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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Eis setembro...

É cedo. A manhã promete verão.
O sol reverdece a relva e cada gota da rega matinal banha-a com a luminosidade do arco-íris. 
Esvoaçam bandos de pombos.
A Alameda move-se.
Atravessam-na uns calções e um top bem recortados, um sari, uma túnica, umas calças generosas presas junto aos calcanhares, saia e blusa discretas sobre sandálias de saltos confortáveis, chinelos rasos ou havaianas...
De telemóvel na mão, há quem aproveite para fazer recomendações, avisos, desabafos, imprecações... Percebe-se pelo tom. As línguas são diversas, algumas delas irreconhecíveis, talvez árabe, línguas eslavas, sei lá!
Cruzamo-nos ali com o mundo.
Passam trabalhadores diligentes, sem tempo a perder; uma mãe apressada empurra um carrinho de bebé; o mais velhinho segue-a, a pé. 
Pequenos comerciantes dispõem à porta caixotes de fruta; lá dentro atendem clientes. 
Um centro de tempos livres reabriu portas. Outras portas à volta mantêm-se cerradas, ostentando ar de falência e abandono... 
Entrevemos de relance, no centro de trabalho temporário, alguém sentado lendo, quem sabe?, talvez uma página de anúncios de emprego... 
Vende-se, aluga-se, arrenda-se, em grandes parangonas expostas em janelas fechadas, comprovam a recuperação económica adiada... 
De um daqueles prédios, irrompe uma jovem mulher, no seu vestido ondulante, descendo escadas em perfeito equilíbrio sobre saltos pontiagudos. Alguém a espera em carro vistoso e mal estacionado, com cortesia de amante. 
Chora convulsivamente um bebé, no Jardim Infantil do lado de lá da rua, certamente num espaço por enquanto desconhecido, onde se sente desprotegido. A mãe inquieta, em segredo, sofre também... Tempo de adaptação, seguramente breve.
É setembro. 
Retoma-se, aos poucos, um novo ciclo de vida.
Convoca-se a tenacidade e a coragem bem como o prazer de fruir do dia-a-dia. 
O futuro exige garantias.


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Os avós foram meninos...

Deve ser difícil para um netito imaginar que o avô, provavelmente de cabelos grisalhos, foi um dia um bebé que depois cresceu... e, num ror de anos (para si incalculáveis), de aventura em aventura, de canseira em canseira, um dia foi pai... e um outro dia mais tarde, tornou-se o seu avô...
Tudo tão mágico, tão inesperado... e tão previsível!...
Este avô revive então o amor que experimentou com a paternidade, já sem a responsabilidade de cumprir esse dever... Orgulha-se dos progressos do petiz, encanta-se com os sorrisos... Se conserva em si uma alma de menino, agora dá-lhe asas, livremente... Irá contar-lhe histórias e transmitir memórias... 
Tem tanto para ensinar! E tanto para aprender!
Quer afinal ser o seu porto seguro e o seu companheiro cúmplice...
Juntos podem reviver um passado em que não existia TV nem computadores pessoais nem jogos eletrónicos... e lembrar que o nosso país era assim... e as pessoas viviam daquela maneira assim-assim... Depois, um dia, já ausente, o avô irá, através deste seu neto, projetar-se no futuro...

Evoco Sebastião da Gama: 

Também eu, também eu,
joguei às escondidas, fiz baloiços,
tive bolas, berlindes, papagaios,
automóveis de corda, cavalinhos...

Depois cresci,
tornei-me do tamanho que hoje tenho;
os brinquedos perdi-os, os meus bibes
deixaram de servir-me.
Mas nem tudo se foi:
ficou-me,
dos tempos de menino
esta alegria ingénua
perante as coisas novas
e esta vontade de brincar.
(...)

Também eu, também eu fui menina, tive um boneco chamado Manuel, saltei à corda, joguei à cabra-cega e à macaca, às 5 pedrinhas, andei de triciclo... e muito mais!
Ainda conservo em mim uma menina traquina...
Também eu tenho a felicidade de ter netos de que muito me orgulho... e de cuja vida faço parte...


sábado, 29 de dezembro de 2012

Natal em fatias...


Celebrar a festa da família é tarefa para todos os dias, particularmente vivida nesta quadra. Difícil seria concentrar o convívio entre todos num só dia: as famílias multiplicam-se, migram de lar, reconstroem famílias, mudam de terra, de país...
Em vez de lamentos, busquemos soluções!
Sei de quem organiza festas diárias na semana do Natal: hoje com estes, amanhã com aqueles. Festas a rigor, com pratos típicos, troca de prendas e tudo o mais que nesse preciso dia se proporciona...
Prefiro a possibilidade de se organizar e viver, espaçadamente, sucessivos encontros com uns e outros, num espírito de fraternidade, com perfume de natal, sem mais...
Para mim, o almoço em casa do Mano foi "o 1º natal" de 2012.
A vinda de filhos, de longe, e a reunião de todos os netos à mesma mesa, no sábado seguinte, representou novo "primeiro" natal... "-Bó!"..., "-Avó!"... - o chamamento varia, consoante a idade e o correspondente desenvolvimento da linguagem.
O aniversário da Margarida, unindo outro segmento da família, foi mais um...
Por fim, a universal noite de Natal, foi aquela em que cinco netos, um sobrinho neto, as suas quatro mães e três pais..., os avós e bisavó... todos estivemos unidos, em casa!
Mais significativos natais virão ainda... (O dia de Reis vem longe; a partida da família também...)
Um natal fruído em fatias.
Laboriosas e doces fatias de natal...

Imagem: retirada de um cartaz publicitário da ASA.


terça-feira, 11 de setembro de 2012

São palavras...

Com uma palavra te chamo.
Entre palavras, cresce a amizade.
Com elas se acorda a imaginação, constrói-se conhecimento.
As palavras são música e poesia. 
Produzem encanto, desencanto. Como por magia.
Viajam pelo ar, de boca a orelha. 
Buscam um qualquer suporte que as retenha, que as leve para longe, looooonge...., infinitamente.
Cantam e contam. 
Adormecem, despertam. Ensinam. 
Entristecem, alegram. Consolam, encorajam. Aprovam ou desaprovam. Emocionam. Acarinham. 
Salvam!
Propõem partilhas. 
(Em Beja, são Andarilhas.)
E são tantas! E cada qual multiplicando suas formas e sentidos!
São tesouro. Pátria. Talvez Frátria, Mátria...
- Mãe! - chama a Maria, do alto do seu ano e picos..., pois já fala!
Não constitui novidade: qualquer filho repete este chamamento, vezes sem fim. Qualquer mãe sabe bem que é exatamente a ela que o seu filho recorre, em qualquer situação, ocasião e momento do dia... 
Para a Maria, porém, Mãe é palavra universal. Significa Já acordei!, Quero sair daqui!Chega-me isso!Dá-me!Ajuda-me!, Socorro!... Um pedido, seja ele qual for, ao deus-dará...
Sendo só uma, Mãe vale por todas as palavras...



terça-feira, 27 de março de 2012

No Dia Mundial de Teatro 2012

Aconteceu em Palmela, no Teatro O Bando.
Espaço tão modesto... e tão rico!...
Rico de projetos, de trabalho, de talento, de querer, persistência e resistência!...
Palmas!... 


Quatro oficinas de Expressão Dramática, dos pequeninos aos séniores, apresentaram, aos familiares e amigos presentes, o seu trabalho, desenvolvido ao longo de cinco meses.
Quanto valor pedagógico! 
Quanta arte!...
Convívio. Partilha. 
E assim festejámos este Dia Mundial do Teatro.
Palmas!... 


O que quase ninguém de O Bando viu foi a peça dos "sub-4", no palco ao lado. A estreia do João!... (Que papelão!) 
Palmas!... 


Resisti a esta desafiadora experiência. Com apoio... Com persistência.
Aprendi... 
"O ator é um fingidor. 
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente."

(-Ó Fernando Pessoa, mutatis mutandis, agora entendo-te melhor!...)



Mensagem oficial do Dia Mundial de Teatro 2012


Mensagem de Joaquim Benite, Diretor do Teatro Municipal de Almada

quinta-feira, 8 de março de 2012

Pela igualdade!

Recuemos uns anos, não muitos... Lembro-me que era bem diferente a educação.
No campo ou na cidade, às filhas era exigido que colaborassem nas tarefas domésticas, o mesmo não sucedendo aos irmãos da mesma idade...
No intervalo de limpezas, arrumações, cozeduras e coseduras, as mães acorriam ao mercado, à horta, ao canteiro, ao local de onde retirassem sustento... se possível, dinheiro...
As irmãs mais velhas, com seu instinto maternal, cuidavam entretanto dos pequenitos que nasciam... (E se eram numerosos!)
Quantas meninas, por isso, deixaram de estudar! Concorriam razões de peso: importava que se tornassem boas donas de casa, boas mães...; para estudar, elegiam-se os rapazes.
O pai? Era o chefe de família. Assumia naturalmente esse papel... e naturalmente era tratado como tal.
Foi preciso sonhar e lutar para que as mulheres tenham direitos considerados, hoje, banais.
Será preciso persistir para sermos, um dia, verdadeiramente iguais (respeitando as nossas diferenças fundamentais).
Hoje, observo os meus netos primogénitos cuidarem espontânea e pacientemente das suas irmãzitas: colaborando, ensinando, comunicando...
Observo os seus pais (sim, eles!) que participam, cuidam, contam histórias, conversam, brincam, mimam... 
Constrói-se igualdade.
O futuro abre-se em esperança!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

É tão bom!... ou... A lição do João

Por ali não faltam instrumentos musicais... Peguei no adufe e fi-lo soar, compassadamente... Seduzido pela "música", o João cantarolou: "É tão bom dormir/ É tão bom sonhar..." 
Calou-se.
Eu queria saber mais... E lancei dezenas de ideias que, pela certa, o motivariam a prosseguir a letra da sua canção... 
A tudo o João dizia que não!
A princípio fiquei surpreendida, mas em breve compreendi: não era inédita... Eu não acertara na letra!...
Com idêntica rapidez, o petiz entendeu a proposta... A partir de então, uma canção nasceu! Essa sim, original!...
Trabalho de equipa, muito participado!...

"É tão bom dormir
É tão bom sonhar
É tão bom papar
É tão bom brincar...

É tão bom o sol
E ir ao jardim
Andar de bicicleta
Ser crescido? Sim, sim, sim!...

É tão bom ir à escola
Escrever o nome
Desenhar o O
E jogar à bola

É tão bom estar no sofá
Tapar com uma manta
Ler uma história
E brincar com a Mana...

É tão bom ver televisão...
o Benfica ganhar...
É tão bom ter amigos
e conversar...

É tão bom fazer puzzles
E fazer desenhos
É tão bom tocar guitarra
E arrumar os brinquedos

É tão bom ter prendas
É tão bom o Natal
É tão bom cantar
É tão bom o Carnaval

É tão bom calçar pantufas
E o colinho da mamã
As cavalitas do papá
É tão bom ter avô...

É tão bom fazer coisas...
É tão bom saltar
É tão bom ser crescido
E brincar, brincar, brincar!"
... ... ... ... 

(A canção já ia comprida... Não concordam que era suficiente a lição?... Foi o que pensei!...)
Letra de João & Manuela
20 de fevereiro de 2012
No intervalo de febres, choros e remédios...




sábado, 4 de junho de 2011

A propósito de crianças...



Encontrando-me na sala, bem cedinho, um dia o Kiko perguntou-me: "Estavas à espera de mim?" 
Estava, realmente! Havia que aproveitar todos os minutos disponíveis da minha curta visita; era a hora do seu pequeno almoço, da ida para a escola; era o momento diário do beijo de despedida
(Daqui de longe, eu continuo naquela sala, à sua espera, e a dar-lhe um beijo, a cada manhã...)
À hora de almoço, era tempo de regresso. A seguir, o ansiado momento das histórias, tendo ficado em 1º lugar, no Top das preferências, o Tio Lobo (da Kalandraka). Por fim, já era ele quem me contava a história a mim, com idênticos requebros na voz... 
(Menos bem sucedida fui eu... que não sei se conseguirei fazer uma pintura no Paint, tão bem quanto ele, apesar das suas demonstrações!...)
E não dispensávamos, diariamente, uma ida ao Parque... Tantas crianças, de todas as idades, cores e credos, com suas amas ou familiares, cada qual com seu brinquedo, dispostas a partilhá-lo momentaneamente... Excelente escola de socialização! Convívio e aprendizagem, em ambiente de alegria e descontração! 
As crianças têm, não raras vezes, saídas inesquecíveis... Ele também, claro! Certo dia, vendo-me sem saber muito bem o que fazer à irmã ensonada, bem a propósito, o Kiko opinou: "Avó, põe ela na cama e pronto!" - acrescentando, resoluto - "Tomar conta de crianças... é fácil!".
E houve ainda aquela outra vez em que, depois de eu lhe ter dado uma ínfima moeda para o seu mealheiro, ele decidiu, sensato: "Vou guardar, para fazer uma viagem!"
Indicou o destino. Voou longe o seu sonho...
Inevitavelmente, os dias foram-se escoando, um a um... A despedida anunciada foi-se aproximando, inexoravelmente... E aconteceu!
Fácil e difícil!...
 ...Até à próxima!
Fui matar saudades e trouxe-as renovadas.
Vivam as férias!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Antologia Poética


Miniatura


Pois eu gosto de crianças!
Já fui criança, também…
Não me lembro de o ter sido;
Mas só ver reproduzido
O que fui, sabe-me bem.


É como se de repente
A minha imagem mudasse
No cristal duma nascente,
E tudo o que sou voltasse
À pureza da semente.

Miguel Torga, Diário VIII, 1957

domingo, 15 de maio de 2011

Às viagens!...

A festa era longe... E galgou-se a distância.
O tempo, em permanente corrida, admite pausas... Tendo em mira reunião, convívio e festa, o tempo esperou; serenou a rotina.
Revitalizaram-se os dias.
Frutificaram as sementes de afetos. Colo, carinho e contos para os netos. Convívio com filhos, primos, amigos. Receção terna e inesquecível. Uma festa diária.
O Fernando brindou: À amizade! Às viagens!
As taças tilintaram, os olhares entrecruzaram-se, provou-se e aprovou-se o champanhe e a saudação.
Tchim-tchim!
(Foto da Net - blogue Borboleteando)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Tempo de poesia...

Imagem

Este é o poema de uma macieira.
Quem quiser lê-lo,                                
Quem quiser vê-lo,
Venha olhá-lo daqui a tarde inteira.


Floriu assim pela primeira vez.
Deu-lhe um sol de noivado, 
E toda a virgindade se desfez
Neste lirismo fecundado.


São dois braços abertos de brancura;
Mas em redor
Não há coisa mais pura,
Nem promessa maior.                        
                                                      
Vila Nova, 4 de Abril de 1936
Miguel Torga
In Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa, Eugénio de Andrade, Campo das Letras, 1999, p. 431


Este poema faz hoje 75 anos. Permanece puro e virginal como macieira em flor em manhã primaveril...
Dedico-o ao Jorge, que faz hoje anos... 
...e à Maria, que hoje mesmo nasceu...


Até hoje, Sebastião da Gama dispensou-me o seu Pequeno poema, para idênticas e repetidas situações... Pode ser lido aqui mesmo...

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Dúzia e meia de anos mais tarde...

Certo dia, o filho de vinte anos entrou em casa anunciando novidade. Pelos rodeios, era coisa séria. Mas não recuou: vinha determinado.
Com a inquietação de quem teme o teor de declarações titubeantes, ainda que decididas, escutámos. 
Um casal de jovens estudantes, um curso por fazer, um emprego por haver... um bebé por nascer.
Íamos ser avós.
A natural alegria foi precedida de receios...
Os jovens futuros pais já haviam refletido, arquitetado sonhos e projetos... 
O nosso filho trazia dúvidas e argumentos. Deixava luzir alegria no olhar.
A alegria promete contágio...
As soluções encontraram-se. 
A menina nasceu...
O pai trabalhou. A mãe trabalhou e estudou. Ele fez umas cadeiras hoje, outras amanhã; e ainda assim concluiu o seu curso. Ela fez o curso de um fôlego; construiu carreira...
Pais tão novos quanto maduros, sempre consideraram a sua filha como o Factor X a ponderar, antes de toda e qualquer decisão... E muitas e variadas foi preciso tomar, ao longo dos anos.
A viagem da vida desuniu e uniu famílias, aproximou novos familiares e amigos. Fez somar casas, escolas, colegas. Desbravou caminhos, multiplicou experiências.
A neta é hoje Menina-Mulher: de menina conserva a ternura; de mulher, a graciosidade e o sentido de responsabilidade.
Completou dezoito anos. É maior. 
Na sua festa de aniversário, que permite que todos nos entrecruzemos em alargado convívio familiar, pediram-lhe um discurso, no momento de brindar... Com pouca vontade de falar em tom solene, numa dúzia de palavras proferiu uma síntese simples, significativa, tocante: «Obrigada a todos pelos dezoito anos maravilhosos que me ajudaram a viver.»
Pude contribuir com o meu quinhão.
Sou avó feliz. Orgulhosa.
Obrigada, Íris.
Parabéns!


Foto: Macieira em flor, de Joaquim Chaves

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Uma frase especial...

A melhor frase que ouvi na semana passada (e muitas foram!) tinha cinco palavras e faltavam-lhe outras tantas. Não era gramaticalmente aceitável, mas estava impregnada de sentido e sentimento, e portanto os erros de sintaxe não contaram para nada.
Foi proferida com um profundo suspiro... (Saudoso, acrescento eu.) Dizia-me respeito, sem dúvida! E eu nem estava presente para a ouvir.
Quem a disse foi o meu neto, de 27 meses.
Suspirou ao ir para a escola, na 2ª feira de manhã (pormenor relevante). E explicou à mãe, de seguida, a razão do seu suspiro: 
«Abó b'incai João chão Legos.» (ou seja, literalmente, «Avó brincar João chão Legos.»)
O que falta, depreende-se:  "...a avó a brincar com o João, no chão, com Legos."
Creio ser capaz de entender o que ele não disse e prolongar-lhe a frase: "Queria ficar com a avó a brincar..."
E arrisco mais, rindo descaradamente: "Queria ficar com a avó a brincar com o João, no chão, com Legos..., em vez de ir agora para a escola... (logo hoje que é 2ª feira!)"
Fosse o que fosse que o João sentisse e quisesse, a lembrança da brincadeira com a sua avó acompanhava-o e exprimiu bem o seu desejo de um reencontro. A tal avó que se senta com ele no chão, para brincar, ficou enternecida...
Apenas cinco palavras carregadas de afeto, ingenuidade, pureza.
Foi ou não a melhor frase? 

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Quero mais Natal... venha a Befana!

Hoje é feriado. Não cá, mas acontece em Espanha, na Roménia, em Itália… E não só na Europa. É feriado também na República Dominicana, por exemplo.
Em Itália, associa-se a Epifania, a festa religiosa da revelação de Jesus aos reis gentios (isto é, não judeus), relembrada no Dia de Reis, uma outra festa profana: a da Befana. Esta surge como uma velha muito feia, mas muito generosa, que distribui doces e brinquedos às crianças, reforçando os presentes trazidos há poucos dias pelo Babo Natal. Os italianos conservam em suas casas pequenas bruxas, geralmente suspensas nos cortinados, ao longo de cada novo ano que recomeça, pois afugentará os maus espíritos e trará sorte…
Quem é a Befana?
Segundo a lenda, é uma velhinha que indicou o caminho aos Reis Magos quando estes se dirigiam a Belém e se encontravam perdidos no caminho. Ela deu-lhes informações e, agradecidos pela ajuda, os Reis convidaram-na a acompanhá-los, mas recusou. Mais tarde, arrependeu-se, preparou um cesto com doces e foi procurar os Reis, em vão. Na esperança de ver Jesus, foi distribuindo doces em todas as casas onde encontrava meninos. Desde então, dá a volta ao mundo no Dia de Reis, dando presentes a todas as crianças.
O meu pequeno João, de 2 anos e três meses, vai ampliando os seus conhecimentos sobre o mundo… Recentemente, o Natal fê-lo extrair conclusões e albergar desejos que, estando cada vez mais vivaço e conversador, já é capaz de exprimir bem… Uma coisa é certa: ele hoje teria apreciado estar em Itália, com a sua tia Aline…
Ultimamente repete, com frequência, com uma entoação comovida e  intencionalmente comovedora (suprimindo os erres):
- Que'o natal..., que'o p'endas... 


Uma velha canção, de Gianni Morandi:



terça-feira, 15 de junho de 2010

Uma boa defesa...

Guarda-redes? Esperem pelo João... 
Nem sequer é preciso relvado!... :-)



sexta-feira, 14 de maio de 2010

Para cada neto, uma orquídea...


Recém-nascidas...
fruindo serenamente de um colo primaveril...
esperam a flor prometida por cada botão do meu jardim...

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Uma vida que começa...

Nasceste.
Como um novelo cujo fio começa a ser fiado e se irá desenrolando...

Espalhaste sorrisos. 
Esperança.
Trazes a incógnita do futuro por fiar...
Aventuras por tecer...
Casulos de sonhos por abrir...
Uma vida para fruir.
Para connosco partilhar.
(Mesmo à distância...)

Bem-vinda à nossa companhia, Catarina!
Felicidades!

Dedico de novo à tua Mãe (e também ao teu Pai) um poema, em teu nome... - tal como fiz antes, por ocasião do nascimento da Íris, do Francisco e do João: os meus netos que te precederam (aliás, o mano e os primos)...
A TODOS, muitos Parabéns!

Pequeno poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe…

Sebastião da Gama