sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Será lixo? Será gente?!...

Chego a Lisboa. Desço na última paragem da Av. de Berna e atravesso a pé a Av. da República.
Bem no centro daquele imenso largo inóspito e ruidoso, ladeado pelo intenso tráfego de ambos os sentidos da dita avenida, estende-se por terra uma mancha negra.
Cativa o olhar, aquele monte de trapos lançado sobre paralelipípedos de pedra esbranquiçada.
O que será?... Lixo?... 
Gente!... Homem ou Mulher?, não se distingue. 
Volume sujo e andrajoso; inodoro no espaço aberto; exposto e discretamente encoberto, no meio da praça deserta.
Um sem-abrigo não surpreende. (Mau sinal!) Mas ali? Não optar por um local recôndito, um vão de escada, o recanto de uma sacada?... Ali mesmo?!
Estendo o olhar, alargando o plano. 
Por cima dele, um outdoor enorme que me não prendera a distraída atenção...
Um cartaz de sorrisos prometedores e afetuosos...
Uma mensagem breve.
Um sem-abrigo abrigado na esperança...
"Queremos Lisboa! +Habitada +Viva +Solidária"
Esta não é uma ação de campanha. (Poderia ser, admito.)
Apenas vi. Li.
Sem indiferença.


6 comentários:

Anónimo disse...

Estou ainda a pensar no que escreveste. É complicado ver certas situações que por vezes nos impressionam para a negativa. Foi o que tu viste e eu li com o coração sentido a tua comunicação.

Um abraço da

Josefina

Algures disse...

Infelizmente cada vez mais um espelho deste nosso Portugal. Nunca vi tanta gente na rua e tantos a irem ao lixo. Miséria...

Um abraço e um beijinho Manuela

Manuela Caeiro disse...

Olá, Josefina! Aquela criatura despertou-me a atenção e ao ver, sobre ela/ele, o cartaz, deu-me que pensar!... E o que escrever.
Partilhei a emoção, está visto!
Abraço solidário.

Manuela Caeiro disse...

Olá, Amigo Algures...
Eu não contei senão uma breve cena de uma longa tragédia..., sem fim à vista!
Concordo contigo: trata-se de um espelho triste.
Que não te falte o emprego (trabalho não falta, com certeza)! Desejo-te felicidades...
Outro abraço, outro beijinho.

Observador disse...

Os 'mandantes' deste território é que são um 'lixo de gente'.

Abraço, Manuela.

Manuela Caeiro disse...

Pois, Observador! Lamentavelmente... :-(