quarta-feira, 21 de março de 2018

Há histórias assim, de memórias e afetos...


Os sótãos furados é o título de uma obra infantil de Maria do Carmo Almeida, publicado pela Verbo, na Coleção Picapau, em 1980. Apesar de uma ou de outra natural marca da época, nomeadamente a ilustração, continua a ler-se com prazer!…
Imaginem um bairro antigo; um quarteirão de prédios com sótãos, paredes meias uns com os outros; de repente, alguém tem a ideia de os tentar ligar por uma pequena abertura, apesar do receio do que poderia encontrar-se do outro lado… O resultado é uma história que alia aventura e suspense, e fala de vivências quotidianas intemporais de crianças entre os seis e os dez anos, dinâmicas e destemidas.
Cada sótão, tal como cada um dos seus moradores, constitui um mundo diverso a descobrir. E um meio para aprender a conviver, democrática e solidariamente. Não faltam reuniões e decisões; brincadeiras e leituras; lanches e trabalho partilhado.
Nesse tempo, a sociedade portuguesa era menos cosmopolita. Dois dos vizinhos são negros, referidos como os pretinhos - expressão que soando mal, não deixa dúvidas quanto ao valor carinhoso do diminutivo. Aquele grupo vai crescendo diariamente, sem qualquer atrito ou discriminação. Todos diferentes, todos iguais, todos amigos.
Acabo de reler este livro graças ao reencontro com uma ex-aluna, atualmente professora bibliotecária, que o ouviu ler, em tempos, nas nossas aulas de Português… Uma história de afetos. Um livro inesquecível para ela. Uma boa escolha (mais não fosse por isso), digo eu! 
(E confesso: apetece-me abrir o meu próprio sótão, eu que
moro no último andar!)

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