quarta-feira, 4 de junho de 2008

Antologia poética



Felicidade


A felicidade sentava-se todos os dias
no peitoril da janela.



Tinha feições de menino inconsolável.
Um menino impúbere
ainda sem amor para ninguém;
gostando apenas de demorar as mãos
ou de roçar lentamente o cabelo
pelas faces humanas.

E, como menino que era,
achava um grande mistério
no seu próprio nome.

Sena, Jorge de, Perseguição, Líricas Portuguesas, Portugália Editora, p.245

2 comentários:

Judite disse...

Como é que não damos conta da Felicidade quando nos debruçamos no peitoril da janela? Porque somos nós tão cegos que olhamos e nada vemos? Acaso será nosso Destino esta busca incessante da Felicidade,estando ela assim tão perto? Ou fará parte essencial do Ser Humano esta força anímica que nos faz lutar por alcançá-la? Quando a sentimos, ainda que ao de leve,sentimo-nos renascer! Por isso a Felicidade é tão relativa...

Leonor Figueiredo disse...

Fabuloso, leve :)




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