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domingo, 1 de janeiro de 2012

Ano Novo...

Ano Novo, vida nova - dizem. Mas talvez não seja bem assim e nada mude na nossa vida: nem trabalho, nem casa, nem tão pouco o estilo de vida... (Bom sinal!)
Na realidade, cada ano apresenta-se sempre envolto em incertezas, revestido de esperança, resoluto e cheio de boas intenções. É, de facto, um tempo ideal para balanço, reflexão, para empreender projetos e reformular decisões. 
2012 acaba de chegar carregando ameaças e muito mais receios do que seria desejável e tem sido habitual... Ou seja, vai exigir de nós ainda mais energia para persistir, enfrentar desafios, resistir à adversidade, perseguir e prosseguir sonhos... 
Provavelmente o nosso ano começou esta noite em festa, menos ou mais modesta, segundo a nossa possibilidade e opção consciente; segundo a oferta da nossa cidade e a disponibilidade de amigos. 
Está dado o mote: ao longo do ano, vamos recriar o tom festivo do seu "acordar" (do réveillon, como dizem os franceses) e tentar viver o dia a dia sem ar carrancudo, buscando realização pessoal e felicidade.
Bom Ano!


Fotos: Cacilhas, 1/janeiro/2012



domingo, 2 de janeiro de 2011

Novo Ano Novo...

Cacilhas, fragata D. Fernando II e Glória, 1/1/2011
Ano Novo, de novo! 
Com ele entramos na 2ª década do 3º Milénio. Tempo de maturidade. E contudo...
De novo se registou o sobe e desce do número de acidentes vulgarmente contabilizados em épocas festivas, semeando tristezas..., a par do brilho retumbante do fogo fátuo e de muitas festas e alegrias, à meia-noite vividas.
De novo se evoca, em grandes parangonas, cortes de vencimentos, novos aumentos, previsão de restrições na vida de todos nós, mais duras para alguns de nós.
Os dias, esses seguirão seguramente o seu curso: um projecto que evolui, uma carreira que se desenvolve, um filho que vai nascer, uma criança que cresce, um desafio que se vence, um sonho que ganha forma... o tempo que passa.
Um novo ano começa cheio de renovadas esperanças que ignoram tempestades... 
Enfrentemos ventos e tormentas. Com realismo.
Aí está 2011, para ser vivido activamente, dia após dia.
Também com música e poesia.


Receita de ano novo 
Carlos Drummond de Andrade


Para você ganhar belíssimo Ano Novo 
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
(mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
novo 
até no coração das coisas menos percebidas 
(a começar pelo seu interior) 
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
não precisa expedir nem receber mensagens 
(planta recebe mensagens? 
passa telegramas?) 
 
Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumidas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 
 
Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Dedicatória de Luís Sepúlveda, mensagem de Ano Novo...


A sombra do que fomos é o último livro de Luís Sepúlveda, editado entre nós.
A abri-lo, uma Dedicatória:
«Às minhas companheiras e companheiros que caíram, se levantaram, curaram as feridas, conservaram o riso, resgataram a alegria e continuaram a caminhar.»
Registe-se: um livro dedicado a companheiros heróicos - gente apta a  viver ao sabor de ventos e marés de ideais e contrariedades, teimando em resistir... Gente digna de admiração. 


Hoje é o primeiro de Janeiro, dia de Ano Novo.
Tempo de fazer votos... 


Sabemos bem que, na vida, nem tudo depende de nós; o factor sorte pesa nas oportunidades que se nos deparam, ao longo da caminhada... (logo à partida determinadas pelo contexto espácio-temporal e sociofamiliar em que nascemos). Contudo, muito do que nos acontece, dia após dia, ano após ano, é fruto da nossa vontade, por opções que fizemos, em determinado momento ou circunstância...
Fado? Não!
Saibamos sonhar, optar, planear, concretizar, fruir... adaptar, contornar, resistir... recomeçar.


Quais os meus votos para 2010? 
Que os desconhecidos companheiros e companheiras do Autor nos seduzam com o seu exemplo de coragem e persistência; que nos contagiem com o seu riso e alegria...


Sábias vozes anónimas ditam:
"Não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe."
"Façamos das tristezas, forças... e das forças, alegrias."


Transformo a dedicatória de Luís Sepúlveda numa mensagem de Ano Novo, síntese dos meus votos para 2010, para a próxima década, para o Porvir...




Foto: "Renascer" (01/01/2010)