Ultimamente escrevo apenas sobre trabalho de mediação de leitura.
Pergunto-me: os dias de lazer não merecerão ser registados em papel... ou aqui, clique-clique, digitalmente?...
3ª e 4ª não fui a bibliotecas; nada para escrever?!...
A rotina a sentir-lhe a falta!...
Pois hoje tenho desejo de escrever sobre nada.
Nada não significa nada.
É vida preenchida, isso sim! (E não falo de cuidar de mim ou da casa, rotina diária de todo o mundo.)
Tempo livre é para mim tempo de escrever sobre o que foi feito e, a seguir, preparar as próximas sessões: aonde vou?, o que vou fazer?, como?, com que materiais?... E tudo isso com as hesitações habituais, com demoras medidas pelas horas... Os livros saltam das estantes e empilham-se sobre móveis, circulando de uns para outros montes como areias movediças no deserto...
É tempo de ir a livrarias, feiras do livro...
Tempo de planificar, ler, selecionar, decidir finalmente o que fazer.
Isto é, é tempo de trabalho.
Tempo livre é ainda ter tempo para tratar de assuntos, ir a uma consulta de rotina ou a repartições, ao banco, à Conservatória..., caso não se possa resolver através da Internet... Organizar; arquivar ou mandar reciclar... Pôr o correio eletrónico em dia. Ler. Deixar uns comentários no Facebook ou em blogues que sigo.
É o momento de levar a cabo tarefas que me comprometo a fazer para apoiar amigos, tal como fazer-lhes a revisão de texto num trabalho de responsabilidade, obviamente... porque em mim confiam.
Mais uma vez, trabalho voluntário...
E sobra tempo para fazer visitas à família e amigos... Ser avó..., feliz.
De vez em quando, ir a um teatro, um cinema, uma exposição... Participar numa Comunidade de leitores, como simples leitora. Fazer formação, aprender. Ir a uma reunião de uma Associação...
Como se vê, dias de não fazer nada são dias de outras ocupações e correrias, tempo de conviver, despertar curiosidades e satisfazê-las googlando... Informar-me. Rádio sim; televisão não.
Ah! E são dias de liberdade, livres, livres...; dias de partir ao acaso, passear e fotografar... faça sol ou talvez não...
Há tempo para tudo, sim! Parar, nunca. Basta definir a agenda, tê-la em ordem e segui-la com prazer!... Ou não a seguir, se não apetecer.
Se é verdade o que alguém disse "Diz-me o que fazes nos momentos de lazer, dir-te-ei quem és", então já sabem: esta sou eu.
Fotos: Sesimbra.
Ler, citar, contar, escrever... Partilhar experiências de mediação de leitura e de vida...
quarta-feira, 9 de maio de 2012
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Ler a meias... com poesia... - II
Encontrei-me com outra turma de 5º ano do professor Francisco, na biblioteca da António da Costa.
Uma abordagem à poesia em tudo idêntica à da sessão da passada 6ª feira. E também diferente. Tudo acontece no presente como no teatro. Cada sessão depende da recetividade das turmas, da interação que se estabelece, da oportunidade para se optar por um ou outro texto...
Começámos, então, pela questão: o que é a poesia?
Lemos poemas. Observámos como se pode falar de tudo e mais alguma coisa e, em simultâneo, brincar com palavras, sinais de pontuação, formas, ritmos e sons...
Quiseram confirmar os nomes dos grandes poetas portugueses: Camões?, Pessoa?... E para crianças? Matilde, Álvaro Magalhães... e muitos outros que estavam ali, à mesa.
Da Literatura infanto-juvenil, lemos Matilde Rosa Araújo, Eugénio de Andrade, Alberta Menéres, Rosa Colaço...; e também O'Neill e Salette Tavares. Quereria ter lido outros autores que não dispenso habitualmente, mas faltou-me tempo. Ainda assim, dediquei menos tempo do que deveria ao trabalho de grupo dos alunos, para a sua salada de versos... (que mesmo assim foi feita e apresentada à turma.)
Observámos: os romances tradicionais são em verso (escutaram o Conde Nilo)...; os versos nem sempre rimam...; as estrofes não têm o mesmo número de versos...; há prosa poética; as letras das canções são versos. As antologias reúnem muitos autores.
Correu bem? Sim! Contudo, uma coisa é certa: entusiasmei-me, esqueci-me das horas, e se algo falhou foi, obviamente, a gestão do tempo. É um facto.
O professor Francisco foi compreensivo. E reconfortante...
domingo, 6 de maio de 2012
Ler a meias... com poesia... - I
Poesia tradicional, livros de autor, antologias: eram muitos os livros para ler a meias. Lendo um poema de cada livro, concluímos que com poesia se pode falar de tudo e não só de sentimentos, como pensavam a princípio...
Assim nasceram novas poesias, lindas e divertidas.
Empenharam-se na tarefa. Mesmo aqueles que escolheram uma sopa de versos de um só poema, em vez de prepararem a dita salada.
Estava na hora... e lá foram eles, satisfeitos.
sábado, 5 de maio de 2012
Ler a vida..., a meias...
Voltei.
Desta vez, foi lendo o poema Vida, de Teresa Guedes (do livro Real...mente...), isto é, foi com muitas interrogações que esta segunda sessão com os jovens da Arrentela começou:
Prometi-lhes que a notícia destas sessões seria aqui registada, mas "só no domingo". (Cumpri!)
Desta vez, foi lendo o poema Vida, de Teresa Guedes (do livro Real...mente...), isto é, foi com muitas interrogações que esta segunda sessão com os jovens da Arrentela começou:
«O que é mesmo a vida?
É respirar?
É sentir?
É o bater do coração?
É inventar prazeres?
É entusiasmar-se?
É ter uma missão a cumprir?
É encaixar-se em rotinas?
É deixar obra feita?
É uma insatisfação permanente?
(...)»
Ninguém arriscou respostas nem se fizeram novas perguntas... Afinal pode ser tudo isso; no entanto, como canta Sara Tavares...:
Sei que posso fazer tudo
Mas nem tudo me convém
Tenho liberdade p'ra viver
Minha vida, mal ou bem.
A seguir, seguimos o fio de uma vida, vendo/lendo o álbum Eu espero, de Davide Cali e Serge Bloch. Vimos crescer aquele menino: a infância (e seus prazeres), o amor, a sexualidade, os filhos..., filhos estes que crescem recomeçando todo o ciclo, tal como as estações... E aí ressaltam paz e guerra, saúde e doença, morte e vida...
Estes jovens encaram a sua vida assim?
No 8ºA, uma Moça afirmou : "Eu não quero ter filhos", posição corajosamente assumida e justificada (talvez não irrevogável).
O amor, a velhice e a solidão foram os temas que mais os tocaram. E a promoção da leitura seguiu esse rumo.
Foram lidos títulos, contracapas, contos, excertos... Rimo-nos com As gajas são lixadas e comovemo-nos com Para sempre (do livro Diário inventado de um menino já crescido, de José Fanha). Espreitámos Beija-mim, de Jorge Araújo e O assalto, de Mia Couto (um dos contos de Na berma de nenhuma estrada).
Por fim, cantámos duas canções dos Xutos e Pontapés.
E não saímos sem fazer uma avaliação da sessão, ainda que apenas oralmente (não havia tempo para mais...).
Pessoalmente, senti que se deixaram envolver e apreciei a recetividade e participação dos jovens de ambas as turmas.
Por sua vez, eles manifestaram o seu interesse e apreço.
"Gostei. Foi outra vez muito fixe." - veio dizer-me simpaticamente, em particular, um jovem do 8ºA.
Idêntica, em tudo, foi a avaliação do 8ºC. (A fotografia tirada à despedida, já depois da sala arrumada, foi um acaso feliz...)
Descobri (com surpresa e prazer) que tenho uma leitora assídua do blogue, no 8ºA, concretizando-se, deste modo, a promoção da leitura em vários suportes...
Então..., até para o ano! ;-)
Por agora, resta-me desejar-vos garra para enfrentar o futuro e... uma vida cheia de boas opções!
Ler a meias... com mães, famílias e docinhos...
"Mãe", foi o tema pedido...
Lá fui, com uma profusão de ideias e livros.
Continuando o que fora feito na sessão anterior, dedicada ao Pai, os meninos do 1º ano começaram por caracterizar as mães, através de gestos.
Assim vimos mães trabalhadoras: no computador, em lidas domésticas ou a tratar de um coelhinho...; mães desportistas, a jogar à bola com os filhos...; mães carinhosas, prodigalizando abraços e beijinhos; e mães a dar palmadas...
Veio a propósito recorrer ao Quando a mãe grita, de Jutta Bauer.
Enquanto eu lia, uns meninos (sobretudo, eles) riam-se, divertidos...; outros (especialmente, elas) admoestavam-nos: Não é para rir!...
E no fim debatemos isto: eram legítimas as duas reações! Uns valorizaram o lado cómico da ilustração metafórica, outros o facto de o pequeno pinguim ter ficado (literalmente) desfeito...
A atitude da mamã pinguim também foi questionada: teria sido justa? Talvez não, tanto que pediu desculpa...
Apesar de se poderem enganar, normalmente as mães têm motivos para ralhar... As mães têm sempre razão - afirmou um rapaz.
Esta sessão terminou com uma poesia de Luísa Ducla Soares. E com um convite à escrita, a partir dela:
«Mãe,
para ti pintei o sol
com uma cara, a rir. (...)
Mãe,
para ti guardei a concha
que traz a voz do mar.
Mãe,
para ti fiz uma estrela
com a prata do chocolate (...) »
Seguiu-se a turma do 2º ano.
Uma breve introdução e logo os meninos puderam escolher um de dois livros... Pela diferença de um voto, optaram pelo Coração de mãe, de Isabel Minhós Martins.
Gostaram muito!...
E poesia?
A poesia veio pela voz do ratinho Frederico, de Leo Lionni, que enquanto toda a família procurava alimento, ia recolhendo raios de sol, cores e palavras para um poema, para aquecer o inverno...
Também os meninos recolheram palavras para escreverem um poema, a seguir: mar, estrela, sol, casa, colo, beijo, amizade, amor, brincar, música, sonho...

Despedimo-nos.
Eu trouxe um ótimo presente: um doce que os meninos fizeram!
Para a próxima vez, o tema será: "Criança"...
A princesa baixinha, de Béatrice Masini, já ficou escolhida! ;-)
Combinado!
Notícia no blogue da escola.
Lá fui, com uma profusão de ideias e livros.
Continuando o que fora feito na sessão anterior, dedicada ao Pai, os meninos do 1º ano começaram por caracterizar as mães, através de gestos.
Assim vimos mães trabalhadoras: no computador, em lidas domésticas ou a tratar de um coelhinho...; mães desportistas, a jogar à bola com os filhos...; mães carinhosas, prodigalizando abraços e beijinhos; e mães a dar palmadas...
Veio a propósito recorrer ao Quando a mãe grita, de Jutta Bauer.
Enquanto eu lia, uns meninos (sobretudo, eles) riam-se, divertidos...; outros (especialmente, elas) admoestavam-nos: Não é para rir!...
E no fim debatemos isto: eram legítimas as duas reações! Uns valorizaram o lado cómico da ilustração metafórica, outros o facto de o pequeno pinguim ter ficado (literalmente) desfeito...
A atitude da mamã pinguim também foi questionada: teria sido justa? Talvez não, tanto que pediu desculpa...
Apesar de se poderem enganar, normalmente as mães têm motivos para ralhar... As mães têm sempre razão - afirmou um rapaz.
Esta sessão terminou com uma poesia de Luísa Ducla Soares. E com um convite à escrita, a partir dela:
«Mãe,
para ti pintei o sol
com uma cara, a rir. (...)
Mãe,
para ti guardei a concha
que traz a voz do mar.
Mãe,
para ti fiz uma estrela
com a prata do chocolate (...) »
Seguiu-se a turma do 2º ano.
Uma breve introdução e logo os meninos puderam escolher um de dois livros... Pela diferença de um voto, optaram pelo Coração de mãe, de Isabel Minhós Martins.
Gostaram muito!...
E poesia?
A poesia veio pela voz do ratinho Frederico, de Leo Lionni, que enquanto toda a família procurava alimento, ia recolhendo raios de sol, cores e palavras para um poema, para aquecer o inverno...
Também os meninos recolheram palavras para escreverem um poema, a seguir: mar, estrela, sol, casa, colo, beijo, amizade, amor, brincar, música, sonho...
Despedimo-nos.
Eu trouxe um ótimo presente: um doce que os meninos fizeram!
Para a próxima vez, o tema será: "Criança"...
A princesa baixinha, de Béatrice Masini, já ficou escolhida! ;-)
Combinado!
Notícia no blogue da escola.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Tradição: as Maias, na Cova da Piedade...
Indiferente aos chuviscos, a velha Maia, sentada e abrigada, no Jardim da Cova da Piedade, esperava, esperava..., segurando os seus três figos na mão...
Ali próximo, na Romeira, na Vila Maria da Conceição, a jovem Maia aguardava que o cortejo se pusesse em marcha, para ser aí conduzida...
Ruas engalanadas, varandas floridas, vizinhança lançando pétalas de flores a quem desfilava, colares de flores ao peito de mulheres e homens...
À sua frente, a Banda da SFUAP; atrás de si, o desfile das velhas profissões da Piedade: corticeiros, marinheiros, aguadeiros, lavadeiras...
Em breve se encontrariam, no Jardim. O sol compareceu...
À jovem, coube a honra de presidir à festa, lá do alto do coreto.
Não faltaram palavras e, por fim, música.
Primeiro, a Banda...
A fechar a festa, o Coro da Alma Alentejana.
Ora, como se sabe, o Povo não perde a ocasião de festejar e dançar... Enfim, os homens não: cumpriu-se também aí a tradição...
A Grândola, Vila Morena uniu as nossas vozes, antes de dispersarmos...
Havia ainda muito a fazer, neste 1º de maio.
Há tantos anos a viver na Cova da Piedade, eu nunca assistira a esta festa, importada do Algarve pelos trabalhadores migrantes algarvios que aí viviam...
Dedico esta "postagem" a quem criou e manteve esta tradição de celebração da primavera, enraízada numa religiosidade naturalista..., a quem me ofereceu o colar de flores..., e à Fernanda Ataíde - que me desafiou a ir e participar...
...Muito satisfeita... e grata!
Noticia da Junta de Freguesia, aqui. (Com fotogaleria.)
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Por falar em Liberdade...
Em liberdade, lembremos tempos indesejados de Ditadura...
Repressão, opressão... direitos humanos em permanente violação.
"Os salteadores".
Um conto de Jorge de Sena.
Uma curta metragem (12m 34) - animação.
Realização de Abi Feijó.
Repressão, opressão... direitos humanos em permanente violação.
"Os salteadores".
Um conto de Jorge de Sena.
Uma curta metragem (12m 34) - animação.
Realização de Abi Feijó.
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quinta-feira, 26 de abril de 2012
Ler a meias... em liberdade...
O 4º ano da professora Isaura escolheu entre um livro de António Torrado, O veado florido, e outro de Margarida Fonseca Santos, 7X25, Histórias da Liberdade. Optaram pelo primeiro. Gostaram daquele veado que só floria fora da prisão, provando quanto é importante a liberdade! Aliás, que esta é tão importante como a própria vida!
Veio a propósito..., conversámos sobre parques e reservas naturais, onde os animais vivem em liberdade e se pode visitá-los viajando de comboio ou de carro, respeitando normas de segurança. Falámos também dos Jardins Zoológicos que cada vez mais se preocupam em dar boas condições de vida aos animais que aí vivem. Os animais têm direitos!
Sobrou tempo... e então lemos um dos contos de 7X25: Eu, o lápis azul. Esta história é contada pelo próprio lápis da censura que, no dia 25 de abril de 1974, passou a servir para pintar o mar e o céu, flores e uma das riscas do arco-íris, nas mãos da Joana...
- De que história gostaram mais? - perguntei-lhes, à despedida.
- Da última! - disseram, enquanto saíam, felizes e livres.
Antes disso, no 4º ano da professora Lídia, também se leram estas histórias. Como estes alunos já tinham lido um excerto de O veado florido, recontaram-mo; faltava-lhes conhecer o final da história; e lemos...
Com a ajuda de José Jorge Letria e do seu Era uma vez um cravo, percebeu-se por que é que o cravo se transformou no símbolo do 25 de abril... Queriam saber o nome da florista. Seria mesmo Floripes?!
Vão trazer as suas poesias, na próxima sessão. Combinado!
A Professora Vanda (Profª Bibliotecária da sede do Agrupamento, Escola Anselmo de Andrade) assistiu à 2ª sessão. Apreciámos a visita... e a surpresa...
Querem conhecer Margarida Fonseca Santos? É fácil: aqui mesmo.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Andar por aí, feliz, a Ler a meias...
As "semanas da leitura" da António da Costa chegam agora ao fim, fechando-se o ciclo na EB1 nº 3 de Almada, onde hoje me aguardavam duas turmas.
Andar por aí, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso, foi a 1ª obra a saltar do meu saco, que ia recheado de livros... Aquele menino parecia mesmo real e houve quem se identificasse com ele. "Eu é que vou passear o meu avô!" - disse alguém. "A minha mãe também me diz isso..." E riam-se divertidos.
Como eram engraçados os mapas (aliás, as plantas) da ilustradora! No fim, seguindo a ilustração, voltámos para trás e os meninos sabiam a história de cor.
Uns poemas de José Fanha terminaram a sessão. Gostaram tanto que me pediram os livros emprestados para os copiar.
Depois do intervalo (e do lanchinho...) foi a vez do reencontro com o 4º ano.
Começámos por falar de sorte.
E então li-lhes A sorte grande e as sortes pequeninas, de Maria Isabel de Mendonça Soares.
Ler mais um livro...! Qual?
Resumi-lhes brevemente três histórias: Século vinte e sete, cidade de Alcochete, de Luísa Ducla Soares, A felicidade não é o que temos, é o que somos, de Luísa Dacosta, e O castelo verde, também de Maria Isabel de Mendonça Soares. A votação foi renhida, mas "por um voto se ganha e por um voto se perde"... Venceu O castelo verde.
- Bem me pareceu que esta história ia ser emocionante - disse, entusiasmado, um dos eleitores...
Despediram-se alegres, com pena de ter tocado para o almoço e já não haver tempo para mais.
- Gostei muito de ouvir as histórias e de a conhecer - disse um menino, novo na turma, à saída.
Alguns correram para a Feira do Livro...
...Que sorte tenho por poder partilhar livros e leituras com meninos assim!...
- Muito grata, colegas Cristina Campos e Isabel Prata!... Obrigada, Sara Cacela...
Como eram engraçados os mapas (aliás, as plantas) da ilustradora! No fim, seguindo a ilustração, voltámos para trás e os meninos sabiam a história de cor.
Uns poemas de José Fanha terminaram a sessão. Gostaram tanto que me pediram os livros emprestados para os copiar.
Depois do intervalo (e do lanchinho...) foi a vez do reencontro com o 4º ano.
Começámos por falar de sorte.
E então li-lhes A sorte grande e as sortes pequeninas, de Maria Isabel de Mendonça Soares.
Ler mais um livro...! Qual?
Resumi-lhes brevemente três histórias: Século vinte e sete, cidade de Alcochete, de Luísa Ducla Soares, A felicidade não é o que temos, é o que somos, de Luísa Dacosta, e O castelo verde, também de Maria Isabel de Mendonça Soares. A votação foi renhida, mas "por um voto se ganha e por um voto se perde"... Venceu O castelo verde.
- Bem me pareceu que esta história ia ser emocionante - disse, entusiasmado, um dos eleitores...
Despediram-se alegres, com pena de ter tocado para o almoço e já não haver tempo para mais.
- Gostei muito de ouvir as histórias e de a conhecer - disse um menino, novo na turma, à saída.
Alguns correram para a Feira do Livro...
...Que sorte tenho por poder partilhar livros e leituras com meninos assim!...
- Muito grata, colegas Cristina Campos e Isabel Prata!... Obrigada, Sara Cacela...
segunda-feira, 23 de abril de 2012
No Dia Mundial do Livro, com Xutos e Pontapés
Voltei à António da Costa, para trabalhar com uma turma de 3º Ciclo, de CEF.
Um parafuso no foquetão
Um beijo ao deitar, um papel no chão
Uma prenda com cartão, um voto aqui
Ali um não (...)»
A finalizar, escutámos, lemos e cantámos os "Contentores".
- Dia do Livro?! Surpreenderam-se. A data ia passando despercebida.
- Direitos de Autor? Acham justo; concordaram.
As melhores canções para crescer, dos Xutos e Pontapés, e o álbum Vida Malvada inspiraram o trabalho: uma canção, para começar; letras de músicas (impressas) para lermos "a meias", pelo meio; uma última canção, a fechar...
Entretanto, abordámos a necessidade de crer em nós próprios e vivermos o "jogo da vida" com determinação, alegria e "um pouco de fé":
«(...) Olha
para ti
O
que é que tu vês
O
que tens para dar
Tens
que o dar a valer
Tens
de olhar e ver
O
que há para fazer
Não
tens de esperar que te venham dizer (...)»
O soneto de Antero de Quental, O Palácio da Ventura, pelo contrário, mostrou desânimo.
«(...) dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão e nada mais!»
Adianta? Como vencer este estado de espírito? Que coisas nos podem fazer amar a vida?
- Amigos, desporto, música, sol... - referiram.
O texto da jovem Joana Alves, "Lista de prazeres", que lhes li em seguida, acrescentava uma porção de coisas importantes de que todos gostam também... (Aquela coisa de "acordar cedo para aproveitar bem o dia" é que não é para todos...)
«(...) Mede
bem a importância
Dum pequeno pormenor:Um parafuso no foquetão
Um beijo ao deitar, um papel no chão
Uma prenda com cartão, um voto aqui
Ali um não (...)»
A finalizar, escutámos, lemos e cantámos os "Contentores".
«(...) A carga
pronta e metida nos contentores
Adeus aos meus amores que me vou
P'ra outro mundo
É uma escolha que se faz (...)»
E antes que o tempo se esgotasse completamente, pedi-lhes a sua opinião sobre a sessão. Foram sinceros.
Adeus aos meus amores que me vou
P'ra outro mundo
É uma escolha que se faz (...)»
E antes que o tempo se esgotasse completamente, pedi-lhes a sua opinião sobre a sessão. Foram sinceros.
- Sim, gostaram: tinham saído da sala de aula e tinham ouvido música!...
Acrescento: leram e escutaram versos...; ficaram certamente ideias para refletir...; participaram numa atividade da biblioteca... Acho que valeu a pena!"A leitura faz-nos crescer"
23 de Abril
Dia Mundial do Livro
e dos Direitos de Autor
Via BIBLIOTECAR
Viajamos através do livro e chegamos maiores ao destino.
O livro é propriedade privada: temos de respeitar os direitos de Autor.
(Uma bela metáfora visual!)
sábado, 21 de abril de 2012
Nos Cata-Ventos de Paz, a Ler a meias...
Voltei à EB1 dos Cata-Ventos da Paz, com livros sobre a natureza - inspirada pelo projeto internacional Ecofriends que ali se desenvolve.
No 3º A, da professora Ana Cristina Ramos, começámos por ver e ler excertos do Guia da água (do Museu da Água) e de A água que bebemos, de Maria Alberta Menéres. Assim se conversou sobre o Ciclo da água, como os homens aprenderam a trazer a água até junto de si e como hoje em dia a tratamos, para bem da nossa saúde.
Apresentei então 3 conjuntos de livros:
- Golfinhos;
- Mar;
- Cegonhas.
O que queriam "ler a meias"?
Os meninos votaram: mar!
Divertiram-se muito com o livro de José Fanha, O dia em que o mar desapareceu... Riram a bom rir com a família dos Bisnaus. Que falta de civismo!... (Ninguém os quer imitar!)

Após o intervalo, foi a vez do 4º A, da professora Sónia Hermenegildo.
Já tínhamos estado juntos, no ano passado... Que bom, o reencontro!
Passámos imediatamente à apresentação e escolha dos livros, para "lermos a meias".
Mais uma vez..., o mar.
Exclamei: "Trago tantos livros e todas as turmas escolhem o mesmo?!"
- Não mostre os que já leu - aconselhou sabiamente uma menina.
Teve toda a razão!!!
O resto sabe-se: lemos O dia em que o mar desapareceu, de José Fanha, que gerou boa disposição, a condenação da falta de civismo dos pássaros Bisnaus, muito maraus... e com uma certeza: temos de proteger a natureza!
A sessão acabou com poesias de Cantigas e cantigos, e de Cantigas e cantigos para formigas e formigos, também de José Fanha. Adoraram!...
Depois de almoço, chegou a vez do 1º A, do Professor Hugo Palma.
A propósito do Ano do Morcego (2011-2012), lemos Manuel, o morcego no papel de vampiro, de Susanne Laschütza.
- És muito bonita... e gira! - disse-me um menino da mesma turma, discretamente, à saída... (Que vaidosa fiquei!)
Vim da escola extremamente satisfeita... e muito grata, por tantas atenções...
Que sorte ter conhecido a Inês Larcher, terapeuta da fala, que me deu instruções preciosas para defender a minha voz!
Obrigada a todos e a cada um: meninos, Colegas... Margarida Pinho... Um especial abraço à Regina Lima, Coordenadora da escola, que me encheu de mimos...
Até à próxima!
No 3º A, da professora Ana Cristina Ramos, começámos por ver e ler excertos do Guia da água (do Museu da Água) e de A água que bebemos, de Maria Alberta Menéres. Assim se conversou sobre o Ciclo da água, como os homens aprenderam a trazer a água até junto de si e como hoje em dia a tratamos, para bem da nossa saúde.
Apresentei então 3 conjuntos de livros:
- Golfinhos;
- Mar;
- Cegonhas.
O que queriam "ler a meias"?
Os meninos votaram: mar!
Divertiram-se muito com o livro de José Fanha, O dia em que o mar desapareceu... Riram a bom rir com a família dos Bisnaus. Que falta de civismo!... (Ninguém os quer imitar!)
Após o intervalo, foi a vez do 4º A, da professora Sónia Hermenegildo.
Já tínhamos estado juntos, no ano passado... Que bom, o reencontro!
Passámos imediatamente à apresentação e escolha dos livros, para "lermos a meias".
Mais uma vez..., o mar.
Exclamei: "Trago tantos livros e todas as turmas escolhem o mesmo?!"
- Não mostre os que já leu - aconselhou sabiamente uma menina.
Teve toda a razão!!!
O resto sabe-se: lemos O dia em que o mar desapareceu, de José Fanha, que gerou boa disposição, a condenação da falta de civismo dos pássaros Bisnaus, muito maraus... e com uma certeza: temos de proteger a natureza!
A sessão acabou com poesias de Cantigas e cantigos, e de Cantigas e cantigos para formigas e formigos, também de José Fanha. Adoraram!...
Depois de almoço, chegou a vez do 1º A, do Professor Hugo Palma.
A propósito do Ano do Morcego (2011-2012), lemos Manuel, o morcego no papel de vampiro, de Susanne Laschütza.
Os
meninos escutaram atentamente, viram
ilustrações, participaram muito. E no fim, ficaram cheios de dúvidas:
- O que
estava o cão a fazer, ao pé de uma cruz feita de ossos, com alhos pendurados?
- O
morcego não gostou de insetos. Seria vampiro?!
- Ele
tinha sangue na boca. Porquê?
-
Afinal, era vampiro ou não?
Tantos meninos! Tanta curiosidade!...
A Mediadora de Leitura já duvidava da boa escolha do livro..., mas as incertezas tornaram a sessão muito viva e interessante. Até se imaginou a continuação da história! Claro que depois o cão e o morcego conheceram-se e até ficaram amigos!
- És muito bonita! - disse-me espontaneamente uma menina do 1º ano, à minha chegada. - És muito bonita... e gira! - disse-me um menino da mesma turma, discretamente, à saída... (Que vaidosa fiquei!)
Vim da escola extremamente satisfeita... e muito grata, por tantas atenções...
Que sorte ter conhecido a Inês Larcher, terapeuta da fala, que me deu instruções preciosas para defender a minha voz!
Obrigada a todos e a cada um: meninos, Colegas... Margarida Pinho... Um especial abraço à Regina Lima, Coordenadora da escola, que me encheu de mimos...
Até à próxima!
sexta-feira, 20 de abril de 2012
terça-feira, 17 de abril de 2012
Ler a meias... e o herói Aristides Sousa Mendes...
A turma de 5º ano chegou à biblioteca da Conceição e Silva com o entusiasmo próprio da idade e com a alegria de quem iria assistir a uma atividade diferente, há muito esperada...
Dispondo nós apenas de 45m, rapidamente saltámos das apresentações para o tema da sessão: cooperação e solidariedade.
"- Grande coisa" - lemos nós, na capa do álbum de William Bee.
Como pronunciar este título? Com admiração? Com indiferença..., com desprezo?
O Billy (personagem principal) entoava sempre a frase com desdém; para ele, nada tinha valor.
É bom ser assim? Não será mais feliz quem valoriza as coisas importantes da vida, mesmo sendo pequeninas? Aqueles que ajudam os outros?
Recuámos no tempo até à II Guerra Mundial.
Chegámos à Alemanha, em 1940; imaginámos as tropas de Hitler invadindo a Polónia, a Bélgica, a Holanda, a França... Seguimos refugiados até Bordéus, em busca de um visto, para irem para bem longe da guerra... E conhecemos um cônsul português que quis salvar vidas e tinha ordens para não o fazer.
E se fôssemos nós?...
Quem era Aristides Sousa Mendes? Que fez ele? Quantas vidas salvou? Que consequências sofreu? Que aconteceu à sua família?...
Tantas perguntas!
O homem que ficou sem sono ou a História de um herói contada em português, de José Jorge Letria (um dos Contos de um mundo com esperança), foi a história escutada em seguida, em profundo silêncio, com comoção visível. Com respeito e orgulho pela coragem daquele herói português.
Ficou o desejo de saber mais.
A professora Dulce Freitas vai prosseguir o trabalho com os seus meninos.
Estes fizeram, por fim, a avaliação da atividade.
Em resumo:
«Aristides era um homem bom.
Procedeu bem.
Foi uma história dramática.
A professora Manuela Caeiro lê muito bem.
Agradecemos a sua vinda à biblioteca...
...E esperamos que volte.»
Para a Mediadora de Leitura, foi uma sessão muito especial, extremamente comovente...
Fotografia de Aristides Sousa Mendes, aqui.
Sítios relacionados:
Fundação Aristides Sousa Mendes.
Museu Virtual Aristides de Sousa Mendes.
Os grandes portugueses (RTP).
Notícia no blogue Biblioteca & Companhia, no dia 19 de Abril.
Dispondo nós apenas de 45m, rapidamente saltámos das apresentações para o tema da sessão: cooperação e solidariedade.
"- Grande coisa" - lemos nós, na capa do álbum de William Bee.
Como pronunciar este título? Com admiração? Com indiferença..., com desprezo?
O Billy (personagem principal) entoava sempre a frase com desdém; para ele, nada tinha valor.
É bom ser assim? Não será mais feliz quem valoriza as coisas importantes da vida, mesmo sendo pequeninas? Aqueles que ajudam os outros?
Recuámos no tempo até à II Guerra Mundial.
Chegámos à Alemanha, em 1940; imaginámos as tropas de Hitler invadindo a Polónia, a Bélgica, a Holanda, a França... Seguimos refugiados até Bordéus, em busca de um visto, para irem para bem longe da guerra... E conhecemos um cônsul português que quis salvar vidas e tinha ordens para não o fazer.
E se fôssemos nós?...
Quem era Aristides Sousa Mendes? Que fez ele? Quantas vidas salvou? Que consequências sofreu? Que aconteceu à sua família?...
Tantas perguntas!
O homem que ficou sem sono ou a História de um herói contada em português, de José Jorge Letria (um dos Contos de um mundo com esperança), foi a história escutada em seguida, em profundo silêncio, com comoção visível. Com respeito e orgulho pela coragem daquele herói português.
Ficou o desejo de saber mais.
A professora Dulce Freitas vai prosseguir o trabalho com os seus meninos.
Em resumo:
«Aristides era um homem bom.
Procedeu bem.
Foi uma história dramática.
A professora Manuela Caeiro lê muito bem.
Agradecemos a sua vinda à biblioteca...
...E esperamos que volte.»
Para a Mediadora de Leitura, foi uma sessão muito especial, extremamente comovente...
Fotografia de Aristides Sousa Mendes, aqui.
Sítios relacionados:
Fundação Aristides Sousa Mendes.
Museu Virtual Aristides de Sousa Mendes.
Os grandes portugueses (RTP).
Notícia no blogue Biblioteca & Companhia, no dia 19 de Abril.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
"Ler a meias"... no Castelo Verde...
Na biblioteca ampla da EB1/JI da Cova da Piedade, estive eu hoje com três simpáticas turmas de 4º ano, uma de cada vez.
Feitas as apresentações, dei-lhes a escolher um de entre três livros: Lá vai uma... Lá vão duas..., de Luísa Dacosta; Histórias para ler e contar ou O castelo verde, de Maria Isabel de Mendonça Soares.
Demos uma espreitadela às histórias e respetivas ilustrações, de Manuela Bacelar e de Marc (parecido com o professor Rui!).
Quando se passou à votação, pareciam combinados: O castelo verde venceu, hora após hora. Numa das turmas, ganhou por unanimidade!
Todos quiseram saber o que se passaria naquele castelo de 7 torres, com 77 janelas, 777 degraus, coberto de 7777 folhas de hera e... sem porta! Qual seria a sorte da Princesa?... E como é que o Cavaleiro da Lua a conseguiria desencantar?!...
Muita coisa a Autora contou, mas sobraram mistérios...
Casaram? Onde ficaram a viver? Tiveram filhos? Foram felizes para sempre???
O 4º A (da professora Cristina Peneda) rematou, sem dúvidas: "Tinham-se um ao outro, não precisavam de mais nada para ser felizes"! Tudo acabou bem de certeza - como sempre, nas histórias.
Pelo contrário, para o 4º C (do professor Rui), foi muita fantasia!... Viverem assim os dois, entre o céu e a terra?!... Não podia resultar!... Nããão!
Ninguém se queria ir embora... Nem tão-pouco a professora Manuela Caeiro!
Foi por isso que aceitou ler mais uma historiazinha: A sorte grande e as sortes pequeninas.
As palavras são como as cerejas... Os sorrisos também...
Os meninos foram efusivos nas suas demonstrações de satisfação e simpatia. (Privilégio de visitante!)
Agradeço a simpatia com que todos me acolheram: as palavras, as flores (tão especiais), o almoço saudável, em sólida loiça...
Ofereci o meu trabalho... O prazer foi meu...
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