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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Na frieza dos números, o calor das recordações...

O ano 2012/2013 findou. O meu trabalho voluntário, em bibliotecas escolares do ensino público, acompanha este ciclo anual. É chegado o momento de fazer balanços...

Entre outubro/2012 e junho/2013, realizei 85 sessões de promoção da leitura, em 13 estabelecimentos de ensino de 6 Agrupamentos de Escolas da margem sul do Tejo, tendo sido abrangidas 43 turmas.

Como é hábito, desenvolvo projetos regulares a Ler a meias... (em escolas onde sou já considerada "da casa"...) e realizo igualmente sessões pontuais, mediante convites que vão surgindo. 

A minha colaboração é solicitada sobretudo para turmas de 1º ciclo, anos em que as crianças mais adquirem competências, hábitos e gosto pela leitura, num ciclo escolar onde se torna menos difícil a gestão de aulas de Língua Portuguesa para atividades periódicas de mediação de leitura, na sua biblioteca escolar. 
A minha maior disponibilidade para trabalhar com os meninos "mais crescidos" do 1º ciclo deve-se ao facto de a minha experiência profissional ter sido toda ela acumulada no 2º e 3º ciclos (do 5º ao 9º ano de escolaridade). 

Os números deste ano não surpreendem:

1º ciclo - 58 sessões:
1º ano -   2 sessões (envolvendo 3 turmas);
2º ano -   5 sessões (envolvendo 5 turmas);
3º ano -   9 sessões (envolvendo 9 turmas) ;
4º ano - 42 sessões (envolvendo 11 turmas) ;

2º ciclo - 27 sessões:
5º ano - 20 sessões (envolvendo 10 turmas);
6º ano -   7 sessões (envolvendo 5 turmas).

Foi a seguinte a distribuição destas sessões por Escolas/AVE:


AVE Anselmo de Andrade, Almada

1º Ciclo -               35

2º Ciclo -               15
                                                                       __________
                                                                                   50
  
AVE D. António da Costa, Almada

1º Ciclo -                13              

2º Ciclo -                 4
                                                                       __________
                                                                                   17

Escola Básica de Casal Bolinhos, Brejos de Azeitão, AVE de Azeitão

1º Ciclo -                    6

EB 2.3 Comandante Conceição e Silva, AVE Comandante Conceição e Silva, Cova da Piedade, Almada
  
2º Ciclo -                   4

Escola Básica 2.3 Navegador Rodrigues Soromenho, AVE de Sesimbra- Castelo Poente, Sesimbra

                                                    2º Ciclo -                    4   


Escola Básica do Casal do Sapo (Fontaínhas), AVE da Quinta do Conde, Sesimbra

1º Ciclo -                    4
  
O projeto Ler a meias teve início em 2009: fez já 4 anos. Soma 272 sessões. (2009/2010 - 59; 2010/2011 - 62; 2011/2012 - 66; 2012/2013 - 85)

O trabalho que desenvolvo, o carinho que me é dedicado, as recordações que guardo... a avaliação que faço e que me é feita... e que tanto me sensibiliza... tudo isto me faz cada vez mais acreditar que valeu a pena dedicar-me a esta área de voluntariado que pretendo continuar a abraçar (enquanto puder)...
A mais-valia e o prazer são mútuos!
Obrigada a todos!


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Com poemas nos bolsos, para Ler a Meias...

O dia estava chuvoso. A seguir, iria decorrer outra atividade que mobilizaria toda a escola. A Mediadora quase tivera de faltar, para acudir à netinha adoentada, entretanto melhorzita... Tudo verdade! Mas verdade, verdadinha, foi que a professora Isabel chegou à biblioteca escolar com os seus meninos de 4º ano, todos muito contentes. (Só a professora Inês é que teve de adiar...) E a POESIA aconteceu!... 
Ia em muitos livros, em CDs... e até nos bolsos!...
Primeiro ouvimos uma canção, de A Casa do Silêncio, do Bando dos Gambozinos. Em ritmo de jazz, a faixa 6 contava a odisseia de um simples botão, vejam lá! Imaginam que ali se podem expressar sentimentos? Ui, tantos!!!
Versos, estrofes, quadras, onomatopeias, etc, etc... - nada é já segredo para esta turma de 4º ano. Contudo, escutaram, fascinados, os poemas lidos: jogos com letras, palavras, sinais de pontuação, números, sons e ritmos, formas... e sempre em busca de sentimentos.
Os poemas daqueles livros saltavam dos bolsos para o quadro, que foi ficando cheiinho de poesia...
Para terminar, a voz de José Fanha, num dos seus Poemas para um dia feliz: Todos os dias, de Saúl Dias. (A faixa 23.)
E para terminar, imaginámos o prolongamento do poema.
Que bonita mensagem, estes meninos nos deixaram!

Todos os dias nasce um novo dia para a felicidade.
Todos os dias acordamos com alegria.
Todos os dias nasce um sol brilhante.
Todos os dias, há um arco-íris colorido no céu.
Todos os dias, há um dia bonito para viver.

- Alguém duvida?...
- Quem acredita, vai tê-lo, sim!


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Ler a meias... através do tempo...

Hoje, na E B 2.3 Conceição e Silva, o desafio era mediar leitura em duas turmas de 6º ano, pegando no lema do Mês das Bibliotecas Escolares 2012: «Biblioteca, uma chave para o passado, presente e futuro.»
Para mim, era ponto assente percorrer as três eras:
  • Passado: livros manuscritos, com iluminuras; livros impressos e encadernados a couro; contos tradicionais, provérbios e lendas...; clássicos, nomeadamente de um passado recente... Património oral e papel. Alguns objetos em desuso, tais como a cassete ou a velhinha disquete (que já ninguém reconheceu)!
  • Presente: variedade de autores, mais ou menos jovens, e múltiplos suportes: livros, e-readers, computadores... CDs, DVDs, pen...
  • Futuro: uma incógnita. Os autores deixam-nos a sua obra, mas quais deles continuarão a ser publicados e lidos? Uma coisa se sabe: os contos tradicionais permanecerão. Em livro ou e-book? "O futuro a Deus pertence", diz o Povo. Neste caso, depende ainda dos homens e das tecnologias...
Criar uma caixa-mistério, com uma gaveta para cada época, foi uma solução prática e engenhosa que suscitou o interesse geral.
O apelo à imaginação foi feito com a ajuda de Manuel António Pina: 

Basta imaginar, 
um pássaro para o aprisionar,
e depois imaginar o ar para o libertar
e imaginar asas para ele voar
e imaginar uma canção para ele cantar.


A imaginação dos jovens ganhou asas ao tentarem adivinhar o que era aquilo que ali estava tapado... O mistério foi-se desvendando à medida que cada gaveta foi aberta... 
E ao mesmo tempo desfiaram-se leituras, histórias sobre os autores e sua época e muitas conversas... Mais não porque eram só 90 minutos!   
Os jovens presentes tinham fama de agitados. A verdade é que se deixaram seduzir... Renderam-se à  curiosidade... Desfrutaram do prazer de ver, ouvir contar, escutar excertos, antecipar finais...
Quais as obras? 
Esclareço que fiz sugestões muito diversas: para leitores e não leitores, para quem gosta de humor ou de temas mais sérios... Ei-los (poucas diferenças houve, de turma para turma): 
  • Afonso Cruz, Os livros que devoraram o meu pai, Caminho
  • Álvaro Magalhães, O livro que se lê de olhos fechados, ASA
  • António Torrado, A nau Catrineta, Civilização
  • Ilse Losa, A minha melhor história, Editora Nova Crítica (ou O mundo em que vivi, Afrontamento)
  • José Fanha, A namorada japonesa do meu avô, Gailivro
  • Manuel António Pina, O pássaro da cabeça, A regra do jogo
  • Miguel Sousa Tavares, O planeta branco, Oficina do livro
  • Pinto & Chinto, Contos para meninos que adormecem logo a seguir, Kalandraka
  • Sophia de Mello Breyner Andresen e Pedro Sousa Tavares, Os ciganos, Porto Editora
Sophia encantou a plateia, com o seu conto recentemente publicado. Sem termos lido o final escrito pelo seu neto Pedro Sousa Tavares, Os Ciganos deixaram sementes de escrita.
Foi muito gratificante esta manhã, passada na minha escola e na minha biblioteca!
(Notícia aqui.)

Nota final: Acabei ontem de fazer, na Biblioteca Municipal de Palmela, uma formação de cerca de 6 horas, Maletas itinerantes  - valor educativo-pedagógico, a qual me ajudou na preparação desta sessão. Sem dúvida que a solução das gavetas me resolveu o problema logístico do entrecruzar de várias eras... 
Agradeço aos seus organizadores: RBE, SABE de Palmela, Serviço Educativo do Museu Municipal de Palmela e ENA. E, em particular, à "Xana das Gavetas".
(Fui pesquisar informação sobre a Xana. Aqui está!)


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Reencontro, na Escola Conde de Ferreira

Estava prometido.
Os meninos iriam fazer, na sua sala, anonimamente e por escrito, a avaliação do Ler a Meias... e eu iria à escola, esta semana, buscá-la. 
Deste modo, também eles poderiam levar as suas fitas de "finalistas" para que eu lhes escrevesse uma dedicatória... (Alguém se lembrou de me dar uma fita a assinar e depois todos queriam o mesmo, só que nem todos a tinham levado consigo, no último dia...)
Celebramos assim certas etapas marcantes da vida escolar dos pequenitos, em solene ambiente de festa... Tal acontece, em regra, em momentos de mudança de ciclo de estudos e de estabelecimento de ensino: tempos de adaptação a novas situações que geram uma pontinha de desconforto... (ainda assim, menor do que o de ser retido...) 
Alguns rituais dos finalistas propriamente ditos foram sendo encenados... e, aos poucos, a tradição ganhou raízes, desde o Pré-Escolar! Ora os meninos da Conde de Ferreira vão transitar do 1º para o 2º ciclo (do 4º para o 5º ano), já fizeram as provas... e vivem este momento de despedida muito a sério!... 
Entre nós, tudo se passou tal e qual fora previsto.
A avaliação estava pronta: cumpriram a sua parte! E eu, a minha: escrevi, escrevi... assinei, assinei... (Nem todos se lembraram de levar a fita...; só que, desta vez, não prometi voltar...)
Fiz mais. 
Era grande, hoje, a azáfama. Assisti ao ensaio de uma peça de teatro, para a festa (na 4a feira). Que nervosos, todos! (Como vos entendo!!!)

Foi assim que acabei por presenciar a última aula de Desenvolvimento Pessoal e Criatividade, ministrada pela minha ex-aluna e amiga Joana Sabala. Foi assim que pude ver os belos trabalhos plásticos que criaram (autorretrato, heterorretrato, continuidade, etc, feitos de olhos fechados e abertos..., com diferentes técnicas e materiais)... E pude ouvir as elogiosas apreciações que teceram à sua professora e às atividades realizadas, generosamente e com sentido crítico. 
Ensinei-lhes uma palavra nova: inolvidável... (para não repetirem, sempre e só, inesquecível)!
Quanto à minha avaliação, sinto-me muito feliz com o resultado. 
1) Todos gostaram do Ler a Meias... porque:
- foi divertido; 
- a professora lê bem, 
- gostaram de ler (também)...
- "É linda."... 
2) Lembram-se de livros:
- Bartolomeu Marinheiro; 
- Os três bandidos;
- Os burros; 
- O quadro roubado... 
  Lembram-se de situações: 
- recriação das Janeiras; 
- realização de uma Assembleia; 
- oficina de desenho; 
- ver/rever as fotos de todas as sessões...
3) Um único aluno (-a) diz que não passou a gostar mais de ler (por uma razão de peso!): «Não - porque já gostava de ler.»
Os restantes afirmam, sem exceção:
- Sim! Sim! Sim! :-) :-) :-)
E justificam:
- "Sim, ajudou-me a gostar mais dos livros."
- "Sim, antes não gostava de ler, mas agora gosto."
- "Sim, eu agora gosto muito mais de ler."
- "Sim, ajudou-me a perceber melhor as histórias"; 
- "Sim, graças à professora, eu agora leio com graça e piada."
- "Sim. E ajudou a divertirmo-nos com os livros."
- "Ajudou-me a comprender o amor aos livros". 
E por aí fora... Uma avaliação em tudo idêntica à que foi feita pelos meninos da outra turma, no dia da última sessão.
Eu também gostei muito! Se tudo correr bem..., até para o ano!...
Boas leituras! Boas férias!


terça-feira, 5 de junho de 2012

Despedidas, no "Ler a Meias..."


 Desde 25 de novembro, estivemos juntos de quinze em quinze dias, na biblioteca da escola Feliciano Oleiro... Agora o ano chega ao fim. 
Neste último encontro, viram-se fotografias das sessões todas, visitou-se o Quarto Crescente (onde tudo pode ser recordado), escreveu-se coletivamente um comentário... 
(O videoprojetor funcionou. A professora Mafalda Rodrigues deu o apoio necessário.) 
Os meninos lembravam-se de tudo: sabiam pormenores das histórias, recordavam-se de episódios vividos, gostavam de se ver... e observavam como cresceram!...
Ainda arranjámos tempo para ler um livro!!!...
Quem diria que o ano acabaria com a leitura de O Princípio, de Paula Carballeira, uma história que decorre no pós-guerra, com as cores da destruição e miséria? (A que propósito?!)
Há momentos assim na vida, em que tudo é (ou parece ser) muito negro... E, afinal, "estamos vivos, o que é uma festa": tudo se pode recompor! (Não podemos cruzar os braços!)
São assim os momentos de transição da nossa vida: assustam-nos as mudanças, desgostam-nos as despedidas... mas temos de seguir em frente, valorizando as coisas boas... (Acertei. Os meninos pressentem saudades..., receiam a mudança de escola...)
- Acharam a história triste? - perguntei.
- Sim..., mas tem esperança!... (Certeira e linda resposta!)
Foi dia de despedidas, logo, dia de avaliação. 
Ainda não tenho tudo em meu poder...
Para já, recebi as avaliações do 4ºA da Feliciano Oleiro, com muitos desenhos  lindos e com simpáticas mensagens no verso... E tive a oferta de um livro feito pelo 4ºA da escola Conde de Ferreira, reunindo uma página de cada aluno, com maravilhosos textos e ilustrações que me dedicaram...
Tanto basta para me sentir vaidosa e comovida! (Acreditem!...)


Todos já sabem, mas repito: gostei muito de estar convosco! Espero que possamos continuar alguma atividade no 2º Ciclo... 
Há esperança! As professoras bibliotecárias da escola Anselmo de Andrade ali se encontravam, unidas, à despedida, simpaticamente, afirmando a sua vontade de tratar disso...
Querem ver a prendinha que me deram? Uma linda bolachinha com o logotipo do Ler a Meias...! 
Gostei tanto! (Conseguirei comê-la?... Difícil!)
Sabem? A grande artista-pasteleira que a fez trabalha na biblioteca da Anselmo de Andrade! 
PARABÉNS! 

E quanto aos meus retratos, desenhos e mensagens... vejam só alguns!...