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sábado, 4 de junho de 2011

A propósito de crianças...



Encontrando-me na sala, bem cedinho, um dia o Kiko perguntou-me: "Estavas à espera de mim?" 
Estava, realmente! Havia que aproveitar todos os minutos disponíveis da minha curta visita; era a hora do seu pequeno almoço, da ida para a escola; era o momento diário do beijo de despedida. 
(Daqui de longe, eu continuo naquela sala, à sua espera, e a dar-lhe um beijo, a cada manhã...)
À hora de almoço, era tempo de regresso. A seguir, o ansiado momento das histórias, tendo ficado em 1º lugar, no Top das preferências, o Tio Lobo (da Kalandraka). Por fim, já era ele quem me contava a história a mim, com idênticos requebros na voz... 
(Menos bem sucedida fui eu... que não sei se conseguirei fazer uma pintura no Paint, tão bem quanto ele, apesar das suas demonstrações!...)
E não dispensávamos, diariamente, uma ida ao Parque... Tantas crianças, de todas as idades, cores e credos, com suas amas ou familiares, cada qual com seu brinquedo, dispostas a partilhá-lo momentaneamente... Excelente escola de socialização! Convívio e aprendizagem, em ambiente de alegria e descontração! 
As crianças têm, não raras vezes, saídas inesquecíveis... Ele também, claro! Certo dia, vendo-me sem saber muito bem o que fazer à irmã ensonada, bem a propósito, o Kiko opinou: "Avó, põe ela na cama e pronto!" - acrescentando, resoluto - "Tomar conta de crianças... é fácil!".
E houve ainda aquela outra vez em que, depois de eu lhe ter dado uma ínfima moeda para o seu mealheiro, ele decidiu, sensato: "Vou guardar, para fazer uma viagem!"
Indicou o destino. Voou longe o seu sonho...
Inevitavelmente, os dias foram-se escoando, um a um... A despedida anunciada foi-se aproximando, inexoravelmente... E aconteceu!
Fácil e difícil!...
 ...Até à próxima!
Fui matar saudades e trouxe-as renovadas.
Vivam as férias!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

"As galinhas da Vovó"...


É este o meu presépio. O indispensável símbolo desta época natalícia, data em que, mais ou menos conscientemente, o mundo celebra um nascimento.

O meu presépio não é branco nem negro: é cor de terra, castanho. Cor do material simples de que é feito: o barro. Saído de mãos hábeis de um artesão que o moldou com formas estilizadas. Simples e sóbrio, como eu gosto.

Simbólico e discreto, o meu presépio não escapou aos olhos atentos do Francisco. Dois anos e meio ladinos e curiosos, parou em frente dele, no meio das suas correrias alegres pela casa fora.
Olhou, reviu num ápice os seus conhecimentos do mundo, relacionou-os e inferiu, convicto: "(...são)...as galinhas da vovó...".
Confundira as ovelhinhas... apesar destas não serem exactamente como as galinhas que vira há tempos, algures num quintal...


Perplexos, os adultos riram... e apressaram-se a aproveitar aquele momento para uma lição precisa e breve, como convinha: "não é uma capoeira: é um estábulo"... e mais isto e mais aquilo... blá-blá-blá...:

"Nasceu Jesus, muito pobrezinho, mas tinha Mãe e Pai... e animais amigos"...

São assim os olhos das crianças...


...Feliz Natal!...