Passámos hoje uma bela tarde, no Centro de convívio.
Uma sessão na senda do tema das bibliotecas escolares: Ligando comunidades e culturas; e sem esquecer o desafio de partilharmos as nossas próprias histórias.
Álbuns de imagens, narrativa de memórias, poemas, contos e recontos..., sustentaram a nossa imaginação, reflexões e emoções, em torno do quotidiano no nosso mundo, das migrações, da esperança no futuro, da generosidade e dura ação de voluntários...
Para despoletar a partilha das nossas memórias, Romeu Correia foi o primeiro a ter a palavra: O primeiro dia de escola. Tanto bastou para que várias histórias surgissem da plateia.
Assim recordámos a nossa infância, a escola e os castigos físicos, medos e aventuras. E mais, muito mais. Até tivemos uma galinha de Trancoso, inesquecível. E um piano tocado por algum fantasma numa sala de espera cheia de zombies! Não faltaram recordações, risos e palmas!
Olhos abertos, silêncio atento, emoções despertas... a nossa hora voou.
Muito afeto, à despedida.
Até novembro!
Na sessão anterior, foi assim...
Bibliografia:
Isabel Minhós Martins/Bernardo Carvalho, O mundo num segundo, Planeta Tangerina
Mariana Chiesa Mateos, Migrando, Orfeu Mini
Miguel Torga, poemas
Vários, Histórias para não adormecer, Relatos dos voluntários da AMI em diversos pontos do mundo, Fundação da AMI
Ler, citar, contar, escrever... Partilhar experiências de mediação de leitura e de vida...
terça-feira, 24 de outubro de 2017
domingo, 22 de outubro de 2017
O prometido é devido...
Alô, SSAP!
Combinámos partilhar memórias. Falar delas, talvez escrevê-las. (Estão lembrados?)
O nosso reencontro vem aí, muito em breve...
Pensei nisso. Lembrei-me de como a minha mãe me ajudou a gostar de ler...
Uma memória de gratidão.
Aqui vai!
Oiço muito boa gente falar de
histórias que lhes contavam na infância, de poemas que aprenderam a recitar e que
sabem de cor. De grandes bibliotecas que havia lá em casa e de pais leitores.
De livros proibidos, alguns fechados à chave, que aguçavam o prazer de ler. De como
isso contribuiu para o seu gosto pela literatura.
Posso estar a ser injusta, mas
creio que não tive essa sorte. Na verdade, não conservo sequer a memória de escutar
histórias ao deitar. Tal não me surpreende: a minha mãe sempre pôs em primeiro
lugar ter a casa num brinquinho, não deixar
nada à espera do dia seguinte, despachar-se para finalmente repousar, gemendo
de cansaço até dar por findas as tarefas de cada dia.
Esta mãe, professora que o marido
não quis que trabalhasse “fora de casa”, exercendo a sua profissão, tornou-se
doméstica exímia. Não deixou, contudo, de ser uma grande promotora de leitura.
Era escasso o plafond financeiro, oh se era!, mas
comprava-me livros, quando eu pedia e ela podia. Não arranjava tempo para os
ler comigo, realmente não, mas dispunha-se a ouvi-los; ela lidando e eu lendo.
Lembro-me de, por norma, eu o fazer sentada na mesa da cozinha. Ou então na
varanda. De ler com prazer, acreditando dar-lhe esse mesmo prazer, enquanto cozinhava ou cosia. Provava-me
estar atenta. Pelo meio, dava-me um sinónimo, respondia-me a alguma dúvida,
rematava a leitura com um provérbio…: Querer
é poder. Devagar se vai ao longe. Mais vale um
pássaro na mão do que dois a voar. Quem ri por último, ri melhor.
A estrutura de uma carta e de um
envelope, também as apreendi com a sua ajuda. Era escrita regular para família
que vivia a duas semanas de viagem de navio a vapor, isto é, além-mar, a milhas
de distância… Começava-se pelo rascunho - que era depois corrigido e passado a
limpo. E a seguir passado a limpo tantas vezes quantas as necessárias, até
ficar sem erros de ortografia nem rasuras, e sem apresentar nenhum dos temíveis
borrões da caneta de aparo ou da de tinta permanente que eram usadas nesse
tempo. Tudo a ser reescrito cada vez com maior sacrifício e com mais ralhetes
pelo meio. Até vir o suspiro libertador: “Enganaste-te outra vez aqui…, mas pronto,
fica assim!”… (Ainda oiço esse suspiro.)
Era professora, daquele tempo, pois.
(Já disse, não é verdade?...)
Ora a minha mãe, com a sua
formação e recursos, a seu modo, foi a minha mediadora de leitura e escrita. Conservo
esta paixão.
Sempre é verdade que todos os caminhos vão dar a Roma.quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Na Escola Secundária/Básica Ruy Luís Gomes
Uma ampla e luminosa biblioteca, duas turmas de 6º ano (à vez), um tapete colorido, leituras, recontos e conversas... e as sessões decorreram em clima de afeto e prazer, com escuta atenta e participação espontânea.
E fomos navegando...
O Mar, a estrada que ligou Portugal ao mundo: A Nau Catrineta.
"Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso": O meu amigo chinês.
A língua e a sua evolução. Auriculares que fazem tradução.
Sereias, existem mesmo?, sim ou não?
Livros, à escolha dos jovens:
- O 6ºD escolheu obras de São Tomé e de Cabo Verde.
- O 6ºC elegeu São Tomé e Brasil.
O livro Rap Rua proporcionou um intenso e divertido final de manhã, graças à colaboração da Érica e do Renato...
Fui adotada como avó por umas meninas que me vieram abraçar...
Recebi prendinhas...
Uma estreia neste Agrupamento; um início de ano fantástico!
Bibliografia:
Douglas Silva Lima/Ângela lago, Rap Rua
E fomos navegando...
O Mar, a estrada que ligou Portugal ao mundo: A Nau Catrineta.
"Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso": O meu amigo chinês.
A língua e a sua evolução. Auriculares que fazem tradução.
Sereias, existem mesmo?, sim ou não?
Livros, à escolha dos jovens:
| 6ºD |
| 6ºC |
O livro Rap Rua proporcionou um intenso e divertido final de manhã, graças à colaboração da Érica e do Renato...
Fui adotada como avó por umas meninas que me vieram abraçar...
Recebi prendinhas...
Uma estreia neste Agrupamento; um início de ano fantástico!
Bibliografia:
Douglas Silva Lima/Ângela lago, Rap Rua
Fátima Bettencourt, A cruz do Rufino, Embaixada de Portugal em Cabo Verde e Centro Cultural Português Praia-Mindelo
Leonel Neves, Amigos em todo o mundo, Livros Horizonte
Maria Isabel de Mendonça Soares (Coord.), O mar na cultura popular portuguesa, Terramar
Olinda Beja/Teresa Bondoso, Um grão de café, Edições Esgotadas
Leonel Neves, Amigos em todo o mundo, Livros Horizonte
Maria Isabel de Mendonça Soares (Coord.), O mar na cultura popular portuguesa, Terramar
Olinda Beja/Teresa Bondoso, Um grão de café, Edições Esgotadas
Há uns auriculares que traduzem cerca de 40 línguas em tempo real, in A volta ao mundo, 17/5/2017
Rio acima e mar adiante... ligando comunidades e culturas
Vamo-nos aventurar a ir ao encontro de outros povos a que nos ligam laços históricos e com quem convivemos há muito. E não só. Observar realidades diversas, guiados pelos autores que nos acompanharão. Sim porque esta viagem será feita na companhia de escritores, letristas, jornalistas..., com os seus poemas, histórias, canções e notícias que teremos à mão.
Bem a propósito vem o desafio do Mês das Bibliotecas Escolares: Ligando Comunidades e Culturas.
Este convívio não é surpresa entre nós, onde diariamente (e há muitos séculos) diversas comunidades se cruzam num mesmo bairro; as crianças são colegas de turma...
Esperamos contribuir para dar a conhecer obras e escritores, e valorizar as suas culturas, ao mesmo tempo que perseguiremos o objetivo de, uma vez mais, espalhar sementes de prazer de ler...
Remos abrindo caminho, vamos navegar em 2017/2018.
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Promoção da leitura
terça-feira, 19 de setembro de 2017
Ler a meias... no Rio de Contos...
O Ler a meias… recomeçou
em setembro, mesmo antes do início das aulas do novo ano de 2017/2018. Uma
coisa nunca vista!
Aconteceu no Rio de Contos, em Almada, na sua III edição
anual, evento este com um vasto programa, cheio de motivos de interesse, distribuídos
por vários espaços da cidade (como já é habitual).
Um desses espaços foi, este ano, o parque Júlio Ferraz, onde
teve lugar o Ler a meias… Ora um parque, em pleno verão, combina bem com um piquenique
ao ar livre. Foi isso, tal e qual! Um Piquenique de contos, onde vários
contadores e mediadores se distribuíram em torno de três árvores e onde piquenicaram
(a várias vozes) contos... e fruta, com um público vasto e generoso.
Ler a meias… (ou seja, “a mediadora de leitura veterana de
Almada”) fez o que é costume: poemas, contos e recontos, de livro na mão (ou não), desta
vez para um público familiar e amigos miúdos e graúdos, sabendo bem reconhecer, desde a
1ª hora, o superior valor dos profissionais que a seu lado contariam: Cláudia
Romeiro, Luzia Rosário, Maurício Leite.
Bibliografia (do Ler a meias)...:
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Rio de Contos
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
Rio de Contos 2017
Vem aí a 3ª edição do Rio de Contos. Um evento da Associação Cultural Laredo e da Rede de Bibliotecas Municipais de Almada.
Na nossa cidade, evocando o centenário do escritor Romeu Correia.
Há contos no interior da biblioteca (no Fórum Romeu Correia) e um piquenique de histórias, ao ar livre. Contos para famílias. Sessões diurnas e pela noite dentro. Exposições e feiras de livro. Um debate em torno de provérbios e literatura tradicional... E poderemos cruzar-nos com grandes contadores que vêm de longe, que raramente se encontram entre nós, e que teremos a oportunidade e o privilégio de poder escutar.
(Gratuitamente, como sempre!)
Confio que vai mesmo valer a pena!
Por tudo isto, e porque é "à nossa porta", partilho o programa.
Na nossa cidade, evocando o centenário do escritor Romeu Correia.
Há contos no interior da biblioteca (no Fórum Romeu Correia) e um piquenique de histórias, ao ar livre. Contos para famílias. Sessões diurnas e pela noite dentro. Exposições e feiras de livro. Um debate em torno de provérbios e literatura tradicional... E poderemos cruzar-nos com grandes contadores que vêm de longe, que raramente se encontram entre nós, e que teremos a oportunidade e o privilégio de poder escutar.
(Gratuitamente, como sempre!)
Confio que vai mesmo valer a pena!
Por tudo isto, e porque é "à nossa porta", partilho o programa.
terça-feira, 5 de setembro de 2017
Certeza...
Já as folhas amarelecem salpicadas por benfazejos aguaceiros.
Estes confortam a imensidão da saudade das férias de verão!...
São, porém, pouca água para quem almeja extinguir incêndios com a bênção de nuvens...
E constituem chuva indesejada para os que agora partem com planos de veraneio. Ainda assim, nada que perturbe o prazer dos longos dias sem o tique-taque do relógio, ou o desejo dos passeios de destino incerto, da surpresa oferecida pelo imprevisto da curva da estrada, da descoberta que satisfaz curiosos e aventureiros...
É a hora da lenda, da História..., de ziguezaguear na Geografia.
Pois que seja! O outono é certeza em movimento, nas folhas trazidas pelo vento...
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
Histórias: do contador ao ouvidor...
«(...) A força primordial de uma história é, evidentemente, a de nos transportar, com umas quantas palavras, para outro mundo em que imaginamos as coisas em vez de as sofrer, um mundo onde dominamos o espaço e o tempo, onde pomos em movimento personagens impossíveis, onde povoamos como nos apetece outros planetas, onde insinuamos criaturas sob as ervas dos pauis, entre as raízes dos carvalhos, onde pendem salsichas das árvores, onde os rios sobem para a nascente, onde aves tagarelas raptam crianças, onde defuntos inquietos voltam silenciosos para atalhar a um esquecimento, um mundo sem limites e sem regras onde organizamos à nossa maneira os encontros, os combates, as paixões, as surpresas.
O contador é acima
de tudo o que vem de fora, aquele que reúne na praça de uma aldeia os que nunca
de lá saem e lhes dá a ver outros montes, outras luas, outros terrores, outros
rostos. É o mercador de metamorfoses. É aquele que capta a atenção porque traz
outra coisa. É outro olhar, é outra voz.
Neste sentido, é por meio do "era uma vez" que a superação do
mundo, isto é, a metafísica, se introduz na infância de cada indivíduo e talvez
também na dos povos, muitas vezes ao ponto de aí incrustar uma raiz tão forte
que as nossas invenções humanas serão para nós, durante toda a vida, uma
realidade indiscutível. Após o deslumbramento, o arrebatamento, a história que
nos contaram passa a ser a própria base das nossas crenças, cuja força cega
conhecemos.
Contudo, |a história| não se limita a esta superação, a esta,
se quisermos, transgressão. Por força da sua natureza, porque é
essencialmente uma relação entre seres humanos, está sempre ligada ao público que escuta, por vezes até – de um
modo menos visível, mais secreto – ao contador em pessoa. É como um desses
objetos mágicos de que tantas vezes se serve como, por exemplo, o espelho que
fala.
A história é pública. Ao contar-se fala. (...)»
Jean-Claude Carrière, Nova tertúlia de mentirosos, Teorema, pp.
12-13
segunda-feira, 7 de agosto de 2017
Um Rio de contos, um piquenique de histórias...
Trata-se da III edição de um evento anual da Associação Laredo e da CM Almada, através da sua Rede de bibliotecas municipais.
Este ano, como nos anteriores, irá acontecer em torno de uma outra das bibliotecas da cidade e em novos palcos..., com surpresas a caminho.
(Novidade é ver-me incluída neste cartaz, entre grandes nomes de narradores orais - e muito mais. Surpreendente também para mim..., acreditem!)
Informação: aqui.
Programa disponível no Facebook.
Este ano, como nos anteriores, irá acontecer em torno de uma outra das bibliotecas da cidade e em novos palcos..., com surpresas a caminho.
(Novidade é ver-me incluída neste cartaz, entre grandes nomes de narradores orais - e muito mais. Surpreendente também para mim..., acreditem!)
Informação: aqui.
Programa disponível no Facebook.
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