quarta-feira, 17 de março de 2010

Promoção da leitura... emoção que perdura...

Mais um período escolar chega ao fim… E eu sinto bem as férias a aproximarem-se.
Promoção da leitura e escrita: treze sessões realizadas, desde Janeiro. Conto chegar à dúzia e meia, com as da semana que vem.
Muitas sessões, muitas emoções...
Voluntariado puro e duro, isto é, trabalho não remunerado, o que surpreende colegas e amigos: “Não ganhas mesmo nada?”
Para estes, a minha resposta é desconcertante: “Ganho muito! (...Um almoço... um lanche... um café..., umas flores ou um livro..., oferecidos pela Leonor, pela Fernanda ou pela Dina…, trabalhos feitos pelos meninos...) Tenho o prazer de o poder fazer, embora gratuitamente… O dinheiro não é tudo! Se fosse pago, não poderiam contratar-me; assim, como gostam, podem convidar-me…” 


Claro que seria juntar o útil ao agradável beneficiar de um rendimento extra. Confesso! Mas pondero, mais do que isso, os benefícios não pecuniários desta minha actividade, efectivamente voluntária, que me dá tanto trabalho quanto prazer, facilita o convívio com os meus pares e com as crianças e jovens, me mantém activa, informada… me traz reconhecimento, estima e auto-estima…


Uma actividade em que estou tão empenhada que me fez prosseguir a minha autoformação, realizando diversas jornadas de trabalho, em torno da promoção e mediação da leitura, e fazendo, neste momento, um curso de “Mediador de Leitura” (pago, obviamente, fora as deslocações).
As sessões que tenho desenvolvido nas bibliotecas têm corrido muito bem... Sinto a atenção e o interesse dos presentes, miúdos ou graúdos. Vejo depois, com agrado, os meninos, com quem trabalho regularmente, acorrerem espontaneamente à biblioteca escolar, no seu intervalo, para relerem as histórias e poemas que me ouviram ler e/ou procurarem obras que os motivei a “espreitar”…

 Às vezes, oiço comentários muito gratificantes… “A história foi muito bem contada…” - aprovou a professora Amélia (que acompanhou uma turma de 2º e 3º anos).
 “Saí daqui com ideias novas…” - afirmou, com simpatia, a professora Graça (4º ano), à despedida.
 “A colega sabe cativar os alunos!…” - declarou a professora Ana (6º ano), pedindo-me que repetisse a sessão para outra... e depois ainda mais outra... turma sua.
“Manuela, tu tens um dom!…”   declarou a minha amiga e colega Dina (professora bibliotecária), com uma pontinha de exagero, próprio da amizade...
Etc...
São igualmente gratificantes os comentários espontâneos dos meninos… 
“A professora lê, mas parece que faz teatro…” - opinou uma menina de 3º ano.
“Só de ter lido tantas poesias para escolher a que apresentei aqui, hoje, fiquei a gostar de poesia!” - confessou alegremente uma outra menina do 3º ano. (Como foi bom ouvir!)

A Catarina e a Yasmin (do 4º ano), que estiveram no 1º ateliê que realizei, escreveram: 
«Foi muito interessante esta experiência de escrita porque soltámos a nossa imaginação com a escritora Luísa Ducla Soares. Nós recomendamos esta experiência a todos os alunos desta região. Só desta região porque a professora Manuela Caeiro não pode ir a todo o mundo nem a todo o Portugal. Muito obrigada. Nós adorámos. Obrigada e volte sempre!!!»
Recompensa suficiente! Não concordam?!… Eu acho!... 
Nem sequer me habilito a um qualquer título, por exemplo o de “Professora reformada do ano”… :-)
Aliás, quais seriam os critérios de avaliação para tal, se nem percebi nunca ao certo quais os critérios para se distinguir o "Professor (no activo) do ano”?!... 
Uma curiosidade a satisfazer, agora que acaba de ser anunciado mais um, o professor (almadense) Alexandre Costa, indubitavelmente com grande mérito... seguramente difícil de medir e comparar...

2 comentários:

joaquim disse...

Delicioso, professora!
Um blogue que não se limita ao blogar comum, apresenta serviço.
Ao serviço da comunidade e da causa, da leitura e dos livros.
Não deixa de ser uma preparação para a reforma, que se avizinha longínqua, pelo relatório.
O professor do ano é aquele que é escolhido pelos alunos, em cada ano, em cada escola, em cada turma.
O professor do ano é aquele que fica em cada memória de aluno feito adulto.
Professor do ano é aquele que saudosamente encontramos ocasionalmente na rua e só por isso nos renova a poesia da juventude.
Professor do ano é aquele que reencontramos no acaso da vida e nos relembra o prazer de aprender e conhecer.
Excelente trabalho professora!

Leonor disse...

Amiga,fico feliz por estar por perto e por te ter por perto nesta fase da tua vida. O teu entusiasmo é contagiante. Obrigada por tudo e parabéns!
Um abraço bem apertadinho.