domingo, 13 de janeiro de 2008

Elas...


Juntaram-se quatro mulheres. Primas e amigas. Sem grande familiaridade entre si.
O pretexto foi o aniversário de uma delas.
O contexto: um restaurante e um saboroso jantar, ao gosto de cada uma.

Os tópicos de conversa foram surgindo “como as cerejas”, entre garfadas de peixe ou carne grelhados, regados a água.

No rescaldo do Natal, este tema foi dos primeiros a vir à baila. A laboriosa compra de prendas, iniciada meses antes, de forma planeada, com metódicos registos em agenda e tudo... ou, pelo contrário, a recusa absoluta de embarcar nesse frenesim... (Não houve consenso...)

Inovadoras formas de vivenciar o Natal. As famílias de hoje ramificam-se e os Natais antecipam-se e prolongam-se em sucessivos dias de festa, a rigor, com ceia e distribuição de prendas, em datas que são objecto de marcação prévia, por consenso... 23, 24, 25, 26...
E explanou-se o curioso conceito de prenda
em circulação: a prenda que se não quer e que anda de mão em mão, até ser por alguém desejada...

Leituras e filmes. Os que vemos sós e os que partilhamos com netos. Pontos de vista, preferências assumidas...

A reforma a que algumas de nós já teriam direito e que foi ficando cada vez mais longínqua...
E os projectos que aguardam esse porvir.

A evidente constatação de vivermos sós. Sem sermos solitárias.

A espontânea forma da Paula entabular conversa com desconhecidas e criar novas amizades...

Homens? Alguém reproduziu a opinião de uma amiga ausente (que ficaria bem integrada naquele grupo): “As mulheres são, em regra, mais sensíveis, mais sinceras, mais ricas de conteúdo... mais interessantes...”
Uma opinião que mereceu apoios e silêncios, ou por concordância ou por abstenção...

Elas não falaram de homens. Contudo eu contaria que se cruzou um olhar discreto, mas assumido, com
ele... sentado só numa mesa, na outra ponta da sala.
Todas teriam as suas histórias de vida, as suas desilusões, os seus sonhos... que não desvendaram. Talvez porque a falta de intimidade não transmitisse à-vontade para vencer o tabu.
Calaram-no. Embora com fama de tagarelas, elas sabem ser reservadas.

Falaram de dietas alimentares, mas não de receitas.
De festas de família, mas não de filhos nem de netos.

Nem de casas nem de decoração.

O jantar e a conversa fluíram sem pressa.
A dona do cão foi a primeira a partir... talvez também porque, lá fora, poderia fumar...

Despediram-se com a promessa de um reencontro – para a próxima um almoço, pois que ao jantar preferem refeições frugais.


- Adeus, Paula... Parabéns!


Livres, independentes, elas hoje revelam novos interesses e preocupações.
Elas são realmente diferentes.


1 comentário:

José M. disse...

...As mulheres são, em regra, mais sensíveis, mais sinceras, mais ricas de conteúdo... mais interessantes...”

Acrescento: Indispensáveis!!!
J.