Num cacilheiro, abordam-me:
- Desculpe, mas a senhora não é a professora Manuela Caeiro?
- Sim...
O rosto era-me familiar. Não admira que não a reconhecesse de imediato: já se passaram tantos anos! (Talvez vinte, trinta?...)
Abriu-se-lhe um sorriso de alegria e os olhos demonstraram visível comoção.
Alice Vieira e eu temos um cantinho no coração desta senhora: associa Rosa, minha irmã Rosa à memória das nossas aulas de Português...
Ousei dizer-lhe:
- Mas tive a sensação que, ao ler esse livro, eu não conseguia captar a atenção geral da turma! Lembro-me que uma colega minha opinou ser uma obra mais indicada para leitura autónoma... e eu concordei!...
- Mas era a maneira como nos lia!... - E o movimento das mãos parecia rebuscar a memória. - Eu adoro esse livro! Comprei-o... ainda hoje o tenho.
As suas palavras emocionadas transbordavam de afeto pelo livro, pelas aulas...
(Como não ficar, também eu, comovida?)
Fizemos a viagem lado a lado. Falámos ao longo da travessia. Histórias de vida. Histórias da turma; laços de amizade que mantêm vivos; atitudes solidárias em momentos difíceis, entre si. Até hoje!
O barco atracou.
Cada uma foi à sua vida.
Como não ficar a sentir..., a matutar?...
O que melhor plantei entre as crianças foram palavras..., as minhas e as dos escritores... (Saberão hoje alguma coisa de categorias de textos, de conceitos gramaticais? Nem sequer são os mesmos!!!)
O melhor currículo que a escola pode dar aos jovens não será porventura este, o oculto? A integração social, o valor da amizade e da solidariedade...?
Tanto programa, tanto plano, tanta lufa-lufa... e afinal...
Ler, citar, contar, escrever... Partilhar experiências de mediação de leitura e de vida...
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segunda-feira, 28 de abril de 2014
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
"A delinquência juvenil não é uma fatalidade"
Li este artigo há dias, no Portal da Educação.
Gira em torno da publicação de um livro: Reinserção pela Arte (título apelativo).
Resultou este livro de um projeto desenvolvido em Centros Educativos de Lisboa, coordenado por Jorge Barreto Xavier, com jovens entre os 13 e os 18 anos, e nele se pretende demonstrar que a criação artística é uma ferramenta na descoberta de competências que abre portas à reinserção de jovens problemáticos.
Os jovens foram envolvidos em atividades artísticas nas áreas do teatro, música, dança, vídeo, fotografia, escrita, cinema e design de espaços.
(Dar largas à criatividade e reforçar a auto-estima, certamente... Mais ainda, envolver-se em projetos, assumir responsabilidades, trabalhar em equipa, confrontar-se e respeitar o outro...)
Realço algumas afirmações proferidas na sessão da sua apresentação:
Vivemos numa sociedade em que nos habituámos a aceitar certas coisas: a pobreza, a criminalidade, a delinquência juvenil (...) acreditamos que todas elas hão de sempre existir, em maior ou menor grau.; É nesse sentido que a delinquência juvenil pode ser encarada como uma fatalidade. Creio que é necessário acreditar na efetiva erradicação da delinquência juvenil. É preciso trabalhar com objetivos máximos e não mínimos ou medianos. Depois, procurarmos aproximar-nos o mais possível da concretização destes objetivos, que não são para cumprir num ano nem sequer numa geração - mas se não forem estabelecidos com clareza, não podemos trabalhar em função deles.
Não faltou uma pergunta pertinente, de resposta embaraçosa: As escolas estarão preparadas para lidar com a delinquência dos jovens?...
Acrescento eu, receosa: E com o desinvestimento crescente na Arte, na Educação, etc..., deixaremos morrer projetos como este?!
Os prejuízos não serão muito superiores às poupanças?...
Ler +: A delinquência juvenil nem sempre é uma fatalidade
Gira em torno da publicação de um livro: Reinserção pela Arte (título apelativo).
Resultou este livro de um projeto desenvolvido em Centros Educativos de Lisboa, coordenado por Jorge Barreto Xavier, com jovens entre os 13 e os 18 anos, e nele se pretende demonstrar que a criação artística é uma ferramenta na descoberta de competências que abre portas à reinserção de jovens problemáticos.
Os jovens foram envolvidos em atividades artísticas nas áreas do teatro, música, dança, vídeo, fotografia, escrita, cinema e design de espaços.
(Dar largas à criatividade e reforçar a auto-estima, certamente... Mais ainda, envolver-se em projetos, assumir responsabilidades, trabalhar em equipa, confrontar-se e respeitar o outro...)
Realço algumas afirmações proferidas na sessão da sua apresentação:
Vivemos numa sociedade em que nos habituámos a aceitar certas coisas: a pobreza, a criminalidade, a delinquência juvenil (...) acreditamos que todas elas hão de sempre existir, em maior ou menor grau.; É nesse sentido que a delinquência juvenil pode ser encarada como uma fatalidade. Creio que é necessário acreditar na efetiva erradicação da delinquência juvenil. É preciso trabalhar com objetivos máximos e não mínimos ou medianos. Depois, procurarmos aproximar-nos o mais possível da concretização destes objetivos, que não são para cumprir num ano nem sequer numa geração - mas se não forem estabelecidos com clareza, não podemos trabalhar em função deles.
Não faltou uma pergunta pertinente, de resposta embaraçosa: As escolas estarão preparadas para lidar com a delinquência dos jovens?...
Acrescento eu, receosa: E com o desinvestimento crescente na Arte, na Educação, etc..., deixaremos morrer projetos como este?!
Os prejuízos não serão muito superiores às poupanças?...
Ler +: A delinquência juvenil nem sempre é uma fatalidade
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terça-feira, 20 de abril de 2010
Para uma Educação Sexual
Talvez com a ajuda de livros (como estes), nos sintamos mais à vontade para fazer desmoronar, de vez, receios e tabus... e empreender, de forma séria, uma educação sexual.
Porque os meninos e meninas fá-la-ão de qualquer modo (bem ou mal)...
Então, que seja bem!
Tenciono não cruzar os braços... e participar!
(Nota: Clicar em baixo, em full, para aumentar o zoom.
Pode também ver-se no Slideshare, onde existem muitos mais artigos de Rita Pimenta, disponíveis.)
Porque os meninos e meninas fá-la-ão de qualquer modo (bem ou mal)...
Então, que seja bem!
Tenciono não cruzar os braços... e participar!
(Nota: Clicar em baixo, em full, para aumentar o zoom.
Pode também ver-se no Slideshare, onde existem muitos mais artigos de Rita Pimenta, disponíveis.)
terça-feira, 4 de março de 2008
Avaliar a avaliação: urgentemente!...
Assistimos a debates televisivos, ouvimos programas de rádio. A Educação está na ordem do dia. Por maus motivos.
A opinião pública, que em estudos recentemente revelados se mostrava generosa na avaliação do papel dos professores, parece agora vacilar. Abundam subentendidas acusações; sobejam assumidas críticas; ressaltam demasiadas desconfianças e dúvidas… Do mesmo modo que somamos apoios substanciais.
Radicalizam-se posições. Urgem soluções.
O Ministério não escuta fundadas inquietações desta classe profissional e, de igual modo, mantém-se surdo a decisões recentes dos tribunais.
Permito-me perguntar: uma tão grande mobilização de professores de norte a sul do país seria esperada se a preparação deste novo processo de avaliação tivesse sido atempada e devidamente conduzida?...
A lei, publicada em Janeiro, terá saído na melhor altura? Para ser preparada agora e implementada, experimentalmente, no próximo ano lectivo, talvez! Para ser posta em prática num ano lectivo que começou em Setembro, sendo este um modelo que não foi previamente testado e que tantas implicações negativas pode vir a ter na carreira destes profissionais - como é possível concebê-lo?!
Alguém considera que a escola tem condições para, a meio do ano, a meio de um segundo período curtíssimo, planear e executar todas as alterações a documentos orientadores, tais como o Projecto Educativo de Agrupamento, o Projecto Curricular de Agrupamento, o Plano Anual de Actividades de Agrupamento, as inúmeras grelhas de avaliação de toda a espécie para avaliar toda a gente e todos os sectores da escola… e implementar tudo, no decorrer deste mesmo ano lectivo, por mais alargado e flexível que este prazo seja?... Sabendo-se do acréscimo de horas para reuniões e para trabalho prévio que todo este processo implica?... É humanamente impossível, por mais boa vontade que exista!
Não será melhor que o Ministério conceba fazer uma pausa para entender as dúvidas e as dificuldades de quem está no terreno, em vez de partir do princípio que são todos “da oposição”? Que “quem quer trabalhar, trabalha”?... Ou, simplesmente, pretender acreditar que somos um bando de incompetentes, com medo da avaliação?...
Quem fez da escola a instituição reconhecida que hoje é, senão os próprios professores?
E é fácil entender que o fizeram sem esperar a recompensa de uma boa nota, de uma progressão na carreira ou de quaisquer honras pessoais, mas apenas guiados pelo sentido de responsabilidade e pelo prazer de levar a cabo os projectos em curso. Pelos alunos! Pela escola pública!
Merecemos confiança. Merecemos ser agora compreendidos e atendidos numa pretensão tão simples quanto esta: preparemos tudo, com tempo; repensemos e ajustemos critérios de avaliação; retiremos o que é subjectivo e que não depende da nossa acção directa; experimentemos tudo, numa primeira fase; implementemos, finalmente, um modelo de avaliação justo em 2009/2010.
É a minha opinião.
Uma coisa é certa: esta situação não serve a ninguém.
Há que encontrar saídas. Urgentemente.
A opinião pública, que em estudos recentemente revelados se mostrava generosa na avaliação do papel dos professores, parece agora vacilar. Abundam subentendidas acusações; sobejam assumidas críticas; ressaltam demasiadas desconfianças e dúvidas… Do mesmo modo que somamos apoios substanciais.
Radicalizam-se posições. Urgem soluções.
O Ministério não escuta fundadas inquietações desta classe profissional e, de igual modo, mantém-se surdo a decisões recentes dos tribunais.
Permito-me perguntar: uma tão grande mobilização de professores de norte a sul do país seria esperada se a preparação deste novo processo de avaliação tivesse sido atempada e devidamente conduzida?...
A lei, publicada em Janeiro, terá saído na melhor altura? Para ser preparada agora e implementada, experimentalmente, no próximo ano lectivo, talvez! Para ser posta em prática num ano lectivo que começou em Setembro, sendo este um modelo que não foi previamente testado e que tantas implicações negativas pode vir a ter na carreira destes profissionais - como é possível concebê-lo?!
Alguém considera que a escola tem condições para, a meio do ano, a meio de um segundo período curtíssimo, planear e executar todas as alterações a documentos orientadores, tais como o Projecto Educativo de Agrupamento, o Projecto Curricular de Agrupamento, o Plano Anual de Actividades de Agrupamento, as inúmeras grelhas de avaliação de toda a espécie para avaliar toda a gente e todos os sectores da escola… e implementar tudo, no decorrer deste mesmo ano lectivo, por mais alargado e flexível que este prazo seja?... Sabendo-se do acréscimo de horas para reuniões e para trabalho prévio que todo este processo implica?... É humanamente impossível, por mais boa vontade que exista!
Não será melhor que o Ministério conceba fazer uma pausa para entender as dúvidas e as dificuldades de quem está no terreno, em vez de partir do princípio que são todos “da oposição”? Que “quem quer trabalhar, trabalha”?... Ou, simplesmente, pretender acreditar que somos um bando de incompetentes, com medo da avaliação?...
Quem fez da escola a instituição reconhecida que hoje é, senão os próprios professores?
E é fácil entender que o fizeram sem esperar a recompensa de uma boa nota, de uma progressão na carreira ou de quaisquer honras pessoais, mas apenas guiados pelo sentido de responsabilidade e pelo prazer de levar a cabo os projectos em curso. Pelos alunos! Pela escola pública!
Merecemos confiança. Merecemos ser agora compreendidos e atendidos numa pretensão tão simples quanto esta: preparemos tudo, com tempo; repensemos e ajustemos critérios de avaliação; retiremos o que é subjectivo e que não depende da nossa acção directa; experimentemos tudo, numa primeira fase; implementemos, finalmente, um modelo de avaliação justo em 2009/2010.
É a minha opinião.
Uma coisa é certa: esta situação não serve a ninguém.
Há que encontrar saídas. Urgentemente.
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Educação,
Manuela Caeiro
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