terça-feira, 19 de abril de 2011

Abre uma flor...

Casulo que se desfolha timidamente e se expõe, aberto em flor, à carícia do sol.
Primavera em mim.
Assim vos desejo: Boa Páscoa!

2º Período, longo e preenchido...

Comunidades de Leitores
Das aventuras e desventuras vividas com Um livro debaixo de olho, na D. António da Costa (Almada) e na Navegador Rodrigues Soromenho (Sesimbra), várias vezes aqui falei. Não por ser um trabalho de êxito garantido, antes pelo contrário... Talvez precisamente por ser "a primeira vez" que faço promoção da leitura com adolescentes e este constituir o maior desafio do momento, aquele que tem posto à prova a minha resistência a surpresas duras e a desventuras,  estimulando a minha criatividade... (Sete sessões.)


Homenagem a Maria Alberta Menéres
Relatei também aqui, prontamente, a minha primeira sessão de homenagem a Maria Alberta Menéres (oito vezes repetida, em várias escolas.)
Constituiu igualmente um grande desafio. Que livros escolher para ler a turmas do 1º Ciclo que eu não conhecia?, ...livros que nunca abordara? O quê e como fazer?...  
Tal justificou um longo tempo de preparação, de maturação... 
A diferente reação das duas turmas com quem estive na primeira vez (diversa das de outros grupos), tanto quanto a concretização bem sucedida desta homenagem recém estreada, deu-me esse irresistível impulso para escrever logo, logo, nessa altura...
Se a primeiríssima turma (de 2º ano) riu a bandeiras despregadas com as peripécias e distrações de Alberta, no Retrato em escadinha, tranquilizando-me quanto a esta minha opção, a última turma, de 4º ano, não foi menos surpreendente! Os meninos aderiram, participaram... Por fim, fizeram perguntas à Mediadora - acabei entrevistada!... (Quase prometi que um dia eu hei de escrever uma história!...) E quando eu julgava que tudo sucedera já, naquele dia, eis que descubro que a senhora professora daqueles meninos fora minha aluna... e guardava boas memórias... Inesquecível!

Ambiente: plantas, animais e gente...

Nas restantes escolas de 1º Ciclo do AVE D. António da Costa - Escola dos Caranguejais e EB1/JI nº3 de Almada -, realizei quatro outras sessões, com turmas de 3º e 4º anos. Aí a temática foi diversa: Ambiente. 
A estas duas escolas eu fui pela primeira vez, mas com a serenidade de quem já experimentara o que ia fazer, mesmo introduzindo voluntariamente alterações à planificação, como sempre... 
Os meninos queriam saber quando eu voltaria... 
Aos do 3º ano, pude prometer um regresso, no próximo ano...

De novo, em Azeitão...
Imaginem a escola de Casal de Bolinhos: pequenina, com biblioteca. Apenas duas turmas; uma de 3º e 4º anos e outra de 1º. Tão familiar!
Pela 1ª vez, realizei aí sessões com o 1º ano. Para mim, um novo desafio! 
De uma das vezes, esqueci-me que ainda não saberiam ler versos!... (Ah! Apanhada em falso!...) Resultou, tornou-se mesmo uma atividade engraçada..., graças à motivação dos pequenitos e à entreajuda de todos...
Com os meninos do 3º e 4º anos, realizei duas sessões diferentes. Acompanhei-os também ao Lar dos Bancários, ali perto, onde cultivam a sua horta. E estivemos juntos mais umas vezes, para atualizarmos o jornal escolar digital (o seu blogue). 

Ler a Meias... (Os últimos são os primeiros...)
É na Escola Conde de Ferreira que desenvolvo a minha mais intensa atividade de promoção da leitura, quer pelo seu caráter regular quer pela sua duração: o Ler a Meias vai fazer dois anos!...
Os meus meninos, com quem me encontro quinzenalmente, estão agora quase a acabar o 4º ano e a mudar para uma escola de gente mais crescida... Os livros cujo afeto partilhamos têm-nos permitido abordar todas as temáticas possíveis e imaginárias... Juntos, estivemos oito vezes, no 2º Período..., aliás catorze..., em seis das quais fui aprendiz de Artes, pela mão da professora Clarinda Matos... Está no prelo um livro digital com as nossas produções: Tu cá, tu lá com Henri Rousseau.
Com a turma de 3º ano, os encontros são mensais; foram três as nossas sessões.
Outros balanços de resultados poderão vir a ser feitos... ou talvez não.
Os meninos passaram a ler mais? Melhor?... Quantos livros requisitam? Quais?... Para mim, Mediadora de Leitura voluntária, é balanço impossível.
Só sei que...
Acorrem felizes, sessão após sessão. Ganharam afeição pela biblioteca. Conhecem muitos, muitos livros; procuram-nos, requisitam-nos... Refletiram sobre muitos, muitos temas... Debateram muitas, muitas ideias... Incorpóreas como todas as ideias.
Quanto às evidências, existem nos blogues das minhas bibliotecas... mas aviso que nem todos estão em dia!...
A Magia dos Livros está. Posso garantir. Tenho prestado colaboração regular.
Em resumo: foram 33 as sessões realizadas por mim, (sem contar as 6 da minha colega Clarinda Matos, na Conde de Ferreira). 
E com muito mais horas de trabalho preenchi este looooooongo 2º Período!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Um sorriso...


Juntando-me à homenagem a Charlie Chaplin, por ocasião do seu 122º aniversário,  sugiro uma ida a


http://youtu.be/iu-rLA4POkI


Sublinho a mensagem final...
Mesmo nos momentos mais duros,
 ...just keep smiling...
:-)

Grande Projeto para Pequeno (Grande) Público

O "Sementes" começou em Almada, há 16 anos, pelas artes do Teatro Extremo... 
Não parou de se recriar, adaptando-se a novos tempos e novas necessidades, firme nos objetivos e persistente na viagem...
Ter uma neta de 18 anos deu-me o privilégio de acompanhar de perto este percurso... e assistir a algumas peças de teatro inesquecíveis!... 
Ser professora, permitiu-me partilhar a experiência...
Sinto-me grata.
Hoje será lançada a próxima edição. Estamos convidados...
Tudo revelado no sítio do Teatro Extremo, aqui.

SEMENTES - Mostra Internacional de Artes para o Pequeno Público

O "Sementes - Mostra Internacional de Artes para o Pequeno Público" é uma iniciativa que o Teatro Extremo organiza desde 1996. Realiza-se normalmente de 4 de Maio a 1 de Junho e é composto por uma mostra de trabalhos de qualidade ao nível nacional e internacional no âmbito do teatro e das várias artes performativas, plásticas, visuais entre outras. O Sementes é já uma referência no circuito de eventos culturais dedicados ao Pequeno Público tanto ao nível nacional como internacional.

O Sementes começou por ser uma Mostra de Teatro para o Pequeno Público, com a duração de 9 dias, depois passou a denominar-se "Sementes - Mostra Internacional de Teatro para o Pequeno Público", ainda com 9 dias de duração. A partir da 5ª edição, passa a integrar outras artes e iniciativas, assumindo o nome de: Sementes - Mostra Internacional de Artes para o Pequeno Público, com a duração de um mês.

O Sementes forma, cria, consolida e amplifica entre o jovem público, hábitos de fruição estética, fomentando o gosto pelas artes e principalmente pelo teatro; sensibiliza um público adulto que dificilmente assiste a espectáculos de teatro se não for para acompanhar os seus filhos; incentiva a troca de experiências entre criadores e público, através de vários ateliers artísticos, desta forma reflectindo sobre valores humanistas.

Todos os anos inclui na sua programação, espectáculos de teatro, dança, circo, marionetas, música, contadores de histórias, um ciclo de cinema de animação, exposições de artes plásticas, feira do livro infantil e juvenil, diversos tipos de jogos, ateliers, tertúlias e seminários que reflectem as mais variadas questões sociais relacionadas com as crianças.


 (Retirado do sítio do Teatro Extremo.)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Alea jacta est...

Ainda ontem eu continuava a remexer estantes, a ler e reler livros juvenis, a buscar ideias para uma estratégia diferente de promoção da leitura… O tempo em contagem decrescente e eu ainda sem ter uma decisão definitiva sobre o que iria fazer hoje, na 3ª sessão com o 7º 4ª, na António da Costa.
Tendo eu a Comunidade de Leitores debaixo de olho…, sabia que tinha de ser criativa e dar mais um passo no processo de sedução dos jovens para a leitura… Sendo uma sessão de 45m, mais me eram exigidas objetividade e economia de tempo… Mais isto e mais aquilo…
Quem por fim assiste, talvez ache que tudo aconteceu muito espontaneamente… Mas aqui para nós (quase em segredo…) a preparação de uma nova sessão representa muita dedicação e trabalho. As temáticas a abordar e as obras a ler constituem um processo lento, um longo desafio... Tempo de inquietante indecisão; tempo de insegura decisão.
Quando chega o momento da concretização, alea jacta est...(isto é, a sorte está lançada...) Aí sim, é seguir em frente com naturalidade… Toca a descontrair, confiar… Basta desenrolar o plano e as páginas, dar asas à imaginação, escutar apartes e comentários, não fugir às questões, interagir… encorajar, aplaudir... Gerir o tempo… Tudo aparentemente fácil! Resta a sensação de que afinal não custava nada!
O auditório reage e não engana: eles, sim, são espontâneos.

Esta 3ª sessão agora já lá vai… e eu voltei "de alma cheia"!
Levei novos títulos, sim. Uns livros cujas personagens são adolescentes, movendo-se no seu mundo sócio-familiar, com as dúvidas e emoções próprias da idade, comuns às destes jovens, e juntei também outros títulos sobre livros e leitura, bem como um cartaz publicitário da Livraria Histórias com Bicho.
A sessão começou pelo tema do amor e do primeiro beijo, lendo/vendo Borboletas, de Xavier Docampo (que traduzi).
Do Diário de um adolescente com a mania da saúde, de Aidan Macfarlane e Ann Mcpherson, lemos um capítulo eleito pelos jovens (de entre três à escolha), o qual permitiu responder a algumas inquietas questões sobre sexualidade, nomeadamente a maternidade na adolescência.
Relações familiares, dificuldade de comunicação, insucesso escolar, tecnologias ou falta delas e descoberta de prazeres do campo foram assuntos que vieram depois à baila, a partir da divulgação de Meia hora para mudar a minha vida, de Alice Vieira; Escrito na parede, de Ana Saldanha; Verba volant, scripta manent, um conto de João Aguiar, incluído em O Prazer da Leitura, que permaneceu suspenso em grande suspense*
O cartaz da livraria abriu novas aceções para a palavra LER. 
Da importância e aventura da leitura falam Os livros que devoraram o meu pai, de Afonso Cruz, e O Anibaleitor, de Rui Zink - brevemente aflorados.
Acabámos com uma atividade lúdica: de onde teriam sido retiradas três “páginas perdidas”?... Não foi tarefa fácil, mas elas reentraram direitinhas no seu lugar, exigindo alguma técnica e persistência… O poema de Makinaria, de Carlos Negro (traduzido) foi o mais fácil.
Esgotou-se o tempo. Era preciso ir logo para a aula seguinte. Haviam chegado cheios de entusiasmo, com ar expectante e sorridente, a disputar os lugares da frente. Haviam seguido a sessão com olhar atento, sem perder pitada e intervindo… Agora partiam sem pressa e satisfeitos, tal como eu.
- Voltem voluntariamente para o ano!– -insisti, à despedida.
Voltarão ou não... Alea jacta est...
Curiosamente, surgiram novas interessadas: as professoras presentes talvez queiram integrar uma Comunidade de Leitores em torno de livros para a infância e juventude...
Quem sabe?!… ;-)

* Livro esgotado. O conto integral pode ser lido on-line, aqui: http://www.andante.com.pt/pdfs/verba%20volant,%20scripta%20manent.pdf  

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Tempo de poesia...

Imagem

Este é o poema de uma macieira.
Quem quiser lê-lo,                                
Quem quiser vê-lo,
Venha olhá-lo daqui a tarde inteira.


Floriu assim pela primeira vez.
Deu-lhe um sol de noivado, 
E toda a virgindade se desfez
Neste lirismo fecundado.


São dois braços abertos de brancura;
Mas em redor
Não há coisa mais pura,
Nem promessa maior.                        
                                                      
Vila Nova, 4 de Abril de 1936
Miguel Torga
In Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa, Eugénio de Andrade, Campo das Letras, 1999, p. 431


Este poema faz hoje 75 anos. Permanece puro e virginal como macieira em flor em manhã primaveril...
Dedico-o ao Jorge, que faz hoje anos... 
...e à Maria, que hoje mesmo nasceu...


Até hoje, Sebastião da Gama dispensou-me o seu Pequeno poema, para idênticas e repetidas situações... Pode ser lido aqui mesmo...

sábado, 2 de abril de 2011

Outras leituras...

Mafalda Milhões lembra-nos que "ler" não tem de ser necessariamente pelos livros... digitais ou analógicos. Há tantos, tantos outros suportes!...


...o mar, as árvores, a rua, o álbum de fotografia, as tabuletas, os sinais, as embalagens, os objectos, as cores do dia, o rosto das pessoas, as instruções dos electrodomésticos, o tempo, as cartas, os postais, o mundo inteiro ou o seu (nosso) canteiro...