quinta-feira, 22 de maio de 2014

Ler a meias... e reencontros!

Este ano, eu ainda não tinha ido a Casal de Bolinhos!
Chegou finalmente o dia!
Na escola andam a trabalhar sobre ofícios tradicionais e sua evolução: o sapateiro, o oleiro...
Pela biblioteca, espalham-se sandálias, botas e sapatos artesanais feitos pelos meninos: coisas lindas!
As nossas leituras respeitaram esse tema (claro!)... e foram entremeadas de muita conversa...

2º/3º anos (1h)
Fotografia: fabricação de loiça utilitária em barro, algures em Angola.
Mapa Mundi: viagens dos portugueses, no tempo dos Descobrimentos.
Histórias: Yara e Iara, de Margarida Botelho;
O sapateiro e os duendezinhos, de Andersen.

4º ano (1h 45m)
Informação sobre calçado, recolhida numa Enciclopédia.
Conto: O sapateiro e os duendezinhos, de Andersen.
Poesia de Luísa Ducla Soares.
Fotografia: fabricação de loiça utilitária em barro, algures em Angola.
Conto: RM-EC-39, de António Mota.
Um poema de António Torrado: O ovo da galinha
Tradição oral/reconto: A galinha dos ovos de ouro. 
...
Uma vez aqui chegados, a Mediadora já tinha acabado...; os meninos queriam mais...; havia tempo... Solução de recurso? Saltaram do saco (que anda sempre muito cheio) poemas vários, os alunos escolheram-nos, leram-nos em grupo e, por fim, à turma.
Foi uma festa!
À despedida, recebi uma linda prenda feita (e assinada) pelos meninos todos: um livro-coração.
Não menos valiosa, foi a sua despedida espontânea... Acorreram à vedação, para me fazer adeus, dizendo alegremente:
- Volte sempre!

Bibliografia:
Lexicoteca, Moderna Enciclopédia Universal, Círculo de Leitores
Alice Vieira (sel.), O meu primeiro álbum de poesia, Dom Quixote
António Mota, Abada de histórias, Desabrochar
Esteve Pujol i Pons, Histórias para crescer, Didáctica
Inácio Rebelo de Andrade, De uma Angola de antigamente (Fotos recolhidas e legendadas), Edições Colibri
Luísa Ducla Soares, A cavalo no tempo, Civilização
Margarida Botelho, Yara e Iara, OPOKA OPOKAMI


terça-feira, 20 de maio de 2014

Ler a meias... e novas despedidas ...

Os alunos do 3º A da EB1/JI do Pragal chegaram à biblioteca, muito entusiasmados...
A 1ª coisa que fizeram foi oferecer-me um trabalho feito carinhosamente:  "Ler a meias é..." 
E sabem o que é? 
É... "...brincar a ler...", "...refrescante...", "...relaxante...", "...divertido...", "...fantástico...", "...misterioso...", "...especial...", "...uma grande alegria...", etc... Gostei tanto!... Ora vejam!

Acedemos ao Quarto Crescente e aprenderam a fazer um comentário.

Contei-lhes, seguidamente, a história As três peneiras, de António Botto.
Explodiram de curiosidade!
- Ah!...
- Mas o que é que ele ia dizer?... 
- Agora ficamos sem saber?... 
Aquela mãe não deixou o seu filho contar o que ele queria dizer sobre o Raúl, por causa das tais peneiras? 1) Seria verdade?; 2) Era benevolente?; 3) Era necessário? 
Ufa! Que difícil fazê-los entender esta lição tão importante para miúdos e graúdos! 

Lemos finalmente O livro da avó.
- Mas o que sucedeu à avó?... 
- Por que é que ela, daquela vez, não estava lá?
A razão lógica surgiu: 
- Ela já era muito velha e já se tinham passado muitos anos...
A fuga à lógica disparou em todas as direções:
- Podia ter ido às compras.
- Talvez tenha ido a uma festa...
- Tinha ido visitar os outros netos.
- Podia ter sido raptada...
...
E até houve quem levantasse a dúvida: "De que serve morrer e ficar séculos sem fazer nada?"...
E imediatamente surgiu quem levantasse a hipótese de se renascer!...
Felizmente eram horas de almoço, senão ainda lá estaríamos... talvez sem concordar no que teria acontecido à avó...
As despedidas foram breves, muito afetuosas e... 
Ala, que se faz tarde!


Bibliografia:
António Botto, O livro das crianças, Editorial Presença
Luís Silva, O livro da avó, Edições Afrontamento


Ler a meias... em tempo de despedidas...

Com o ano quase a acabar, começam as despedidas... o que aconteceu já hoje, no Pragal.
Os meninos do 2º B foram distribuindo abraços e meiguices, à medida que passavam por mim no pátio e ao entrarem na biblioteca... 
Tão afetuosos!
(Traziam um segredo bem guardado!... Chiu!)

Comecei por lhes contar a história As três peneiras, de António Botto.
Li-lhes, em seguida, O livro da avó...
Entretanto a professora Mafalda Rodrigues foi-nos dando apoio informático..., preparando o PC e o data show.
O 2º B revelou então o seu segredo... Ora vejam!
Traziam para me oferecer um livro lindo, lindo... com ilustrações das obras que lemos ao longo das nossas sessões! Cada um criou uma página, fez o desenho do livro ou do poema de que mais gostou e escreveu uma mensagem, todas muito meigas...
A professora Maria Cortes também fez um livrinho com poemas de Joaquim Vermelho, um poeta estremocense (seu conterrâneo).
A "menina-escritora" da turma, leu-nos uma história sua. Merece palmas!
Imaginam como me senti comovida e mimada? Pois...

Para acabarmos em festa, acedemos finalmente ao YouTube.
Com José Afonso, cantámos No comboio descendente - versos de Fernando Pessoa. 

«No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada.
Uns por verem rir os outros
E outros sem ser por nada
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...
(...)»

Criámos rimas para prolongarmos o poema! Cantem connosco:

No comboio descendente
Foram todos a Lisboa
Comer uma sardinhada
E no fim uma meloa.
No comboio descendente
Foram todos a Lisboa.

No comboio descendente 
veio gente até Almada
Vinha tudo muito alegre
Visitar um camarada.
No comboio descendente 
veio gente até Almada!

No comboio descendente
Foram todos até Coimbra
No caminho de regresso, 
deram um saltinho a Sesimbra.
No comboio descendente
Foram todos a Sesimbra.
Ainda tirámos uma foto de família!
Alguém nos reconhece?

E, cantarolando, os meninos foram saindo da biblioteca, dizendo:
-Até já!...

Bibliografia:
António Botto, O livro das crianças, Editorial Presença
Luís Silva, O livro da avó, Edições Afrontamento


segunda-feira, 19 de maio de 2014

Ler e ilustrar poemas, a meias...

Já se meteram férias pelo meio e passaram-se umas semanas a mais que a conta..., mas os meninos do 2º A da EB1 dos Caranguejais sabiam o que fizéramos na sessão anterior. Ainda se acedeu ao Quarto Crescente, viram as fotos e leu-se, mas lembravam-se.
Então foi só desvendar o segredo: "Como vamos continuar"?
Cada par recebeu o seu poema impresso; canetas, lápis de cor e de cera...
Voltaram a espalhar-se pela biblioteca.
Desenharam e pintaram, a gosto... e com prazo marcado...
A seguir foram para o pátio exterior, contíguo à biblioteca, treinar a leitura a meias...
E por fim vieram ler o seu poema à turma, à vez.
Tudo resultou num trabalho muito útil e bonito... (que não acabou...)
Não acreditam?
O que acham destes poemas ilustrados?






 A sessão anterior pode ver-se aqui.


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Ler a meias... na Cidade...

A Semana da Leitura da EB1 nº3 de Almada já lá vai..., só que a data para lermos a meias teve de ser adiada...; foi hoje!
Seriam duas sessões, mas entretanto havia outras atividades a decorrer, portanto foi uma, com o simpático 3º ano da professora Isabel Figueiredo.
"Nós e a Cidade" - eis o tema sugerido.
O cartaz de uma cidade constituiu um belo ponto de partida. Comparar com Almada foi fácil: eram muitas as semelhanças.
Falámos também de como foram evoluindo as povoações, desde que o Homem primitivo aprendeu a cultivar e a domesticar animais e deixou de andar de terra em terra, atrás da caça...
O dia em que o meu bairro ficou de pantanas foi a "história do dia", da qual os meninos gostaram muito. (Por sinal, conheciam um excerto; agora sabem-na toda!)
E a poesia veio A cavalo no tempo. Andámos pelo Hipermercado à procura de amigos...; escolhemos destinos para ir viajar com um bom amigo Na máquina do tempo; acabámos na capital: L de Lisboa.
Bateram-se palmas para Rosário Alçada Araújo, Afonso Cruz e Luísa Ducla Soares...
As nossas despedidas foram muito simpáticas e calorosas!...
Os meninos vão agora escrever o A de Almada e vão-me mandar por e-mail!
(Eu fico à espera!...)

Bibliografia:
Cartaz: CONHECER a cidade, Programa educativo da Ordem dos Arquitetos/Technal
A salvaguarda das cidades, Biblioteca Juvenil de Ecologia, Porto Editora
Luísa Ducla Soares, A cavalo no tempo, Civilização
Rosário Alçada Araújo/Afonso Cruz, O dia em que o meu bairro ficou de pantanas, Texto


"Histórias da minha rua"...

Histórias da minha rua
(dedicadas ao 3º A da EB1 do Pragal)

Moro no alto de um prédio de vários andares, numa rua de Almada. É um espaço amplo, sem grandes casas a tapar-me a vista... De um lado, avisto o Cristo-Rei e o Almada Fórum e, mesmo em frente, tenho um jardim cheio de árvores que me revelam nitidamente as quatro estações do ano; do outro lado, corre mansamente o rio Tejo e sigo com o olhar os barcos do Barreiro e do Seixal no seu permanente vaivém e, com frequência também, os navios da Marinha, a chegar ao cais do Alfeite.
É um prazer pôr-me à janela, de qualquer dos lados, desde que aprecio o Sol a nascer e a pintar o dia de cor-de-laranja até ser noite cerrada, quando a Lua brilha no céu como um farol…
Pela minha rua anda muita gente de variadas partes do mundo e etnias, uns que aqui moram e convivem em paz; outros de passagem... Alguns circulam de carro e muitos outros a pé, ora apressados ora nas calmas, sobretudo quando vão a subir, para mais se carregam pesados sacos ou mochilas... Cá de cima, oiço vozes, pedaços de conversas… É um bairro sossegado.
Esvoaçam pombos e gaivotas que repousam e grasnam nos telhados; na Primavera voam velozmente muitas andorinhas à caça de insetos, para alimentar as suas pequenas crias que as esperam nos ninhos. E depois, no Outono, lá vão elas todas, a fugir do Inverno...
No tal jardim, sentam-se idosos, enquanto vigiam os netos que brincam livremente; os mais crescidos formam improvisadas equipas de futebol e soltam gritos de alegria, sempre que marcam um golo.
Dantes, ouviam-se sirenes de uma padaria e de fábricas (que laboravam aqui perto), para chamar o pessoal. Hoje só se forem as de uma ambulância, de um carro dos bombeiros ou da polícia, sempre muito apressados... 
Em 41 anos que aqui vivi, vi nascer bebés que hoje já são pais, conheci famílias que para cá vieram morar e certo dia partiram para diferentes destinos… Assisti a alegrias e tristezas.
Queriam uma história da minha rua? Ora deixem cá ver...
Era uma vez… 
Não..., enfim, fica para outra vez!


terça-feira, 13 de maio de 2014

Já era tempo de voltar!...

As sessões do Ler a meias esperavam vez, enquanto a voz da Mediadora ia andando sumida...
Hoje foi dia..., não se podia continuar à espera: o 3º Período voa!
Entre três livros à escolha, o 2º B optou por O rapaz que gostava de aves (e de muitas outras coisas). Em seguida, passámos em revista o que cada um de nós pode fazer pelo Ambiente. Ideias não faltam!
Quase todos os meninos sabem bem responder à pergunta "O que queres ser quando fores grande?" Logo ali se formou  uma equipa de futebol, uma outra equipa médica, arquitetos, atores, cantores, bombeiros, polícias, uma escritora... De José Jorge Letria lemos então o poema O indeciso.
E, para encerrar, novamente o Ambiente; um poema de Maria Alberta Menéres: Que lugar senão este?... 
- Adeus!, adeus!... (Eram horas!)
Logo a seguir, veio ter à biblioteca o 3º A.
A escolha de um livro não foi fácil, mas a Democracia funcionou! A maioria votou também em O rapaz que gostava de aves (e de muitas outras coisas). 
Ainda se leu o conto Trocas de António Mota. E poemas de José Fanha.
Faltava mais uma coisa: as "Histórias da minha rua". Só havia a minha! Escutaram- na... e queriam mais...
Hora de almoço:
-  Adeus!, adeus!...

(Meninos, o meu texto está mesmo aqui.)

Bibliografia:
António Mota, O lobisomem (contos), Caminho
Isabel Minhós Martins/Bernardo Carvalho, O rapaz que gostava de aves (e de muitas outras coisas), Planeta Tangerina
José Fanha, Cantigas e cantigos para formigas e formigos, Terramar
José Jorge Letria, O que eu quero ser..., Âmbar
Maria Alberta Menéres, No coração do trevo, Verbo



domingo, 11 de maio de 2014

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Memórias a vogar no cacilheiro...

Num cacilheiro, abordam-me:
- Desculpe, mas a senhora não é a professora Manuela Caeiro?
- Sim...
O rosto era-me familiar. Não admira que não a reconhecesse de imediato: já se passaram tantos anos! (Talvez vinte, trinta?...)
Abriu-se-lhe um sorriso de alegria e os olhos demonstraram visível comoção.
Alice Vieira e eu temos um cantinho no coração desta senhora: associa Rosa, minha irmã Rosa  à memória das nossas aulas de Português...
Ousei dizer-lhe:
- Mas tive a sensação que, ao ler esse livro, eu não conseguia captar a atenção geral da turma! Lembro-me que uma colega minha opinou ser uma obra mais indicada para leitura autónoma... e eu concordei!...
- Mas era a maneira como nos lia!... - E o movimento das mãos parecia rebuscar a memória. - Eu adoro esse livro! Comprei-o... ainda hoje o tenho.
As suas palavras emocionadas transbordavam de afeto pelo livro, pelas aulas...
(Como não ficar, também eu, comovida?)
Fizemos a viagem lado a lado. Falámos ao longo da travessia. Histórias de vida. Histórias da turma; laços de amizade que mantêm vivos; atitudes solidárias em momentos difíceis, entre si. Até hoje!
O barco atracou.
Cada uma foi à sua vida.
Como não ficar a sentir..., a matutar?...
O que melhor plantei entre as crianças foram palavras..., as minhas e as dos escritores... (Saberão hoje alguma coisa de categorias de textos, de conceitos gramaticais? Nem sequer são os mesmos!!!)
O melhor currículo que a escola pode dar aos jovens não será porventura este, o oculto? A integração social, o valor da amizade e da solidariedade...?
Tanto programa, tanto plano, tanta lufa-lufa... e afinal...



sexta-feira, 25 de abril de 2014

Liberdade, segundo Cecília...


«Deve existir nos homens um sentimento profundo que corresponde a essa palavra LIBERDADE, pois sobre ela se têm escrito poemas e hinos, por ela se tem até morrido com alegria e felicidade.
Diz-se que o homem nasceu livre, que a liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade de outrem; que onde não há liberdade não há pátria; que a morte é preferível à falta de liberdade; que renunciar à liberdade é renunciar à própria condição humana; que a liberdade é o maior bem do mundo; que a liberdade é o oposto à fatalidade e à escravidão; nossos bisavós gritavam “Liberdade, Igualdade e Fraternidade!”. Nossos avós cantaram: “Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil!”; nossos pais pediam: “Liberdade! Liberdade! – abre as asas sobre nós”, e nós recordamos todos os dias que “o sol da liberdade em raios fúlgidos – brilhou no céu da Pátria…” – em certo instante.
Somos, pois, criaturas nutridas de liberdade há muito tempo, com disposições de cantá-la, amá-la, combater e certamente morrer por ela.
Ser livre – como diria o famoso conselheiro… – é não ser escravo; é agir segundo a nossa cabeça e o nosso coração, mesmo tendo que partir esse coração e essa cabeça para encontrar um caminho… Enfim, ser livre é ser responsável, é repudiar a condição de autônomo e de teleguiado – é proclamar o triunfo luminoso do espírito. (Supondo que seja isso.)
Ser livre é ir mais além: é buscar outro espaço, outras dimensões, é ampliar a órbita da vida. É não estar acorrentado. É não viver obrigatoriamente entre quatro paredes.
Por isso, os meninos atiram pedras e soltam papagaios. A pedra inocentemente vai até onde o sonho das crianças deseja ir. (Às vezes, é certo, quebra alguma coisa, no seu percurso…).
Os papagaios vão pelos ares até onde os meninos de outrora (muito de outrora!…) não acreditavam que se pudesse chegar tão simplesmente, com um fio de linha e um pouco de vento!…
Acontece, porém, que um menino, para empinar um papagaio, esqueceu-se da fatalidade dos fios elétricos e perdeu a vida.
E os loucos que sonharam sair de seus pavilhões, usando a fórmula do incêndio para chegarem à liberdade, morreram queimados, com o mapa da Liberdade nas mãos!…
São essas coisas tristes que contornam sombriamente aquele sentimento luminoso da LIBERDADE. Para alcançá-la estamos todos os dias expostos à morte. E os tímidos preferem ficar onde estão, preferem mesmo prender melhor suas correntes e não pensar em assunto tão ingrato.
Mas os sonhadores vão para a frente, soltando seus papagaios, morrendo nos seus incêndios, como as crianças e os loucos. E cantando aqueles hinos que falam de asas, de raios fúlgidos – linguagem de seus antepassados, estranha linguagem humana, nestes andaimes dos construtores de Babel…»
Cecília Meireles, Liberdade, in Escolha o seu sonho, Record, Rio de Janeiro, 1964
Queres escutar este texto, em português do Brasil? É aqui.
Imagem retirada da NET, Agrupamento de Escolas de Carnaxide.

terça-feira, 22 de abril de 2014

"Ou isto ou aquilo"

Surpreendem-nos as figuras públicas que expõem desabridamente as marcas progressivas dos seus anos vividos.
Numa sociedade que privilegia a juventude e a beleza, aparentar sê-lo é forte tentação. É forte a pressão. Mas ou se pode ou não. E ou se quer ou não. 
Verdade é que ou se morre jovem, abruptamente... ou envelhecemos, inexoravelmente. 
Ou aceitamos limitações, rugas e cabelos grisalhos (um processo inevitável e natural)... ou disfarçamos afincadamente a idade, recorrendo talvez a soluções de resultado duvidoso...
Dignos de admiração são séniores que se mantêm dinâmicos, com projetos pessoais e sociais, que não se furtam a atividades culturais e desportivas, a convívios, alguns resistindo a dificuldades, acudindo a tudo e todos, exemplos de coragem, verdadeiros super-heróis do quotidiano. 
Somos muitos, cada vez mais. Um problema ou uma mais-valia?


Vi, casualmente, fotos recentes de Joan Baez. 73 anos. Uma vida cheia.
Compositora, cantautora, ativista, pintora. 
50 anos de carreira musical celebrada em 2008. Em 2010, atuou em Portugal, na Casa da Música e no Coliseu de Lisboa.
Forever young? Talvez não.
Cérebro, corpo, emoção...
Sempre bela. 
Ou não?...




quinta-feira, 3 de abril de 2014

Ciências da Leitura, Leituras da Ciência...

Sim, estive lá
O que faz uma aposentada, de Letras, num evento destes? Evidentemente: forma-se, reforma-se...
Sim, interessa-me!
Como sempre, preenchi-me com o verde e a luz coada e serena da Gulbenkian
Segui atentamente as comunicações de diversos painéis de gente de Ciência: o linguista, físicos, matemáticos, psicólogos... Apreciei produtos de trabalhos práticos; resultados de pesquisas. Diverti-me. Cresceram-me curiosidades e motivos de reflexão

Sim! Para Ler a meias, recorro sobretudo a narrativas e poemas. Nos dois primeiros anos (em que o projeto envolveu duas turmas, com periodicidade quinzenal), era ponto assente que a tipologia de textos teria de ser variada: incluí regularmente textos informativos. Na pressa das sessões mensais, descurei esse propósito. 
Eu própria não sou literata em Ciência, reconheço.
Não! Não me é pedido mais... Sossegaram-me, até.
Leio. Partilho leituras apaixonadamente. 
E dizem os estudiosos, partindo da análise de Inquéritos anónimos a estudantes, que esta atitude por parte do adulto influencia mais o gosto de ler dos jovens do que terem uma casa apinhada de livros ou sem nenhum.
Ainda bem!


terça-feira, 1 de abril de 2014

Semanas da Leitura: férias à vista...

Já tínhamos estado no 4ºA, no Pragal
Faltava, pois, o 4ºB. Pronto, já está!
Com os mesmos objetivos, fizemos nova caminhada pela Educação Ambiental, através da ilustração de Bernardo Carvalho e a narrativa rimada de Isabel Minhós Martins. 
Saltitámos de poema em poema, de poeta em poeta, entre risos e conversas sérias.
Respondam-me a esta pergunta de António Manuel Couto Viana:
(...) Se fosses uma nuvem ao luar,
serias um novelo de algodão,
a cama para um anjo adormecer,
um cordeirinho do ar,
ou soltarias o raio e o trovão
e farias chover, chover, chover? (...) 
Teríamos mesmo de chover, regar as plantas, tornar os frutos sumarentos, não acham?!... ("...o sol peca quando, em vez de criar, seca...")
A turma criou também os seus versos:
Com o Ricardo narigudo
O Mundo é mesmo sortudo
Ele cuida bem do Ambiente
Isso é bom para toda a gente!
(Grande Ricardo!)
Despediram-se animadamente:
- As histórias eram muito bonitas!...
- Onde se pode comprar este livro? 
- E aquele? 
- E o outro?
Houve gostos para tudo...
Missão cumprida!

Ler a meias... mesmo a meias...

1, 2, 3...: foi a 3ª vez  que nos encontrámos.
Como acabaria a história O Sr. Milhões - que deixámos a meio, na 2ª sessão?... 
Os meninos do 2ºB do "Pragal" ficaram de imaginar o fim e hoje tinham trabalhos de grupo para apresentar. 
Nas suas histórias, cheias de imaginação, todas diferentes, fez-se justiça! Gostei! Para mais, leram tão bem!... Palmas!
E então escutaram o resto da história de Luísa Ducla Soares, com uma lição bem mais dura... Concordaram: «Bem feito!». 

Tempo de poesia: 
Seguiram-se momentos de pura diversão com versos de José Fanha, Natércia Rocha, António Torrado...
Muitos sorrisos naquelas carinhas, ao desejar "Boas férias!"...



Apresento-vos José Fanha, o próprio!...



segunda-feira, 31 de março de 2014

A Primavera brincou às escondidas com a poesia...

Quem disse que estava a chover e até houve trovões...?! Impossível!
Na biblioteca dos "Caranguejais", reinou a Primavera, a Ler a meias...
Entrou por ali dentro o Sol, lançámos sementes à terra, cresceram caules, folhas, grandes árvores a dar sombra e com ninhos de passarinhos..., flores e frutos saborosos! E depois? Depois, tudo acaba com A cambalhota: as sementes vão novamente sair dos frutos e voltar a germinar... (São lindas as ilustrações de Fátima Afonso para este livro de Maria de Lourdes Soares.)

Deste modo, demos um saltinho às Ciências, mas logo passámos à Poesia.
A professora Margarida Pinho leu Ou isto ou aquiloQue bem! 

Era a vez dos meninos (do 2ºA): escolheram livros, espalharam-se pela sua biblioteca, assinalaram as suas poesias preferidas, leram-nas a pares... 

Não acabou!
(Chiu! Por enquanto é segredo...)
Boas férias da Páscoa!


Bibliografia: 
Maria de Lourdes Soares, A cambalhota, Paulinas

Alexandre Parafita, Histórias a rimar para ler e brincar, Texto
António Manuel Couto Viana, Versos de cacaracá, Litexa
Cecília Meireles, Ou isto ou aquilo, Nova Fronteira
José Fanha, Cantigas e cantigos para formigas e formigos, Terramar
Luísa Ducla Soares, A gata Tareca e outros poemas levados da breca, Teorema
Maria Cândida Mendonça, A cor que se tem, Plátano
Matilde Rosa Araújo, O livro da Tila, Caminho
Sidónio Muralha, Bichos, bichinhos e bicharocos, Livros Horizonte


terça-feira, 25 de março de 2014

De volta à "Anselmo"...

Festeja-se a Quinzena da Leitura, na EB 2.3 Anselmo de Andrade.
Por isso voltei: para Ler a meias..., em seis encontros marcados, ao longo desta semana. 
Século (e meio) de Literatura Infantil e Juvenil, no espaço da Lusofonia: eis o tema.
Para saltitarmos entre Europa, América do SulÁfrica e Oceania, os autores lidos foram João de Deus, José Fanha, Afonso Cruz, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sylvan, José Luandino Vieira, Manuel Rui, Ondjaki... uns ao 5º ano e outros ao 6º, conforme a reação e o tempo disponível.
Alternámos entre poesia e narrativa, em português - com e sem sotaque
Não nos esquecemos dos ilustradores...

1º dia, 25 de março

As primeiras sessões dirigiram-se ao 5ºA5ºE.
Uma das turmas participou mais ordenadamente do que a outra, mas constatei que todos se envolveram nesta atividade de leitura, intervindo, dando opiniões, sugerindo desfechos para a ação, confrontando-os com os acontecimentos das histórias..., com entusiasmo.
O 5ºA teve tempo para fazer a avaliação da sessão e deu-me razão: qualquer um dos autores (João de Deus, Drummond de Andrade, José Fanha, Luandino Vieira) mereceu a preferência de algum dos jovens presentes; e não houve nenhuma leitura que me aconselhassem a retirar, em sessões futuras!
Não poderia receber melhor incentivo, não acham?...



2º dia, 26 de março

Chegou a vez do 5ºC.
Houve diferenças...
Afonso Cruz retirou a vez a José Fanha e esteve presente, com o álbum A contradição humana
Foram outros os poemas de Carlos Drummond de Andrade que lemos: Suas mãos, Brincar na rua... (muito apreciados!)
De resto, tudo igual... 
No final, os meninos demonstraram bem o seu agrado e, a seu pedido, acabaram cantando a canção da fábula... em kimbundo!!!
O incentivo para repetir mantém-se...



3º dia, 27 de março

Foi a vez do 5ºB.
Com estes jovens (vá-se lá saber porquê!) o tempo esticou: lemos Afonso Cruz e José Fanha, mais a fábula de José Luandino Vieira. E (alternadamente) demos uma volta à Lusofonia, em poesia: João de Deus, Carlos Drummond de Andrade, Daniel Filipe, Francisco José Tenreiro, José Craveirinha...
Gostaram "de tudo", mas sobretudo das narrativas e do álbum... (José Fanha em especial, verdade seja dita...)

Com o 6ºC e o 6ºE


Mais uma vez, no 6º ano, se alternaram séculos, continentes, géneros literários..., momentos divertidos e emotivos.
Ambas as turmas, já minhas conhecidas, se divertiram com o enredo/leitura de excertos de Quem me dera ser onda e A bicicleta que tinha bigodes, dos autores angolanos Manuel Rui e Ondjaki, respetivamente. 
Impressionaram-se com o poema do timorense Fernando Sylvan, Meninas e meninos; com Miséria, de João de Deus.
Riram com Afonso Cruz e Drummond de Andrade: Quadrilha, No meio do caminho...
Uma viagem saltitante, nesta animada partilha de leituras. 
As despedidas foram de "velhos amigos" - que realmente somos!

Notas:
1) Trabalho idêntico ao já realizado em outras turmas de 2º ciclo de uma outra escola, na passada semana.

2) Já sabem: a biblioteca escolar tem vários destes títulos e irá adquirir alguns outros... Calma! Entretanto, não se esqueçam da Biblioteca Municipal ou mesmo das livrarias... Boas leituras!