pontuais), uma vez feitas as contas, o número de bibliotecas escolares em que trabalhei foi semelhante ao de 2009/2010, isto é, 9; todas elas no Distrito de Setúbal: Almada, Azeitão e Sesimbra.
3) Aqui fui deixando alguns relatos e traçando balanços periódicos. (Nos blogues - atualizados...- das diversas bibliotecas escolares, foi sendo dada notícia das sessões realizadas.)
Adiei o balanço do Ler a Meias... Um ensaio sobre  essa experiência de continuidade irá em breve (?) ser publicado na próxima revista municipal Anais de Almada. Lançaram-me o desafio e deitei mãos à obra. Pensei, na altura, que poderia publicar aqui o dito artigo, uma vez que estivesse redigido, mas constato que é demasiado extenso, exigiria opções, cortes, sínteses... (Fora de questão!)
Em resumo, este voluntariado produziu efeitos; segundo afirmaram os intervenientes, cumpri o objetivo de fazer crescer, nos meninos, o desejo de ler autonomamente e a capacidade de ler melhor. Contribuí para facilitar a abordagem de muitas temáticas das diversas áreas curriculares. Enfim, a avaliação final de docentes e discentes alegram-me... e encorajam-me a prosseguir.
Todos nós ficámos ricos de histórias, sonhos e saudades...







Fotos do blogue 
A Magia dos Livros
http://bibliotecamagialivros.blogspot.com  

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Eu queria ser como a Guidinha...

Deixei passar muito tempo sem nada escrever e muita coisa aconteceu... Agora tenho tanto que contar que na verdade nem sei por que ponta lhe hei-de pegar...
Realmente eu queria ser como a Guidinha que escrevia de um fôlego, misturava tudo com ingenuidade e sarcasmo, defendia os seus pontos de vista e fazia críticas a torto e a direito, com ironia e graça, como se não fosse nada com ela...  Lembro-me que a lia mal apanhava o jornal (que tenho ideia que era o Diário de Notícias, mas talvez nem fosse...)... Só sei que era a minha leitura preferida, em tempos de ditadura e lápis azul, quando aprendíamos a ler nas entrelinhas...
Queria saber imitar a Guidinha, tirando aquela coisa da falta de pontuação... Assuntos para abordar e relacionar não me faltariam: eu podia falar dos novos livros que li... ou do novo disco do Sérgio Godinho..., com mútuo consentimento, claro!..., da mão cheia de netos que vão crescendo e me preenchem de orgulho e de afetos..., das férias em setembro (pugnando por um novo direito merecido) ou então de novos sonhos e projetos que se vão expandindo neste mês de outubro..., mas neste caso estou a ouvir o  Alexandre O' Neill a avisar-me (ou a zombar): "Não fales da vidinha!"... e alto!... 
Mas isto não me faz desistir: afinal eu até sou daquelas que se interessam por tudo e também por nada e consigo falar alto e sem parar... Ainda assim, que pena!, estou muito aquém de ser uma pessoa "insaciável e louca", como exortava o genial Steve Jobs, a quem presto homenagem. 
Podia falar da política internacional e da nacional..., da solidariedade da Europa e da falta dela..., ou de gentes que lutam pelos direitos humanos, já agora aproveitando para dar os parabéns às três premiadas com o  Nobel da Paz: as liberianas Ellen Johnson Sirleaf e Leymah Gbowee e a iemenita Tawakkul Karman, hoje mesmo distinguidas pela sua luta pacífica em nome dos direitos das mulheres, como li no Público online. 
Podia aludir à economia nacional que nos empobrece dia a dia..., mais às agências de rating que nos atiram para o lixo, mas, a sério, não me sinto particularmente informada e vendo bem é melhor estar atenta aos anúncios de cortes nas despesas do Estado e nas receitas dos cidadãos, fora todos os aumentos que havemos de pagar, as privatizações ao desbarato e os benefícios que já suspeitamos que se vão evaporar... 
Queria falar, e com justiça, de tantos anónimos heróis da vida que lutam levando-a de vencida... E lembrar que, como parafraseava George Orwell, «todos os homens são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros»... 
Bem se vê: se eu fosse a Guidinha, teria pano para mangas para uma redação excelente... Falta-me a sua visão e ingénua lucidez...; falta-me fluidez; falta-me sobretudo a graça mordaz e o génio de Sttau Monteiro.
Eu tanto queria ser como a Guidinha!... 

Outubro, inspiração musical...

«Sometimes one dream is enough to light up the whole sky.» (Por vezes, um só sonho é suficiente para iluminar todo o céu.)
Mark Isham, Céu de outubro (banda sonora)


Vale de Barris - Serra do Louro, 1/10/2011 (foto)

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Citação...


Quero é recuperar, saber, reinventar a criança que eu fui. Pode parecer uma coisa um pouco tonta: um senhor nesta idade estar a pensar na criança que foi. Mas eu acho que o pai da pessoa que eu sou é essa criança que eu fui. Há o pai biológico, e a mãe biológica, mas eu diria que o pai espiritual do homem que sou é a criança que fui.
Público, Lisboa, 14 de Outubro de 1998
In José Saramago nas Suas Palavras

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Em Setembro...

Em Setembro, a despedida do Verão traz nostalgia... e desejo de fruir da cor dourada de cada dia...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Nova lista de livros do Plano Nacional de Leitura

Plano Nacional de Leitura já escolheu livros recomendados para ano lectivo 2011/2012 - Educação - PUBLICO.PT

A notícia do Público saiu, há dias, com este título que, creio, não estará bem formulado. Na minha opinião, não se trata de "os livros para 2011/2012", mas sim da reformulação da lista de livros do Plano Nacional de Leitura, à qual terão sido agora acrescentados novos títulos. 
Novas propostas se lhe seguirão, espaçadamente, enquanto perdurar o PNL. Como se pode imaginar, a seleção será sempre um trabalho inacabado, forçosamente posterior à edição de novas obras, também pronta a homenagear clássicos da Literatura Portuguesa e Universal, recetiva a livros e autores recém-premiados, a novos valores...
Ora os livros são desta ou daquela editora:  há interesses em jogo!
Penso que a lista nacional está provavelmente a cargo de professores e especialistas, certamente impermeáveis a tais interesses..., mas cujas decisões não serão indiscutíveis.
Há espaço para a celeuma. Mais ainda porque esta lista condiciona, realmente, o mercado. Tanto pode relegar obras (talvez injustamente) para o esquecimento como pode conduzir à reedição de outras há muito (lamentavelmente) esgotadas. 
Verso e reverso...
Na minha atividade de mediação de leitura, em bibliotecas escolares, tenho em conta as listas de livros recomendados pelo PNL, obviamente. Mas não só. Posso igualmente ignorá-las. Intencionalmente.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Abra-se o pano!

4 de Julho: é o Festival de Almada que recomeça, pela 28ª vez consecutiva.
Na esplanada da "António", decorrido mais um ano, os amigos reencontraram-se, reviram-se animadamente e não raras vezes ignoraram, distraídos, o silêncio devido a quem ali tocava e cantava... 
Junto ao palco ao ar livre, a fila foi encaracolando... Mal se abriram portas, aquele cordão de gente desenrolou-se serenamente direito às bancadas, ávido de teatro... 
Primeiro dia: tempo de saudar o público e fazer homenagens a quem nos proporciona, ano a ano, toda esta festa.
Joaquim Benite, que perfaz este ano 40 anos de carreira, 33 dos quais em Almada, dirigindo o Teatro Municipal, subiu ao palco, sendo longamente ovacionado. Por sua vez, chamou até junto de si toda a sua Equipa e também os inúmeros jovens estagiários e colaboradores, muitos atores... Os aplausos soaram de um e de outro lado, num reconhecimento mútuo geral, e aqueceram a noite estrelada.
A Commedia dell' Arte, que será elevada à categoria de património da Humanidade, em 2011, de novo merecerá destaque nesta edição do Festival. 
"Abriu-se o pano" para assistirmos à Fabula Buffa, de Dario Fo. Uma abertura promissora num Festival que pretende divertir e fazer refletir...
Parabéns (e melhoras), Joaquim Benite! Obrigada!


domingo, 26 de junho de 2011

Homenagens e despedidas, na "António". . .

Na EB 2.3 António da Costa, a biblioteca escolar realizou, neste final de ano, uma cerimónia de distribuição de prémios, homenageando deste modo, em cerimónia pública, os vencedores de inúmeros concursos realizados ao longo do ano: jogos, escrita de poesia e prosa..., «o melhor leitor da biblioteca»...
Tive a honra de ser convidada para este evento. Coube-me entregar prémios; tarefa simples, pois tudo decorreu sob a orientação da Professora Dina Dourado e fora organizado com extremo rigor. 
Uma honra acrescida por ter a meu lado a professora Helena Peixinho, que durante anos e anos tanto se dedicou à formação de jovens em Expressão Dramática; ligada, ab initio, a "O Mundo do Espectáculo" e ao apoio a projetos artísticos nas nossas escolas; uma colega de longa data; alguém que muito admiro!
Foi uma cerimónia digna que ilustra bem o muito que a biblioteca fez, ao longo do ano, pela promoção da leitura e escrita.
Agora, férias! Com muitas leituras, certamente...

Atividades from ebac on Vimeo.
(Vídeo do Professor Eduardo Ramos, divulgado no blogue da biblioteca escolar: http://ebac.blogs.sapo.pt/ )

sábado, 25 de junho de 2011

Luares. . . de Cruzeiro Seixas


Desenhos e pinturas de Nadir Afonso, Cruzeiro Seixas, Júlio Resende e Fernando Lanhas deram o motivo; mãos hábeis da Manufactura da Tapeçaria de Portalegre teceram fios de lã, recriando-os com arte, técnica e perfeição. Nas Belas Artes, em Lisboa, na sua Galeria de Arte Moderna, está agora patente uma exposição de tapeçaria que constitui uma lindíssima e significativa homenagem a estes pintores. 
E também uma homenagem aos anónimos artesãos, acrescento eu.
Estéticas diferenciadas: expressão geométrica; figuração e abstração; surrealismo...
O meu olhar ficou refém das luas-sóis de Cruzeiro Seixas... Luares de Lua Cheia a Quarto Crescente.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Lua envergonhada?! . . .

Foi isto que sucedeu: 

Pudemos presenciar o fenómeno a noite passada, entre as 21h e as 23h. 
Vimos então a nossa lua esconder-se na sombra, disfarçar-se na penumbra, perder a timidez e recuperar o luar de Lua Cheia...

Foto: Ciência Viva
(Esquema retirado da Net.)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Por agora, boas férias!...

Por este ano, já está: o Verão a chegar, as aulas a acabar... E o mar ali tão perto!!! A Comunidade de Leitores de Sesimbra despediu-se.
Mas calma, vamos por partes!

1 - O grupinho de leitores, a certa altura, estabilizou e manteve-se. Eram seis… (Ou seriam cinco? É que o Bruno faltou às duas últimas sessões!…)


2 – O Miguel esqueceu-se de trazer a (nossa) Aventura fantástica de Elias Bonfim, depois de ter inserido no texto as alterações propostas no penúltimo encontro. (Vai-no-lo enviar depois, por e-mail. Não te esqueças!)


3 - Discutiu-se o último livro do dia: O Anibaleitor, de Rui Zink. 
Registaram-se os acidentes de percurso do costume: nem todos leram... uns ficaram "a meio" ou "a menos"… Em consequência, a análise foi breve e menos participada do que o desejado.
Para o Tiago (que leu tudo, gostou e logo deu essa novidade pelo Facebook), a parte mais interessante foi a amizade do narrador com o pirata Keequog - que tinha o corpo todinho tatuado de poemas e romances! O momento mais divertido foi quando percebeu que quem batizou o Animal Leitor (de Anibaleitor) foi um náufrago go'sdibado (isso mesmo, constipado)…
Salientou-se que o rapaz foi forçado a ler e a discutir livros para salvar a pele… tal como Sherazade, de As mil e uma noites… E interessou-se pela leitura, naquela ilha… tal como nós gostamos de falar de livros e leituras, na biblioteca!


4 - Fez-se, por fim, o balanço deste projeto.
Os Jovens consideraram que as sessões foram agradáveis, interessantes e divertidas. Sentiram dificuldade em requisitar as obras; leram outras pelo meio; têm muitas atividades extracurriculares e faltou-lhes tempo para ler tudo no prazo… Era impossível fazer-se mais! Contudo, falámos de obras lidas, lemos excertos de livros de vários autores; escrevemos uma narrativa; debatemos três obras; conhecemos livros novos... Gostaram de ler, discutir, imaginar, recriar… Valeu a pena!


5 -  Querem continuar. Fizeram uma proposta: escolherem eles os livros… 
Foi contraposta uma condição: apresentarem sugestões de títulos na página do Facebook ou por email. Assim, poderemos todos lê-los, avaliar o seu interesse, opinar. O resto, logo se vê… Concordaram.


Só depois de tudo isto, então sim, nos despedimos. Com esse compromisso... Sobretudo com amizade, na expectativa de continuarmos juntos, embora aceitando as incógnitas inconstantes do futuro.


6 – E eu?... Satisfeita?
Fizemos menos do que o esperado.
Houve atrasos e faltas…, mudança de horário, sessões forçosamente adiadas, logo, realizaram-se menos encontros e leram-se menos obras... Os contratempos foram sempre superados com úteis soluções de recurso… Lançámos mão dos meios digitais, nos tempos de ausência… (Pouco participados, é certo...)
Antes de ser mediadora, sou professora. Foi uma 1ª vez para eles, para a escola e, desta forma, também para mim. Naturalmente, avalio o percurso, valorizo os pontos fortes, pondero o progresso. Devagarinho, a evolução aconteceu.
Ficámos aquém do desejado, é verdade. Mas o que foi feito, foi válido. Eles cresceram… 
Pessoalmente, gostei daqueles Jovens, dos afetos de todos, e desta minha experiência... Aprendemos todos... Cresceram eles, cresci eu!

Citação...


«A palavra que digas, a carta que escrevas, que sejam obra de arte.»



Carlos de Oliveira

sábado, 4 de junho de 2011

A propósito de crianças...



Encontrando-me na sala, bem cedinho, um dia o Kiko perguntou-me: "Estavas à espera de mim?" 
Estava, realmente! Havia que aproveitar todos os minutos disponíveis da minha curta visita; era a hora do seu pequeno almoço, da ida para a escola; era o momento diário do beijo de despedida. 
(Daqui de longe, eu continuo naquela sala, à sua espera, e a dar-lhe um beijo, a cada manhã...)
À hora de almoço, era tempo de regresso. A seguir, o ansiado momento das histórias, tendo ficado em 1º lugar, no Top das preferências, o Tio Lobo (da Kalandraka). Por fim, já era ele quem me contava a história a mim, com idênticos requebros na voz... 
(Menos bem sucedida fui eu... que não sei se conseguirei fazer uma pintura no Paint, tão bem quanto ele, apesar das suas demonstrações!...)
E não dispensávamos, diariamente, uma ida ao Parque... Tantas crianças, de todas as idades, cores e credos, com suas amas ou familiares, cada qual com seu brinquedo, dispostas a partilhá-lo momentaneamente... Excelente escola de socialização! Convívio e aprendizagem, em ambiente de alegria e descontração! 
As crianças têm, não raras vezes, saídas inesquecíveis... Ele também, claro! Certo dia, vendo-me sem saber muito bem o que fazer à irmã ensonada, bem a propósito, o Kiko opinou: "Avó, põe ela na cama e pronto!" - acrescentando, resoluto - "Tomar conta de crianças... é fácil!".
E houve ainda aquela outra vez em que, depois de eu lhe ter dado uma ínfima moeda para o seu mealheiro, ele decidiu, sensato: "Vou guardar, para fazer uma viagem!"
Indicou o destino. Voou longe o seu sonho...
Inevitavelmente, os dias foram-se escoando, um a um... A despedida anunciada foi-se aproximando, inexoravelmente... E aconteceu!
Fácil e difícil!...
 ...Até à próxima!
Fui matar saudades e trouxe-as renovadas.
Vivam as férias!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Vós, as Crianças...


«A criança,
Toda a criança,
Seja de que raça for,
Seja negra, branca, vermelha, amarela, 
Seja rapariga ou rapaz.
Fale que língua falar,
Acredite no que acreditar,
Pense o que pensar,
Tenha nascido seja onde for,
Ela tem direito...
(...)
Depois da hora radial do parto, 
A criança deverá receber
Amor,
Alimentação,
Casa,
Cuidados médicos,
O amor sereno de mãe e pai.
(...)»
Matilde Rosa Araújo, Os direitos da criança

terça-feira, 31 de maio de 2011

Antologia Poética


Miniatura


Pois eu gosto de crianças!
Já fui criança, também…
Não me lembro de o ter sido;
Mas só ver reproduzido
O que fui, sabe-me bem.


É como se de repente
A minha imagem mudasse
No cristal duma nascente,
E tudo o que sou voltasse
À pureza da semente.

Miguel Torga, Diário VIII, 1957

domingo, 15 de maio de 2011

Às viagens!...

A festa era longe... E galgou-se a distância.
O tempo, em permanente corrida, admite pausas... Tendo em mira reunião, convívio e festa, o tempo esperou; serenou a rotina.
Revitalizaram-se os dias.
Frutificaram as sementes de afetos. Colo, carinho e contos para os netos. Convívio com filhos, primos, amigos. Receção terna e inesquecível. Uma festa diária.
O Fernando brindou: À amizade! Às viagens!
As taças tilintaram, os olhares entrecruzaram-se, provou-se e aprovou-se o champanhe e a saudação.
Tchim-tchim!
(Foto da Net - blogue Borboleteando)

sexta-feira, 29 de abril de 2011

terça-feira, 19 de abril de 2011

Abre uma flor...

Casulo que se desfolha timidamente e se expõe, aberto em flor, à carícia do sol.
Primavera em mim.
Assim vos desejo: Boa Páscoa!

2º Período, longo e preenchido...

Comunidades de Leitores
Das aventuras e desventuras vividas com Um livro debaixo de olho, na D. António da Costa (Almada) e na Navegador Rodrigues Soromenho (Sesimbra), várias vezes aqui falei. Não por ser um trabalho de êxito garantido, antes pelo contrário... Talvez precisamente por ser "a primeira vez" que faço promoção da leitura com adolescentes e este constituir o maior desafio do momento, aquele que tem posto à prova a minha resistência a surpresas duras e a desventuras,  estimulando a minha criatividade... (Sete sessões.)


Homenagem a Maria Alberta Menéres
Relatei também aqui, prontamente, a minha primeira sessão de homenagem a Maria Alberta Menéres (oito vezes repetida, em várias escolas.)
Constituiu igualmente um grande desafio. Que livros escolher para ler a turmas do 1º Ciclo que eu não conhecia?, ...livros que nunca abordara? O quê e como fazer?...  
Tal justificou um longo tempo de preparação, de maturação... 
A diferente reação das duas turmas com quem estive na primeira vez (diversa das de outros grupos), tanto quanto a concretização bem sucedida desta homenagem recém estreada, deu-me esse irresistível impulso para escrever logo, logo, nessa altura...
Se a primeiríssima turma (de 2º ano) riu a bandeiras despregadas com as peripécias e distrações de Alberta, no Retrato em escadinha, tranquilizando-me quanto a esta minha opção, a última turma, de 4º ano, não foi menos surpreendente! Os meninos aderiram, participaram... Por fim, fizeram perguntas à Mediadora - acabei entrevistada!... (Quase prometi que um dia eu hei de escrever uma história!...) E quando eu julgava que tudo sucedera já, naquele dia, eis que descubro que a senhora professora daqueles meninos fora minha aluna... e guardava boas memórias... Inesquecível!

Ambiente: plantas, animais e gente...

Nas restantes escolas de 1º Ciclo do AVE D. António da Costa - Escola dos Caranguejais e EB1/JI nº3 de Almada -, realizei quatro outras sessões, com turmas de 3º e 4º anos. Aí a temática foi diversa: Ambiente. 
A estas duas escolas eu fui pela primeira vez, mas com a serenidade de quem já experimentara o que ia fazer, mesmo introduzindo voluntariamente alterações à planificação, como sempre... 
Os meninos queriam saber quando eu voltaria... 
Aos do 3º ano, pude prometer um regresso, no próximo ano...

De novo, em Azeitão...
Imaginem a escola de Casal de Bolinhos: pequenina, com biblioteca. Apenas duas turmas; uma de 3º e 4º anos e outra de 1º. Tão familiar!
Pela 1ª vez, realizei aí sessões com o 1º ano. Para mim, um novo desafio! 
De uma das vezes, esqueci-me que ainda não saberiam ler versos!... (Ah! Apanhada em falso!...) Resultou, tornou-se mesmo uma atividade engraçada..., graças à motivação dos pequenitos e à entreajuda de todos...
Com os meninos do 3º e 4º anos, realizei duas sessões diferentes. Acompanhei-os também ao Lar dos Bancários, ali perto, onde cultivam a sua horta. E estivemos juntos mais umas vezes, para atualizarmos o jornal escolar digital (o seu blogue). 

Ler a Meias... (Os últimos são os primeiros...)
É na Escola Conde de Ferreira que desenvolvo a minha mais intensa atividade de promoção da leitura, quer pelo seu caráter regular quer pela sua duração: o Ler a Meias vai fazer dois anos!...
Os meus meninos, com quem me encontro quinzenalmente, estão agora quase a acabar o 4º ano e a mudar para uma escola de gente mais crescida... Os livros cujo afeto partilhamos têm-nos permitido abordar todas as temáticas possíveis e imaginárias... Juntos, estivemos oito vezes, no 2º Período..., aliás catorze..., em seis das quais fui aprendiz de Artes, pela mão da professora Clarinda Matos... Está no prelo um livro digital com as nossas produções: Tu cá, tu lá com Henri Rousseau.
Com a turma de 3º ano, os encontros são mensais; foram três as nossas sessões.
Outros balanços de resultados poderão vir a ser feitos... ou talvez não.
Os meninos passaram a ler mais? Melhor?... Quantos livros requisitam? Quais?... Para mim, Mediadora de Leitura voluntária, é balanço impossível.
Só sei que...
Acorrem felizes, sessão após sessão. Ganharam afeição pela biblioteca. Conhecem muitos, muitos livros; procuram-nos, requisitam-nos... Refletiram sobre muitos, muitos temas... Debateram muitas, muitas ideias... Incorpóreas como todas as ideias.
Quanto às evidências, existem nos blogues das minhas bibliotecas... mas aviso que nem todos estão em dia!...
A Magia dos Livros está. Posso garantir. Tenho prestado colaboração regular.
Em resumo: foram 33 as sessões realizadas por mim, (sem contar as 6 da minha colega Clarinda Matos, na Conde de Ferreira). 
E com muito mais horas de trabalho preenchi este looooooongo 2º Período!