O sol reverdece a relva e cada gota da rega matinal banha-a com a luminosidade do arco-íris.
Esvoaçam bandos de pombos.
A Alameda move-se.
Atravessam-na uns calções e um top bem recortados, um sari, uma túnica, umas calças generosas presas junto aos calcanhares, saia e blusa discretas sobre sandálias de saltos confortáveis, chinelos rasos ou havaianas...
De telemóvel na mão, há quem aproveite para fazer recomendações, avisos, desabafos, imprecações... Percebe-se pelo tom. As línguas são diversas, algumas delas irreconhecíveis, talvez árabe, línguas eslavas, sei lá!
Cruzamo-nos ali com o mundo.
Passam trabalhadores diligentes, sem tempo a perder; uma mãe apressada empurra um carrinho de bebé; o mais velhinho segue-a, a pé.
Pequenos comerciantes dispõem à porta caixotes de fruta; lá dentro atendem clientes.
Um centro de tempos livres reabriu portas. Outras portas à volta mantêm-se cerradas, ostentando ar de falência e abandono...
Entrevemos de relance, no centro de trabalho temporário, alguém sentado lendo, quem sabe?, talvez uma página de anúncios de emprego...
Vende-se, aluga-se, arrenda-se, em grandes parangonas expostas em janelas fechadas, comprovam a recuperação económica adiada...
Chora convulsivamente um bebé, no Jardim Infantil do lado de lá da rua, certamente num espaço por enquanto desconhecido, onde se sente desprotegido. A mãe inquieta, em segredo, sofre também... Tempo de adaptação, seguramente breve.
É setembro.
Retoma-se, aos poucos, um novo ciclo de vida.
Convoca-se a tenacidade e a coragem bem como o prazer de fruir do dia-a-dia.
O futuro exige garantias.








