terça-feira, 29 de março de 2011

Mensagem do Dia Internacional do Livro Infantil 2011

Mensagem do dia 2 de Abril de 2011, Dia Internacional do Livro Infantil* 
 O LIVRO RECORDA*
Cartaz - Bernardo Carvalho
“Quando Arno e o seu pai chegaram à escola, as aulas já tinham começado.”
No meu país, a Estónia, quase toda a gente conhece esta frase de cor. É a primeira linha de um livro intitulado Primavera. Publicado em 1912, é da autoria do escritor estónio Oskar Luts (1887-1953). 
 Primavera narra a vida de crianças que frequentavam uma escola rural na Estónia, em finais do século XIX. O Autor escrevia sobre a sua própria infância e Arno, na verdade, era o próprio Oskar Luts na sua meninice.
Os investigadores estudam documentos antigos e, com base neles, escrevem livros de História. Os livros de História relatam eventos que aconteceram, mas é claro que esses livros nunca contam como eram de facto as vidas das pessoas comuns em certa época.
Os livros de histórias, por seu lado, recordam coisas que não é possível encontrar nos velhos documentos. Podem contar-nos, por exemplo, o que é que um rapaz como Arno pensava quando foi para a escola há cem anos, ou quais os sonhos das crianças dessa época, que medos tinham e o que as fazia felizes. O livro também recorda os pais dessas crianças, como queriam ser e que futuro desejavam para os seus filhos.
Claro que hoje podemos escrever livros sobre os velhos tempos, e esses livros são, muitas vezes, apaixonantes. Mas um escritor actual não pode realmente conhecer os sabores e os cheiros, os medos e as alegrias de um passado distante. O escritor de hoje já sabe o que aconteceu depois e o que o futuro reservava à gente de então.
O livro recorda o tempo em que foi escrito.

A partir dos livros de Charles Dickens, ficamos a saber como era realmente a vida de um rapazinho nas ruas de Londres, em meados do século XIX, no tempo de Oliver Twist. Através dos olhos de David Copperfield (coincidentes com o olhar de Dickens nessa época), vemos todo o tipo de personagens que ao tempo viviam na Inglaterra — que relações tinham, e como os seus pensamentos e sentimentos influenciaram tais relações. Porque David Copperfield era de facto, em muitos aspectos, o próprio Charles Dickens; Dickens não precisava de inventar nada, ele pura e simplesmente conhecia aquilo que contava.
São os livros que nos permitem saber o que realmente sentiam Tom Sawyer, Huckleberry Finn e o seu amigo Jim nas viagens pelo Mississippi em finais do século XIX, quando Mark Twain escreveu as suas aventuras. Ele conhecia profundamente o que as pessoas do seu tempo pensavam sobre as demais, porque ele próprio vivia entre elas. Era uma delas.
Nas obras literárias, os relatos mais verosímeis sobre gente do passado são os que foram escritos à época em que essa mesma gente vivia.

O livro recorda.
Aino Pervik

*Tradução: José António Gomes
*A Mensagem do Dia Internacional do Livro Infantil é uma iniciativa do IBBY (International Board on Books for Young People), difundida em Portugal pela APPLIJ (Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil), Secção Portuguesa do IBBY.

Retirado de http://www.dglb.pt 
(Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas)

sexta-feira, 18 de março de 2011

Com uma Comunidade de Leitores debaixo de olho...

Fui à António da Costa em Dezembro e voltei ontem, para trabalhar com uma turma de 7º ano.
(Em Fevereiro, fora também a uma turma de 6º ano, como veremos.)
Realizei, portanto, três sessões de promoção da leitura, mas desta vez com o objetivo acrescido de formar a Comunidade de Leitores que trago debaixo de olho…
O projeto da Comunidade, nesta escola, mereceu, em Outubro, a aprovação do Conselho Pedagógico, suscitou o entusiasmo e envolvimento da Professora Bibliotecária, etc, etc…, mas não houve inscrições.
Desiludidas? Não muito, pois dúvidas subsistiam desde o início. Eu não sou da escola. Trata-se de uma atividade voluntária e não sujeita a avaliação - que, no entanto, implica horários, trabalho… Seduzir leitores adolescentes é um grande desafio…
Cruzámos os braços? Não! Andamos desde então a lançar sementes para 2011/2012. Persistentemente. Calmamente.
De que modo? Como a única inscrição fora a de um aluno do 7º 4ª, começámos por fazer uma sessão com esta turma.
Iriam conhecer-me… Poderia propagar-se o vírus do contágio…
Um poema de Carlos Negro, professor e poeta galego, abriu a sessão e prendeu a assistência. Umas páginas do Diário inventado de um menino já crescido, de José Fanha, mantiveram o entusiasmo… Saltámos depois de excerto em excerto, entre temáticas e géneros variados, viajando felizes pelos livros selecionados para os adolescentes… O planeta branco, Gosto de ti, R, Vampiros ou nem por isso, Alex ponto com, Poemas para um dia feliz…
Foi uma sessão alegre e viva… O tempo era pouco (45m) e passou muito, muito depressa…
A professora Isabel foi efusiva ao demonstrar o seu agrado, o mesmo agrado que os jovens não escondiam… Houve quem indicasse um livro para ser relido na “próxima sessão”…
Gostaram de ouvir ler – é certo. Incerto é quererem ler autonomamente… E a intenção de uma eventual inscrição, ninguém manifestou...
Ontem voltámos a estar juntos. Traziam o entusiasmo da 1ª vez.
Recriei o desafiante momento da seleção de um livro, entre muitos: olhar o título, ver a capa, ler a contracapa, abrir e ler um excerto… E curioso é vê-los aperceberem-se de que o seu interesse vai mudando, ora pela deceção ora pela boa surpresa que a capa, contracapa ou uma passagem do livro deixam em aberto…
Real… mente, A casa das bengalas, Diário inventado de um menino já crescido, O amor faz-te mal, Valentim, A rapariga voadora, O sonhador... foram despertando, sucessivamente, diferentes reações. 
(Andreia Brites inspirou-me com o seu Ver para Crer… Aliás, é graças a Andreia Brites que eu ando hoje em dia nestas andanças de Mediação de Leitura. Leonor Fernandes, por sua vez, foi quem primeiro me abriu as portas da sua biblioteca escolar, possibilitando que o meu sonho germinasse...)
Os jovens da António irão agora requisitar os livros, como eu costumava ver acontecer, na minha biblioteca?... Era essa a intenção. Veremos!…  
Inscrever-se-ão na Comunidade de leitores, para o ano? Este convite é explícito, permanece válido…; o resultado, absolutamente incerto.









O 6º 6ª, entusiasmado com a sessão de Fevereiro que denominei Dez e vai um... (na qual dez livros de autores portugueses estiveram em destaque, durante 90m de escuta atenta e participação ativa), poderá engrossar, talvez, o grupinho de interessados… A professora Elisabete confia. Uns jovens manifestaram interesse, com brilho no olhar...
Voltarei a esta escola, em breve. Com novos títulos, novas estratégias. 
Talvez a semente dê fruto. Um qualquer. Pelo menos, o prazer do reencontro.

Poesia...


Dada a dificuldade em aceder às páginas indicadas, aqui vai o Programa a que tive acesso:


21 de Março, Segunda-feira, Convento dos Capuchos 
10:30 às 12:30 e 14:30 às 16:30
Jardim 


Sentidos das Artes
Oficinas de Expressão


Leitura; Escrita; Dança; Música; Expressão Plástica
Destinatários: 2 turmas de alunos do 1º Ciclo
Animadores: Albina Moura; Helena Leitão; Helena Peixinho; Margarida Catarino (Leitura e Escrita); Ana Lucinda Melo e Jaime Soares (Dança e Corpo); João Cuña; João Rodrigues; Ricardo Fonseca; Gonçalo Pinto; José Manuel Pereira (Música); Eurídice Santos; Mariana Rosa (Expressão Plástica)
Registo de Fotografia: José L. Guimarães




16:00 às 17:00 
Sala do piano, Claustros, Galerias da Capela


         Abertura das Exposições
         Lançamento da publicação “Floresta Sinfónica”, Álvaro de Mendonça


17:00 às 18:00
 Claustros, Galerias da Capela


Convívio com Porto de Honra
Interpelações Poéticas 
          Manuel Fernandes (Voz e Guitarra)
          Jaime Soares (Interpretação)




Kin Bar (Junto à Casa da Cerca)
21:30 às 24:00 
         Deambulações Poéticas
         Noite de Poesia e Músicas do Mundo
         - Música: João Cuña (Guitarra Portuguesa); José Manuel Ferreira (Voz); Gonçalo Pinto (Castanholas);
         Ricardo Fonseca; João Rodrigues (Campaniça)
         - Declamações de Poesia por: José Manuel Ferreira; Didier Ferreira; Margarida Catarino; José Vaz; Américo Morgado; António Boieiro


25 de Março, Sexta-feira 
Escola Secundária Emídio Navarro 
16:00 às 18:00 


        Curtas Viagens
        Ciclo de Curtas Metragens, com apresentação de Possidónio Cachapa


Teatro Extremo 
21:00 às 24:00 
Foyer
         Conversas com... Viagens 
Ser viajante... 
        Autores / Poetas convidados
        Eduardo Salavisa; Fátima Monteiro; Ana Sofia Pinho; Jaime Soares
        Por video-conferência: Ondjaki (Angola); Múcio Goes (Brasil). Moderador: Miguel Passarinho
Demandas do Mar, da Terra, do Universo 
        Autores / Poetas convidados
        Delmar Maia Gonçalves; Vera Fornelos; Jorge Viegas; Carlos Amaral; Ângelo Rodrigues; Américo Morgado. Moderadora: Eveline Monteiro


26 de Março, Sábado 
Convento dos Capuchos 
Sala do piano, Claustros, Galerias da Capela
10:30 às 13:00 


        Oficina de Escrita Criativa de Viagens, com Orlando Ferreira


15:00 às16:00 


        Espectáculo Pessoas em Pessoa, Mostra de Criatividade
Participantes do Concurso, encenação de Jaime Soares


16:00 às 17:00 
Pausa para Café / Convívio


Rotas de Fernão Mendes Pinto
        Alunos da Escola Secundária Emídio Navarro
        Morabi Dance Group, Nôs Tradison, Fundação Antigo Liceu Gil Eanes, Cabo Verde
        Coreografia Lúcio Cabral e Licínio Fernandes


17:00 às 18:00
Sala do piano 
         Prémio Pessoas em Pessoa - Viagem, Mar, Mundo
         Entrega dos Prémios a Concurso: Poesia; Pintura; Vídeo; Desenho; Fotobiografia; Azulejaria; Música e Coreografia. Participantes do Concurso / Comunidade Educativa


          Lançamento da Revista DiverCidades 
          Língua Cultura Cidadania
          Centro de Formação AlmadaForma / Projecto ALReP


21:00 às 21:30
Sala do piano 
         Ladrões de Deus 
         Instalação por João Ribeiro; Pedro Sena Neves; João Gil; Gonçalo M. Tavares


21:30 às 24:00 
        Conversas com… Viagens
        Rumos da Criação 
Autores / Poetas convidados - Orlando Ferreira; Xico Braga; Conceição Marques; Fátima Rosa; Luís Miranda; José Mário Silva; João Ribeiro; Ângela Luzia. Moderador: Nuno Bernardo


        Viagens Poéticas
Eduardo Agualusa (Angola, por video-conferência); Teresa Pombo Pereira; Jorge Arrimar; Ruth Navas; Armindo Reis; Miguel Almeida. Moderadora: Ângela Luzia


Lançamento do Livro
          “Poemas das Coisas Ditas Triviais”, Xico Braga, por Conceição Marques


27 de Março, Domingo
Convento dos Capuchos 
15:30 às 17:30 
         Encerramento POEMA 2011
         Diásporas Musicais
Silvestre Fonseca (Voz e Guitarra)
Nelson Conceição (Acordeão)


Exposições 
Convento dos Capuchos 
Visitáveis de 21 de Março a 27 de Março


Jardim
          POETREE – Poesia para Florestas
Instalação de Álvaro de Mendonça


Livraria do Convento
         Palmos de Rostos, José L. Guimarães


Galerias da Capela
         Viagens à Memória, Pintura, Mariana Rosa 
        Viagens no Convento, Fotografia, Siegfried Kuntzig 
        Paisagens & Personagens, Artes Plásticas, Alunos de Artes da ESMC, Professores José Henrique; Luzia Lourenço; João Ribeiro
        Pessoa ao Cubo, Desenho, Catarina Pinheiro
        Almada vista da Ponte, Fotografia, Nuno de Albuquerque Gaspar
       Pessoas em Pessoa, Mostra de Criatividade, Comunidade Educativa de Almada


Museu da Cidade - visitável das 10:00 às 18:00
       Diários Gráficos em Almada
       Não somos Desenhadores Perfeitos

quarta-feira, 2 de março de 2011

Agarrar a vida...

Esta minha amiga vive a dúzia e meia de Km, por via rápida. Entre nós alongou-se o tempo de com-viver: a princípio em serviço, depois em formação, sempre em cooperação e partilha. Ingredientes para uma boa amizade. E assim se tornou simples segui-la pelos recentes caminhos que a vida lhe reservou, aliás nada fáceis.
Primeiro, foi o exame médico que lançou suspeitas; depois, mais um e mais outro, até à evidência indesmentível da confirmação; passo a passo, muita angústia estoicamente controlada. Veio o dia da intervenção cirúrgica, o período da convalescença... Por fim (cremos que é o fim), o tempo dos tratamentos e dos enjoos, das dores de cabeça, dos altos e baixos. Um já foi, mais um outro já lá vai também... Faltam mais uns tantos, regulares, espaçados. Um deserto longo e penoso para atravessar, sem fuga possível.
A minha amiga não sente revolta, não questiona "Porquê eu?". Pelo contrário, evidencia coragem e esperança que, como sabemos, rimam com inquietação e incerteza... Longe de sentir autocomiseração, preocupa-se com quem a rodeia e a ama, com os meninos que estranham a sua ausência na escola onde ela queria estar agora. Equaciona retomar o serviço, mesmo quando a prudência o desaconselha. É que há dias em que as horas custam mais a passar.
Resignada e lutadora, confiante mas naturalmente insegura, a minha amiga vai singrando por entre as duras e comezinhas provas do quotidiano: como atar um lenço à cabeça, antes de sair de casa; um súbito cruzar de olhar; recontar a história a alguém conhecido... 
Uma situação que se revela longa, mas efémera... Tu sabes!
De longe (e de perto), contigo aprendo esta lição de vida.
Há prioridades e valores fundamentais. 
Há solidariedade.
Há esperança para fiar, coragem para tecer... há vida para viver. 
Com cores alegres.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Dúzia e meia de anos mais tarde...

Certo dia, o filho de vinte anos entrou em casa anunciando novidade. Pelos rodeios, era coisa séria. Mas não recuou: vinha determinado.
Com a inquietação de quem teme o teor de declarações titubeantes, ainda que decididas, escutámos. 
Um casal de jovens estudantes, um curso por fazer, um emprego por haver... um bebé por nascer.
Íamos ser avós.
A natural alegria foi precedida de receios...
Os jovens futuros pais já haviam refletido, arquitetado sonhos e projetos... 
O nosso filho trazia dúvidas e argumentos. Deixava luzir alegria no olhar.
A alegria promete contágio...
As soluções encontraram-se. 
A menina nasceu...
O pai trabalhou. A mãe trabalhou e estudou. Ele fez umas cadeiras hoje, outras amanhã; e ainda assim concluiu o seu curso. Ela fez o curso de um fôlego; construiu carreira...
Pais tão novos quanto maduros, sempre consideraram a sua filha como o Factor X a ponderar, antes de toda e qualquer decisão... E muitas e variadas foi preciso tomar, ao longo dos anos.
A viagem da vida desuniu e uniu famílias, aproximou novos familiares e amigos. Fez somar casas, escolas, colegas. Desbravou caminhos, multiplicou experiências.
A neta é hoje Menina-Mulher: de menina conserva a ternura; de mulher, a graciosidade e o sentido de responsabilidade.
Completou dezoito anos. É maior. 
Na sua festa de aniversário, que permite que todos nos entrecruzemos em alargado convívio familiar, pediram-lhe um discurso, no momento de brindar... Com pouca vontade de falar em tom solene, numa dúzia de palavras proferiu uma síntese simples, significativa, tocante: «Obrigada a todos pelos dezoito anos maravilhosos que me ajudaram a viver.»
Pude contribuir com o meu quinhão.
Sou avó feliz. Orgulhosa.
Obrigada, Íris.
Parabéns!


Foto: Macieira em flor, de Joaquim Chaves

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Homenageando Maria Alberta Menéres

A Escola dos Caranguejais tinha ontem duas turmas de 2º ano à minha espera, na sua Semana da Leitura. O desafio era homenagear Maria Alberta Menéres. Um convite lançado há meses pelas Professoras Bibliotecárias Margarida Pinho e Sara Cacela.
Deu-me tempo… Reuni sem pressa diversos livros meus da Autora e, recentemente, dispus-me a lê-los e relê-los. 
Deixei-me seduzir pelo Retrato em escadinha: autobiográfico, divertido, com uma história à volta da História da fotografia… Boa ideia! Casualmente, ao folhear a antologia De que são feitos os sonhos, tive a boa surpresa de ver reproduzido o retrato que deu origem à narrativa. Perfeito!











Quem faz hoje anos? sugeriu-me outra ideia: presentear os meninos nascidos em cada mês do ano com uma das quadras relativas ao seu mês, uma difícil seleção da minha autoria… Optei pelas cómicas, pelas poéticas..
Estava traçado o plano, mas não bastava: fiz ainda algumas pesquisas, uma ou outra impressão… Remexi velhos álbuns de fotografias minhas, selecionei o que me pareceu oportuno… Para boa companhia, a minha museológica Kodak Brownie Reflex e o respetivo rolo... Agora sim! Tudo a postos.
As sessões desenrolaram-se tal e qual a planificação (sempre flexível!). E esta resultou, como eu previra. Despertando embora reações diferentes, consoante o grupo, revelaram-se idênticos a concentração e o prazer. 
A 1ª turma riu a bandeiras despregadas, desde o primeiro momento; interveio, opinou descontraidamente… A 2ª turma levou o seu tempo a perder a timidez, a intervir, a rir… E, por fim, estes meninos foram espontâneos  a querer dar desenhos, trabalhinhos em plasticina, cada qual improvisando um miminho, em demonstração de reconhecimento e simpatia…
Tudo graças a Alberta Menéres.
Obrigada a todos, Miúdos e Graúdos dos Caranguejais! Pelo convite, pela receção, pelo carinho…
Parabéns e obrigada, Maria Alberta!


Nota: Esta homenagem a Maria Alberta Menéres foi reproduzida posteriormente em outras cinco sessões, em mais duas escolas do Agrupamento D. António da Costa, igualmente durante as respetivas Semanas da Leitura: EB1 de Almada e EB1/JI da Cova da Piedade . 
Decorreu idêntica homenagem com uma turma da EB1 de Casal de Bolinhos (Agrupamento de Azeitão).

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Aventura, Ventura e Desventuras de uma Mediadora de Leitura

A aventura, essa explica-se em duas penadas: foi a criação de uma Comunidade de leitores do 3º ciclo, propondo ao grupo a leitura de um livro, mensalmente, como ponto de partida para reflexão, debates, leituras em voz alta, jogos de improvisação… Livros escolhidos pelo grupo, claro, de entre uma variada lista fornecida, fazendo-se previamente a respetiva divulgação, com o apoio de uma Mediadora… (Eu..., exterior à escola…)
Não haver inscrições?... Haver desistências? Tudo isso foi previsto e calculado…
E, de facto, aconteceu: na António, houve uma inscrição… e a Comunidade não se formou. Na Navegador Rodrigo Soromenho, o suspense manteve-se até ao último minuto. Estavam dez jovens, na primeira sessão;  oito, na segunda…
Ventura?
Estes adolescentes lêem. São empenhados, interventivos… Sentiu-se empatia, alegria, em ambas as sessões. Falaram apaixonadamente das suas leituras. Colaboraram animadamente na eleição dos livros a ler… Ficou tudo decidido!
Da primeira para a segunda sessão, assinalou-se uma desistência, logo compensada pela entrada de um novo membro. 
(Duas amigas faltaram. Voltariam?)
Desventuras: também as há. Várias. Constrangimentos não faltam!
Os membros da Comunidade de Leitores de Sesimbra, para mais tratando-se de uma atividade voluntária e não curricular, não fazem tenções de comprar os livros. A biblioteca escolar não dispõe de exemplares suficientes de cada livro…
Os alunos são de várias turmas; só é possível reunir todos à 4ª-feira, o dia com dois tempos sem aulas, na escola, tempo esse destinado a todas as atividades e clubes… 
Involuntariamente, disputo o espaço do Clube de Teatro, neste “meu dia”…
Nem sequer as questões logísticas estão garantidas! Para três sessões, três salas diferentes… Impossível criar rotinas.
Eu não tinha ainda referido a 3ª sessão. Foi mesmo hoje.
Havia um conto para ler... 
Se calhar, não o leram. Se calhar, foi por isso que faltaram e só dois jovens compareceram. Ou talvez fosse por outra razão qualquer: testes e trabalhos por fazer? Alguém doente? Uma qualquer greve de transportes afetaria Sesimbra?...
Uma coisa é certa: por isso eu adiei a sessão. Por uma semana, até ver…  Voltarei, a não ser que se revele missão impossível…
Porque vale a pena. 
Não acham?


..........
Notícia da 1ª sessão: aqui.


Página do Facebook criada para a nossa comunicação à distância (ainda não divulgada):
http://www.facebook.com/pages/UmLivroDebaixoDeOlho/127213937348055


Uma página anteriormente criada no Hi5, já divulgada, mas não participada...: http://1livrodebaixodeolho.hi5.com/friend/p560299657--M_Caeiro--html;jsessionid=27EC5A58AB1078DF46C24C2976A4795D

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Internet Segura...

Foto: Portal Fersap
Pelo oitavo ano consecutivo, a rede europeia Insafe promove o Dia da Internet Segura, hoje, dia 8 de Fevereiro.
O objetivo é tornar a Internet um espaço mais seguro para os seus utilizadores, em especial as crianças e jovens.
Dadas as potencialidades desta ferramenta, não isenta de perigos, a chave não está em dificultar o acesso ao mundo virtual, mas sim em formar para uma utilização responsável e segura. 
E quem tarde se iniciou nestas andanças de computadores, sendo ainda um jovem utilizador (seja qual for a sua idade), está em tempo de aprender, a par dos mais novos. 
Fala-se hoje em dia de livros crossover: aqueles que são à partida escritos para jovens e que os adultos leem também com prazer. Os livros dos 7 aos 77, uma fórmula que os editores bem gostariam de descobrir.  
A promoção da Internet Segura deve ser, necessariamente, uma aprendizagem crossover...

  • Ver alguns conselhos, aqui. 
  • Em baixo, um vídeo do Comité Gestor de Internet (Brasil).



quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Uma frase especial...

A melhor frase que ouvi na semana passada (e muitas foram!) tinha cinco palavras e faltavam-lhe outras tantas. Não era gramaticalmente aceitável, mas estava impregnada de sentido e sentimento, e portanto os erros de sintaxe não contaram para nada.
Foi proferida com um profundo suspiro... (Saudoso, acrescento eu.) Dizia-me respeito, sem dúvida! E eu nem estava presente para a ouvir.
Quem a disse foi o meu neto, de 27 meses.
Suspirou ao ir para a escola, na 2ª feira de manhã (pormenor relevante). E explicou à mãe, de seguida, a razão do seu suspiro: 
«Abó b'incai João chão Legos.» (ou seja, literalmente, «Avó brincar João chão Legos.»)
O que falta, depreende-se:  "...a avó a brincar com o João, no chão, com Legos."
Creio ser capaz de entender o que ele não disse e prolongar-lhe a frase: "Queria ficar com a avó a brincar..."
E arrisco mais, rindo descaradamente: "Queria ficar com a avó a brincar com o João, no chão, com Legos..., em vez de ir agora para a escola... (logo hoje que é 2ª feira!)"
Fosse o que fosse que o João sentisse e quisesse, a lembrança da brincadeira com a sua avó acompanhava-o e exprimiu bem o seu desejo de um reencontro. A tal avó que se senta com ele no chão, para brincar, ficou enternecida...
Apenas cinco palavras carregadas de afeto, ingenuidade, pureza.
Foi ou não a melhor frase? 

domingo, 16 de janeiro de 2011

Postagem escrita segundo o acordo ortográfico de 1990...


Embora mal amado, está em vigor o novo Acordo Ortográfico, agora por um período de transição até 2012, sem adiamento de prazo. Os jornais adotaram-no e já comprei livros que trazem a chancela “texto segundo o Acordo Ortográfico de 1990 (Diário da República nº 193, Série I-A, páginas 4370 a 4388)”. Nas escolas, ditará a grafia a partir de 2011/2012. É desta!
Não é meu hábito resistir teimosamente às mudanças e chegou finalmente a minha vez de ser proativa, tarde e a más horas. Precisei de um impulso como este, do tipo “Ano Novo, vida nova”…
Eu sei que a ortografia é uma convenção social; que a língua escrita sempre sofreu alterações, que está novamente em processo de mudança e não será a última vez.
Sei que há bons linguistas e gramáticos no Brasil e que muitos leitores de Português, espalhados pelo mundo inteiro, são brasileiros ou de outros países da CPLP, além de portugueses. Por que razão se há de aprender a escrever a nossa língua de maneira diferente, em duas salas de aula contíguas?
Uniformizar a língua escrita é um bom objetivo. Por isso, pelo contrário, me custa aceitar a inclusão de tantas exceções, no texto do Acordo… 
De que nos servem as consoantes mudas, algumas das quais resistem sem que as pronunciemos? A sua abolição aliviará muitos aprendizes de Português e nenhum Romano se virá insurgir contra o nosso desrespeito pelo étimo latino…
Camões e Pessoa regeram-se por normas ortográficas diversas.
Em vinte anos decorridos desde a assinatura deste último Acordo Ortográfico, assisti a polémicas (tanto em Portugal como nos outros países de expressão portuguesa), furtei-me a abaixo-assinados… Fiquei na expetativa. Basta.
Calha bem: estamos em janeiro… É já.

(Apenas 7 alterações, em todo este texto?!...)

Eis o que muda: 

Buscando um conversor fiável e gratuito para a nova ortografia:


A não perder: 
uma crónica do Jornal das Letras, aqui. 

domingo, 9 de janeiro de 2011

Fala uma nutricionista...: "Pequenas mudanças, grandes efeitos"

Foto sacada da Net 

Mal se foi o Natal e o Ano Novo, teve início a explosão de aniversários de Janeiro... Pessoalmente, estou quase a perder-lhes a conta, numa sucessão de bons almoços, saborosos lanches ou jantares, com todos...
Aqui e ali, há sempre alguém que faz dieta: disfarçada ou assumidamente. Por vezes, são dietas rigidamente traçadas por nutricionistas, a régua e esquadro,  e balança. Assistimos então a uma estóica demonstração da capacidade de a nossa amiga resistir à prova de um petisco, de um copo de vinho, de uns goles de champanhe, de um apreciado doce, em nome das 250g semanais que urge perder, para não falhar um compromisso pessoal... 
Pois nem a propósito: encontrei um artigo recente da nutricionista Paula Veloso que afirma, desassombradamente: Para ter um peso e uma vida mais saudáveis, não são necessários sacrifícios. Sacrifício significa penitência, sofrimento, renúncia... fez mal a alguém? (...) Desfrutar da comida, do prazer de comer mas também da saúde e da "boa" vida são perfeitamente possíveis. Basta seguir pequenas rotinas diárias.
Bem mais aliciante, esta sua prescrição... Apetece segui-la! Tanto mais que promete e permite manter o tal peso, alcançado tão a custo, com a dita dieta!... Eis a sua pródiga "receita":


1. Começar o dia obrigatoriamente com o pequeno-almoço, verdadeiro acelerador do metabolismo, constituído por um alimento do grupo do pão (pão ou cereais pouco refinados), outro do grupo de leite (leite, iogurte ou queijo magros) e uma peça de fruta ou um sumo de fruta (com polpa).

2. Se o intervalo entre o pequeno-almoço e o almoço for superior a 3 horas e meia ou se já sente fome próximo da hora do almoço, faça uma refeição ligeira (leite, iogurte, pão ou bolachas sem gordura e com pouco açúcar; fruta...) que irá controlar o seu nível glicémico e fazer com que não tenha tanta fome ao almoço.

3. Inicie o almoço e o jantar com um bom prato de sopa de legumes (de base fina). Se come em restaurantes, em vez das entradas, e enquanto espera pelo prato do dia, poderá inclusivamente, e antes da sopa, começar pela fruta. Se comer legumes ou salada a acompanhar o prato, peça para temperar no seu prato. Pode temperar com limão ou vinagre, mas não utilize mais do que uma colher de chá de azeite para o fazer. 

4. Evite os fritos, pelo menos durante seis dias na semana. É preferível uma sandes tipo "americana" do que o prato do dia com rissóis ou batatas fritas...

5. Faça um lanche a meio da tarde ou dois, se almoça cedo e janta tarde.

6. Evite refrigerantes e bebidas açucaradas. Se beber vinho faça-o com moderação - dois copos de vinho por dia (de preferência tinto) para os homens e um para as mulheres (desde que não estejam grávidas).

7. Coma, pelo menos, duas peças de fruta por dia, mas não exagere porque a fruta em excesso também engorda.

8. Se se deita tarde, faça uma pequena ceia antes de ir para a cama - um copo de leite e três bolachas Maria, um iogurte e uma peça de fruta, por exemplo.

9. Mexa-se o mais que puder durante o dia, andando a pé, descendo e subindo escadas ou fazendo qualquer actividade física, evitando longos períodos sentado. (...)


O artigo integral encontra-se aqui.
Bom apetite!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Quero mais Natal... venha a Befana!

Hoje é feriado. Não cá, mas acontece em Espanha, na Roménia, em Itália… E não só na Europa. É feriado também na República Dominicana, por exemplo.
Em Itália, associa-se a Epifania, a festa religiosa da revelação de Jesus aos reis gentios (isto é, não judeus), relembrada no Dia de Reis, uma outra festa profana: a da Befana. Esta surge como uma velha muito feia, mas muito generosa, que distribui doces e brinquedos às crianças, reforçando os presentes trazidos há poucos dias pelo Babo Natal. Os italianos conservam em suas casas pequenas bruxas, geralmente suspensas nos cortinados, ao longo de cada novo ano que recomeça, pois afugentará os maus espíritos e trará sorte…
Quem é a Befana?
Segundo a lenda, é uma velhinha que indicou o caminho aos Reis Magos quando estes se dirigiam a Belém e se encontravam perdidos no caminho. Ela deu-lhes informações e, agradecidos pela ajuda, os Reis convidaram-na a acompanhá-los, mas recusou. Mais tarde, arrependeu-se, preparou um cesto com doces e foi procurar os Reis, em vão. Na esperança de ver Jesus, foi distribuindo doces em todas as casas onde encontrava meninos. Desde então, dá a volta ao mundo no Dia de Reis, dando presentes a todas as crianças.
O meu pequeno João, de 2 anos e três meses, vai ampliando os seus conhecimentos sobre o mundo… Recentemente, o Natal fê-lo extrair conclusões e albergar desejos que, estando cada vez mais vivaço e conversador, já é capaz de exprimir bem… Uma coisa é certa: ele hoje teria apreciado estar em Itália, com a sua tia Aline…
Ultimamente repete, com frequência, com uma entoação comovida e  intencionalmente comovedora (suprimindo os erres):
- Que'o natal..., que'o p'endas... 


Uma velha canção, de Gianni Morandi:



domingo, 2 de janeiro de 2011

Novo Ano Novo...

Cacilhas, fragata D. Fernando II e Glória, 1/1/2011
Ano Novo, de novo! 
Com ele entramos na 2ª década do 3º Milénio. Tempo de maturidade. E contudo...
De novo se registou o sobe e desce do número de acidentes vulgarmente contabilizados em épocas festivas, semeando tristezas..., a par do brilho retumbante do fogo fátuo e de muitas festas e alegrias, à meia-noite vividas.
De novo se evoca, em grandes parangonas, cortes de vencimentos, novos aumentos, previsão de restrições na vida de todos nós, mais duras para alguns de nós.
Os dias, esses seguirão seguramente o seu curso: um projecto que evolui, uma carreira que se desenvolve, um filho que vai nascer, uma criança que cresce, um desafio que se vence, um sonho que ganha forma... o tempo que passa.
Um novo ano começa cheio de renovadas esperanças que ignoram tempestades... 
Enfrentemos ventos e tormentas. Com realismo.
Aí está 2011, para ser vivido activamente, dia após dia.
Também com música e poesia.


Receita de ano novo 
Carlos Drummond de Andrade


Para você ganhar belíssimo Ano Novo 
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
(mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
novo 
até no coração das coisas menos percebidas 
(a começar pelo seu interior) 
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
não precisa expedir nem receber mensagens 
(planta recebe mensagens? 
passa telegramas?) 
 
Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumidas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 
 
Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.