quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Amores perfeitos

Existirão amores perfeitos?

Sonhadores sequiosos de felicidade, temos essa aspiração enraizada dentro de nós.
A multifacetada realidade nem o confirma nem o desmente...

Os vizinhos de cima divorciaram-se. Quem diria? Tão novos! E pareciam tão felizes!...


Os vizinhos do lado, casados de longa data, certamente nunca pensaram separar-se. Vivem numa partilhada rezinguice crónica que lhes preenche o quotidiano, fazendo-os sentir-se vivos e acompanhados. Pior seria a solidão, acreditam.

O vizinho do 1º, suspeito eu, não pensou assim. O casal mudou-se para cá há pouco. Nada sabemos do seu passado, excepto o que é observável à primeira vista: os cabelos grisalhos dele contrastam com a juventude dela...

O adolescente do 3º, há meses a fio, é visto com a mesma amiga. Descontraídos, andam de mãos dadas, conversam sobre tudo ou nada, olham-se nos olhos, trocam carícias...; ingenuamente, confiam que o seu amor durará para sempre... Ilusão? Ou não?...

O viúvo continua só. Circunstância?... Opção?... Terá conhecido alguém-algures...?... Real? Virtual...?... Quererá, algum dia, que esse alguém invada o espaço privado da sua vida?... Aceitará prescindir da independência e da liberdade que hoje tanto preza?...

Naqueles dias em que seguramente estará só - nos dias de festa, aos domingos, nas férias de Verão... -, a vizinha solitária do prédio em frente planifica e gere o seu tempo em liberdade. Vai ao cinema, visita a família, sai com amigos.

Nos outros dias, espera... Será ele quem agendará o desejado encontro - quando puder, quando quiser. Ela espera sem remorso: ele contou-lhe que não é feliz! E acalenta uma esperança: um dia, terão mais tempo para si...

No bairro, ela ignora alguns masculinos olhares cobiçosos e outros tantos vigilantes olhares femininos...

Aquele correspondente holandês que exibia orgulhosamente a sua aliança, revelando simultaneamente que era casado com um português - o vizinho do rés-do-chão, imigrante no seu país - deixou de escrever. Trabalho em excesso?... Ou terá perdido a motivação para saber mais português e praticar a língua escrita?... Continuarão unidos, felizes?... Um dia o saberemos...

Haverá amores perfeitos!?
De certeza! Acreditamos que sim!
Pelo menos enquanto durarem... e forem sentidos como perfeitos.

E afinal todos sabemos que há mesmo amores-perfeitos.
Ou tinham-se esquecido?...




Dedico este par de amores-perfeitos a todos aqueles que acreditam... E também aos outros!



1 comentário:

Antonio disse...

Bonita esta tua crónica do quotidiano !
Estão bem retratados aqui esses imperfeitos "amor perfeito" !
Bonita esta tua prosa.
Tens algo escrito(publicado)?
Se não o tens, arrisca !