segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Nuvens no horizonte... da saúde!

São mulheres. De todas as idades. De aparência mais ou menos cuidada; mais ou menos atraentes e elegantes.
Não conversam. Estão ali, ocasionalmente, por uma mesma razão. Preparam-se para fazer exames médicos delicados, precisamente ao que as distingue na sua condição de mulher: os seios, o útero.
Após a chamada, numa segunda sala de espera - confortável, de paredes claras e sobriamente decorada - trazem já vestida uma bata sobre o peito nu.
Mantêm uma postura serena; contudo, não conseguem disfarçar uma pontinha de ansiedade, quer ali se encontrem por uma questão de rotina ou para um exame prescrito na sequência de sintomas observados… Sobretudo estas.
Reina o silêncio. Têm ar distraído ou pensativo. Rostos sérios ou crispados. Um pé abana como conta-minutos: tic-tac, tic-tac… Uns olhos vermelhos são diques reprimindo lágrimas, prontas a despenhar-se…
As revistas mais ou menos cor-de-rosa, ao alcance da mão, dificilmente lhes captam o desejo de ler, tanto mais que vão bebendo regularmente água, adicionando mau-estar ao que já sentem…
Em breve (“Deus queira que não”), poderão confirmar diagnósticos e suspeitas. Saber o que prefeririam ignorar.
Amadureceram aprendendo a lutar pela sua emancipação; pela igualdade. São donas de casa eficientes, esposas, mães atentas, exímias malabaristas na gestão de orçamentos familiares, profissionais competentes. Com falhas previsíveis em quem pratica o “tudo-em-um”. Lutadoras. Vencedoras.
Frágeis.
Receiam, neste momento, ser vencidas por uma doença que se instalou silenciosamente, cresceu traiçoeiramente… Poderá soar o toque a reunir forças, para tentar vencer um combate desigual. Afinal esse exame momentâneo, prestes a ser feito, condicionar-lhes-á o futuro…
Haja o que houver, cabe-lhes a habitual responsabilidade de não beliscar o bem-estar e a alegria daqueles que as rodeiam: um propósito que as força à coragem.
Elas já viram rostos em capas de revista, leram reportagens; sabem que há histórias de sucesso. Para mais, ainda há esperança: pode nem ser nada!
Apenas desejam ser saudáveis. Viver. Apenas.
Como as felizardas que, em breve, ouvirão o veredicto do médico que as observar: “Está tudo bem!”.
Como eu, felizmente.

4 comentários:

Elsa Neves disse...

Comecei a ler… e na cabeça a ideia de autobiografia a que a Manuela já nos habituou com os seus textos… A leitura começou a ser dolorosa… Será que…?! Mas, no final... o alívio! Benditas palavras: “Como eu, felizmente.”

Muitos beijinhos! E continuação de muita saúde, energia, alegria!

Judite disse...

Li tudo isto que escreveste! Mais do que também sentir o que sentiste, VIVI tudo isso.Mas o meu final é igual ao teu: "Como eu, felizmente".E é num grito vibrante de uma alma feliz que acrescento: Como eu, como tu, como todas as mulheres que ouviram o " Está tudo bem".Para as outras que o não ouviram/ouvirão, o meu abraço solidário.Beijinhos

Marcolino disse...

Parabéns por este belo texto de alerta a todas as Mulheres...!!!

Anastácio Soberbo disse...

Parabéns pelo Blogue.
É muito bonito, gosto do que leio e vejo.
Um abraço de;
Soberbo