segunda-feira, 30 de julho de 2012

E depois do adeus..., um balanço do Ler a Meias...

Mais um ano letivo findou
Do mesmo modo que gosto de descrever e divulgar as sessões de mediação de leitura que vou desenvolvendo, é também meu propósito (e tradição) traçar um balanço final, tendo em vista uma leitura rigorosa do trabalho voluntário realizado, imprescindível para proceder à respetiva avaliação.

Para quê recorrer ao blogue para descrever/avaliar este trabalho?
- O blogue tem servido, ultimamente, para prolongar o diálogo com os jovens de diversas escolas que, após uma sessão, gostam de saber o que escrevi, de recordar o que foi feito e de ver fotografias (forçosamente discretas)... Descobri que passei a ter jovens leitores assíduos!
- Por vezes, é também consultado por pais e professores.
- O blogue passou a constituir, igualmente, uma mostra do meu trabalho para outros colegas que me convidam a ir às suas escolas abordar uma certa temática, reproduzir uma determinada sessão... (Um menu à disposição.) 
- Para mim, é uma forma de organização: arquivo e possibilidade de consulta em qualquer lugar, a qualquer hora... 
- Constato que se transformou num meio de comunicação: família e amigos podem, do mesmo modo, saber notícias... 
- É ainda uma possibilidade de conhecer/partilhar ideias com outros (futuros?) professores, mediadores de leitura...
Faz sentido!

Vamos a números?

Ler a Meias, 2011/2012
Nº de sessões
Total/
Período
1ºPeríodo
Anselmo Andrade (1º Ciclo) -               4

Conceição e Silva (1º Ciclo) -               6


10
2º Período
Anselmo Andrade (1º Ciclo) -             12

António da Costa (1º Ciclo) -                7

 Azeitão/Casal Bolinhos (1º Ciclo)-       2                      

Augusto Louro (3º Ciclo) -                    2




23
3º Período
Anselmo Andrade (1º Ciclo) -              11

António da Costa (1º Ciclo) -                8
António da Costa (2º Ciclo) -                2
António da Costa (3º Ciclo) -                1

Azeitão/Casal Bolinhos (1º Ciclo)-        4

Conceição e Silva (2º Ciclo) -               1
Conceição e Silva (3º Ciclo) -               1

Augusto Louro (3º Ciclo) -                    2

Sesimbra-Poente (2º Ciclo) -                1
Sesimbra-Poente (3º Ciclo) -                2







33






Total - 2011/2012

Total - mai/2009  a jun/2011 -  121 

Total - 2009 a 2012

66

---

187

Em suma, em 2011/2012:

- Agrupamento Anselmo de Andrade/ Almada27 sessões / 4 turmas (1º Ciclo):
O Ler a Meias desenrolou-se quinzenalmente, pelo 2º ano consecutivo, com uma turma da Escola Conde de Ferreira (4º A).
Abrangeu, pela 1ª vez, o 4º A da Escola Feliciano Oleiro (também quinzenalmente, ao longo do ano).

A educação para os valores orientou a seleção dos livros para cada sessão; o lema foi Um poema por dia... dá saúde e alegria... E de facto a poesia teve lugar "diariamente", entre muitas outras leituras de diversa tipologia. 

Desenvolvi ainda duas sessões pontuais, uma para cada turma de 1º ano (das professoras com quem trabalhei regularmente, nos dois anos anteriores).

- Agrupamento de Vila Nogueira de Azeitão (EB1 de Casal de Bolinhos) - sessões/ 2 turmas (1º Ciclo) Mediação de leitura, a pretexto de datas comemorativas.

- Agrupamento António Augusto Louro/Arrentelasessões / 2 turmas (3º Ciclo).
2 sessões por turma, no âmbito da Educação Cívica, justamente com temáticas relacionadas com a Educação Pessoal e Social.

Nos restantes Agrupamentos/escolas, fui convidada para fazer uma sessão por turma, em datas comemorativas (Mês das Bibliotecas Escolares, Semana da Leitura,...) Ocorreu igualmente em aulas de Língua Portuguesa, com o objetivo da promoção do livro e da leitura: 

- Agrupamento D. António da Costa/ Almada18 sessões /18 turmas (1º, 2º e 3º Ciclos).

- Agrupamento Conceição e Silva/ Cova da Piedade (Almada) - sessões / 8 turmas (1º, 2º e 3º Ciclos).

- Agrupamento Sesimbra-Poente (EB 2.3 Navegador Rodrigo Soromenho) -  3 sessões/  3 turmas (2º e 3º Ciclos).

Em suma:  

- 6 Agrupamentos (António Augusto Louro, pela 1ª vez.)
- 15 escolas
37 turmas envolvidas
  • 1º Ciclo - 54 sessões - 82%
  • 2º Ciclo -  4         »     -   6%   
  • 3º Ciclo -  8         »     - 12%    

  • 1º Ciclo - 27 turmas -  73%
  • 2º Ciclo -  4        »        11%
  • 3º Ciclo -  6        »        16% 

Avaliação:

Gosto do que faço: conviver; partilhar o gosto pelo livro e pela leitura; dar a conhecer autores e obras, discutir ideias, fazer imaginar...; ajudar a criar leitores autónomos... 
Faço-o o melhor que posso e sei: desde a morosa pesquisa inicial dos livros (para temáticas previamente estabelecidas) até à planificação de estratégias e à realização das sessões.
Estas costumam correr bem: pequenos e graúdos demonstram agrado e simpatia. Têm-me feito sempre avaliações generosas que me incentivam a prosseguir. 
Eu termino cada sessão satisfeita..., às vezes, muito satisfeita... e, outras vezes mesmo, exultante.  Nunca insatisfeita! Ainda assim, por vezes com dúvidas..., apesar de reconhecer que é um trabalho útil e fértil.
Tenho feito anualmente formações que possam contribuir para progredir... entre as quais, este ano, Expressão Dramática, saúde vocal... 

O meu "calcanhar de Aquiles" são as Comunidades de Leitores. A de Sesimbra não foi retomada (nem nenhuma diligência fiz para tal); as da António da Costa e da Anselmo de Andrade não "arrancaram". 
Claro que é mais fácil receber na biblioteca escolar uma turma inteira, num tempo letivo (uma aula que não vão ter), para ouvir ler..., do que os meninos se inscreverem e se dirigirem aí por vontade própria, fora do seu horário, para falar de leituras domiciliárias e fazer atividades afins... As escolas, por sua vez, têm constrangimentos de espaço, de horários... 
A ser possível concretizar (satisfatoriamente) uma Comunidade de Leitores, tal aconteceria na Anselmo de Andrade. Confiei. Dificuldades à parte, aqui teria havido a oportunidade de dar continuidade ao trabalho de promoção da leitura com alunos que acompanhei dois anos consecutivos, no 3º e 4º anos de escolaridade e que, este ano, frequentavam o 5º ano. Talvez para o ano se  consiga, agora com um grupo de alunos de 5º e 6º anos, com idêntico percurso prévio.
As Professoras Bibliotecárias da Anselmo de Andrade manifestaram vontade. Conseguirão?
Manter-se-ão no cargo?!
Esta foi a maior dificuldade inicial deste ano letivo. Por razões várias, quatro das minhas amigas abandonaram o seu cargo de Professora Bibliotecária
São tempos de muitas convulsões e perplexidades.
Como voluntária, faço jus ao nome: trabalho de bom grado e desinteressadamente. Compreendo bem quanto dou e recebo em troca!
Continuarei a andar de escola em escola, enquanto me sentir apta e útil e a minha colaboração assim for entendida. 
"Deixar fluir e fruir" é meu lema de longa data... 
Logo, para o ano, cá estaremos.






Foto: Lendo a meias... Um livro para todos os dias, de Isabel Minhós Martins, na EB1 nº1 da Cova da Piedade

sábado, 28 de julho de 2012

Antologia - Credo...

A casa se fez vela, aconchegada nos braços do vento, alongou o olhar e vogou em demanda do Tejo... e da poesia.

Creio nos anjos que andam pelo mundo

creio nos anjos que andam pelo mundo,
creio na deusa com olhos de diamantes,
creio em amores lunares com piano ao fundo,
creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes;

creio num engenho que falta mais fecundo
de harmonizar as partes dissonantes,
creio que tudo é eterno num segundo,
creio num céu futuro que houve dantes,

creio nos deuses de um astral mais puro,
na flor humilde que se encosta ao muro, 
creio na carne que enfeitiça o além,

creio no incrível, nas coisas assombrosas,
na ocupação do mundo pelas rosas,
creio que o amor tem asas de ouro. amém.

                                                                       Natália Correia

quarta-feira, 18 de julho de 2012

67 minutos... por Mandela, para o MEM

De 19 a 21 de Julho, no Piaget de Almada, decorrerá o 34º Congresso do Movimento da Escola Moderna (MEM).
Sem referir nada do que foi preciso preparar antecipadamente, hoje todos seríamos poucos para apoiar na organização da exposição, acolhimento aos Congressistas, afixação de painéis informativos...; distribuição de água, cafés...
Qualquer um de nós o faria, de qualquer modo. Fazê-lo por Mandela acrescentou objetivos e ânimo.
Vários conjuntos de 67 minutos oferecemos, por Mandela, ao MEM. Em dia de calor abrasador.
Ao MEM... e a... Mandela. 
Com gratidão e simpatia. 
Trabalho social voluntário, pela Educação, em ambiente de festa!
Foto acima: Colaboração na organização da Exposição (painéis dos meninos da Educadora de Infância Manuela Guedes.)


Parabéns, Mandela!

Parabéns pelos 94 anos!
Parabéns pelo exemplo de vida!
Parabéns pela determinação e coragem na luta contra o apartheid!
Que lhe podemos dar de presente? O que nos pede: tempo. Tempo e trabalho voluntário a favor de causas sociais. 67 minutos! Um minúsculo minuto por cada maiúsculo ano da sua penosa luta por justiça.
Todos temos algo por que lutar, sendo livres e solidários. Apoio esta ideia!
Parabéns e muitos anos de vida, Mandela!



  



terça-feira, 17 de julho de 2012

Festival de Almada: festa, cultura, convívio...

O Festival reabriu, pontualmente, no dia 4 de julho, no tradicional palco ao ar livre da Escola António da Costa. Noite fresca em que a Lua Cheia brincava às escondidas, atrás de nuvens preguiçosas...
Cerimónia breve: uma saudação a todos aqueles que nos iriam proporcionar esta festa anual (incluindo nós, o público), na sua 29ª edição; e a manifestação de regozijo por se terem vencido adversidades e ter sido possível voltar a levá-la à cena, em 2012.
Dezoito espetáculos em palcos de Almada e Lisboa, para serem vistos em quinze dias; muitos criadores de renome internacional: portugueses, franceses, belgas, italianos, espanhóis, alemães, dinamarqueses, israelitas e árabes, juntos...
Artes várias: música, dança, pantomima, cinema (uma "curta"), teatro... 
Com alguma determinação e habilidade, os espetadores conseguem estabelecer um programa diário que possibilite assistir a (quase) tudo. E, deste modo, o preço da caderneta (€70,00, no caso do público "em geral") vai-se tornando cada vez mais convidativo: menos de €4,00, cada sessão...; €2,50, no caso dos jovens. Entretanto, apreciam-se várias artes, cotejam-se temáticas e estéticas, vivem-se reflexões e emoções em catadupa, "gostei deste, daquele não tanto", forma-se uma opinião pessoal.
Paralelamente, realizam-se encontros, debates, exposições... Na esplanada, convívio; gastronomia variada, música, cinema (entrada livre). 
Fazem-se opções.
Ao chegar ao fim, um cansaço regenerador: muito se viveu e aprendeu, como em curso intensivo...
As noites aqueceram.
Saudades antecipadas. O fim anuncia-se. É amanhã!



segunda-feira, 18 de junho de 2012

Quando o futebol prodigaliza afetos...


Era dia de futebol.
Ao chegar a casa, deparei-me com festa nas proximidades, em local inusitado... Seguramente, mais de uma dúzia de pessoas sentadas à mesa, vozes alegres, crianças brincando, bandeiras da Lusofonia desfraldadas – Cabo Verde, Brasil e Portugal – lado a lado, unidas.
Torcia-se (sofria-se) por Portugal: quer sendo país natal quer país de acolhimento… Sensibilizou-me! Avistei gente conhecida. Aproximei-me. “Para um brasileiro «quantos mais, mais…»” (Fui bem acolhida.)
Reuniam-se ali várias famílias (parte delas, multiculturais), seus vizinhos e amigos, gente que por cá reside e resiste. Talvez fossem todos migrantes, até mesmo os portugueses! Como eu, inclusive.
Uma grande televisão ligada era o centro das atenções.
Emoção. (Maior entre os que se sentaram na 1ª fila; menos acentuada entre os conversadores da linha intermédia ou ainda entre o grupo das mães, lá atrás.)
Uma única voz discordante apoiava a equipa adversária, com assumida simpatia pela Holanda – e certamente também com desejo de espicaçar o nervosismo alheio, em jogo decisivo…
Cada golo (dos nossos) prodigalizou brados de alegria, palmas. Beijos, abraços, famílias enlaçadas. A vitória fez redobrar carinhos e manifestações de alegria, cada qual sentindo-a muito sua.
Comemoração à mesa. Sabores de aquém e além–mar. Chouriço assado na brasa, salgadinhos, salada; arroz, farinha de mandioca, em receita saborosa; pastéis de nata...
Por fim, arrumação e limpeza, com grande ligeireza e espírito de cooperação. O pátio rapidamente ficou “como novo”.
Era dia de aniversário, domingo, por sinal dia de futebol. 
Duplo pretexto para festejar, animadamente.
Data duplamente memorável.


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Reencontro, na Escola Conde de Ferreira

Estava prometido.
Os meninos iriam fazer, na sua sala, anonimamente e por escrito, a avaliação do Ler a Meias... e eu iria à escola, esta semana, buscá-la. 
Deste modo, também eles poderiam levar as suas fitas de "finalistas" para que eu lhes escrevesse uma dedicatória... (Alguém se lembrou de me dar uma fita a assinar e depois todos queriam o mesmo, só que nem todos a tinham levado consigo, no último dia...)
Celebramos assim certas etapas marcantes da vida escolar dos pequenitos, em solene ambiente de festa... Tal acontece, em regra, em momentos de mudança de ciclo de estudos e de estabelecimento de ensino: tempos de adaptação a novas situações que geram uma pontinha de desconforto... (ainda assim, menor do que o de ser retido...) 
Alguns rituais dos finalistas propriamente ditos foram sendo encenados... e, aos poucos, a tradição ganhou raízes, desde o Pré-Escolar! Ora os meninos da Conde de Ferreira vão transitar do 1º para o 2º ciclo (do 4º para o 5º ano), já fizeram as provas... e vivem este momento de despedida muito a sério!... 
Entre nós, tudo se passou tal e qual fora previsto.
A avaliação estava pronta: cumpriram a sua parte! E eu, a minha: escrevi, escrevi... assinei, assinei... (Nem todos se lembraram de levar a fita...; só que, desta vez, não prometi voltar...)
Fiz mais. 
Era grande, hoje, a azáfama. Assisti ao ensaio de uma peça de teatro, para a festa (na 4a feira). Que nervosos, todos! (Como vos entendo!!!)

Foi assim que acabei por presenciar a última aula de Desenvolvimento Pessoal e Criatividade, ministrada pela minha ex-aluna e amiga Joana Sabala. Foi assim que pude ver os belos trabalhos plásticos que criaram (autorretrato, heterorretrato, continuidade, etc, feitos de olhos fechados e abertos..., com diferentes técnicas e materiais)... E pude ouvir as elogiosas apreciações que teceram à sua professora e às atividades realizadas, generosamente e com sentido crítico. 
Ensinei-lhes uma palavra nova: inolvidável... (para não repetirem, sempre e só, inesquecível)!
Quanto à minha avaliação, sinto-me muito feliz com o resultado. 
1) Todos gostaram do Ler a Meias... porque:
- foi divertido; 
- a professora lê bem, 
- gostaram de ler (também)...
- "É linda."... 
2) Lembram-se de livros:
- Bartolomeu Marinheiro; 
- Os três bandidos;
- Os burros; 
- O quadro roubado... 
  Lembram-se de situações: 
- recriação das Janeiras; 
- realização de uma Assembleia; 
- oficina de desenho; 
- ver/rever as fotos de todas as sessões...
3) Um único aluno (-a) diz que não passou a gostar mais de ler (por uma razão de peso!): «Não - porque já gostava de ler.»
Os restantes afirmam, sem exceção:
Sim! Sim! Sim! :-) :-) :-)
E justificam:
- "Sim, ajudou-me a gostar mais dos livros."
- "Sim, antes não gostava de ler, mas agora gosto."
- "Sim, eu agora gosto muito mais de ler."
- "Sim, ajudou-me a perceber melhor as histórias"; 
- "Sim, graças à professora, eu agora leio com graça e piada."
- "Sim. E ajudou a divertirmo-nos com os livros."
- "Ajudou-me a comprender o amor aos livros". 
E por aí fora... Uma avaliação em tudo idêntica à que foi feita pelos meninos da outra turma, no dia da última sessão.
Eu também gostei muito! Se tudo correr bem..., até para o ano!...
Boas leituras! Boas férias!


domingo, 10 de junho de 2012

Surpresa... e dúvidas...

Andamos por aí, semidistraídos, máquina fotográfica à mão de semear... Quando menos se espera, há algo surpreendente a atrair-nos o olhar e a convidar a disparar...
Foi assim ontem.
Sete papagaios voavam paralelos e alinhados, ao sabor do vento, colorindo o céu e prendendo a atenção de quem passava no paredão da Caparica. Eram  como sete velozes avionetas participando em festival aéreo, com suas longas caudas de fumo de outras tantas cores... Um arco-íris em movimento, manejado com perícia, longamente, ora rodopiando ora voando para o alto em flecha e de súbito descendo vertiginosamente, sem se despenhar...
Era adulto, o piloto. Crianças à sua volta não se viam... (Talvez existisse apenas uma, dentro de si...)
Seria vendedor? 
Estaria a fazer uma demonstração do produto que pretendia vender? 
Observar-nos-ia?
Viria a seguir contactar quem olhava incessantemente para aquele espetáculo inesperado? 
Pediria algo em troca do serviço... ou das fotografias?...
Tudo isso veio à mente... com inesperada desconfiança. (Sinais dos tempos...)
Já não acreditamos em "almoços grátis". Mas afinal sim, ainda os há!
Uma simples diversão... sem contrapartidas.
Belo, simplesmente!...


terça-feira, 5 de junho de 2012

Despedidas, no "Ler a Meias..."


 Desde 25 de novembro, estivemos juntos de quinze em quinze dias, na biblioteca da escola Feliciano Oleiro... Agora o ano chega ao fim. 
Neste último encontro, viram-se fotografias das sessões todas, visitou-se o Quarto Crescente (onde tudo pode ser recordado), escreveu-se coletivamente um comentário... 
(O videoprojetor funcionou. A professora Mafalda Rodrigues deu o apoio necessário.) 
Os meninos lembravam-se de tudo: sabiam pormenores das histórias, recordavam-se de episódios vividos, gostavam de se ver... e observavam como cresceram!...
Ainda arranjámos tempo para ler um livro!!!...
Quem diria que o ano acabaria com a leitura de O Princípio, de Paula Carballeira, uma história que decorre no pós-guerra, com as cores da destruição e miséria? (A que propósito?!)
Há momentos assim na vida, em que tudo é (ou parece ser) muito negro... E, afinal, "estamos vivos, o que é uma festa": tudo se pode recompor! (Não podemos cruzar os braços!)
São assim os momentos de transição da nossa vida: assustam-nos as mudanças, desgostam-nos as despedidas... mas temos de seguir em frente, valorizando as coisas boas... (Acertei. Os meninos pressentem saudades..., receiam a mudança de escola...)
- Acharam a história triste? - perguntei.
- Sim..., mas tem esperança!... (Certeira e linda resposta!)
Foi dia de despedidas, logo, dia de avaliação. 
Ainda não tenho tudo em meu poder...
Para já, recebi as avaliações do 4ºA da Feliciano Oleiro, com muitos desenhos  lindos e com simpáticas mensagens no verso... E tive a oferta de um livro feito pelo 4ºA da escola Conde de Ferreira, reunindo uma página de cada aluno, com maravilhosos textos e ilustrações que me dedicaram...
Tanto basta para me sentir vaidosa e comovida! (Acreditem!...)


Todos já sabem, mas repito: gostei muito de estar convosco! Espero que possamos continuar alguma atividade no 2º Ciclo... 
Há esperança! As professoras bibliotecárias da escola Anselmo de Andrade ali se encontravam, unidas, à despedida, simpaticamente, afirmando a sua vontade de tratar disso...
Querem ver a prendinha que me deram? Uma linda bolachinha com o logotipo do Ler a Meias...! 
Gostei tanto! (Conseguirei comê-la?... Difícil!)
Sabem? A grande artista-pasteleira que a fez trabalha na biblioteca da Anselmo de Andrade! 
PARABÉNS! 

E quanto aos meus retratos, desenhos e mensagens... vejam só alguns!...








sábado, 2 de junho de 2012

Ler a meias... entre crianças...

De novo, uma ida a Casal de Bolinhos. Desta vez, festejando o "Dia da criança".
Com o 1º ano, começámos por A Cegonha, de Luísa Ducla Soares (do livro Arca de Noé):  
Olha a cegonha
na chaminé
Dizem que trouxe
o meu bebé. (...)
E da barriga
da minha mãe
veio o bebé
que a gente tem.
Puseram-se "os pontos nos is". Os meninos não sabiam... que dantes se dizia às crianças que os bebés vinham de Paris, trazidos no bico de uma cegonha! Novidade!... 
A seguir, havia dois livros à escolha. Decidir pelo título não foi fácil, foi mesmo difícil!!!...   Pronto, lemos Quando eu nasci, de Isabel Minhós Martins.  E os meninos divertiram-se a valer enquanto foram seguindo as descobertas que os bebés fazem, com os seus cinco sentidos, à medida que crescem... Apreenderam a mensagem final: 
Todos os dias descubro sempre mais um bocadinho. E isso é a coisa mais fantástica que há.
Queriam mais!!! 
Então, espreitámos A família dos macacos, de Rita Taborda Duarte. Lemos só as primeiras páginas... E o que irá agora acontecer? - perguntei. 
A imaginação foi fértil, as resoluções severas... (Tenho de lhes ler o resto, da próxima vez. Prometido!)
Tinham uma prendinha para me dar à despedida: um marcador. Os meninos são sensíveis aos papelitos com que assinalo as páginas... e o André frisou:
- Agora já não precisas de usar esses papéis... 
- Sim!..
Fizeram questão que eu visse as suas assinaturas no marcador. Muito bonito!
Saíram sem pressa, mas tinha de ser! 

Era a vez do 2º ano.

Também estes meninos, mal chegaram, me deram um marcador, assinado por todos... 
- Faz-me falta! Obrigada! Gostei muito!... - E logo li os seus nomes, um a um. Estavam felizes e orgulhosos.

- Vamos ler A princesa baixinha? - perguntaram logo em seguida.
- Sim! (Nem se esqueceram eles nem eu...)
Começámos imediatamente.
Imaginem uma Princesa pequenina que, com conhecimento da Rainha Avó, parte por esse mundo fora, atravessa desertos, montanhas e bosques e faz grandes feitos! A quem todos aplaudem: Viva a princesa! Grande princesa!...

Foi diversão e encantamento.
Para mais, a seguir, com a minha ajuda, os meninos improvisaram um teatro, com fantoches de dedo... Começaram a medo, envergonhados... e acabaram com grande à vontade, extravasando a alegria e entusiasmo que a sessão lhes despertou.
Que prazer trabalhar com estes meninos e com as suas professoras!
...Obrigada!...
Até breve!


Poderão visitar o blogue de Casal de Bolinhos


sexta-feira, 1 de junho de 2012

"Carta aos meus netos"

I - Música...





II - Música e poesia...


Será melhor nascer e crescer... ou desnascer?
Manuel António Pina: A Ana quer


quinta-feira, 31 de maio de 2012

Drogas e dependências: escuta, isto é contigo!

Falei há pouco tempo convosco, jovens adolescentes, e vim preocupada.
Entre olhares furtivos, risos disfarçados e sussurros partilhados entredentes, percebi que beber e fumar fazem parte dos vossos prazeres secretos... 
Abordámos logo ali, abertamente, a questão, mas transporto o sabor amargo da incerteza... Terei ajudado?... 
Dirijo-me a cada um de vós. A ti.
Escrever é mais um meio à minha disposição para te fazer pensar...
És livre de aceitar ou não o desafio.
Isso é mesmo contigo!


Fumar prejudica seriamente a saúde. Já ouviste dizer isso tantas vezes que nem ligas! Mas acredita que o fumo provoca não só o cancro do pulmão, como muitas outras doenças: cancro da língua, da faringe, laringe, esófago..., da pele...; bronquites; doenças de coração; derrames cerebrais... e mais, muito mais!
Fumar mata, sim! Quantos não perderam já familiares e amigos, assim?! (É a principal causa de morte evitável em todo o mundo, como alerta a Organização Mundial de Saúde!)


Fumar "erva" ou ingerir "pastilhas" (de origem duvidosa e efeitos insuspeitos) não é melhor; não creias! Pelo contrário, pode ter consequências muito graves! Talvez irreversíveis.


O álcool também é uma droga, sabias? Causa habituação. 
Afeta o cérebro. A prova é que um bêbado se esquece do que fez durante o seu estado de embriaguês. Está provado que a bebida interfere com a inteligência, com a memória, prejudica a aprendizagem... 
Quanto mais cedo se começa a beber, maior é o perigo de se criar dependência. E de sofrer danos cerebrais.
Traz também muitas doenças associadas... Mata, também! 


Se tu precisas dessas drogas, lícitas ou ilícitas, isso é sinal de vício, é toxicodependência!
Não te julgues "intocável"!
E vendo bem, para que precisas tu de drogas? 
Se tens problemas, é melhor encará-los de frente e resolvê-los da melhor maneira possível, com lucidez!
Para quê entrar - semi-inconsciente - numa "viagem" de ilusão? E "acordar" a seguir com mais problemas ainda, depois de ter feito mil disparates: brigas, acidentes, problemas com a justiça...; sexo de risco...; etc, etc...?
...
Bem melhor é divertires-te a conversar, ouvir música, dançar, ler, jogar, criar arte, praticar desporto, passear, namorar...
O teu grupo de amigos desafia-te e não lhes queres dizer que não?
Tens a certeza que são as melhores companhias para ti? Se sim, por que não optas pela tua liberdade de recusar? Por que não lhes apontas outros caminhos?
É a tua vida que está em jogo!
Usa a tua inteligência! Vive uma vida saudável!
Diverte-te! verdadeiramente feliz!


Imagens da Net:
Foto 1
Foto 2 



Lendo a meias poesia... em tons de verde e azul...










Fui a Sesimbra na «semana das cores» daquela escola.  Calhou! 
Era o «dia do verde» e... eu ia vestida de verde. Pura coincidência!!!
O objetivo traçado era fazer, com o 5º E,  uma abordagem à poesia, numa aula de Português da professora Felicidade Matias. 
Preparei a sessão como se fosse, para mim, novidade!... 
De facto, há poemas "incontornáveis" para ilustrar determinados aspetos, mas sinto necessidade de inovar, de pensar no meio social do público-alvo... e a minha seleção teve em conta o mar, a pesca... muito azul!
A sessão (de cerca de 80m) dividiu-se em três partes:
I - Escuta - e comentário - de poemas;
II - Leitura autónoma, pelos alunos, de um livro de poesia à sua escolha - silenciosamente e em voz alta;
III - Jogo. 

- O que é a poesia? - foi a questão inicial. (O poeta faz-se aos 10 anos, de Maria Alberta Menéres, serve de inspiração...)
As respostas foram surgindo:  são palavras...; a poesia brinca com palavras, sons, sentidos... Fala da realidade e apela à imaginaçãoExprime sentimentos: amor, alegria..., às vezes tristeza...; outras vezes, faz humor. Pode ser um jogo de formas (como na poesia concreta visual). 
Geralmente tem rima, mas pode não ter. Há recursos que a dispensam... 
É constituída por versos que formam estrofes (de dimensão variável)... 
Encontram-se em livros de autor ou em antologias. Os ilustradores dão vida aos textos dos poetas...
Tudo se foi constatando, à medida que se foi lendo..., ouvindo, vendo.
Por sinal, o primeiro a intervir foi um aluno que quis ler um poema seu. Poema rimado, que falava de amor e de sorrisos "como os da televisão".
Que mais se leu?...

  • Poesia popular, de Eu bem vi nascer o sol (Antologia organizada por Alice Vieira);
  • Jogos poéticos com sinais de pontuação de Alexandre O' Neill, do Primeiro livro de poesia (Antologia organizada por Sophia de Mello Breyner Andresen);
  • Versos divertidos de José Fanha, de Cantigas e cantigos;
  • O poema Jogo (não rimado) de Nuno Júdice, em O meu primeiro álbum de poesia (Antologia organizada por Alice Vieira);
  • Poesia concreta visual de Salette Tavares, em Brincar também é poesia  (Antologia organizada por Catarina Ferreira);
  • Mistérios, de Matilde Rosa Araújo.
  • Por fim, um "grande" poema composto de dois "pequenos" versos -  Atlântico, de Sophia de Mello Breyner Andresen:
Mar,
Metade da minha alma é feita de maresia.


Os meninos escutavam, participavam, mas já era tempo de lhes dar a vez, de serem eles a escolher e ler.
Formaram pares, escolheram um dos muitos livros que eu levara e leram a meias... Selecionaram estrofes, prepararam a sua leitura, apresentaram-nas aos colegas. (Ninguém se inibiu de ler, mesmo quando foi preciso vencer visíveis dificuldades.)





Por fim, um jogo. Ordenou-se (coletivamente) um poema de António Torrado: A urtiga e a mão (da antologia organizada por António José Gomes, Conto estrelas em ti).


À despedida, foi feita, conjunta e oralmente, uma avaliação da atividade:
- Gostaram? 
- Sim!
- De que gostaram mais? 
- De ouvir ler!...
- De ler!...
- De escrever!...
- E do jogo, gostaram?
- Sim!
(Houve gostos para tudo!)
Mais ainda do que com palavras, eles comprovaram - por ações - que a abordagem à poesia surtiu efeito e que a motivação foi intensa. 



Enquanto esperavam uns pelos outros, os meninos copiaram poemas ou recriaram-nos, por iniciativa própria. Mostravam-nos orgulhosamente!
Que dizer daquele menino que copiou o poema Mistérios, para oferecer ao seu pai, pescador? 
E daquela menina que veio despedir-se de mim, dizendo: "Adorei! Muito!..." 
E ainda aquela outra que afirmou: Gostei muito. A professora fala muito depressa (isto é, disse muita coisa, com vivacidade) e é muito engraçada!...
Para confirmar, escutei a minha amiga Felicidade manifestar satisfação plena... Que bom!
E vi a Direção da escola subtrair minutos preciosos à sua azáfama, para agradecer a minha colaboração. Que prazer!


Ser voluntário é isto! 
Dar... e receber. Assim..., simplesmente, sem nada esperar em troca. 
Pura poesia!...