terça-feira, 11 de março de 2008

Antologia

Forma de Inocência

Hei-de morrer inocente
exactamente como nasci.
Sem nunca ter descoberto
o que há de falso ou de certo
no que vi.

Entre mim e a Evidência
paira uma névoa cinzenta.
Uma forma de inocência,
que apoquenta.

Mais que apoquenta: enregela
como um gume vertical.
E uma espécie de ciúme
de não poder ver igual.

António Gedeão

1 comentário:

Antonio disse...

Sabe sempre bem lavar a espuma do dia à dia com um poema do Gedeão.
Espero que a tua semana esteja a (de)correr tranquila...e que tranquila continue...
Vim só deixar estas singelas letrinhas !!!!!!
Antónimus